Capítulo 497: Contanto que a mente seja perversa o suficiente, não há ninguém que não se possa bajular
Zhang Kui também era do tipo meio malandro, vendo Jia Guang passar vergonha, não fez nada para aliviar a situação, só ficou ali conversando com Zhou You sobre os assuntos de casa recentemente.
— Até que está indo bem ultimamente. Se todo mundo baixar um pouco as expectativas, a vida acaba sendo bem boa.
— É, às vezes é até engraçado. Os pais tratam os filhos tão bem, e os filhos acham tudo tão natural que, quando algo não é atendido, já reclamam.
— Nessa hora, se um estranho der uma mãozinha, eles já ficam gratos até demais, tratam melhor do que os próprios pais.
Zhang Kui ouviu e completou: — Isso é uma questão de expectativa. Para estranhos, a gente não tem expectativa nenhuma, então não tem decepção. Já com quem está perto, não é assim.
— Pois é, às vezes baixar a expectativa faz a vida fluir melhor. — Zhou You disse, não se sabia se de propósito ou não.
Jia Guang estava inquieto, querendo se intrometer, mas não sabia o que dizer.
Finalmente tinha conseguido se dar bem, mas não podia mostrar, ficava sufocado de vontade de se exibir.
Mas ele também sabia que não era popular. No casamento dele, quase ninguém foi. Era da natureza, não tinha como mudar.
Só quando a cerimônia de casamento do Datou começou é que Jia Guang encontrou uma brecha.
— Por que o Datou é tão discreto? Não chamou o chefe da unidade dele para ser padrinho? No meu tempo, chamei o chefe máximo da minha unidade, que também é meu tio.
— A noiva é boa, veio um gerente de banco, puxa, até o gerente geral do banco. Nada mal.
Zhang Kui não aguentou mais: — No meu casamento, chamei os mais velhos da família, foi muito mais solene.
— Ah, para quem trabalha em empresa, tanto faz quem chama. Daqui a alguns anos, você troca de empresa, troca de chefe. Nós vamos ficar no mesmo lugar a vida toda, temos que ir cultivando aos poucos. — Jia Guang tinha uma cara de quem se deu bem, ainda dando lições de regras do mercado de trabalho.
— Quem foi que te acompanhou na inscrição para o concurso? Quantas pessoas da sua cidadezinha foram fazer a prova? Se não fosse eu e o Datou, você nem teria chance de passar, e ainda fica com esse papo furado. — Zhang Kui não se conteve. Na época, foi por consideração ao colega que foram ajudar a completar o número de inscritos.
Quatro anos de faculdade, por mais conflitos que houvesse, quase tudo se dissolvia na formatura, e na superfície todo mundo se tratava bem.
Era também a época em que os laços eram mais fortes.
Jia Guang, por mais sem noção que fosse, não podia falar nada naquela hora. Não ia dizer que aquela vaga era de encomenda, feita especialmente para ele.
— Na época, não convidei vocês para jantar? E ainda ganharam experiência, não foi? — Jia Guang teimou. Esse tipo de gente só guarda rancor, não gratidão.
Zhang Kui não disse mais nada. Com gente assim, não adiantava conversar.
— Zhou You, você já casou? Por que não convidou a galera para o casamento? — Jia Guang puxou assunto.
— Casei, mas não fiz festa. Viajamos e casamos. — Essa frase animou o clima na mesa.
— Nossa, você casou?
— A mulher trabalha com o quê?
— Vocês ganharam casa?
— Como está o salário de professor hoje? Antigamente, os professores não tinham vida fácil.
Todo mundo falava ao mesmo tempo, cheio de curiosidade.
— O professor não está ali comendo? Perguntem vocês mesmos. — Zhang Kui sabia alguma coisa, mas não muito. Só sabia que Zhou You não estava passando aperto financeiro, e que já tinha visto Wang Fangfang, uma pessoa bonita e gentil.
Zhou You estava enlouquecendo com as perguntas: — Olhem direito, a cerimônia está rolando.
Lá em cima, o gerente do banco lia um discurso: — A senhora Tong Qiaoyun é educada, gentil e virtuosa, uma funcionária exemplar do nosso banco, um pilar da equipe...
— Por fim, desejo a vocês felicidade eterna, que a vida e o trabalho sempre progridam.
Terminando, desceu do palco sob os aplausos e foi para o lugar de honra.
O gerente sentou, olhando para um lado e para o outro, não se sabia o que procurava. Mas como a cerimônia ainda estava rolando, só podia deixar para lá.
Ficou ali, forçando a paciência, sendo educado com todos os convidados. A rigor, ele não precisava estar ali; bastaria mandar um chefe de departamento. Mas ele tinha outros objetivos.
Só quando a cerimônia terminou e os noivos vieram brindar é que ele encontrou uma chance.
No meio do brinde, perguntou baixinho a Tong Qiaoyun, seguiu a direção do dedo dela e sentiu um peso enorme sair do peito.
Depois disso, ficou de olho naquela direção. Quando viu que os noivos já tinham ido brindar ali, levantou-se rápido, serviu uma dose de cachaça e foi direto.
Ao se aproximar, diminuiu o passo, ajustou a postura, curvou um pouco as costas que estavam eretas.
Com um sorriso natural no rosto: — Olá, o senhor é o Sr. Zhou?
O pessoal estava conversando e não percebeu a chegada. Jia Guang até notou, mas o nível do gerente era muito mais alto que o dele, os recursos que ele controlava estavam além da compreensão de Jia Guang, e ele nem imaginou que o homem vinha para aquela mesa.
Só quando o outro falou é que todos perceberam.
Olhares de surpresa se espalharam.
Zhou You, claro, sabia que era para ele. Desde que abriu conta no banco deles, já tinha depositado alguns bilhões. Era dinheiro demais, então espalhava por vários bancos.
O gerente já tinha ligado algumas vezes, mas Zhou You recusou. Não via graça.
Uma vez, tentaram marcar pela Tong Qiaoyun, mas Zhou You não estava em Luzhou na época, e não deu certo.
Quem diria que hoje ele apareceria de novo.
— Olá, Gerente Wang. Não esperava que o senhor viesse pessoalmente prestigiar. — Zhou You foi educado, não se bate em quem sorri.
O Gerente Wang levantou o copo: — Claro que viria. A Qiaoyun tem um ótimo desempenho no banco, é nossa funcionária exemplar. Hoje finalmente conheço o Sr. Zhou pessoalmente. Um brinde ao senhor.
E virou o copo de uma vez, deixando cair uma gota.
— Gerente Wang, desculpe, hoje não estou bebendo. Vou brindar com suco. Da próxima vez, convido o senhor especialmente, e a Xiao Yun organiza. — Zhou You estava com suco de laranja no copo.
Naquela mesa, só Jia Guang estava bebendo; os outros, não.
Zhou You não era de não beber, mas bebia conforme o humor. Só bebia em ocasiões alegres; para compromissos sociais, bebia bem menos.
— O senhor é muito gentil. Então aguardo seu convite. — O Gerente Wang conhecia o jeito de Zhou You, muito discreto. Se não fosse por necessidade, também não queria se encontrar assim.
Olhando para os colegas de faculdade, provavelmente nem sabiam o patrimônio de Zhou You.
Sentado ali, tão à vontade, não dava para imaginar que era dono de bilhões em dinheiro vivo.
E era dinheiro vivo, com baixa liquidez, depositado e quase sem movimentação. Só alguém com dezenas de bilhões de patrimônio poderia fazer isso.
Embora Zhou You só tivesse depositado no banco dele, ele sabia que havia depósitos em outros bancos também, mas ninguém parecia ter visto o homem pessoalmente. Os bancos, na maioria, só faziam visitas em feriados, sabendo que ele era discreto, e a maioria era por mensagem.
Com medo de incomodar demais e ele levar o dinheiro para outro lugar.
Vendo o Gerente Wang se afastar, os colegas na mesa se entreolharam. Por um momento, o silêncio reinou.
Ninguém era bobo. Todos já tinham rodado no mundo. Um gerente de banco municipal vinha pessoalmente brindar, e com uma atitude tão humilde.
Sim, a impressão que o Gerente Wang passava era de certo receio.
Zhou You sentou-se calmamente. Não explicou nada, com naturalidade, e disse para todos: — Comam logo. Depois da comida, vou levar vocês para dar uma volta no campus. Agora, sou o anfitrião aqui.
O silêncio foi quebrado.
Todos baixaram a cabeça e comeram, sem ninguém perguntar o que tinha acontecido.
Até o mais inquieto, Jia Guang, ficou quieto, encolhido, pensando não se sabia no quê.
Jia Guang era mau, não era burro.
Zhang Kui, já preparado, comeu e foi aliviando o clima: — O Professor Zhou agora é professor associado, hein. Já pode orientar mestrandos. Quem quiser fazer pós com ele, é agora. Garanto a formatura.
— Nossa, sério? Em tão pouco tempo já é professor associado? — Alguém duvidou.
Mal terminou de falar, já se arrependeu. Dinheiro faz milagre. Até o gerente do banco tinha vindo. Agora, tudo era possível.
— Fiz um doutorado. Nossa área, vocês sabem, não é tão competitiva. — Zhou You explicou.
Esse título de professor associado foi quase de graça. A concorrência era realmente pequena, quase inexistente.
As mulheres solteiras olhavam para Zhou You com brilho nos olhos. Pena que antes não o queriam, e agora ele já era casado, sem chance.
Olhando para si mesmas, sem corpo, sem rosto, sem nada que atraísse. A única chance era na faculdade, quando estavam perto e podiam usar a juventude para conquistar.
As casadas também pensavam. Juntos, não dava, mas não descartavam contato no futuro.
Todos conversavam e riam, mas dava para sentir que o clima tinha mudado. O centro das atenções estava lentamente se deslocando para Zhou You.
Zhou You suspirou fundo. Era por isso que ele era discreto. Gostava de conviver com os antigos colegas como uma pessoa comum.
Mesmo que só restasse um pouco de amizade de faculdade, não queria transformá-la em interesse.
Zhang Kui percebeu e entendeu. Morava perto de Zhou You e nem ele sabia de tudo.
Depois, quando foi visitar Zhou You, só ficou sabendo de parte.
De vez em quando, perguntava ao Datou, mas ele também falava de forma vaga, sem entrar em detalhes.
Então conhecia o jeito de Zhou You. Desde a faculdade, ele já era assim: discreto e reservado.
Claro, antes era obrigado a ser discreto e reservado. Agora? Talvez fosse da natureza.
Quando todo mundo já tinha comido, o Datou se aproximou: — O que foi? Ninguém bebeu? Na hora do brinde, não tive coragem de perguntar.
— Sem o noivo, que graça tem beber? Estamos todos esperando para beber com você à noite. — Disse Zhang Kui.
— Culpa minha, culpa minha. À noite, estou livre. Tudo resolvido. Ninguém vai embora. Vamos beber um pouco. Já reservei os quartos. — Datou disse, feliz.
No casamento, muitos amigos chegaram um dia antes. Ele estava bem, estudou na província, ninguém muito longe, a maioria veio no dia.
— Sem problemas. Claro que posso. De tarde, vou dar uma volta no campus. — Jia Guang foi o primeiro a responder.
Ir embora? Impossível. Como um adulto maduro, será que conflitos entre colegas são realmente conflitos?
À noite, uma bebedeira e pronto, o mal-entendido se desfaz.
Além disso, bajular quem for, tanto faz. É só de boca para fora, sem envolver o coração. Contanto que a mente seja perversa o suficiente, não há ninguém que não se possa bajular.
Zhou You não sabia o que se passava na cabeça do cara. Se soubesse, só podia elogiar: um talento!
Só gente assim no mundo consegue se dar bem. É triste, mas é verdade.
É como puxar o saco e passar a mão na cabeça. Todo mundo gosta de ser bajulado e reconhecido. A questão é saber acertar o ponto.
Forçar a barra é falta de nível.
— Ninguém tem problema. Você já arrumou lugar para a gente ficar. Que grande chefe!
— É, antes a gente nem ousava vir aqui. Na faculdade, só olhava de fora.
— Hoje, todo mundo presente. Principalmente vocês, homens, que não beberam.
— Isso, isso. Ninguém pode ir. É difícil se reunir.
— O Datou é o anfitrião, e o Professor Zhou também.
Todo mundo falava animado, ninguém dizia que ia embora mais cedo.
Zhou You sorriu, não disse nada. Com o Datou ali, ele não era o centro.
Datou não tinha bebido, estava de bom humor, ainda na empolgação, sem cansaço.
— Ah, eu não sou nada. Grande chefe? É só por causa do Professor Zhou que consegui um desconto. — Datou disse, feliz.
Todos se entreolharam de novo.
As dúvidas só aumentavam, mas ninguém ousava perguntar. Ou esperavam perguntar ao Datou em particular, ou esperavam a noite.
Nesse momento, Tong Qiaoyun também se aproximou, já trocada de roupa, e puxou Zhou You de lado, com vergonha: — Irmão You, desculpa. Nosso gerente insistiu em vir ao meu casamento e se ofereceu para ser padrinho. Não pude recusar.
Na época, Tong Qiaoyun nem tinha contado ao gerente sobre o casamento. Só avisou alguns colegas, por cortesia.
Quem diria que um dia ele a chamaria ao escritório: — Ouvi dizer que você vai casar. Parabéns.
— Sim, chefe. Já pedi licença ao gerente responsável. — Tong Qiaoyun disse, cautelosa.
No nível dela, um casamento normal, e o gerente geral já sabia.
— Já arrumou alguém para ser padrinho? Precisa que eu seja? — Disse o Gerente Wang.
Como recusar?
O chefe se oferece, e você recusa? Quer continuar trabalhando ali?
Principalmente sendo uma oferta de boa vontade. Se fosse para prejudicar, ainda dava para reclamar.
Só se pode dizer que a maioria dos gerentes de banco não é gente comum. Sabem se curvar quando precisam, sabem baixar a cabeça.
Ele não mencionou Zhou You uma vez sequer.
Só no local, depois da cerimônia, perguntou quem era Zhou You.
Naquela hora, não dava para não dizer. Também não podia dizer que ele não tinha vindo ao casamento. Ela sabia que, pelas informações básicas, quando ele a convidou para jantar, já tinha dito que era colega de faculdade do marido.
Tong Qiaoyun, sem saída, apontou na direção de Zhou You.
Depois, mesmo brindando, ficou de olho nos movimentos do gerente.
Por isso veio se explicar.
Zhou You sorriu: — Tudo bem. Hoje é o grande dia de vocês. Ele veio por boa vontade. Quando vocês terminarem, eu marco um horário e convido o gerente de vocês para jantar.
Ficar recusando não adiantava. Mais cedo ou mais tarde, teria que se encontrar.
Datou viu Xiao Yun conversando com Zhou You e sabia do que se tratava. Lá atrás, já tinham conversado. Não era nada demais.
Só precisava esclarecer.