Capítulo 497: Capítulo 497 Capítulo 496 Pequena Reunião

Capítulo 496: Pequena Reunião

Festa de aniversário de um ano, no salão do restaurante.

Zhou You olhava para os convidados que iam e vinham, com a cabeça um pouco dolorida.

Originalmente, só queria preparar uma refeição simples com a família, um jantar em grupo, para aproveitar um momento de lazer com os filhos.

Quem diria que cada vez mais gente apareceria? Será que os russos também gostam de se meter em confusão ultimamente?

Ivan veio, o pessoal da academia de luta veio, a Associação de Chineses Ultramarinos também veio, somando-se aos parentes que já estavam aqui, lotaram várias mesas.

Não é à toa que dizem: "Na riqueza, até parentes distantes aparecem."

Huang Longbiao ficou surpreso ao ver tanta gente. Achava que não viria quase ninguém, mas, no fim, vieram tantos, um por um.

Como chinês, ele sabia que participar de um jantar familiar assim era uma ótima oportunidade de observação. Dava para perceber muita coisa através dessa reunião.

Ivan, executivo de um fundo de investimento, normalmente era difícil até de ter contato.

Dessa vez, Huang Longbiao também trocou contatos. Útil ou não, primeiro adicionava.

Os presentes que cada um trazia também eram diferentes. Huang Longbiao deu um envelope vermelho, seguindo o costume chinês.

Já que vieram, tudo bem, era só mais um par de pauzinhos.

Ivan foi até Zhou You: "Ouvi dizer que Zhou You investiu em mais uma empresa de jogos?"

Zhou You olhou surpreso, não esperava que a notícia já tivesse se espalhado tanto. O que isso significa? Tanta atenção assim em mim?

"Como você soube?"

"Ouvi do pessoal do círculo de investimentos. Agora, todo mundo está de olho nos seus investimentos, Zhou You." Ivan falou a verdade. Como não prestar atenção?

Mesmo sob o cerco de várias empresas de investimento, Zhou You ainda conseguia encontrar um peixe que escapou da rede. Essa habilidade não era pouca coisa.

Zhou You sorriu: "Se soubesse que você estava interessado, na próxima vez te chamava. Mas dessa vez, é porque eu gosto desse jogo. Por um lado, é investimento, por outro, é para eu mesmo jogar."

Isso era a pura verdade, e também sincera.

Ivan não conseguia distinguir se era verdade ou não, só pôde levantar o polegar.

"Eu tenho um iate bem legal. Gosta?" Ivan perguntou. Homens não gostam todos de iates?

Zhou You balançou a cabeça: "Não curto muito. Uma coisa que uso uma vez por ano, não vale o esforço."

Não era questão de desperdiçar dinheiro, mas sim tempo.

Huang Longbiao, ouvindo ao lado, ficou impressionado, mas não teve chance de se meter. Como dizer? O cara, para se divertir, investe numa empresa de jogos, que deve valer alguns bilhões de reais, né?

Pô, mais do que todo o patrimônio dele. Como competir?

Às vezes, pensava que esse figurão era realmente discreto. Comida, roupa, moradia, transporte, tudo mais ou menos igual. Se não tivesse contato com ele, como saberia que era tão rico?

Esse era o tipo de rico que combinava com os chineses: discreto, contido, sem ostentação.

Diferente desse ou daquele "homem mais rico", que são muito chamativos e famosos, perdendo muita graça na vida.

Principalmente o caso recente que viralizou, sobre "um pequeno objetivo".

Diretamente causou um grande alvoroço, chocando os internautas. Que história é essa? Isso é só um pequeno objetivo?

Isso é um ideal de vida, ok? Quem consegue chegar a esse ponto já é uma pessoa excepcional, alcançou a liberdade financeira. O que mais querem?

Por que a reação foi tão grande? Porque fugia do senso comum de todos.

"Olha, Presidente Zhou, se tiver algum bom projeto no futuro, pode me incluir. Eu cuido da parte operacional para o senhor." Huang Longbiao, na hora de ir embora, não se conteve e falou.

No fundo, era um homem de negócios. E um homem de negócios sempre acaba falando.

Antes, ainda o chamava de "irmão mais novo", mas agora não ousava mais.

Era meio bruto, mas não era burro.

Zhou You assentiu: "Tá bom, ainda não é a hora. Quando tiver tempo, a gente se diverte junto."

"Fechado! Fico esperando seu chamado." E foi embora feliz.

Muita gente não entende: por que alguém tão rico ainda frequenta círculos sociais e quer ganhar mais dinheiro? Não cansa?

Na verdade, não cansa.

Quando se chega a um certo círculo, muitas informações são desconhecidas do mundo exterior. Qualquer coisinha que se faça pode superar a poupança de uma vida inteira de uma pessoa comum.

Tem um documentário chamado "China em Turbulência", com um episódio intitulado "Os Ricos e os Trabalhadores Migrantes".

É bem interessante de ver.

As reuniões dos ricos são simples e sem ostentação. O assunto são projetos, e o que mais se ouve é "vamos enriquecer juntos". Diante das câmeras, muitos viram o rosto e vão embora.

Numa época confusa, a maioria dos ricos é muito discreta, porque todos sabem como conseguiram o primeiro capital.

O capital original é sempre sangrento.

Pena que agora não se vê mais isso. É muito unilateral, não consegue mostrar uma imagem positiva e edificante completa.

Zhou You contou a Yin Na sobre o presente que deu.

Yin Na ficou incrédula: "Você tem certeza de que só a Le Xue ganhou? E os nossos futuros filhos?"

Essa mulher de coração grande.

Ainda pensava nos futuros filhos.

"Você, irmão, não vou contar para ela tão cedo. E provavelmente nunca vou contar, a menos que ela enfrente uma dificuldade real. Mas, se ela tiver dificuldades, todos nós vamos ajudá-la, não é?" Yin Na disse com suavidade.

Na opinião dela, os filhos devem ser tratados igualmente. Não pode haver muita diferença só porque um nasceu antes ou depois.

Zhou You não se importava. Afinal, era uma promessa dele, não para os filhos. Quando eles crescerem, a gente vê.

Equilibrar a balança é um estado ideal.

Para a mãe, pode ser assim. Mas para Zhou You, não necessariamente.

A mentalidade dele agora era um pouco como a dos antigos latifundiários. Quando se tinha várias esposas e concubinas, o gosto por cada filho era diferente.

"Então, vamos ter mais um?" Zhou You olhou para a pequena Le Xue, que dormia, e depois para Yin Na, que ainda não tinha engordado.

Ele tinha medo, sim.

E se, no futuro, ela envelhecer, o corpo mudar, o que ele faria?

Talvez ele também envelhecesse, e aí ninguém teria do que reclamar.

"Hum, dessa vez quero um filho. Que aprenda artes marciais desde pequeno e, quando crescer, nos proteja." Yin Na não tinha nenhuma resistência em ter filhos.

Pelo contrário, queria ter vários.

Com tanta gente para ajudar, não era tão cansativo. E, principalmente, a licença-maternidade na Rússia é longa.

As mulheres têm 3 anos de licença, com subsídio. Quanto a dinheiro, Yin Na não se preocupava. Bastava viver dos filhos. O subsídio mensal era muito maior que o salário dela.

Dessa vez, Zhou You não deu muitos presentes, mas deu mais alguns milhões em dinheiro.

Toda vez que vinha, dava. Qual mulher recusaria?

Era tanto que ela, uma humilde serva, não aguentava.

Só podia se entregar de corpo e alma, preparar a cama e recebê-lo.

Maria agora também estava completamente adaptada à vida atual. Considerava o genro como um estrangeiro, que vinha de vez em quando, sem afetar nada.

Os parentes dela também não faziam fofoca. A vida seguia assim. Todos sabiam que ela tinha um genro rico. Uns tinham inveja, outros não ligavam. O povo guerreiro, desde que tenha comida e bebida, está bom. Ganhar demais não adianta.

Realmente não adianta. No fim, pode não ser mais deles!

Depois que Datou voltou da Coreia do Sul, ele se reconheceu.

Além disso, Da Kui, apesar de fazer barulho, no fim não se divorciou. Os pais de Datou também acharam que estava tudo bem.

Casar, então.

Eram pessoas comuns. Naquela idade, o que mais fazer, senão casar?

Se não casasse, nem precisaria trabalhar num lugar como aquele. Arrumava qualquer emprego para passar o tempo, ou nem trabalhava. Com o aluguel, não morria de fome, e ainda podia viajar por aí.

Só que Datou não gostava de vagar. Preferia ficar quieto num lugar.

Nisso, ele era muito parecido com Zhou You. Senão, não teriam virado amigos. Nenhum dos dois gostava de arrumar confusão.

"Xiao Yun, vou confirmar de novo: não quer uma grande festa, né?" Datou olhou nos olhos de Tong Qiaoyun e confirmou.

Para a maioria dos homens, casar realmente não faz diferença. Eles são mais racionais e práticos.

Já as mulheres geralmente se importam mais com essas coisas, com o tal "ritual".

Tong Qiaoyun também já sonhou com um casamento lindo, romântico, suntuoso, com cantor para animar, muitos convidados ilustres.

Mas, depois de alguns anos trabalhando no banco, essas ideias se dissiparam. Principalmente na situação atual, dinheiro é o que importa. Gastar tudo em vaidade era um desperdício enorme.

Ela já foi a muitos casamentos. Via uma vez e esquecia. A menos que Zhou You chamasse uma celebridade, aí todo mundo lembraria.

Mas o trabalho de Datou exigia discrição.

Principalmente quanto mais Tong Qiaoyun conhecia Zhou You, menos gostava de ostentar. "Carne no pão não precisa de enfeite na casca". Ficar rico em silêncio é o caminho.

E o que Datou pensava também estava certo. Eles raramente pediam algo a Zhou You. Se o casamento fosse muito chamativo, causaria mal-entendidos. Alguém poderia pedir ajuda a eles. Ajudar ou não? Eles não teriam capacidade, só recorrendo a Zhou You.

Depois de algumas vezes, a amizade acabaria.

Tong Qiaoyun já tinha pensado nisso profundamente. Assentiu firmemente: "Normal, simples, está bom. Vamos cuidar bem da nossa vida."

Datou não conseguiu segurar o sorriso: "Minha esposa é mesmo sensata."

"Hum, ainda não sou esposa. O casamento ainda não aconteceu." Tong Qiaoyun também gostava de ouvir coisas boas.

Datou apontou para o certificado na parede: "O registro de casamento já está pendurado ali. É legal."

Os dois já estavam arrumando a nova casa, perto do trabalho de Xiao Yun. Tinha sido comprada há dois anos. Na época, pensaram que a casa tinha que ficar perto de um dos dois, o mais conveniente possível.

A casa ficava a apenas 1 km do trabalho de Xiao Yun. Dava para ir a pé.

E, provavelmente, Tong Qiaoyun trabalharia ali a vida inteira. Quanto a promoção ou aumento, nem pensava. Era muito cansativo. Só depender de Zhou You também era difícil.

Melhor assim, ser uma funcionária comum, sem despertar inveja. As metas de desempenho eram cumpridas bem.

No fundo, era tudo graças a Zhou You. Era como se Zhou You sustentasse uma pessoa com os depósitos.

Os dois chegaram a um acordo, e muitas coisas ficaram fáceis.

"Seus colegas, meus colegas. Para padrinho, arrumei alguns parentes e amigos de infância. Já arrumou as madrinhas?"

"Hum, já arrumei. Tá bom, só isso que precisamos nos preocupar. O resto não é problema nosso." Datou sorriu de orelha a orelha.

Casamento é uma coisa grande. O que eles podiam decidir? Talvez só essas coisinhas.

Quanto a como buscar a noiva, como convidar os parentes, como contratar o mestre de cerimônias, tudo já estava definido. Não precisavam se preocupar.

O hotel escolhido foi o Salão de Recepção. Tinha nível, área externa, e, pela relação com Zhou You, ainda conseguiam um desconto. Gente comum ganha dinheiro com dificuldade, então economizar um pouco é bom.

Zhou You estava sentado no salão do hotel, rodeado por colegas de mestrado e da faculdade.

Datou casou tarde. A maioria dos colegas já era casada. Os padrinhos só podiam vir dos parentes, perdendo um pouco da graça.

Não incomodaram Zhou You com carros. Hoje, ele só veio para comer.

Na memória de Zhou You, não via esses colegas há mais de dez anos. Ele também era uma pessoa caseira.

Essa história de "andar de seda à noite" ou "brilhar em público"? Bobagem. Não passava de complexo de inferioridade do passado. Depois de tanto tempo sendo "surrado" pela sociedade, Zhou You não tinha muita vontade de se exibir.

Senão, já teria organizado um jantar de ex-colegas.

Datou até tentou organizar uma vez, mas Zhou You recusou na hora. Era perda de tempo. Quem se dá bem, naturalmente se aproxima. Quem não se dá bem, não adianta forçar.

E muitos, Zhou You nem lembrava mais o nome.

"Zhou You, ouvi dizer que você é professor agora?"

"Hum, fiquei direto na universidade." Zhou You respondeu de qualquer jeito. Não tinha interesse naquele cara. Na faculdade, ele não era legal, muito dissimulado.

Namorar é normal, mas terminar direito, não. Ainda chamava outros para roubar a namorada dele.

Gênio entre os gênios.

"Ah, que bom. Horário flexível, confortável. Diferente de mim, no trabalho, nem sobe nem desce. Um cargo médio, sempre apanhando dos dois lados." O tom de Jia Guang, para quem ouvia de fora, era claramente uma ostentação descarada.

Recém-formado e já num cargo médio? Era um jovem talento, né?

Zhou You não aliviou: "Pois é. Se mata de trabalhar para ganhar aquela mixaria, nem vale a preocupação."

Jia Guang não soube o que responder. Zhou You não seguia o roteiro.

Normalmente, quando ele falava assim, todo mundo o bajulava: "Nossa, Diretor Jia, que fera! Já é um pilar no meio do setor. Quantos subordinados você tem?"

Mas na boca de Zhou You, parecia que ele realmente não dava valor.

Pensou consigo: "Esnobe! Professor universitário é tudo esnobe!"

"Pois é. Às vezes, até quero largar tudo. Mas a família não deixa, e o chefe também não, diz que sou muito competente. Ainda querem me dar mais responsabilidade." Jia Guang não engoliu aquilo.

Na escola, perdia nos estudos. Agora, na sociedade, com a proteção dos pais, não ia se vingar um pouco?

Zhang Qu, sentado ao lado, queria rir, mas se conteve.

Zhou You era tão discreto que, se não fosse pelo contato direto, realmente pareceria um simples professor.

Fazia coisas, mas não divulgava, não contava. Como os outros saberiam?

Zhou You não queria mais papo com ele. Aquela cara de "pobre que virou rico" era irritante. Reuniões de ex-colegas com alguns desse tipo estragavam o clima.

Era nojento.

Jia Guang viu Zhou You ir conversar com Zhang Qu e ficou ainda mais irritado. Mas não era no trabalho dele, nem na casa dele. Ninguém o paparicava. A raiva ficou entalada, uma sensação horrível.

Essa história de se exibir é uma faca de dois gumes.

Se der certo, é uma delícia.

Se falhar, é um sufoco.

Naquela mesa, havia uns doze ou treze colegas, homens e mulheres. Formados há alguns anos, ainda conseguirem reunir tanta gente não era fácil.

Muitos também queriam visitar a antiga universidade, matar saudades dos tempos de faculdade. Aí juntaram tudo.

Se fosse em outro lugar, talvez não viessem tantos.