Shen Xingrou não teve escolha a não ser procurar um pijama para ele, mas... onde ela arranjaria um pijama masculino?
— Não tenho roupas masculinas.
— Então vou dormir nu? — o homem apoiou a cabeça nas mãos, deitou-se na cama dela e sentiu o leve perfume do cobertor, igual ao dela...
Shen Xingrou pegou uma camisola larga e estampada com desenhos de desenho animado.
De repente, ela esboçou um leve sorriso: — Veste isto.
He Su olhou, ergueu uma sobrancelha e riu com desdém: — Sou macho.
Vestir-lhe uma saia, e ainda cor-de-rosa com um gato tão feio!?
— Senão não tenho roupa para te dar, vai ter que te contentar com isso. — Shen Xingrou mordeu o lábio. — Ou amanhã compro-te uma nova, masculina!
— ...
He Su, relutante mas sem poder recusar, vestiu-a.
No momento em que ele saiu, Shen Xingrou quase partiu os dentes do fundo, mas não conseguiu conter o riso.
Ele não era muito corpulento, mas a saia ainda ficou um pouco apertada, especialmente na parte de cima, onde os olhos do gato estavam esticados e inchados, dando uma sensação de "gorila com saia"...
Aquela cena fez com que Shen Xingrou, por mais que tentasse se conter, não conseguisse deixar de rir.
He Su estava com o rosto carregado, mas... ver ela rir tão feliz fez com que ele achasse que valeu a pena.
Assim, ela não ficaria deprimida por causa daquele incidente.
Sem telemóvel para tirar fotos, ela achou uma pena!
— Já te riste o suficiente?
Shen Xingrou, com medo que ele se zangasse, parou de rir imediatamente.
— Se já te riste, vai dormir cedo. — He Su não se esqueceu de avisar antes de sair: — Amanhã faço o pequeno-almoço, nada de dormir até tarde!
Ao fechar a porta, Shen Xingrou não conseguiu conter uma gargalhada.
Na manhã seguinte.
Da cozinha vinham sons de panelas e conchas a bater, e o cheiro de óleo espalhava-se pelo ar...
Quando o homem abriu a porta e entrou, a rapariga ainda dormia profundamente, com as pernas a apertar o cobertor — a postura de dormir deixava-o um pouco sem palavras.
Com paciência, ele endireitou o cobertor e cobriu-a bem.
Sentou-se na beira da cama e olhou para ela por um tempo; quando se deu conta, já tinha passado meia hora.
Ele deu-lhe um toque leve no ombro: — Preguiçosa, acorda.
Shen Xingrou abriu lentamente os olhos sonolentos, espreguiçou-se e foi ajudada por ele a sentar-se: — Que horas são?
— Sete e meia.
Shen Xingrou bocejou: — Porque é que acordaste tão cedo? Agora não trabalho.
— O tempo lá fora está bom, depois do pequeno-almoço vamos dar uma volta.
O homem apressou-a algumas vezes e foi à casa de banho preparar-lhe a pasta de dentes.
Shen Xingrou lavou-se e, com cara de sono, sentou-se no tapete em frente ao sofá.
O pequeno-almoço era leve, com papa, ovos fritos, e também os pastéis de carne que ele tinha comprado de propósito, além de tiras de massa frita.
Shen Xingrou tinha tido insónia na noite anterior, a virar-se na cama sem conseguir dormir, e naquela altura estava com tanto sono que mal conseguia abrir os olhos. Enquanto mordia um pastel de carne, os olhos quase se fechavam.
— Come bem. — He Su abriu-lhe os olhos com o polegar e o indicador: — Depois de comer, dormes.
— Está bem...
Ela obedeceu, comeu a quantidade que He Su determinou, e voltou para a cama para uma soneca.
O homem, por sua vez, pegou nas chaves e saiu, foi primeiro à sua casa deixar a mala, e depois pegou nalgumas roupas e no pijama.
Conduziu diretamente ao mercado, comprou muitos ingredientes, encheu o frigorífico dela até não caber mais, e arrumou tudo até às dez da manhã.
A rapariga ainda dormia.
He Su acordou-a na hora certa: — Se dormires mais, à noite não consegues dormir, e o teu ritmo fica desregulado.
Shen Xingrou ficou sentada na cama a acordar um pouco, e enquanto He Su não estava, pegou no computador portátil e abriu-o. A opinião pública online tinha sido milagrosamente suprimida!
Ela ficou paralisada, pesquisou as palavras-chave e descobriu que os tópicos tinham sido limpos, alguém estava deliberadamente a ajudá-la a conter aquela tempestade.
Seria... o irmão mais velho?
Além dele, ninguém mais teria tanta capacidade.
Mas ela queria muito saber quem a estava a prejudicar?
Pensando bem, quem sabia da sua identidade, além de He Su, era apenas a pessoa a quem ela tinha revelado a sua identidade naquele dia com Feng Yan.
Seria ele?
Assim que essa possibilidade lhe passou pela cabeça, Shen Xingrou não conseguiu controlar-se para não pensar nisso.
Ao meio-dia, He Su fez novamente uma mesa cheia de pratos, e ela comeu distraidamente.
O homem percebeu que ela estava a divagar e bateu-lhe levemente na cabeça com os pauzinhos.
Ela sentiu dor: — O que foi?
— Já te disse várias vezes, quando comes, concentra-te, come bem.
Shen Xingrou esfregou a testa, baixou a cabeça e comeu o arroz do prato.
Depois de comer, ela vestiu-se para sair, mas He Su, que estava sentado no sofá a jogar no telemóvel, chamou-a de repente.
— Onde vais?
— Vou dar uma volta.
He Su guardou o telemóvel, levantou-se e disse: — Vou contigo.
— Não precisas, vou só ao parque ali à frente, não precisas de vir.
He Su examinou-a com o olhar, acenou discretamente com a cabeça: — Está bem. Então leva o teu telemóvel, se acontecer alguma coisa, lembra-te de me ligar.
Ele entregou-lhe o telemóvel dela, Shen Xingrou pegou-o e ligou-o primeiro; a bateria ainda tinha muita carga.
He Su disse-lhe para não voltar muito tarde e viu-a sair.
Depois que ela foi embora, ele ligou para o homem.
— Já descobriste quem foi?
Com um incidente tão grande, Shen Xiaoxing, que estava longe em Shencheng, claro que sabia a gravidade da situação. Ele primeiro deu instruções a He Su para proteger Shen Xingrou, e depois os seus subordinados facilmente abafaram o caso.
Aquilo não o afetava muito, e a maioria das difamações era contra Shen Xingrou, com palavras extremas que pareciam dirigidas especificamente a ela.
Mas Shen Xingrou era diferente; ele tinha que garantir primeiro a segurança dela antes de mandar resolver o assunto.
...
Shen Xingrou desceu perto de uma praça. No caminho, tinha contactado Feng Yan e marcado encontro num café de um centro comercial.
Mas mal ela entrou no centro comercial, um carro preto passou devagar.
No café, Feng Yan ainda não tinha chegado, e Shen Xingrou escolheu um lugar perto da janela para esperar.
Lu Zichen, debruçado sobre o corrimão do centro comercial não muito longe, espreitava para dentro.
— Achas que, neste momento de crise, quem é que ela pode estar a encontrar aqui?
O homem ao lado dele estava com uma expressão neutra, sem se perceber se estava contente ou zangado.
Meia hora depois, entrou no café um homem maduro, vestido com um fato executivo, cabelo puxado para trás, que chamou a atenção de muitos logo à entrada.
— Não é o presidente da Câmara de Comércio Qimeng, Feng Yan? Ele está muito famoso ultimamente, ouvi dizer que a empresa dele...
— Cala-te. — He Su puxou-o, com o rosto carregado de desagrado, a olhar para os dois dentro do café.
Feng Yan pediu um café americano e perguntou calmamente: — Senhorita Shen, o que a traz aqui hoje?
— O senhor Feng deve ter visto as notícias destes dois dias, não?
— Refere-se às que são sobre si, ou às da minha Câmara de Comércio Qimeng?
Shen Xingrou mordeu o lábio: — As minhas.
— Nunca me interessei por essas fofocas aborrecidas.
Vendo a sua atitude, Shen Xingrou ficou confusa: — Não foi o senhor que fez isto?
— Então veio hoje aqui para me interrogar se tenho algo a ver com isto?
— A altura em que esta notícia foi publicada não está longe do dia em que o senhor me perguntou sobre a minha identidade. Pensei que fosse o senhor...
Feng Yan sorriu levemente: — A senhorita Shen é demasiado crédula. Perguntei-lhe sobre a sua relação com a família Shen naquele dia porque tive alguns negócios com o Grupo Shen.
— ...
— A posição do Grupo Shen e da minha Câmara de Comércio Qimeng é muito diferente; não posso ofender ninguém da família Shen. Por isso, depois de saber a sua identidade, é que aceitei a entrevista. É tão difícil de entender?
Shen Xingrou, envergonhada, baixou a cabeça: — Desculpe, fui um pouco precipitada...
— Compreendo o seu estado de espírito, senhorita Shen, mas convocar alguém para interrogá-lo com base em suspeitas e não em provas concretas é um pouco estúpido.