Capítulo 780: Capítulo 780 Extra: O Rio Estrelado de Rou (21)

Quando a notícia chegou a He Su, ele ainda estava nos Estados Unidos participando de uma palestra médica.

Os dois países têm fusos horários diferentes. Ele tinha acabado de ajustar o sono para o horário americano quando, no meio da madrugada, recebeu uma ligação de Shen Xiaoxing.

— Xingrou está com problemas.

Apenas cinco palavras, e ele despertou instantaneamente.

O homem mandou ele ligar o computador e pesquisar as notícias de Pingcheng, na China. O assunto mais quente e incessante era uma revelação sobre a garota!

He Su já não tinha mais cabeça para ouvir o resto. Naquela mesma noite, mandou o assistente comprar uma passagem de volta. Quando pisou em solo chinês, já eram cinco da tarde.

Ele foi até a empresa da garota procurá-la. Ninguém o reconheceu, só lembravam que ele usava máscara, tinha cabelos verdes chamativos sob os quais brilhavam olhos amendoados e sedutores, e vestia um estilo streetwear americano — era um homem muito bonito.

Liu Xuxu também estava preocupada com Shen Xingrou. Na hora de sair do trabalho, viu He Su procurando a garota. Lembrava-se daquele médico arrogante do hospital, também de cabelo verde, e que conhecia Shen Xingrou.

Ela se aproximou, desconfiada, e perguntou:

— Com licença, você está procurando a Xingrou?

— Você a conhece?

— Sou colega de trabalho dela. Acho que já te vi algumas vezes no hospital. — Liu Xuxu foi direta: — Ela não está na empresa, e o telefone dela não atende...

Ao ouvir isso, He Su saiu rapidamente, pegou um táxi e foi até o apartamento da garota. Arrastando a mala, tocou a campainha e chamou por um bom tempo, mas ninguém respondeu.

Quando ele já achava que ela não estava em casa, a porta se abriu lentamente por dentro.

A garota estava com os olhos vermelhos e inchados, claramente tinha chorado várias vezes. Ela mordeu levemente o lábio, olhou para o homem e baixou a cabeça:

— Hoje não estou bem, não quero receber visitas.

O homem ergueu a mão para impedir que ela fechasse a porta:

— Sou seu tutor, não uma visita!

— Já tenho dezoito anos, sou adulta, não preciso de tutor. — Shen Xingrou deu um passo para trás, sem humor para brincadeiras: — Me deixe quieta por um tempo.

Dizendo isso, tentou fechar a porta de novo, mas He Su não deixou.

Numa situação dessas, como ele poderia deixá-la sozinha em casa?

— Está com fome? — Ele ergueu a mão com carinho e tocou a cabeça dela.

Aquela reportagem na internet distorcia os fatos, e Qi Shang tinha suspendido o trabalho dela. A garota devia estar cheia de mágoas, senão não se trancaria em casa.

Shen Xingrou hesitou, ergueu o olhar para ele com um leve espanto. Uma parte macia dentro dela foi tocada suavemente, e o nariz dela começou a arder. Ela balançou a cabeça.

He Su também percebeu que tinha se exposto demais, mas naquele momento não ligava para mais nada. Só queria ficar ao lado dela e cuidar dela.

Shen Xingrou ficou sentada, atônita, no sofá da sala, observando a silhueta dele ocupada na cozinha. A mente dela vagava, e o humor deprimido foi melhorando aos poucos.

O homem usava um visual estiloso de streetwear americano, com um avental que destoava completamente amarrado na cintura. Com a cabeça levemente inclinada, cortava os ingredientes com seriedade, acendia o fogo, refogava, virava a frigideira e empratava...

Já era tarde, e ele temia que a garota ainda estivesse de estômago vazio. Então preparou três pratos simples e uma sopa de costela.

Com o braço onde usava uma pulseira, ele estendeu uma tigela de sopa para a garota:

— Tome um gole de sopa antes de comer.

Ela com certeza não tinha comido o dia inteiro. Depois de tanto tempo sem se alimentar, era preciso aquecer o estômago com a sopa primeiro.

Shen Xingrou não tinha muito apetite, mas não podia deixar o trabalho dele em vão.

Para agradá-lo, ela pegou a tigela, tomou a sopa de um gole só e ainda comeu um pedaço de costela.

— Vá devagar, não se engasgue.

He Su servia comida para ela, combinando carne e vegetais, tudo no gosto dela.

Normalmente, Shen Xingrou tinha um ótimo apetite e comia muito. He Su sempre dizia que comer demais daquele jeito fazia mal à saúde. Agora, ela comia devagar, mastigando bem, quase sem fome, e parava depois de algumas garfadas. Isso fez com que ele sentisse falta da antiga "porquinha" Shen.

Talvez por causa da mágoa, enquanto comia de cabeça baixa, a visão dela ficou turva. Uma lágrima caiu silenciosamente.

Embora ela estivesse de cabeça baixa, He Su não tirava os olhos dela. Aquela lágrima parecia ter caído no coração dele, queimando todo o seu corpo...

Ele pegou um lenço de papel e estendeu para ela:

— Limpe-se e coma direito.

A garota fungou, enxugou as lágrimas, comeu mais alguns bocados e ficou satisfeita.

He Su viu que ela tinha comido pouco e não insistiu.

Ela estava mal por dentro, nada teria gosto naquele momento.

...

He Su arrumou a cozinha e sentou no sofá, olhando para a mala ao lado.

Shen Xingrou saiu do quarto já de pijama e, ao vê-lo ainda ali, perguntou confusa:

— Como... você ainda está aqui?

— Esta noite vou dormir aqui.

— Só tenho um quarto.

Ele respondeu com indiferença:

— Durmo no sofá.

Shen Xingrou balançou a cabeça:

— Estou bem, você não precisa ficar aqui de plantão.

— Só vou embora quando essa confusão passar. — He Su não se sentia tranquilo. — Você pode não comer, não dormir, ou chorar à vontade. Mas eu preciso ficar por perto.

Senão, como ele poderia deixá-la sozinha em casa?

E se... e se algo acontecesse com ela, o que ele faria?

Ele insistiu em dormir ali, e Shen Xingrou não o expulsou mais.

Na verdade, ela até esperava um pouco que ele ficasse.

Embora o apartamento não fosse grande, quando ela ficava sozinha, sempre sentia um vazio, um silêncio que trazia solidão.

He Su sentiu o cheiro de fumaça e óleo na roupa. Deixou pra lá, por hoje teria que se virar.

— Vá tomar banho. — Shen Xingrou percebeu o constrangimento dele.

Ele não se fez de rogado e fechou a porta do banheiro para se lavar.

Shen Xingrou ficou na sala, não resistiu e pegou o celular para ver os trending topics do Weibo. O assunto dela continuava no topo, sem cair.

Os xingamentos e maldições nos comentários eram insuportáveis. Cada frase cravava como uma faca no coração dela.

O pai e o irmão dela, independentemente dos crimes que cometeram, já tinham pagado pelos erros. Mas essas pessoas ainda os arrastavam para xingar...

Shen Xingrou respirou fundo e de repente ouviu o homem chamando.

Ela largou o celular e respondeu na hora:

— O quê?

— Tem uma toalha extra?

— Espera aí. — Shen Xingrou abriu o armário e pegou uma toalha nova lacrada.

A porta do banheiro se abriu uma fresta, e a mão úmida e quente do homem apareceu. Aquela mão que segurava bisturis, com ossos bem definidos e dedos longos...

Quando Shen Xingrou estendeu a toalha, sem querer tocou nas costas da mão dele. Estava molhada e com uma temperatura escaldante...

Ela enfiou a toalha na mão dele depressa e correu de volta para a sala, sentando-se.

Quando estava prestes a fechar o Weibo, não resistiu e passou os olhos por mais alguns comentários...

Enquanto lia e sentia o coração apertado, o celular foi arrancado da mão dela por uma mão grande, que sem hesitar o desligou mantendo o botão pressionado.

— Ei... — Shen Xingrou tentou pegar o celular de volta. — E se alguém precisar falar comigo?

— Quem te procura é por trabalho. Se não é alguém próximo, não precisa dar atenção. — He Su ergueu uma sobrancelha e mostrou o celular na mão: — Isso fica comigo por enquanto.

Shen Xingrou não conseguiu discutir com ele. De repente, o olhar dela caiu sobre ele... e ela soltou um "ai!" enquanto se virava rapidamente.

— Por que você não está vestido!

O homem guardou o celular, com uma expressão de "que exagero" e ergueu uma sobrancelha. Ele estava com o torso nu, apenas uma toalha enrolada na cintura.

— Não vire o rosto, estou sem cueca por baixo.

Shen Xingrou: "..."

Com medo, ela ficou ainda mais imóvel.

Com um sorriso malicioso, o homem abriu a mala, pegou uma cueca e foi para o quarto vesti-la.

Shen Xingrou ouviu ele chamar de novo e, meio tapando os olhos, se aproximou:

— O que foi?

— Arranja um pijama para eu vestir, senão você vai ficar tapando os olhos a noite toda.

— Volta para a sala, vou dormir no quarto. De noite a gente não se vê mesmo.

He Su riu baixinho:

— Tenha um pouco de consciência, como é que vou dormir assim?