Capítulo 782: Capítulo 782 Extra: O Rio Estrelado de Rou (23)

Os dois que observavam do lado de fora da cafeteria estavam tão concentrados que nem piscavam os olhos, mas não dava para saber o que estavam conversando.

Lu Zichen olhou para a expressão de He Su, que parecia exatamente um azarado indo pegar a namorada traindo.

"Ela não vai se interessar por Feng Yan, vai?" Lu Zichen riu sem querer: "Fudeu, dessa vez seu rival é mais difícil de bater que Xiao Chuan."

He Su revirou os olhos para ele, o rosto bonito sombrio: "Um homem tão velho assim ela consegue gostar? Sem bom gosto!"

Lu Zichen continuou cutucando: "As garotas de hoje gostam de mais velhos, chamam de namoro de tio e sobrinha."

"Namoro de tio e sobrinha?" He Soltou uma risada fria: "É incesto?"

"..."

Então, falando nisso, ele e Shen Xingrou também se encaixavam nisso?

Ele coçou a pele abaixo do olho sem jeito: "... Eu não tenho idade suficiente para ela?"

"Você?" Lu Zichen o examinou de cima a baixo, hesitou e desviou o olhar para os dois na cafeteria.

"O que você quer dizer com esse olhar?"

"Namoro de tio e sobrinha é sobre diferença de idade, o homem maduro e estável como um tio que sabe cuidar. Você... precisa de uma tia para te mimar."

"..."

He Su quis dar um chute nele, mas percebeu Feng Yan se levantando na cafeteria e saindo, deixando a garota parada no lugar.

"Viu o que eles disseram agora?"

Lu Zichen abriu as mãos: "Não sei ler lábios."

He Su bateu na nuca dele com frustração: "Para que serve te trazer?"

"Mesmo que soubesse ler lábios, a essa distância não daria para ver!"

Shen Xingrou olhou para o café intocado na mesa, repetindo na mente o aviso de Feng Yan antes de ir embora.

"Srta. Shen tem tantos contatos, se suspeitou que eu exposei você, já pensou em quem pode ter ofendido?"

Ela estava no distrito de Pingcheng há apenas meio ano, as pessoas conhecidas aqui cabiam numa mão, quem poderia estar tramando contra ela?

Mas ele a lembrou de algo: pensando bem, quem teria tanto empenho para prejudicá-la e saber de seus detalhes, além da sempre encrenqueira Yan Qinxue.

Lembrou que quando entrevistou Feng Yan com Yan Qinxue, a outra estava presente quando ela revelou sua identidade. Depois, Feng Yan veio pessoalmente pedir a entrevista, fazendo com que ela, que deveria participar como apresentadora, ficasse nos bastidores, o que gerou rancor.

Tudo culpa dela ter se empolgado e esquecido algo tão importante.

Shen Xingrou chamou o garçom para pagar, mas ele disse que Feng Yan já tinha pago, o que a deixou ainda mais envergonhada.

Dessa vez, ela tinha julgado mal o coração do outro.

Ao voltar para o apartamento, He Su estava na cozinha preparando o jantar.

Ele se apoiou no batente da porta enquanto escolhia os legumes, perguntando distraidamente: "Voltou tão tarde hoje, onde foi?"

"Fui dar uma volta no shopping..."

O homem tinha um sorriso nos olhos: "Não encontrou ninguém?"

Shen Xingrou não contou sobre o encontro com Feng Yan à tarde, para evitar que ele ficasse enchendo o saco com ciúmes.

"Encontrei Xu Xu, minha colega." Shen Xingrou largou a bolsa: "Aproveitei para perguntar algumas coisas sobre essa reportagem."

Ela não quis dizer a verdade, e He Su não insistiu.

Para não estragar o breve momento de paz que tinham conseguido, com mais uma briga.

"Essa reportagem foi abafada pelo pessoal do seu irmão."

Shen Xingrou assentiu: "Eu sei."

"Você sabe?"

"Além dele, parece que ninguém mais teria tanta rapidez e força para abafar o assunto."

He Su sentiu um vazio no peito, será que ela estava reclamando da falta de poder dele?

"Eu sei quem fez isso." Shen Xingrou serviu um copo de água morna: "Só não tenho provas ainda."

"Precisa que eu aja?" He Su queria aprender a dar espaço para ela crescer sozinha.

Antes, muitas vezes, era a arrogância e o ciúme dele que faziam os conflitos escalarem. Lu Zichen tinha razão: se ele não mudasse o temperamento explosivo, ela teria que se adaptar a ele o tempo todo.

Desde que viu o olhar cauteloso da garota naquela época, ele jurou controlar seu gênio, respeitar e ouvir mais as ideias dela.

Só porque não queria que ela ficasse com medo perto dele, nem que tivesse que ceder sempre.

Ele não queria que ela sofresse nenhum desaforo.

Quem precisava mudar era ele.

Aquelas palavras de concessão e respeito hoje fizeram Shen Xingrou hesitar por um instante, e então ela balançou a cabeça: "Quero resolver sozinha."

O pessoal de Shen Xiaoxing já tinha descoberto quem era o mandante, mas não agiu imediatamente para ouvir a opinião de Shen Xingrou.

Os dois irmãos tinham uma barreira entre si, embora ambos soubessem, nunca conseguiam superar aquele obstáculo.

Shen Xiaoxing, claro, não queria arriscar criar mais rachaduras na relação entre eles.

Saber quem era o mandante dissipou a névoa no coração de Shen Xingrou, e o apetite melhorou; ela comeu dois pratos de arroz no jantar.

He Su quis impedi-la, comer demais assim fazia mal ao estômago, mas vê-la feliz lhe dava uma alegria de quem engorda um porco.

Depois do jantar, Shen Xingrou sentou no sofá para ver TV, e quando abriu um salgadinho, foi pega por He Su.

"Acabou de comer, seu estômago não pode descansar um pouco?"

Shen Xingrou ergueu a cabeça, com cara de inocente: "Mas estou com vontade."

He Su acabou amolecendo, mesmo relutante, jogou o salgadinho para ela.

Morando ali há dois dias, ele cozinhava, fazia a limpeza, fazia tudo, só faltava amamentar!

Shen Xingrou via ele trabalhar tão feliz, achava estranho ele ter ficado tão diligente, mas adorava ser mimada.

Era como voltar a ser a terceira Srta. da família Shen...

"Essa roupa é clara, tem que separar das escuras. Essa é de seda, só pode lavar à mão..."

"Use essa cápsula de lavagem, uma basta, não precisa colocar tantas..."

He Su ficou parado com o rosto um pouco escuro, será que ela estava mesmo o tratando como empregado doméstico gratuito?

Deixa para lá, era como um ensaio dos hábitos da vida a dois.

Ele lavava roupa na varanda, Shen Xingrou comia frutas na sala, e de repente achou que essa vida não era ruim.

Shen Xingrou assistia a um filme, no clímax, sentiu uma dor na barriga, devia ser por ter comido demais à noite.

Mas a dor no baixo ventre aumentou, e ela começou a juntar as pernas, encolhida no sofá.

He Su voltou de estender a roupa e a viu naquela posição, franzindo a testa: "Está imitando a lagarta do filme?"

"..."

"Só estou um pouco mal."

He Su ia perguntar onde doía, quando seu olhar desceu e viu uma mancha vermelha debaixo dela...

"Tosse!" Ele hesitou: "Você... não está no período?"

"Que dia é hoje?"

"Sete..."

Shen Xingrou calculou o mês passado, e realmente, esses dias era a menstruação. Ela viu o constrangimento no olhar do homem, baixou a cabeça depressa para olhar o sofá, onde havia uma mancha vermelha...

Correndo para o quarto com o rosto vermelho, bateu a porta com força.

Tomou um banho quente, trocou de roupa limpa e abriu a porta.

Mas o desconforto na barriga a fez se enfiar sob o cobertor fino.

He Su olhou para o resto de bebida gelada que ela deixou, e para a mancha vermelha no sofá, suspirou baixinho.

Primeiro fez um chá de açúcar mascavo para ela, depois tirou a capa do sofá para lavar.

Ouvindo o barulho na sala, Shen Xingrou terminou o chá e ficou na porta, sem graça: "Ei, deixa que eu lavo amanhã..."

"Você tem energia para trabalhar?"

"Eu... amanhã estou bem."

"Vai deitar na cama." O homem não parou o que fazia.