Reconhecer a mãe e voltar para perto dela e da família deixou An Ruo tão animada que não conseguiu dormir a noite toda, ficando conversando com a Senhora Bai até tarde.
Bai Junheng, preocupado que ela não aguentasse o cansaço da longa viagem, interrompeu várias vezes até conseguir separá-las e mandá-las dormir.
O lugar onde An Ruo ficava era um grande pátio separado que Bai Junheng mandara arrumar especialmente nos dias anteriores — embora não fosse tão grandioso quanto a mansão em Shencheng, a decoração era imponente e num estilo princesa cheio de coração de menina.
An Ruo achou estranho: será que Bai Junheng a tratava como filha?
Como ele disse, era muito mais velho que Bai Jingchuan; quando ele tinha quinze anos, Bai Xianxian nasceu.
Na infância, ele substituía a Senhora Bai para cuidar dos dois, fazendo tanto o papel de irmão mais velho quanto de pai.
Desde que voltou para Mobei, An Ruo tinha um sorriso feliz no rosto todos os dias. Passava o tempo com a Senhora Bai ou cercada pela família inteira. Qin Yueyao frequentemente a levava para passear pelas ruas, apresentando-lhe as especialidades locais.
Bai Junheng e Qin Yueyao tinham dois filhos. Como ele se casou cedo, o filho mais velho já tinha dezenove anos e o mais novo, quinze, ambos muito bonitos.
As pessoas daqui viviam em meio ao deserto amarelo, com temperaturas altas durante o dia e quedas bruscas à noite. Por isso, sua pele era mais escura que a dos habitantes das planícies centrais, especialmente os homens, todos morenos e robustos.
Assim, Shen Xiaoxing se destacava como alguém de pele fina e delicada por lá.
An Ruo contou à Senhora Bai muitas coisas sobre sua vida nas planícies centrais, incluindo, claro, seu casamento e maternidade.
Nesses dias de convivência, a Senhora Bai estava milagrosamente lúcida, especialmente com An Ruo por perto, as crises eram raras.
Ao ouvir que ela tinha uma filha, ficou extremamente feliz, mas lamentou que a distância tornasse difícil trazer a criança.
An Ruo apresentou Shen Xiaoxing a ela. A Senhora Bai examinou cuidadosamente aquele homem alto e de rosto pálido, sorrindo levemente e balançando a cabeça: "É bonito, mas... muito magro, ainda fica atrás do seu pai."
"..."
Shen Xiaoxing era muito alto, com um corpo que, entre as pessoas comuns das planícies centrais, era considerado de nível de deus. Ele malhava frequentemente, todo cheio de músculos.
Mas, ao chegar em Mobei, realmente viu que há sempre um céu acima do céu e pessoas além das pessoas.
Os homens daqui eram cada um mais forte que o outro; só de ficar parado já impunham uma sensação de pressão.
An Ruo já tinha visto o retrato de Bai Di: muito bonito e espirituoso, com uma aura de pressão de rei nas sobrancelhas, corpo robusto e uma imponência que transbordava.
"Mãe, o pai naturalmente não se compara ao Xiaoxing, mas ele também é muito bom para mim, me ama e me quer bem, não importa o que eu faça, ele me apoia." An Ruo, de braço dado com ela, frequentemente contava suas histórias com Shen Xiaoxing.
Ao ouvir que ela teve uma infância difícil e teve que viver sob o teto dos outros, a Senhora Bai várias vezes cobriu o rosto e chorou de culpa.
An Ruo não contou a eles sobre o casamento por procuração, porque... sentia que Bai Junheng não parecia gostar muito de Shen Xiaoxing, e temia que falar demais só aumentasse sua antipatia.
"Titia!"
An Ruo estava conversando com a Senhora Bai e Qin Yueyao quando ouviu uma voz jovem e animada.
Ela levantou a cabeça e viu o segundo filho de Bai Junheng, Bai Leyu, vestindo um manto branco com bordas douradas, correndo alegremente.
Ele tinha quinze anos, na fase mais intensa da juventude, muito afetuoso com An Ruo, um jovem adorável e entusiasmado.
"Titia!" Bai Leyu chegou ofegante.
Qin Yueyao franziu a testa, com um tom de repreensão: "Está cada vez mais sem educação, esqueceu as regras que aprendeu na escola?"
Bai Leyu rapidamente baixou a cabeça e, obedientemente, cumprimentou uma por uma: "Avó, mãe, titia..."
"Pronto, não seja tão severa com ele. Acho que nosso pequeno Hasen é muito mais comportado que o pai dele quando criança." A Senhora Bai sorriu e acenou: "Hasen, senta aqui com a avó."
Bai Leyu olhou para Qin Yueyao, e An Ruo, rindo, puxou a manga dela: "Cunhada, acho que a mãe não está errada. O Hasen é mais obediente que as crianças da mesma idade nas planícies centrais. Você não precisa ser tão dura com ele."
Qin Yueyao suspirou: "Ele é quem mais dá preocupação."
"Acho ele bem comportado, gosto muito dele." An Ruo lembrou que, nos últimos dias, Bai Leyu sempre ia procurá-la e, depois da aula, trazia muitas comidas locais.
Ela gostava muito desse sobrinho.
Dois dias atrás, ela ainda viu ele e Shen Xiaoxing jogando...
"Também gosto da titia." Bai Leyu sorriu feliz, e ao dizer isso, coçou a nuca envergonhado.
"Hasen, tem algo comigo?" An Ruo olhou para ele, sorrindo.
"Depois de amanhã é o Festival da Fogueira Anual daqui. Vim especialmente dar a boa notícia para a titia."
Qin Yueyao riu baixinho: "Não precisava vir especialmente, sua titia ficaria sabendo."
"Ah..." Bai Leyu ficou desapontado, como uma berinjela murcha.
An Ruo acariciou a cabeça dele: "O que é o Festival da Fogueira?"
"É a festa mais animada daqui." Qin Yueyao sorriu levemente: "É como um ritual de sacrifício nosso."
"E também, no dia do Festival da Fogueira, muita gente sai às ruas para dançar ao redor de fogueiras, tem adivinhação de enigmas com prêmios, malabarismos e mágicas... enfim, é muito animado. Titia, você tem que ir!"
An Ruo, que também estava liberando sua verdadeira natureza ali, concordou com a cabeça: "Tão divertido assim, vou dar uma olhada."
A Senhora Bai riu, dizendo: "Ainda são um bando de crianças que não cresceram."
...
No dia do Festival da Fogueira, o líder do clã Jin, ou seja, o patriarca Bai Junheng, subiu pessoalmente ao altar de sacrifício para realizar a cerimônia, algo como uma bênção.
Embaixo, a multidão local se aglomerava; alguns tiravam colares de contas e recitavam orações de bênção no dialeto Jin.
An Ruo, vestindo roupas locais, estava de mãos dadas com Shen Xiaoxing, em pé ao lado do palco. Ao lado, Qin Yueyao e Bai Jingchuan seguravam a Senhora Bai, enquanto Bai Leyu, curvado, se esgueirava para dentro.
"Titia..."
An Ruo virou a cabeça e viu a cabeça dele surgindo na multidão. Bai Yuanyi o alcançou e agarrou sua gola, repreendendo em voz baixa.
"Fique em pé, não saia correndo!" Bai Yuanyi tinha um temperamento muito parecido com o de Bai Jingchuan, com dezenove anos, mas frio e desinteressado por tudo.
Ele notou An Ruo olhando para ele, hesitou, suavizou a expressão e a cumprimentou: "Titia."
An Ruo sorriu levemente. Ela achava que Bai Yuanyi se parecia mais com Bai Junheng, mas o temperamento não era igual, frio e muito reservado.
Terminado o sacrifício, as ruas começaram a ficar animadas. Grupos de pessoas soltavam lanternas celestes, no rio havia barcos com dançarinas sensuais dançando, nas ruas malabarismos e mágicas, fileiras de barracas de comida, adivinhação de enigmas com prêmios, e muitas pessoas de mãos dadas dançando ao redor de enormes archotes.
As danças eram típicas do clã Jin.
An Ruo só podia bater palmas e observar. Qin Yueyao a empurrou: "Vai lá brincar com eles."
"Eu... não sei..." An Ruo, envergonhada, abriu as mãos.
Bai Leyu, com um monte de comidas na mão, engoliu tudo de uma vez e, com a boca cheia, acenou: "Titia, eu sei!"
Ao lado, Bai Yuanyi, irritado, deu um tapa na nuca dele: "Termina de comer antes de falar."
Bai Leyu engoliu a comida com força, agarrou o pulso de An Ruo e a puxou para a multidão: "Titia, eu sei dançar, vamos dançar."
A Senhora Bai, vendo Bai Jingchuan tentando sair, disse em voz alta: "Narimu, vá também, assim pode cuidar de Gulina."
"Mãe, o segundo tio não dança bem..." Qin Yueyao riu: "Não o force."
Bai Jingchuan odiava o Festival da Fogueira. Quando criança, dançava nesse dia e, sem nenhum talento para isso, seus movimentos faziam todo mundo rir.