Capítulo 468: Capítulo 468 A Mulher que Só Quer Dinheiro

As mãos de Shen Ye, apoiadas na mesa, cerraram-se em punhos. As veias em sua testa pulsavam visivelmente, e sua voz era fria e profunda: "Quando foi isso?"

Por acaso, foi da última vez?

No dia seguinte, ele estava com pressa para voltar à família Shen e, de fato, esqueceu de mandá-la tomar a pílula do dia seguinte.

Shen Jingchu não percebeu a raiva dele. Acariciando o ventre, entregou-se à própria alegria: "Hoje a Chen me acompanhou ao hospital para fazer exames. O médico disse que estou grávida de um mês, e o feto está muito estável..."

"Espere eu voltar!"

Depois de dizer isso, sem dar chance para ela falar mais nada, ele desligou o telefone com frieza.

Jogou o celular na mesa. Com o rosto sombrio, Shen Ye varreu uma pilha de documentos que estavam ao alcance da mão, irritado, afrouxou a gravata e massageou as têmporas doloridas.

Shen Jingchu finalmente viu o homem chegar, mas a expressão dele não era de alegria como ela imaginava.

O homem, com o rosto carregado, olhou friamente para o ventre liso dela. Sem cerimônia, os médicos a seguraram para fazer exames.

"Esta senhorita está grávida de um mês..."

Ao ouvir o resultado, a mão grande do homem, apoiada no braço da cadeira, apertou-se de repente. Ele exalava uma aura assassina e, agarrando o pescoço de Shen Jingchu, que acabara de se levantar, rugiu furioso: "Carregar a semente de outro e ainda querer me usar como bode expiatório!?"

Shen Jingchu não esperava que ele ficasse tão furioso. Ao ouvir aquelas palavras, entendeu na hora que ele havia entendido tudo errado.

Mas...

Na vida inteira, ela só teve um homem: ele.

"Não, não é isso." Shen Jingchu explicou ofegante, "Esta criança é sua e minha. Eu não... não tive contato com nenhum outro homem além de você."

"Ainda ousa mentir!"

"Eu não estou..." Ela explicou chorando, "Foi na noite em que você ficou bêbado, quando nos relacionamos—"

Ela não terminou a frase, e o homem a jogou na cama, dizendo de forma fria e aterrorizante:

"Esta criança não pode ficar!"

A frase cravou-se como um prego no coração de Shen Jingchu. Ela olhou fixamente para o homem alto e forte, e a perspectiva de baixo para cima parecia simbolizar que ela jamais estaria ao lado dele de igual para igual.

Seu coração doía intensamente.

"Por quê?"

O homem não respondeu. Em vez disso, soltou uma risada sarcástica e os seguranças abriram uma mala cheia de notas vermelhas na frente dela.

"Quinhentos mil. Tire isso."

Shen Jingchu sentiu o coração dormente de tanta dor. "Eu..."

Antes que ela terminasse, o homem acenou com a mão, e os seguranças abriram outra mala de notas.

"Um milhão."

A frieza dele fez Shen Jingchu acordar completamente. Ela perguntou chorando: "No fundo, o que eu sou para você?"

"Uma mulher cheia de artimanhas, que só quer engravidar de você para me chantagear e conseguir um título?"

O homem ergueu uma sobrancelha friamente: "Não é?"

Quatro palavras anularam todas as réplicas que Shen Jingchu tentaria dar.

"Já que sou tão cheia de artimanhas, por que você me mantém aqui?" Shen Jingchu ergueu a cabeça, os olhos cheios de lágrimas, olhando para ele. "Eu queria ir embora. Foi você quem mandou gente me vigiar, me prender!"

"..."

"Por que você é bom comigo? Se não me ama, deveria ter cortado minhas esperanças!"

"Eu te mantenho porque vejo algum valor em você. Quanto ao resto, não passam de ilusões que você não deveria ter!"

Shen Ye, com frieza e indiferença, ordenou ao médico: "Preparem a cirurgia para daqui a dois dias!"

Um trovão ecoou em seus ouvidos, como se tivesse atingido o coração de Shen Jingchu.

Ela desabou na cama, observando a figura impiedosa do homem desaparecer em meio às suas lágrimas.

...

Shen Ye a trancou no quarto. Exceto pelas três refeições trazidas pela empregada, ninguém ousava pisar ali no resto do tempo.

Shen Jingchu pensou em fugir, mas ninguém ao redor estava disposto a ajudá-la. A empregada, que trabalhava por dinheiro, também não ousava atender ao seu pedido.

O tempo passava, e Shen Jingchu sentia desespero.

No dia da cirurgia, Shen Ye não apareceu. Enviou apenas seu segurança de maior confiança para acompanhá-la.

Shen Jingchu segurava a ficha de consulta, seguindo a enfermeira para os exames pré-operatórios. Enquanto esperava na sala de descanso, notou uma mulher ao lado que também estava ali para fazer um aborto.

Uma ideia ousada surgiu em sua mente!

Shen Jingchu saiu do hospital abatida. O segurança a levou de volta à vila. Durante todo o trajeto, ela ficou encostada na janela, sem dizer uma palavra.

A empregada relatou a Shen Ye o estado recente de Shen Jingchu: ela não ria mais como antes, passava o dia sentada perto da janela em silêncio.

Depois daquilo, Shen Jingchu finalmente enxergou a realidade.

Shen Ye não a amava. Na verdade, ela não tinha lugar algum no coração dele.

Mantê-la por perto era apenas um capricho passageiro. Ele tinha família, uma esposa e, no futuro, teria seus próprios filhos. Ela... não tinha o direito.

A empregada preparava refeições nutritivas todos os dias, mas ela continuava emagrecendo. Seus olhos, antes brilhantes, agora só refletiam escuridão.

Shen Jingchu arrumou as malas. A mala continha roupas simples, como quando chegara. As joias caras que o homem lhe dera, ela não levou nenhuma; deixou tudo organizado e arrumado.

A notícia de que ela queria ir embora logo chegou a Shen Ye. O homem cancelou todas as reuniões da tarde e voou de helicóptero até a vila de Ninghai.

"Para onde vai?"

"Não sei." Shen Jingchu fechou o cadeado da mala. "Talvez vá embora de Ninghai."

Shen Ye não a impediu. Com o rosto frio, tirou um cartão e jogou na mesa. "Aqui tem um milhão. Fique longe de Shencheng."

Que ironia!

Shen Jingchu mordeu o lábio. "No seu coração, eu sou... uma mulher que só pensa em dinheiro?"

Shen Ye não respondeu. Apenas a encarou com seus olhos negros e silenciosos.

"Você já me ajudou a pagar dívidas o suficiente. Desta vez... vamos considerar que estamos quites." Shen Jingchu respirou fundo. "Fique tranquilo. Não vou mais aparecer na sua frente. Mesmo que nos encontremos na rua um dia, vou agir como se fosse uma estranha."

Por alguma razão, Shen Ye achou aquelas palavras irritantes.

"Obrigada pelos cuidados durante este tempo." Shen Jingchu fez uma reverência respeitosa para ele.

Por fim, arrastou a mala e passou por ele. Os dois não teriam mais nada a ver um com o outro!

Depois que Shen Jingchu foi embora, o homem ficou parado no mesmo lugar por muito tempo. Só quando as pernas começaram a doer é que ele se deu conta e se sentou nos degraus.

Talvez ele... não devesse ter se envolvido com ela.

Shen Jingchu comprou uma passagem para Filadélfia.

Ela tinha parentes lá, mas quando chegou, descobriu que a família inteira havia se mudado e não estava mais na cidade.

Com o pouco dinheiro que lhe restava, Shen Jingchu alugou um apartamento simples, de um quarto e uma sala, e encontrou um emprego comum na internet.

Ela tinha um alto nível de escolaridade. Durante o dia, trabalhava como balconista em um supermercado; à noite, dava aulas particulares.

Embora não conseguisse se adaptar completamente ao novo ambiente, Shen Jingchu sentia que cada dia era gratificante.

Exausta, ela se deitou na cama e acariciou o ventre liso, onde uma nova vida crescia.

Ela havia subornado a garota que estava na fila para fazer o aborto com ela. A garota, que acabara de entrar na faculdade e engravidara por acidente, já estava apavorada com a cirurgia. Ao ver o dinheiro que Shen Jingchu ofereceu, trocou de identidade com ela, meio desconfiada.

Assim, as informações pós-operatórias que o segurança entregou a Shen Ye eram, na verdade, de outra pessoa.

A criança permanecia intacta em seu ventre. Era o único consolo que ela podia ter.

"Bebê, a mamãe vai te proteger."

Aos poucos, Shen Jingchu foi se familiarizando com o ambiente ao redor. Convivia bem com os colegas de trabalho e era gentil e cuidadosa com as crianças que ensinava. Olhando para o dinheiro que aumentava em sua carteira, ela o apertou contra o peito e sorriu levemente.

Passou o inverno rigoroso. Para economizar na conta de luz, enrolava-se em cobertores e se forçava a beber sopas nutritivas que não gostava. Contanto que fosse pelo bem do bebê em sua barriga, qualquer dificuldade valia a pena!

Lá fora, a neve caía em flocos grossos. Ela ficava debaixo das cobertas tricotando suéteres e sapatinhos, tudo que aprendera com as colegas.

O gelo derreteu, e brotos verdes surgiram nos galhos das árvores. Com o tempo passando, tudo que sofrera com o inverno crescia de forma selvagem e rápida. Em um piscar de olhos, chegou o verão escaldante.