An Ruo estremeceu e soltou um grito inesperado.
Ela sentiu a força do homem; se ele apertasse um pouco mais o polegar e o indicador, o pescoço dela se separaria do corpo num instante!
De costas para ele, não sabia quem era.
An Ruo abriu a boca, seus olhos assustados se moveram ligeiramente, e sua voz tremeu: "Eu... eu só estava passando..."
"Tire a chave, senão eu te mato!"
Era uma voz masculina extremamente grave, e ainda carregava um certo cansaço.
An Ruo engoliu em seco. "Que chave? Não sei do que está falando."
Assim que ela falou, o homem apertou gradualmente a força.
An Ruo sentiu dificuldade para respirar. Nunca imaginou que, depois de tanto se esforçar para fugir de Shen Tingfeng, arriscando a vida para descer dezenas de degraus, acabaria sendo estrangulada por alguém que nunca tinha visto.
Ela sorriu amargamente. Morrer assim?
Lembrou-se de Shen Tingfeng dizendo que Shen Xiaoxing levou um tiro no abdômen por causa dela, e mesmo com um ferimento tão grave, veio procurá-la. Que direito ela tinha de morrer?
An Ruo franziu a testa, com o rosto pálido, e disse com dificuldade: "Espera... espera um pouco. Me solta... me solta para eu pegar a chave."
"Pegue agora."
"Você só quer sair por esta porta. Não tenho a chave, mas posso dar um jeito de abri-la."
A voz do homem era fria: "Como posso confiar em você?"
"Você não tem escolha." An Ruo fechou os olhos. "Mesmo que me estrangule, não vai conseguir fugir. É melhor me deixar tentar."
Os olhos escuros do homem se escureceram. Ele não esperava que ela tivesse algum juízo.
An Ruo tentou convencê-lo, mas, no momento de distração, o homem enfiou um doce duro e doce na boca dela com a outra mão.
"Engula, e eu te solto."
"O que você me deu?"
"Veneno."
"..."
"Se quiser o antídoto, dê um jeito de abrir esta maldita porta e me deixar sair." A voz do homem não admitia contestação. "Não pense em fugir. Se engolir este doce sem o antídoto, não viverá mais de meia hora."
"..." An Ruo franziu os lábios e cuspiu o doce.
"..."
"Então é melhor me estrangular." An Ruo bufou. "Como sei se você não vai voltar atrás? Se me soltar e depois me matar, não vou ficar numa situação horrível?"
Além disso, ele tinha uma habilidade marcial tão alta; com essa força, um tapa poderia matá-la facilmente.
"Esqueci de te dizer, aquele doce é muito especial. Basta segurá-lo na boca por alguns segundos para que as toxinas invadam a cavidade oral."
"..." An Ruo quis xingar.
"Se não acredita, pode tentar." Dito isso, ele soltou a mão de repente.
An Ruo, no entanto, não ousou ir embora.
Ele estava tão calmo que agora era ela quem hesitava.
An Ruo se virou, tentando vê-lo pela janela de observação, mas, por causa da pouca luz, não conseguia distinguir o rosto dele.
"Espere." A voz tranquila do homem soou. "Meia hora, ou seja, daqui a uma hora, você estará morta."
"..."
"Ou pode correr agora para o médico e pedir para lavar o estômago."
Porra!
Levaria meia hora só para voltar correndo, e ainda teria que convencer aquele cachorro do Shen Tingfeng a chamar um médico para ela?
An Ruo colocou a mão sobre a barriga e, rangeu os dentes, acabou concordando.
Acendeu uma vela e examinou a fechadura da porta. Era uma bênção do céu, ou melhor, sorte sua: a fechadura era do tipo antigo com trava interna.
An Ruo tirou o brinco, relutante em usar a joia de prata que Shen Xiaoxing lhe dera para abrir a fechadura, mas... naquele momento de perigo, ela teve que sacrificar o que amava.
Ela desmontou o brinco, ajustou o fio de prata longo o suficiente e o inseriu na fechadura. Girou algumas vezes, sentiu que conseguia tocar o mecanismo interno, então pressionou com força. A trava voltou automaticamente, e a porta se abriu.
O homem encostado na parede não depositava esperanças nela. Não sabia de onde ela vinha; além dos seguranças que traziam água e comida, ele nunca vira ninguém ali.
Mas, de repente, ouviu-se um "clique", e um pouco de luz passou pela fresta da porta, iluminando seus pés. A garota conseguira abrir a fechadura!
O rosto de An Ruo se iluminou de alegria. "Abriu!"
Enquanto se alegrava por ter conseguido abrir a fechadura, uma figura alta e imponente entrou em seu campo de visão. Ele devia ter quase dois metros de altura, ombros largos e costas fortes. Mesmo vestindo roupas escuras, dava para ver que tinha um corpo excelente, músculos firmes e cheios de força!
An Ruo ergueu a cabeça lentamente. Ele era mais alto que Shen Xiaoxing; ela precisava levantar o rosto para ver suas feições.
A luz da vela tremeluzia, fraca, iluminando o perfil angular do homem. Ele tinha sobrancelhas de espada e olhos estrelados, nariz alto e reto, mas as órbitas eram um pouco fundas, como um ocidental mestiço, ou talvez alguém de uma minoria étnica.
Seus olhos escuros continham frieza, as sobrancelhas pareciam neve que nunca derrete, e suas pupilas de falcão agora a fitavam fixamente.
Apenas com um olhar, An Ruo desviou o olhar de repente.
Seu coração batia muito rápido, e suas orelhas começaram a esquentar.
E o homem, ao erguer a cabeça e ver o rosto dela, estreitou os olhos escuros e profundos, sem querer.
"Você..." Ele engoliu em seco. "Qual é o seu nome?"
An Ruo manteve a cabeça baixa, tentando se acalmar. "Grande favor não precisa de agradecimento, você não precisa saber meu nome."
Após uma pausa, ela acrescentou: "Já cumpri o que prometi. Pode me dar o antídoto agora?"
"Primeiro responda à minha pergunta."
"An Ruo." A voz da garota era fria.
Os olhos do homem mostraram um pouco de decepção, e então ele franziu os lábios. "Vá na frente."
"Já te soltei..."
O homem deu passos largos para a frente, calmo e confiante de que ela o seguiria, e sua voz não era mais tão fria como antes: "Sair daqui é que é realmente ser solto."
An Ruo franziu levemente as sobrancelhas delicadas e, sem alternativa, seguiu obedientemente atrás dele.
O longo corredor tinha apenas a luz trêmula das velas na parede e os passos dos dois. An Ruo ergueu os olhos; as costas do homem eram muito largas, e seu coração não conseguia conter a saudade.
O homem parou de repente, e An Ruo, sem esperar, bateu com o nariz nas costas duras como ferro dele. O nariz ficou dolorido e ardendo, fazendo seus olhos se encherem de lágrimas.
O homem se virou para olhá-la, e quando ia falar, percebeu que ela estava segurando o nariz, com os olhos vermelhos de choro, como os de um coelho, olhando para ele.
Aquele olhar...
Sua mente evocou a imagem de uma garotinha que sempre o olhava com os olhos vermelhos.
"Bateu?" Ele, sem saber por quê, levantou a mão e acariciou a cabeça dela. "Não fique tão perto de mim."
An Ruo ficou surpresa.
Quando o homem se deu conta, também ficou constrangido. Endireitou-se e mudou de assunto: "À frente há uma escada, só passa uma pessoa de cada vez. Você vai primeiro."
An Ruo esfregou o nariz, enxugou as lágrimas no canto dos olhos e, ao ver a escada de ferro muito estreita, sentiu uma dor de cabeça.
Para sair daquele lugar maldito, engoliu o medo e foi até a escada, segurando os corrimões de ambos os lados enquanto subia passo a passo.
Assim que ela pisou no chão, o homem subiu em dois ou três movimentos.
Seu olhar caiu sobre a barriga levemente saliente da mulher. "Você... está grávida?"
Quando ela subiu a escada, ele notou que ela instintivamente protegia o abdômen.
An Ruo assentiu levemente. "Sim."
Sua voz era muito baixa e suave, como se temesse que ele ficasse irritado ao saber.
"Você é casada?"
"Sim."
"Quantos anos você tem?"
An Ruo não quis responder. "Você está fazendo um interrogatório?"
"O quê?"
Deixa pra lá, ele parecia não entender o que ela queria dizer.
An Ruo apontou para a frente. "Ali há luz, deve ser a saída."
Os dois chegaram a um lugar onde havia uma tampa de bueiro de ferro no chão. Dava para ter certeza de que a saída estava ali em cima.
O homem levantou o braço e conseguiu alcançá-la. Ele era muito forte, de corpo robusto mas não grosseiro. Com um pouco de força nos braços, a tampa de ferro foi removida, e uma grande quantidade de luz entrou.