Capítulo 433: Capítulo 433: Guie o Caminho

An Ruo estremeceu e soltou um grito inesperado.

Ela sentiu a força do homem; se ele apertasse um pouco mais o polegar e o indicador, o pescoço dela se separaria do corpo num instante!

De costas para ele, não sabia quem era.

An Ruo abriu a boca, seus olhos assustados se moveram ligeiramente, e sua voz tremeu: "Eu... eu só estava passando..."

"Tire a chave, senão eu te mato!"

Era uma voz masculina extremamente grave, e ainda carregava um certo cansaço.

An Ruo engoliu em seco. "Que chave? Não sei do que está falando."

Assim que ela falou, o homem apertou gradualmente a força.

An Ruo sentiu dificuldade para respirar. Nunca imaginou que, depois de tanto se esforçar para fugir de Shen Tingfeng, arriscando a vida para descer dezenas de degraus, acabaria sendo estrangulada por alguém que nunca tinha visto.

Ela sorriu amargamente. Morrer assim?

Lembrou-se de Shen Tingfeng dizendo que Shen Xiaoxing levou um tiro no abdômen por causa dela, e mesmo com um ferimento tão grave, veio procurá-la. Que direito ela tinha de morrer?

An Ruo franziu a testa, com o rosto pálido, e disse com dificuldade: "Espera... espera um pouco. Me solta... me solta para eu pegar a chave."

"Pegue agora."

"Você só quer sair por esta porta. Não tenho a chave, mas posso dar um jeito de abri-la."

A voz do homem era fria: "Como posso confiar em você?"

"Você não tem escolha." An Ruo fechou os olhos. "Mesmo que me estrangule, não vai conseguir fugir. É melhor me deixar tentar."

Os olhos escuros do homem se escureceram. Ele não esperava que ela tivesse algum juízo.

An Ruo tentou convencê-lo, mas, no momento de distração, o homem enfiou um doce duro e doce na boca dela com a outra mão.

"Engula, e eu te solto."

"O que você me deu?"

"Veneno."

"..."

"Se quiser o antídoto, dê um jeito de abrir esta maldita porta e me deixar sair." A voz do homem não admitia contestação. "Não pense em fugir. Se engolir este doce sem o antídoto, não viverá mais de meia hora."

"..." An Ruo franziu os lábios e cuspiu o doce.

"..."

"Então é melhor me estrangular." An Ruo bufou. "Como sei se você não vai voltar atrás? Se me soltar e depois me matar, não vou ficar numa situação horrível?"

Além disso, ele tinha uma habilidade marcial tão alta; com essa força, um tapa poderia matá-la facilmente.

"Esqueci de te dizer, aquele doce é muito especial. Basta segurá-lo na boca por alguns segundos para que as toxinas invadam a cavidade oral."

"..." An Ruo quis xingar.

"Se não acredita, pode tentar." Dito isso, ele soltou a mão de repente.

An Ruo, no entanto, não ousou ir embora.

Ele estava tão calmo que agora era ela quem hesitava.

An Ruo se virou, tentando vê-lo pela janela de observação, mas, por causa da pouca luz, não conseguia distinguir o rosto dele.

"Espere." A voz tranquila do homem soou. "Meia hora, ou seja, daqui a uma hora, você estará morta."

"..."

"Ou pode correr agora para o médico e pedir para lavar o estômago."

Porra!

Levaria meia hora só para voltar correndo, e ainda teria que convencer aquele cachorro do Shen Tingfeng a chamar um médico para ela?

An Ruo colocou a mão sobre a barriga e, rangeu os dentes, acabou concordando.

Acendeu uma vela e examinou a fechadura da porta. Era uma bênção do céu, ou melhor, sorte sua: a fechadura era do tipo antigo com trava interna.

An Ruo tirou o brinco, relutante em usar a joia de prata que Shen Xiaoxing lhe dera para abrir a fechadura, mas... naquele momento de perigo, ela teve que sacrificar o que amava.

Ela desmontou o brinco, ajustou o fio de prata longo o suficiente e o inseriu na fechadura. Girou algumas vezes, sentiu que conseguia tocar o mecanismo interno, então pressionou com força. A trava voltou automaticamente, e a porta se abriu.

O homem encostado na parede não depositava esperanças nela. Não sabia de onde ela vinha; além dos seguranças que traziam água e comida, ele nunca vira ninguém ali.

Mas, de repente, ouviu-se um "clique", e um pouco de luz passou pela fresta da porta, iluminando seus pés. A garota conseguira abrir a fechadura!

O rosto de An Ruo se iluminou de alegria. "Abriu!"

Enquanto se alegrava por ter conseguido abrir a fechadura, uma figura alta e imponente entrou em seu campo de visão. Ele devia ter quase dois metros de altura, ombros largos e costas fortes. Mesmo vestindo roupas escuras, dava para ver que tinha um corpo excelente, músculos firmes e cheios de força!

An Ruo ergueu a cabeça lentamente. Ele era mais alto que Shen Xiaoxing; ela precisava levantar o rosto para ver suas feições.

A luz da vela tremeluzia, fraca, iluminando o perfil angular do homem. Ele tinha sobrancelhas de espada e olhos estrelados, nariz alto e reto, mas as órbitas eram um pouco fundas, como um ocidental mestiço, ou talvez alguém de uma minoria étnica.

Seus olhos escuros continham frieza, as sobrancelhas pareciam neve que nunca derrete, e suas pupilas de falcão agora a fitavam fixamente.

Apenas com um olhar, An Ruo desviou o olhar de repente.

Seu coração batia muito rápido, e suas orelhas começaram a esquentar.

E o homem, ao erguer a cabeça e ver o rosto dela, estreitou os olhos escuros e profundos, sem querer.

"Você..." Ele engoliu em seco. "Qual é o seu nome?"

An Ruo manteve a cabeça baixa, tentando se acalmar. "Grande favor não precisa de agradecimento, você não precisa saber meu nome."

Após uma pausa, ela acrescentou: "Já cumpri o que prometi. Pode me dar o antídoto agora?"

"Primeiro responda à minha pergunta."

"An Ruo." A voz da garota era fria.

Os olhos do homem mostraram um pouco de decepção, e então ele franziu os lábios. "Vá na frente."

"Já te soltei..."

O homem deu passos largos para a frente, calmo e confiante de que ela o seguiria, e sua voz não era mais tão fria como antes: "Sair daqui é que é realmente ser solto."

An Ruo franziu levemente as sobrancelhas delicadas e, sem alternativa, seguiu obedientemente atrás dele.

O longo corredor tinha apenas a luz trêmula das velas na parede e os passos dos dois. An Ruo ergueu os olhos; as costas do homem eram muito largas, e seu coração não conseguia conter a saudade.

O homem parou de repente, e An Ruo, sem esperar, bateu com o nariz nas costas duras como ferro dele. O nariz ficou dolorido e ardendo, fazendo seus olhos se encherem de lágrimas.

O homem se virou para olhá-la, e quando ia falar, percebeu que ela estava segurando o nariz, com os olhos vermelhos de choro, como os de um coelho, olhando para ele.

Aquele olhar...

Sua mente evocou a imagem de uma garotinha que sempre o olhava com os olhos vermelhos.

"Bateu?" Ele, sem saber por quê, levantou a mão e acariciou a cabeça dela. "Não fique tão perto de mim."

An Ruo ficou surpresa.

Quando o homem se deu conta, também ficou constrangido. Endireitou-se e mudou de assunto: "À frente há uma escada, só passa uma pessoa de cada vez. Você vai primeiro."

An Ruo esfregou o nariz, enxugou as lágrimas no canto dos olhos e, ao ver a escada de ferro muito estreita, sentiu uma dor de cabeça.

Para sair daquele lugar maldito, engoliu o medo e foi até a escada, segurando os corrimões de ambos os lados enquanto subia passo a passo.

Assim que ela pisou no chão, o homem subiu em dois ou três movimentos.

Seu olhar caiu sobre a barriga levemente saliente da mulher. "Você... está grávida?"

Quando ela subiu a escada, ele notou que ela instintivamente protegia o abdômen.

An Ruo assentiu levemente. "Sim."

Sua voz era muito baixa e suave, como se temesse que ele ficasse irritado ao saber.

"Você é casada?"

"Sim."

"Quantos anos você tem?"

An Ruo não quis responder. "Você está fazendo um interrogatório?"

"O quê?"

Deixa pra lá, ele parecia não entender o que ela queria dizer.

An Ruo apontou para a frente. "Ali há luz, deve ser a saída."

Os dois chegaram a um lugar onde havia uma tampa de bueiro de ferro no chão. Dava para ter certeza de que a saída estava ali em cima.

O homem levantou o braço e conseguiu alcançá-la. Ele era muito forte, de corpo robusto mas não grosseiro. Com um pouco de força nos braços, a tampa de ferro foi removida, e uma grande quantidade de luz entrou.