Capítulo 661: Capítulo 661 Capítulo 647 Patrão

Capítulo 647: O Dono

"Fique tranquilo, está tudo sob controle." Chen Ge se levantou e alongou o corpo. Comparando com o estado atual dos outros passageiros, dava para ver o quão boa era a condição física de Chen Ge.

"Este restaurante é território de outra entidade. A mulher fantasma sem cabeça não ousa entrar por enquanto." Chen Ge acariciou a barriga do gato branco. O bichinho estava tão assustado que até se esquecera de resistir.

"Espera aí, essa sua fala tem informação demais! O que quer dizer com 'território de outra entidade'? Quer dizer que neste restaurante também mora uma fantasma parecida?!" O bêbado sentiu que tinha amadurecido muito naquela noite, até o raciocínio estava mais afiado.

"Pode-se dizer que sim, mas fique tranquilo, essa fantasma ainda está adormecida e não vai acordar tão cedo." Chen Ge caminhou para dentro do restaurante, deixando os outros passageiros paralisados no lugar.

"Ele admitiu? Então tem fantasma mesmo! Combater veneno com veneno? Que loucura?" O bêbado olhou para o médico e o Tesoura: "Poxa, vocês dois pelo menos falem algo! Lá fora tem uma fantasma agora, e é uma fantasma de verdade!"

"Fique quieto. E daí que é fantasma?" Tesoura afastou a mão do bêbado, com a voz fria: "Se mexer comigo, até fantasma eu mato na sua frente."

Dentre os três, só o médico mantinha a calma: "Você não percebeu que ele usou a palavra 'por enquanto'? Isso significa que a fantasma lá fora pode entrar mais tarde, e a adormecida pode acordar. Talvez tenhamos que enfrentar duas assombrações ao mesmo tempo."

"O que você quer dizer?" O bêbado achava o médico o mais estável e confiável do grupo, e tentava decifrar o significado oculto em suas palavras.

"O que quero dizer é: você devia se alongar logo, porque mais tarde pode ser ainda pior do que agora." O médico também estava ofegante. Dos três passageiros, o que tinha melhor preparo físico era o Tesoura, dava para ver que ele se preparara muito para aquele dia, inclusive treinando e fortalecendo o corpo.

"Não é possível... O que eu fiz para merecer isso? Só queria beber um pouco." O bêbado se levantou do chão, ouvindo os batidas na porta, suando frio.

"Tem alguém aí?" Chen Ge foi até o balcão. O restaurante ainda tinha o estilo de uns dez anos atrás, muito parecido com as cenas do jogo de Xiaobu.

Depois de esperar uns dez segundos, a voz de um homem veio de algum quarto no fundo do corredor: "Só um momento! Já estou indo!"

Mais um minuto se passou até os passageiros verem um homem gordo saindo do fundo do corredor.

Ele estava amarrando um avental, que parecia novo, sem nenhuma mancha.

"Que demora! Nada de eficiência. Vocês precisam lembrar sempre: como prestadores de serviço, a experiência do cliente vem em primeiro lugar." Chen Ge olhou para o homem com impaciência.

"Desculpe, estava ajudando na cozinha." O homem de meia-idade não se irritou, sorrindo, com um rosto rechonchudo que passava uma sensação acolhedora.

"Ajudando na cozinha?" Chen Ge notou que as mãos do homem estavam molhadas, recém-lavadas, mas talvez pela pressa, ainda havia manchas avermelhadas escuras sob as unhas.

"Sim, aqui só temos um cozinheiro, então às vezes eu ajudo." O homem gordo ria, com olhos pequenos que, se não virasse a cabeça, nem dava para saber para quem estava olhando.

"Você é o dono aqui?" O bêbado encontrou pela primeira vez alguém com quem podia conversar normalmente desde que entrara em Liwan Town, e sentiu uma pequena empolgação.

"Eu tenho que ajudar na cozinha, ser garçom e ainda fazer a contabilidade. Ser dono aqui é pior do que ser empregado." O homem gordo entrou no balcão: "Vocês vão se hospedar ou comer?"

"Qual é o preço?" O médico franziu a testa, sentindo que algo estava errado. Uma loja aberta numa cidade coberta por névoa de sangue com certeza tinha problemas.

"A primeira noite é de graça. Se quiserem continuar, na segunda noite vamos pegar uma coisa de cada um de vocês como pagamento." O dono gordo, como se temesse que os outros entendessem errado, ainda explicou: "Dinheiro não significa muito para nós. Preferimos lembranças mais especiais."

"E se quisermos ficar uma terceira noite?" Chen Ge falou com indiferença.

"Pegamos mais uma coisa, até que vocês não tenham mais nada para dar. Aí sim, vamos expulsá-los." O dono parecia uma pessoa boa: "Aqui é o lugar mais seguro da cidade."

"Entendi." O bêbado assentiu: "Isso é como uma zona segura de jogo. Que tal nós quatro ficarmos uma noite?"

"Aqui estão as chaves dos quartos." O dono gordo, como se temesse que o bêbado mudasse de ideia, tirou quatro chaves de baixo do balcão, cada uma com um número.

"Não precisamos de quatro quartos. Vamos ficar dois em cada um." O médico era mais cauteloso.

"Tudo bem, vocês decidem. Vou perguntar na cozinha e preparar o jantar para vocês." O dono foi para os fundos, saindo por uma direção diferente da que veio.

Depois que o dono saiu, o médico escolheu dois quartos vizinhos: "Vamos ficar com estes dois. Ficamos todos num, e deixamos o outro vazio. À noite, revezamos a vigília. Se algo acontecer em qualquer um dos quartos, acordamos todo mundo."

"Brilhante!" Os olhos do bêbado se acenderam com esperança: "Se aguentarmos até o amanhecer, ou a névoa se dissipar, com certeza vamos escapar desta cidade!"

Tesoura também aprovou o método do médico. Só Chen Ge tinha uma expressão estranha.

"Esta deve ser a abordagem mais segura." O médico olhou para Chen Ge, afinal ele era o pilar do grupo.

"Nós quatro nos escondermos no quarto significa entregar a iniciativa aos outros. Eles terão tempo de sobra para armar armadilhas, enquanto nós só podemos esperar passivamente." Chen Ge nem olhou para as chaves no balcão.

"Então o que você sugere?" Todos estavam curiosos para saber o plano de Chen Ge.

"Simples. O dono disse que aqui só tem ele e um cozinheiro." Chen Ge sorriu, mostrando os dedos: "Eles são dois, nós somos quatro. Em vez de passar uma noite inquieta, prefiro tomar a iniciativa e ser o dono do restaurante por uma noite."

"Ser o dono do restaurante?" O bêbado sentiu que sua visão de mundo estava sendo destruída: "Cara, ele acabou de falar educadamente com a gente, e você já quer virar o dono? Não é meio estranho?"

"Um lugar que nem uma assombração de vestido vermelho ousa entrar, você acha mesmo que o dono está sendo educado?" Chen Ge já tinha jogado o jogo de Xiaobu e sabia o propósito daquele restaurante: os clientes eram a comida, todos acabariam na barriga da assombração vermelha da geladeira. "Quando chegar o jantar, vocês vão entender por que estou fazendo isso."

Chen Ge colocou o gato branco no ombro e pegou as quatro chaves: "Não se entreguem. Espero que confiem em mim. E posso garantir: sou uma boa pessoa, só que minha bondade tem seus próprios limites."