Capítulo 660: Capítulo 660 Capítulo 646 Corrida Desenfreada

Capítulo 646: Corrida Desenfreada

O fantasma de vermelho vivo da vizinha do Xiao Bu era muito mais poderoso do que Chen Ge imaginava. Na verdade, isso também tinha a ver com ele mesmo — acostumado a lidar com espectros abaixo do nível vermelho, ele já havia esquecido o terror de ser dominado por um deles.

O vermelho extremo representava perigo e algo que não se devia provocar. No instante em que a aparição feminina surgiu, o instinto de sobrevivência enraizado nos ossos de Chen Ge foi despertado.

Antes mesmo que o assassino pudesse reagir, ele já havia disparado para longe.

"Quando Xiao Bu abriu a porta, devia ser apenas uma criança comum. Como ela conseguiu sobreviver no mundo atrás da porta?"

Assassinos, espectros furiosos, monstros de pele cinzenta — naquela cidade que parecia um pesadelo humano, nem um adulto teria chance de sobreviver. Uma garotinha, no entanto, conseguira, o que fazia Chen Ge se sentir incrédulo.

Arrastando o martelo de esmagar crânios, Chen Ge corria como se sua vida dependesse disso. Não ousava olhar para trás, apenas ouvia o som constante de "dong, dong" vindo atrás, junto com um ruído como de água corrente.

Ele sabia que aquele espectro de vermelho vivo estava bem atrás dele.

Os poucos passageiros estavam originalmente parados no meio do quarteirão, observando a cidade coberta pela névoa de sangue, seus corpos amontoados, temendo que, num piscar de olhos, fossem arrastados para dentro da névoa por algum monstro.

Sem Chen Ge, eles se sentiam completamente desamparados, sem qualquer sensação de segurança.

"Corram!" A voz de Chen Ge ecoou do pátio do quarteirão. Os passageiros ouviram pela primeira vez seu grito desesperado. Na impressão deles, aquele homem, não importava o que acontecesse, sempre parecia calmo, como se nunca sentisse medo.

Os fatos provavam que estavam enganados. Aquele homem não era imune ao medo — apenas ainda não tinha encontrado algo verdadeiramente aterrorizante!

Ao ouvir a voz de Chen Ge, os passageiros viraram lentamente a cabeça na direção dele.

Com uma sacola de viagem e uma mochila na mão esquerda, arrastando um "martelo de adereço" grotesco com a direita, um gato branco de pelo eriçado agarrado firmemente ao seu ombro, a expressão de Chen Ge estava quase distorcida enquanto ele corria em direção a eles com todas as forças: "Para a esquerda! Vão para o restaurante! O restaurante!"

A princípio, os outros não entendiam por que Chen Ge estava tão desesperado. Mas, cerca de alguns décimos de segundo depois, seus olhares passaram por ele e viram o que estava atrás.

Um cadáver feminino sem cabeça emergiu do corredor escuro. Do seu pescoço, inúmeros fios de sangue se espalhavam, tecendo uma grande rede vermelha, e no fim dessa rede estava uma cabeça humana terrível e maligna!

"Puta merda!"

"Que tipo de coisa você provocou?!"

"Corram!"

A aura de um espectro de vermelho vivo superava em muito a de fantasmas comuns. No instante em que viram a aparição feminina, os passageiros reagiram exatamente como Chen Ge e dispararam para longe.

Mal ousavam imaginar o que aconteceria se fossem pegos. Suas mentes ficaram em branco, restando apenas um som — correr! Corram agora!

A velocidade da aparição feminina era muito maior do que no jogo. Chen Ge corria como um louco, mas a distância entre eles continuava diminuindo.

"Ainda bem que mandei um assassino para testar primeiro. Se eu mesmo tivesse ido ver a porta, sem aqueles segundos de respiro, agora já teria sido arrastado para dentro do quarto."

Sem perturbar Zhang Ya, o máximo que Chen Ge tinha era Xu Yin para enfrentar o espectro sem cabeça por um tempo.

"Assim que completar a missão de teste de Liwan Town, vou encontrar o coração do Xu Yin, custe o que custar!"

Correndo a toda velocidade, a cena do jogo de Xiao Bu reapareceu.

Nas ruas cobertas de névoa de sangue, várias pessoas gritavam enquanto fugiam em direção a algum lugar no fim da rua.

"Não aguento mais! Não consigo correr!" O bêbado segurava o peito: "Sinto que meu coração vai explodir!"

"Se você parar, aquela coisa vai arrancar seu coração com as próprias mãos! Não pare!" Chen Ge gritou alto.

Talvez seu encorajamento tenha funcionado, pois o bêbado rangeu os dentes e continuou correndo de cabeça baixa.

"Finalmente entendi por que você mandou a gente esperar na entrada do quarteirão! Se tivesse dito que ia aparecer um fantasma, teria sido melhor esperarmos direto no restaurante!" A tesoura gritava histericamente. Até o assassino mais cruel se cagaria de medo ao ver um espectro de vermelho vivo, quanto mais um impostor como ele.

Com a tesoura, Chen Ge era muito gentil — planejava treiná-lo como funcionário: "Relaxa, não é nada! Contanto que você corra rápido o suficiente, o espectro pode não te pegar! Confia em mim! Quando chegar no restaurante, estaremos seguros!"

Em encontros com eventos sobrenaturais, nunca se deve ficar preso em espaços apertados. Enquanto se pudesse correr, ainda havia esperança — essa era a lição que Chen Ge aprendera em várias experiências.

Agora que já estavam sendo perseguidos por um espectro, não adiantava falar nada; só restava correr de cabeça baixa.

A névoa de sangue cobria tudo, e sons estranhos vinham dos prédios dos lados. Das janelas entreabertas, parecia que algo poderia se esticar para fora a qualquer momento.

"Andem no meio da rua! Não se aproximem dos prédios!"

Chen Ge ainda se lembrava das cenas do jogo de Xiao Bu. À noite, Liwan Town era um poço de perigos; os monstros e espectros escondidos nos prédios usavam a escuridão para atacar os "cordeiros" que passavam.

"A maioria dos monstros e espectros nos prédios não sai de seus cômodos, mas os de vermelho vivo são diferentes." Chen Ge virou levemente a cabeça para olhar para trás. Não sabia como tinha provocado aquela coisa, mas a aparição feminina não desistia de persegui-lo: "Parece que mesmo em Liwan Town, os de vermelho vivo estão no topo da cadeia alimentar. Deve ser o retrato fiel do mundo atrás da porta."

Chen Ge era leal; ele ficou para trás sozinho, assumindo o maior risco.

Correndo pela rua por alguns minutos, o médico e a tesoura, que estavam na frente, finalmente avistaram o restaurante que Chen Ge mencionara.

Era um prédio que funcionava como pousada e restaurante, no centro de Liwan Town. Parecia meio velho, devia ter uns dez anos de construção.

"É aqui! Entrem! Vão para dentro!" A distância entre Chen Ge e a aparição feminina já era muito pequena. O sinal mais claro era que o gato branco, que antes estava nas suas costas, agora pendia no seu peito, as garras cravadas nele, soltando guinchos agudos.

Os passageiros que corriam na frente entraram no restaurante um após o outro. Chen Ge finalmente suspirou aliviado. Mirou na porta e jogou o martelo de esmagar crânios para longe.

Aliviado do peso, Chen Ge acelerou ainda mais e entrou no restaurante por pouco.

"Fechem a porta!"

A porta se fechou, e um estrondo veio de trás. Todos os passageiros correram para ajudar, empilhando mesas e cadeiras na entrada.

Minutos depois, a porta parou de tremer, mas o som de "dong, dong" continuava vindo de fora.

"Tudo bem, podem descansar um pouco." Chen Ge pegou o martelo, guardou-o na mochila e ergueu o gato branco, que já estava quase desmaiado de medo. O bicho parecia não ter ossos, todo mole sobre a sacola.

"Cara, tem certeza de que está tudo bem? Aquela mulher lá fora está batendo a cabeça na porta!" O bêbado espiou pela fresta: "Ela está mesmo batendo a própria cabeça na porta!"