Capítulo 649: Capítulo 649 Capítulo 636 Esconde-esconde

Capítulo 636 - Esconde-Esconde

"Quem é aquele? Parece familiar, é um passageiro do ônibus?" O bêbado acabara de dizer que a rua era mais segura que dentro dos prédios, quando, antes que as palavras terminassem, algo anormal apareceu na estrada. Ele suspeitava que, em algum lugar que não podia ver, havia olhos o observando o tempo todo, cada movimento seu sendo visto por eles.

"Ele está acenando para mim? A névoa é densa, não consigo ver o rosto dele, e ele provavelmente também não vê o meu. Nessa situação, uma pessoa normal não iria cumprimentar um estranho de repente."

As pessoas são forçadas a mudar. Depois das coisas terríveis que acabara de passar, o bêbado claramente se tornara mais esperto, já começando a tentar se colocar no lugar do outro.

O contorno da figura na névoa foi se tornando mais nítido, parecia que ela estava vindo em sua direção.

"Não, preciso me afastar dele."

O bêbado sentiu claramente que a velocidade do outro aumentava. Ele não ousou responder, virou-se e correu.

"Se ele é humano, deveria falar alguma coisa. Ficar em silêncio, só acenando, já é suspeito só de pensar."

A rua também não era segura. O bêbado sentia um certo desespero, não sabia mais para onde ir.

"Agora, o mais importante é me reunir com os outros passageiros. Sozinho, vou acabar sendo enganado até a morte." O bêbado correu um trecho, mas não viu nenhum ônibus no caminho. Quanto mais corria, mais inseguro ficava: "Fudeu, estou completamente perdido. Os prédios ao redor são todos parecidos, e aquele ônibus era meu único ponto de referência."

Atrás, na névoa densa, era possível ver vagamente uma figura borrada. A pessoa que havia acenado para ele ainda o seguia, mantendo distância.

"Maldito, que coisa é essa? Por que fica me seguindo?" O bêbado acelerou o passo e correu sem parar até o próximo cruzamento.

O ônibus continuava sem aparecer. Enquanto hesitava sobre qual caminho seguir, ele de repente percebeu que, do outro lado da rua, havia surgido, não sabia desde quando, o contorno de uma pessoa. Alguém estava acenando para ele!

"Como é que aquela coisa veio parar na minha frente?! Devia estar bem longe de mim!"

O desespero, como espinhos afiados, subiu-lhe ao coração. O bêbado não sabia mais o que fazer. Parecia que, para onde quer que fosse, via aquela pessoa.

"O que fazer?" Trinta anos de experiência de vida não lhe ofereciam nenhuma ajuda naquele momento. A pessoa do outro lado da rua continuava acenando para ele. O contorno borrado, o braço balançando, parecia o pêndulo da morte.

"Mesmo que eu fuja para outra rua, esse monstro provavelmente vai continuar me seguindo. Não tem jeito, vou ter que enfrentá-lo!"

O bêbado rangeu os dentes e segurou firmemente a faca de cortar ossos que havia trazido da cozinha do canil.

Ele nunca tinha matado nem uma galinha na vida, mas naquele momento, um pensamento cruel surgiu em sua mente.

"Acalme-se, não tenha medo!" Ficar muito tempo na névoa sanguínea fazia com que a pessoa fosse influenciada por ela. O bêbado não percebia isso, mas seus olhos estavam vermelhos, cheios de vasos sanguíneos, como se ele estivesse há muito tempo sem dormir, bem diferente de quando havia entrado no ônibus.

Por ser a primeira vez, o coração do bêbado batia muito rápido. Ele segurava a faca de cortar ossos com as duas mãos e, com uma postura estranha, caminhou em direção à rua ao lado.

O contorno humano ainda acenava para ele. Quanto mais perto chegava, mais claramente o bêbado o via.

"Tão familiar. Devo ter visto em algum lugar. Ele também é passageiro do ônibus?"

O bêbado chegou ao meio da rua e gritou para a pessoa: "Ei! Qual é o seu nome?"

Não houve resposta. A pessoa diminuiu o movimento de acenar, mas de repente começou a caminhar em sua direção.

Uma cidade vermelha como sangue, uma rua vazia, duas pessoas se aproximando cada vez mais.

Conforme o outro se aproximava, o bêbado sentia novamente aquela sensação de familiaridade.

"É muito parecido. Com certeza já o vi em algum lugar."

A névoa sanguínea era densa. O bêbado apertou a faca e, movendo os pés, finalmente atravessou a névoa e chegou diante da pessoa.

O outro estava coberto de sangue, a barriga encharcada. Na junção entre as pernas e a parte superior do corpo, havia uma linha preta e fina visível, como se o corpo tivesse sido separado e agora estivesse remontado.

Ao ver a aparência daquela pessoa, o bêbado já queria recuar. Achava aquilo extremamente assustador, mas o outro também lhe trazia uma sensação estranha de familiaridade. Ele com certeza já tinha visto aquela pessoa em algum lugar.

"Quem é você?"

Sua mente estava quase em branco. O bêbado não sabia por que havia feito aquela pergunta. A mão que segurava a faca não parava de tremer.

"Este caminho tem dois lados: um para os vivos, outro para os mortos." O homem estranho, de cabeça baixa, foi erguendo-a lentamente. Sob o cabelo desgrenhado, havia um rosto idêntico ao do bêbado. Olhos cheios de maldade e pavor saltavam para fora. Seu corpo, como se sustentado apenas por ossos, atirou-se diretamente sobre o bêbado. A boca se rasgou para os lados, e uma voz aguda, completamente diferente da do bêbado, saiu de sua garganta: "Eu sou você! O você que morreu de forma horrível!"

Ao ver que o monstro tinha a mesma aparência que ele, a defesa psicológica do bêbado já havia ruído. Ele não teve a menor intenção de resistir, agarrou a faca e saiu correndo.

Dessa vez, ele nem sequer teve tempo de escolher uma direção. Sentia que cada nervo estava prestes a se romper. Correu a toda velocidade para algum lugar.

Não sabia onde ficava o fim, nem onde era seguro. Apenas corria com todas as suas forças.

O corpo todo doía, os pulmões ardiam como se estivessem queimando. O mundo diante de seus olhos foi se desvanecendo. O bêbado sentia que não conseguia mais respirar.

"Não consigo mais correr..."

Este era um mundo completamente desesperador. A única escolha que um vivo podia fazer aqui era entrar em diferentes prédios e escolher diferentes formas de morrer.

"Ninguém consegue sobreviver aqui. Todos vão morrer, todos vão morrer..."

A consciência já estava turva. Com o último suspiro, o bêbado correu para dentro do prédio mais próximo.

A cor predominante era o branco. Parecia ser o único hospital particular da cidade de Liwan. Não era grande, apenas um prédio de três andares.

...

"Papai..."

"Cala a boca." O homem de meia-idade respirava ofegante. Escondido na saída de emergência, ele olhava para fora de vez em quando.

Depois de alguns minutos, sem ouvir passos, ele se encostou na parede e se sentou lentamente no chão: "Antes, vi um passageiro desobediente ser levado por pessoas do Edifício dos Mortos para dentro de uma porta. Atrás daquela porta, era como este lugar, cheio de névoa sanguínea. Este não é lugar para vivos. Tudo por causa daquele cara! Se tiver oportunidade, vou matá-lo!"

Quanto mais pensava, mais irritado ficava. Ao olhar para a mulher e o menino ao lado, ficava ainda mais furioso. Deu um chute na coxa da mulher: "Desde que me casei com você, sua muda, nunca tive um dia bom!"

A mulher emitia sons incompreensíveis, parecendo ter muito medo do homem. Ela segurou a perna e deu um passo para trás, mas ainda assim protegia o menino.

"Papai..."

"Não me chame assim, caramba, parece um fantasma cobrando dívidas." O homem de meia-idade olhou ao redor, com uma expressão não muito boa: "Só me preocupei em fugir agora e acabei entrando no hospital sem perceber. Este lugar não é de boa sorte. Quando aquele monstro for embora, preciso sair daqui rápido."

"Papai..." Mesmo sendo repreendido, o menino continuava chamando o pai.

Depois de ser chamado várias vezes seguidas, o homem de meia-idade finalmente percebeu que algo estava errado. Normalmente, quando ele ficava bravo, o menino pedia desculpas ou ficava com medo de falar, nunca ousava desobedecer.

"O que foi?"

"Um garotinho, há pouco, colou um papel nas suas costas." O menino apontou para as costas do homem de meia-idade.

"Nas minhas costas?!" O homem de meia-idade se assustou, esticou a mão para as costas e arrancou uma folha de prontuário.

Na frente do papel, estava escrito que o paciente havia morrido. No verso, havia algumas palavras escritas tortas — "Vem me procurar?"

Continua...

Recomendação de um livro que estou lendo ultimamente: "O Médico da Peste", do autor Robô Wall-e~

As ruas outrora movimentadas agora eram uma quietude deformada e mortal.

Sussurros estranhos, roucos e frenéticos, ecoavam no céu. Antigas sombras gigantescas e indescritíveis flutuavam no mar.

Doenças desconhecidas explodiam, desastres terríveis assolavam. Pessoas em pânico buscavam dia e noite refúgios ilusórios.

Chuva de sangue caía, relâmpagos iluminavam corvos se reunindo. "Nunca mais, nunca mais", eles respondiam.

"Podemos ver que os ghouls, assim como os humanos, têm doze pares de costelas, mas também possuem um 'osso transverso anômalo' que os humanos não têm..."

Na faculdade de medicina, Gu Jun continuava a fazer a incisão com o bisturi, mostrando aos alunos ao redor a estrutura torácica daquele ghoul na mesa de dissecação.

Uma era misteriosa e bizarra havia chegado. A verdade desabava, a ordem se desintegrava. A humanidade só podia, por meio da força da inteligência, avançar sem se curvar.