Capítulo 637 — Vem me encontrar
"Quando foi que colaram isso?" O homem de meia-idade segurava o prontuário médico, os olhos arregalados. Ele não tinha sentido nada.
"Eu..." O menino tinha muito medo do pai e se encolheu atrás da mãe.
"Eu mandei você falar! Quando é para falar, você fica calado!" O homem puxou o menino de trás da mãe, agarrando sua roupinha: "Onde colaram? Quando colaram? Como era a pessoa que colou esse papel?"
"No primeiro andar, quando passávamos por um quarto, a porta estava entreaberta. Eu vi uma mão esticar e colar esse papel nas suas costas." O menino não sabia se estava com medo do pai ou daquela mão: "Na hora eu ia te avisar, mas atrás da porta apareceu um rosto. A pele dele era cinzenta, e ele cochichou para mim que estavam brincando de esconde-esconde, e que eu não deveria te contar."
"Ele mandou não contar e você obedeceu?" O homem levantou a mão, quase perdendo o controle e dando um tapa na cara do menino: "Seu inútil, igualzinho à sua mãe. Um dia desses, vocês vão acabar me matando!"
Ele olhou para o papel na mão. A frase torta escrita ali fez um arrepio frio descer pelas suas costas.
"Vem me encontrar? Se eu fosse te procurar, seria um idiota!" O homem amassou o prontuário e jogou no chão. Por coincidência ou não, a foto do prontuário ficou virada para cima, bem na direção dele.
"Que azar do caralho." Pisou com força no papel amassado e olhou para o outro lado do corredor: "Os monstros da rua não vieram atrás, devem ter desistido. Vamos primeiro dar uma olhada lá dentro. Quando entrei correndo, lembro que tinha outra saída nos fundos desse prédio."
Depois de ouvir o menino, o homem não ousou mais voltar pelo caminho que veio. Ele olhava para os quartos de cada lado do corredor, as palmas das mãos cobertas de suor frio.
"Não vamos procurar aquele irmão?" O menino ergueu a cabeça, perguntando timidamente.
"Procurar ele? Você está pedindo para morrer? Vamos logo, primeiro saiamos desse lugar maldito." O homem segurou a esposa pelo ombro: "Fique de olho nele, não deixe sair correndo. No prédio dos mortos, o tratamento com adultos e crianças é diferente..."
Ele falava enquanto andava, mas a calça foi puxada pelo menino: "O que foi agora?"
"Pai, ele está brincando de esconde-esconde conosco."
"Bestagem, eu sei." O homem sacudiu o menino: "Você realmente vai brincar de esconde-esconde com um fantasma nesse lugar maldito?"
"Mas se não formos procurá-lo, daqui a pouco vai ser a vez dele nos procurar." O menino falou com seriedade. A voz inocente dele, ao chegar aos ouvidos do homem, trouxe um medo indescritível.
"O fantasma vai nos procurar?" Seguindo as regras do jogo, isso realmente podia acontecer. A expressão do homem mudou na hora.
Seja procurar o fantasma ou ser procurado por ele, para ele era algo difícil de aceitar.
"Não, isso é uma armadilha. Mesmo que a gente encontre o fantasma, quando o papel do jogo mudar, ele vai nos procurar! Vamos logo! Não fiquem parados aqui."
O homem pegou o menino, colocou-o no colo, chamou a esposa e saiu correndo pela escada de emergência.
...
Segurando uma tesoura afiada, o "maníaco" que se autodenominava Tesoura estava sozinho no primeiro andar do hospital da cidade.
"Ovelhas andam em bando, só as feras caminham sozinhas. Por isso, maníacos são sempre solitários." As veias nas costas da mão da Tesoura saltavam, dava para ver que ele estava nervoso: "A cidade coberta pela névoa de sangue é completamente diferente do terminal que meu irmão descreveu no diário. Será que ele escreveu errado, ou eu peguei o ponto errado?"
Tesoura tocou o próprio rosto. Quando os dedos encontraram o ferimento, ele franziu a boca de dor.
Esse cara, quando estava sozinho, se comportava de forma totalmente diferente do que no carro.
"Para não ser tratado como presa, só me disfarçando de caçador. Não posso repetir o erro do meu irmão." Tesoura deu alguns passos à frente. O hospital de madrugada era dez vezes mais assustador que durante o dia. Se não acendesse a luz, o terror aumentava vinte vezes.
"Não posso entrar em pânico. O lugar mais perigoso deve ser o mais seguro. Fazer o contrário é o único jeito de sobreviver aqui." Ele tentava se convencer mentalmente, mas as pernas não obedeciam. O corpo resistia por instinto: "Não posso ter medo. Quanto mais medo dessas coisas, mais elas vêm atrás de você. Por todo esse caminho, de outras direções só vinham gritos e lamentos de vivos, e do meu lado não encontrei nada. Isso já prova que meu raciocínio está certo."
Ele apertou a tesoura na mão. Depois de se encorajar, deu um passo em direção ao corredor esquerdo do hospital.
Um passo à frente, e dois sons de passos ecoaram no saguão. Um era o dele, o outro era o som de saltos altos no chão.
"Deve ser alucinação. Não tem nada atrás de mim, nada..." Repetindo para si mesmo, Tesoura tentava se hipnotizar. Ele sentia que já estava quase se acostumando com aquele som: "É só nervosismo. Quando eu sair, o som vai sumir. Faltam umas cinco ou seis horas para o amanhecer. É só aguentar."
Tesoura tinha uma vida interior rica. Pensando nisso, ele parou de repente e deu um tapa forte no próprio rosto: "Você veio procurar seu irmão, como pode só pensar em se salvar?"
A imagem do irmão passou pela sua mente, e o olhar de Tesoura ficou muito mais firme: "Para este dia, me preparei por cinco meses. Ainda tenho um monte de cartas na manga. Não preciso entrar em pânico."
Ele se forçou a não ter medo. Com a tesoura na mão esquerda e o saco velho que já tinha parado de pingar sangue na direita.
"Esse visual já passa uma impressão de perigo. No carro, tinha um passageiro com um visual parecido com o meu. Ele também devia ter uma história, mas claramente não estava tão preparado quanto eu." Tesoura tinha uma confiança inexplicável em si mesmo. Ignorou o som dos saltos atrás dele e seguiu pelo corredor do hospital.
O hospital não era grande, e os quartos também não eram muitos. Tesoura ainda não tinha andado alguns passos quando ouviu um barulho estranho vindo do segundo andar.
"Parece que vem da escada de emergência. Quem está aí?" Lambeu os lábios, lembrando dos movimentos clássicos dos maníacos nos filmes, e subiu em direção ao segundo andar com a arma na mão.
O corredor estava tomado por uma brisa sinistra. Algumas portas de quartos estavam entreabertas. Sem luz, todos os cômodos estavam escuros, impossível enxergar o que havia dentro.
"Tem alguém aí?"
Tesoura andava com cuidado a cada passo. Ao passar por um dos quartos, de repente percebeu algo: o som de passos que o seguia tinha sumido.
"Por que sumiu do nada?"
Ele até estranhou. Olhou para trás e viu que havia um papel colado no seu ombro.
"Vem me encontrar?"