Capítulo 634 — Sem Saída “Isso é gente maltratando animal, ou animal maltratando gente?” O bêbado olhou para as fotos, as cenas cruéis nelas o deixaram muito desconfortável. Sem terminar de ver todas, ele recolocou as fotos na gaveta. Quando retirou as mãos, sentiu de repente as palmas pegajosas. Com a luz do celular, a pálpebra do bêbado tremeu bruscamente. Na mão que havia virado as fotos, estava tudo coberto de sangue preto-avermelhado. “Não toquei em nada além das fotos! Esse sangue está saindo das fotos?” Sozinho em pé na casa sinistra e vazia, algo parecia correr de um lado para o outro no corredor, o sino de vento tilintava suavemente, e no quintal do lado de fora havia um monstro com cabeça humana em forma de esfregão. Nessa situação, o bêbado não ousava sair do quarto de jeito nenhum. “O monstro que jogou pelo de cachorro no parapeito da janela está no segundo andar. Este quarto é o mais distante da escada, é o mais seguro.” Ele não ousava sair, com medo de que, ao abrir a porta, o monstro estivesse do lado de fora. Mas ficar no quarto também o deixava apavorado: “Como pode sangue vazar das fotos? Deve ser que minha mão esbarrou em algum lugar da gaveta, talvez haja um compartimento escondido.” Reunindo coragem, o bêbado retirou a gaveta mais baixa da escrivaninha e a colocou no chão. Desta vez ele viu claramente: na gaveta só havia fotos. “O sangue realmente está saindo das fotos?” Sua compreensão da vida real foi virada de cabeça para baixo. Seus pelos se arrepiaram, e ele sentiu um impulso urgente de sair daquele quarto. Seu olhar caiu sobre as fotos, e o bêbado notou algo muito estranho. Todas as fotos de tortura de pessoas não mostravam os rostos das vítimas, enquanto todas as fotos de tortura de animais, quando o animal estava à beira da morte, sempre havia uma mão apertando o pescoço do animal, como se exibisse um troféu, deixando o rosto do animal à mostra. “Que变态.” Não sei se foi por olhar por muito tempo ou por outro motivo, o bêbado percebeu que todos os animais nas fotos pareciam estar sorrindo. “É a primeira vez que vejo uma expressão assim no rosto de um cachorro. Eles estão sorrindo, né? Um cachorro que sorri?” O bêbado estremeceu. Ele não ousava se aproximar das fotos no chão. Olhou ao redor; quanto mais tempo ficava no quarto, mais aterrorizante parecia: “Acho que este prédio é mais assustador que o outro.” Colocando a mão no lençol, o bêbado tentou limpar o sangue da palma, mas ao apertar os dedos, sentiu algo. Depois de hesitar muito, ele levantou o lençol. Um cheiro forte e podre atingiu seu nariz. No colchão da cama de madeira, havia uma mancha de sangue humano já coagulada em forma de corpo. Só pela forma no colchão dava para ver que a vítima morreu com sofrimento. O sangue se espalhava do abdômen para todos os lados; parecia que ela havia sido derrubada por alguma fera, que mordeu seu pescoço e barriga. O bêbado era só um vendedor, nunca tinha visto uma cena dessas. Seu corpo parecia petrificado, seu cérebro não conseguia controlar o corpo. O couro cabeludo formigou, um gás subiu do pulmão, e no último instante ele mordeu a própria mão para não gritar. “Alguém morreu neste quarto! Nesta cama!” Esses dois pensamentos passaram por sua mente num instante. Ele não ousava ficar ali. Para alguém que vive em tempos de paz, esta era a vez mais próxima que o bêbado já esteve de palavras como morte e assassinato. Suas pupilas tremeram levemente. Levou um tempo até ele reagir e jogar o lençol para o lado. Olhando para o chão, os rostos dos animais nas fotos invadiram sua mente: “Aquele cachorro está sorrindo, aquele cachorro realmente está sorrindo! Não vi errado!” O bêbado já estava um pouco neurótico de medo, mas não era culpa dele. Embriagado, pegou o carro funerário e, ao acordar, o mundo parecia diferente. Tudo aqui era algo que ele nunca tinha encontrado antes, nem mesmo em pesadelos. “Preciso sair, não posso ficar aqui de jeito nenhum!” O bêbado encostou na parede e foi até a janela. Segurou a cortina, mas não teve coragem de abri-la. Ele estava realmente apavorado. “Chii, chii...” Enquanto hesitava, as pernas do bêbado tremiam. Mas às vezes é estranho: quanto mais você tem medo, mais coisas estranhas acontecem, como se soubessem os pontos fracos do coração humano. Um som estranho veio de algum lugar do quarto, como ratos roendo algo. “Parece que vem de debaixo da cama...” O bêbado não foi tolo a ponto de se abaixar para olhar debaixo da cama. Quando o som aumentou, ele puxou a cortina diretamente. A janela do quarto já estava meio aberta. Através do vidro, quando o bêbado olhou para fora, um rosto também olhava para dentro. Cabelos pretos como trapos grudados caíam, e um rosto pálido e magro começou a se espremer para dentro do quarto! “Pah!” O bêbado usou toda a força para fechar a janela com força. O som foi alto. Sua mente ficou em branco; o movimento de fechar a janela foi instintivo. Através do vidro fino, a cabeça erguida estava colada na janela. A boca rachada se abriu lentamente, os dentes quebrados batiam no vidro, como se dissessem — finalmente te encontrei. Trancando a janela, o bêbado sentiu que tinha gasto todas as forças. Ele caiu sentado no chão, olhando para cima para a cabeça erguida do lado de fora da janela. Antes que ele pudesse se recuperar, algo molhado encharcou suas calças. A sensação fria e pegajosa era muito desconfortável. Ainda em choque, ele olhou para baixo e viu que estava sentado exatamente em cima das fotos. Uma mancha de sangue se espalhava em suas calças. Arregalando os olhos, o bêbado viu que, em todas as fotos de animais torturados no chão, as cabeças dos animais haviam sumido, e sangue preto-avermelhado escorria dos pescoços cortados. O bêbado quase sufocou. Ele se levantou rolando e rastejando. “Pah! Pah!” A cabeça batia na janela. O bêbado nem ousou olhar. Ele se apoiou e correu para fora do quarto. “Socorro, socorro, onde estão os outros?” Ele foi para o corredor, querendo trocar de quarto para se esconder, mas assim que saiu, viu uma sombra agachada na curva da escada do segundo andar. Parecia um cachorro, ou uma pessoa! “O que é aquilo?” Sem ousar se aproximar da escada, o bêbado se virou e se escondeu em outro quarto. Sem olhar, ele fechou a porta diretamente, trancou-a e, encostado nela, respirou ofegante. Para uma pessoa comum, ele ainda não tinha enlouquecido de medo, o que já era uma resistência psicológica forte. “Não, preciso sair correndo e me encontrar com os outros!” Nessa hora, o bêbado sentiu falta dos outros passageiros. Ele empurrou a mesa para trás da porta e começou a examinar o quarto. Fogão, geladeira e um grande armário. “É aqui que eles cozinham?” O bêbado olhou ao redor. O suor escorria loucamente de sua testa. Ele correu para a cozinha da casa de dois andares. O problema é que a cozinha não tinha janela. “Acabou.” Lá fora, veio o som de vidro quebrando. O som do sino de vento no corredor também aumentava. O bêbado não queria desistir. Impulsionado por um forte desejo de sobreviver, ele começou a revirar a cozinha em busca de algo útil.