Capítulo 633 — Por que sinto que o quarto está cheio disso por toda parte?
"Que fedor!"
O bêbado já tinha se recuperado completamente da bebedeira. Tapando o nariz e a boca, ele usou o celular para iluminar a casinha de cachorro.
Para sua surpresa, não havia nada sujo lá dentro.
"Parece limpa, mas por que fede tanto? Nem a carne crua estragada na minha casa tinha um cheiro tão forte!"
Suportando o nojo, o bêbado pegou um galho de árvore por perto e cutucou a terra dentro da casinha: "Não tem nada enterrado aqui? De onde vem esse fedor? Parece que já impregnou até a madeira!"
Os passos desordenados do lado de fora estavam cada vez mais próximos. O bêbado deu um passo para trás, incapaz de suportar aquele fedor insuportável, e pulou pela janela ao lado para dentro do prédio.
"Espero que aquela família de três não traga o monstro para cá." O bêbado começou a se arrepender de ter chamado o homem de meia-idade. Não estava expondo sua própria localização?
Segurando a cabeça, o bêbado se agachou sob o parapeito da janela e beliscou a si mesmo novamente: "Com certeza não é um sonho. O que era aquela coisa? Só uma cabeça e ainda conseguia correr tão rápido? Estava se movendo com o queixo?"
Na opinião do bêbado, a família de três provavelmente estava em maus lençóis, e ele não pretendia salvá-los: "Os passageiros do ônibus, além de mim, podem ter sido todos eliminados. Ninguém ousa enfrentar aquela coisa, com certeza ninguém..."
Sua cabeça ainda estava tonta, e o bêbado estava suando de medo: "O que faço agora? O celular não tem sinal, nem sei onde estou. Esquece, vou ficar escondido aqui até o nevoeiro dissipar."
Aprendendo com a experiência, o bêbado não ousava mais sair correndo sem rumo.
Ele ficou agachado sob a janela por alguns minutos, até que ouviu o som da porta do pátio se abrindo.
"Alguém entrou!"
Prendendo a respiração, o bêbado nem ousava respirar.
Ele aguçou os ouvidos. Depois do som da porta, o pátio logo ficou em silêncio novamente.
"Só veio dar uma olhada? O monstro não me encontrou?" Desta vez, o bêbado foi esperto. Não levantou a cabeça para olhar pela janela imediatamente, com medo de ver alguém olhando para dentro.
Ligou o celular, ajustou o ângulo e, usando a câmera, observou o pátio lá fora.
A porta estava entreaberta. Não havia ninguém no pátio.
"Isso é um alívio em meio ao azar." O bêbado se levantou e, ao guardar o celular, esbarrou acidentalmente em uma garrafa no parapeito da janela.
"Purificador de ar?" Ele colocou a garrafa de volta no lugar, sem dar muita importância.
Erguendo-se, o bêbado finalmente teve tempo de observar ao redor.
Não sabia se era ilusão, mas sentia como se ouvisse um som indistinto nos ouvidos, algo como o tilintar de sinos de vento.
Em algumas áreas rurais, as pessoas têm o hábito de pendurar sinos de vento na porta. Quando eles soam, significa que alguém entrou na casa.
Em tempos normais, esse som não significava nada para o bêbado, mas agora era diferente. Ele sentia que algo no hall de entrada estava andando de um lado para o outro, e muito rápido.
Só de pensar que havia outras coisas na casa, seu coração disparava.
Seus pés se arrastavam no chão. De costas para a janela, ele sentiu que atrás dele escureceu de repente, como se a luz da janela tivesse sido bloqueada por algo.
Alguém estava do lado de fora da janela?!
Essa ideia surgiu em sua mente, e o couro cabeludo do bêbado quase explodiu. Seu corpo ficou paralisado no lugar, e o som dos sinos de vento em seus ouvidos não parava, cada vez mais nítido.
Algo estava se aproximando?
Reunindo toda a sua coragem, o bêbado olhou para trás. A janela estava vazia, sem nada.
"Falso alarme?" Ele voltou para perto da janela. Quando seus dedos tocaram a moldura, sentiu algo áspero. Com a luz do celular, viu muitos pelos pretos de cachorro nas frestas da moldura.
"Pá!"
A janela do segundo andar do prédio rangeu ao ser aberta. O corpo do bêbado tremeu, e os pelos de cachorro em sua palma caíram no chão.
Ele ouviu claramente. O som da janela abrindo estava bem acima de sua cabeça!
Não sabia se era coincidência ou se alguém estava propositalmente brincando com ele.
Ele não ousava pular pela janela para fugir, mas também sentia que ficar dentro de casa não era seguro.
Enquanto hesitava, mais pelos de cachorro caíram de cima de sua cabeça.
"Por que há tantos pelos de cachorro?" Ele lembrou da casinha vazia no pátio e daquele fedor forte!
"O que está acontecendo?" Sem ousar olhar para cima, o bêbado não tinha curiosidade nenhuma sobre o que estava no segundo andar olhando para ele. Naquele momento, só queria ficar quieto, sozinho.
"Não posso mais adiar. Preciso sair!" Assim que tomou essa decisão mentalmente, a porta do pátio foi empurrada novamente. Na escuridão, algo parecido com um esfregão ficou preso na entrada.
Ao ver o rosto escondido entre os trapos e os cabelos pretos, o coração do bêbado pareceu mergulhar em água gelada.
Sem nem fechar a janela, ele saiu correndo daquele quarto perto do pátio.
"Droga, por que ele apareceu agora?" O bêbado correu para o corredor. O som dos sinos de vento vinha do fim do corredor. No chão, vários chinelos estragados estavam jogados. A casa estava uma bagunça.
"Os pelos de cachorro caíram do segundo andar. Lá em cima também tem coisas impuras! Não posso ir para o segundo andar, melhor ficar longe da escada também!"
O bêbado respirou fundo para se manter calmo. Silenciosamente, ele entrou no quarto mais distante da escada.
O chão emitia sons estranhos. De algum lugar, vinha uma cantiga infantil bizarra, como se alguém tivesse ligado um gravador deixado por um morto. O quarto estava ficando cada vez mais estranho.
"Os chinelos que vi no corredor eram de adultos e de crianças. Pode haver mais de uma coisa nesta casa..."
Quanto mais pensava, mais medo sentia. Suas costas estavam encharcadas de suor, e seu corpo, gelado.
"Espero que eles não entrem."
Fechando a porta suavemente, o bêbado viu várias garrafas vazias atrás dela, parecidas com as do parapeito da janela: "Tantos purificadores de ar nesta casa?"
Ele jogou as garrafas de lado e notou, no canto do quarto, saquinhos de bolas de naftalina e muitos perfumes.
"Por que tantas coisas para eliminar odores? O que aconteceu nesta casa?" O bêbado não conseguia parar de pensar na casinha de cachorro fedorenta: "A casinha estava limpa, mas cheia de fedor. O quarto onde as pessoas vivem está bagunçado, mas cheira bem. Tem algo errado aqui."
Ele olhou em volta. Parecia ser o quarto de um jovem. Na cama, havia algumas revistas de moda e livros sobre exercícios físicos. Debaixo da mesa, halteres e uma balança.
A disposição do quarto parecia normal, mas depois de uma busca mais detalhada, o coração do bêbado foi tomado por um medo indescritível.
Ele abriu a gaveta mais baixa da escrivaninha. Lá dentro, havia uma pilha grossa de fotos, registrando várias cenas de abuso de animais. Era de arrepiar.
Mas isso ainda não era o pior. O bêbado continuou a folhear. O primeiro quarto das fotos mostrava um jovem sem rosto abusando de animais. Nos três quartos restantes, o protagonista do abuso era o próprio jovem.