Capítulo 645: Capítulo 645 Capítulo 632 Atenção, conteúdo intenso

Capítulo 632 – Algo Suspeito à Frente

A esposa, que até então permanecia em silêncio, o homem de meia-idade e o bêbado, todos olharam para o local que o menino apontava.

Do fundo do corredor escuro, veio um leve ruído estranho. A maçaneta de uma das portas tremia suavemente, como se algo estivesse trancado dentro do quarto e quisesse sair.

No prédio silencioso e sinistro, a fechadura se mexia sozinha, fazendo o coração de todos disparar.

— Acabei de ver aquele líder subindo as escadas. Não pode ser um passageiro no quarto. — O homem de meia-idade ficava mais assustado quanto mais pensava: — Já estive em Liwan antes. Como posso dizer? Às vezes, você vê coisas aqui que são difíceis de explicar pela ciência.

— Como o quê?

— Você não vai querer saber desses exemplos. O que podemos fazer é evitá-los.

— E se não der para evitar? — O bêbado, de costas para a parede, mantinha os olhos fixos no fundo do corredor.

— Se não der para evitar, finja que não os viu. Tente agir normalmente e, na sua mente, diga a si mesmo que é tudo coisa da sua cabeça. — O homem de meia-idade ficou ainda mais pálido. Lembranças ruins vieram à tona, e suor frio brotou em sua testa. Sua aparência era péssima: — O Liwan que eu conhecia não era como o de agora. Não tinha aquela névoa vermelha. Parece que algo novo aconteceu aqui.

— Não me assuste, porra. Sinto como se alguém estivesse soprando no meu ouvido, e parece até uma voz de mulher! — O bêbado virou a cabeça bruscamente para olhar para trás. O suposto "assassino" que se chamava Tesoura passava pela entrada da escada. Cada passo que dava produzia dois sons de passos, e sua expressão era muito estranha. Era claramente um rosto masculino, mas, olhando por muito tempo, parecia que os traços pertenciam a uma mulher.

A pessoa não os seguiu para dentro do corredor, mas seguiu em frente.

— Ele é homem ou mulher? — Essa sensação estranha deixou o bêbado instantaneamente tenso. Ele deu um tapinha no ombro do homem de meia-idade: — Alguém passou por aqui agora.

— Passou? — Quando o homem de meia-idade olhou para trás, o lado de fora do corredor já estava coberto pela névoa vermelha, e não se via nada: — Não ligue para ele. Primeiro, vamos nos proteger.

Num piscar de olhos, o tremor da maçaneta no fundo do corredor cessou, e tudo voltou ao silêncio.

A névoa vermelha ficou mais densa, o ambiente ao redor mais sombrio. Ouvia-se vagamente o vento assobiando pelos vãos, o que dava arrepios.

— A coisa dentro do quarto desistiu? — O bêbado segurava o corrimão da escada, parado na entrada, pronto para correr para fora a qualquer momento.

— Não necessariamente. Pode ser que aquela coisa já tenha saído do quarto. — O homem de meia-idade se abaixou e tirou um celular do bolso. O bêbado notou que o aparelho era de um modelo de anos atrás.

Ele ajustou o brilho da tela ao máximo e a ergueu à sua frente. No corredor escuro, parecia ter algo a mais, mas, por estar muito longe, ele não conseguia distinguir o que era.

— Que estranho. — O homem de meia-idade cutucou o bêbado com o cotovelo: — Acho que este corredor está diferente de antes. Dá uma olhada.

Um vento fino assobiava nos ouvidos, como se um louco murmurasse sozinho. O bêbado pegou o celular do homem e observou atentamente por um tempo: — Parece que realmente tem algo a mais.

Sem querer, ele deu um passo à frente, franzindo a testa.

O teto velho, grandes pedaços de reboco caídos, portas fechadas e vários entulhos amontoados nos cantos.

— Hã? — O bêbado de repente olhou para um ponto.

— O que você viu? — O homem de meia-idade se aproximou rapidamente, olhando na direção que o bêbado apontava. Não havia nada de anormal ali, nenhum fantasma ou cadáver como ele imaginava.

— Não tenho certeza. Espera aí. — O motorista devolveu o celular ao homem e pegou o seu próprio, ligando a lanterna.

A luz se distorcia na névoa vermelha, ainda difícil de enxergar claramente.

— A porta que fez o barulho agora é aquela ali. — O bêbado, forçando a coragem, avançou. Encolhendo o pescoço e apoiando o braço na parede, depois de alguns passos, finalmente viu o que era o objeto a mais: — Um esfregão?

Havia um esfregão a mais no corredor, daqueles bem comuns no dia a dia, jogado ali por alguém.

— É só um esfregão. Quer me matar do coração? — O homem de meia-idade respirou fundo e colocou o menino no chão, com os braços doloridos.

O bêbado também suspirou aliviado e coçou a cabeça, envergonhado: — Estou nervoso demais... Mas, espera, não tinha um esfregão no corredor antes, tinha?

— Acho que sim? Não me lembro direito. — O homem de meia-idade e o bêbado ficaram lado a lado, continuando a olhar para frente com a ajuda da luz do celular.

Sob o reflexo da luz, o bêbado, que estava prestes a andar, parou de repente. Ele perguntou ao homem de meia-idade, meio incerto: — O esfregão estava naquele lugar antes? Lembro que era perto do terceiro quarto de trás para frente. Não parece que ele se moveu um quarto para cá?

— É mesmo? — O homem de meia-idade também olhou para o esfregão.

Sob o olhar de ambos, o esfregão comum do dia a dia de repente se mexeu. Os panos pretos e rasgados começaram a balançar, e lentamente, por baixo, uma face humana foi aparecendo!

O bêbado e o homem de meia-idade jamais esperavam por algo assim. Ficaram com as mãos e os pés gelados. Antes que pudessem reagir, o esfregão começou a se aproximar em alta velocidade.

Quando chegou mais perto, todos viram claramente: não era um esfregão, mas uma cabeça humana com cabelos longos.

— Corram!

O bêbado, com o celular na mão, saiu correndo para trás. O homem de meia-idade, sem se importar com a esposa e o filho, disparou para fora.

O menino, apavorado, começou a chorar até ser pego pela mãe.

Passos confusos ecoaram no prédio. O bêbado foi o primeiro a chegar à saída da escada. Por um momento, hesitou: subir para procurar Chen Ge ou correr direto para fora do prédio.

Ergueu a cabeça e olhou pelas frestas da escada. Fios de cabelo preto caíram em seu rosto. Um rosto pálido se estendia para baixo do corrimão do segundo andar.

Com um grito, ele não pensou mais em nada e saiu correndo para fora.

Na rua coberta pela névoa vermelha, a cidade onde realidade e pesadelo se entrelaçavam. Cada prédio parecia um monstro devorador.

O coração batia descontroladamente. O bêbado não ousou parar. Gritou para o homem de meia-idade atrás: — Por aqui! — E, correndo desesperadamente, se escondeu em uma pequena casa de dois andares ao lado.

O pátio da casa não tinha portão fechado. As plantas já estavam murchas. O mais chamativo era uma grande casinha de cachorro no fundo do quintal.

Feita de grades de ferro e tábuas mofadas, coberta de marcas de mordidas.

No quintal, além da casa, só havia aquela casinha de cachorro para se esconder.

Lá fora, passos e risadas de mulher não paravam. A cabeça do bêbado estava uma bagunça, e ele sentia que nenhum lugar era seguro.

Apressado, ele correu para perto da casinha: — Dentro de casa é muito perigoso. Quem sabe o que mais tem lá. Melhor me esconder aqui e ver como fica.

O bêbado apoiou a mão na tábua do teto da casinha. Estava prestes a enfiar a cabeça para dentro, mas, antes de entrar, sentiu um cheiro forte e desagradável.