Capítulo 631: O Início da Festa de Terror
O "portal" da cidade de Liwan ficou fora de controle, a névoa de sangue engoliu metade da cidade, e a fronteira entre a realidade e o pesadelo se tornou turva.
Neste momento, Chen Ge também não sabia se estava dentro ou fora do portal. Sob o manto da névoa de sangue, a superfície de todos os edifícios começava lentamente a mostrar veias de sangue.
"Se eu andar mais um pouco, chego ao prédio onde encontrei o corpo do fantasma do celular. Devo subir e verificar o tanque de água?" Na realidade, o corpo do fantasma do celular, Tongtong, já havia sido levado pela polícia. Se houver mais um corpo no tanque, isso significaria que Chen Ge provavelmente está no mundo atrás do portal.
O mundo atrás do portal é tecido com base nas memórias de quem o abriu. Desde que a memória de Xiaobu inclua o corpo do fantasma do celular, há uma grande probabilidade de haver um corpo no tanque.
Claro, isso é apenas uma suposição de Chen Ge. Ele também não tem um método melhor para verificar agora.
"A comunidade onde Fan Cong mora fica perto da casa do colega de Xiaobu, mas é muito longe daqui. Para chegar lá, com certeza vou encontrar algumas coisas."
Chen Ge olhou para trás. Ao redor, tudo era névoa de sangue. O caminho por onde veio já havia desaparecido. Este mundo coberto pela névoa de sangue parecia permitir apenas entrada, sem saída.
"Se isso é realmente o mundo atrás do portal, para sair dele, só posso usar o portal. O portal de Liwan está no prédio em frente à casa de Fan Cong. Parece que, não importa o motivo, esta noite terei que ir até a comunidade dele."
Tendo encontrado uma justificativa para si mesmo, Chen Ge decidiu que mais tarde contaria sua análise aos outros passageiros do ônibus e os levaria para aquela comunidade.
"Estou mostrando o caminho para eles, salvando-os."
Cada vez mais veias de sangue apareciam na superfície do ônibus 104. A névoa densa parecia ter vida própria, tentando lentamente devorar tudo que era estranho.
"O que você está murmurando?" Os passageiros dentro do ônibus desceram um após o outro. O médico se aproximou de Chen Ge: "Mais tarde, vamos ficar juntos. Não importa o que aconteça, não nos separemos."
"Tudo bem." Chen Ge olhou para a porta do ônibus. O bêbado e a família de três estavam amontoados, o homem do sorriso estava sozinho de lado, e o "assassino" que se autodenominava Tesoura estava no fundo.
"Antes de confirmar se os prédios são seguros, é melhor não se aproximar deles. Pode surgir algo assustador a qualquer momento, como braços ensanguentados ou cabeças flutuando." Chen Ge já tinha visto cenas semelhantes no jogo de Xiaobu, então tinha experiência.
"Você está brincando?" O bêbado já tinha acordado completamente, assustado de verdade. Se conseguisse sair vivo de Liwan hoje, provavelmente nunca mais beberia.
"Estou falando besteira. Não sei exatamente o que vai aparecer, mas pode ser ainda mais assustador do que eu disse." Chenge apontou para o prédio onde estava o corpo do fantasma do celular: "Vamos dar uma olhada lá. Revistamos andar por andar. Se não houver perigo, nos escondemos lá."
"Você parece conhecer bem este lugar." O homem de meia-idade franziu a testa, com desconfiança nas palavras: "Há tantos prédios ao redor, por que você insiste em ir naquele? Será que você armou uma armadilha lá dentro?"
"Você está pensando demais." Chenge sorriu para o homem de meia-idade: "Matar você não precisa de armadilha."
A expressão do homem de meia-idade mudou na hora. Chenge acenou com a mão: "Estou brincando. Nunca matei nem uma galinha na vida. O motivo de eu estar calmo agora é porque costumo jogar muitos jogos de terror."
Chenge se virou e apontou para o prédio que havia escolhido: "Peço para vocês irem a este prédio por um motivo. Como diz o ditado, conheça a si mesmo e ao inimigo, e você vencerá todas as batalhas. Primeiro, nos escondemos no prédio e observamos o ônibus lá fora pela janela. O responsável por nos trazer para esta névoa de sangue vai mandar alguém verificar. Precisamos pelo menos saber a aparência e as habilidades do inimigo para fazer um plano. Além disso, a névoa está densa, a visibilidade é baixa. Se ficarmos muito perto do carro, podemos ser descobertos; se ficarmos muito longe, não veremos nada. Por tudo isso, acho que aquele prédio é o mais adequado."
Depois dessa explicação, até o homem do sorriso balançou a cabeça inconscientemente.
O homem de meia-idade não conseguiu refutar, mas ainda se sentia desconfortável: "Você vai na frente. Nós seguimos atrás."
"Sem problema, mas não saiam correndo por aí." Chenge aceitou na hora. Ele carregava duas sacolas grandes na frente, com o médico logo atrás.
"Essa pessoa definitivamente tem algum problema." O homem de meia-idade segurou o braço de sua esposa, que parecia uma marionete, obedecendo sem resistência.
"Eu acho que o que ele disse faz sentido." O bêbado, vendo que a família de três não se mexia, também ficou parado. Para ele, entre todos os passageiros, essa família era a menos ameaçadora, então decidiu ficar com eles.
"Parece certo, mas quando chegarmos lá, pode ser tarde demais para se arrepender. Melhor ter cuidado." O homem de meia-idade pegou o menino no colo e caminhou em direção a Chenge, mas mantendo distância.
O homem do sorriso continuava com a mesma expressão, mas não seguiu Chenge. Ele foi sozinho para o outro lado da rua.
A névoa de sangue era densa, e quem estava deste lado só via uma silhueta borrada.
No final da fila estava Tesoura, com o rosto pálido. Cada passo que dava produzia dois sons de passos.
Várias pessoas caminhavam na névoa de sangue. Quando Chenge chegou ao prédio, sentiu sua roupa ser puxada.
Ele olhou para trás e viu o médico puxar o cachecol para baixo, sussurrando: "É melhor não entrar em prédios na névoa de sangue. Se estiver vazio, ainda vai; o problema é se tiver algo morando lá."
"Tudo bem, vou tomar cuidado." Chenge percebeu que o médico sabia muitas coisas, como se também já tivesse estado no mundo atrás do portal.
Os dois entraram no prédio um após o outro. O corredor escuro, grandes pedaços de reboco caindo, e a névoa de sangue que permeava a escada faziam com que só de estar ali já fosse desconfortável.
"Guinch..."
A porta de madeira com cheiro estranho foi empurrada. Chenge não deixou nenhum cômodo sem verificar.
"Você realmente vai dar uma volta em cada quarto?" O médico fez uma expressão estranha: "E se encontrarmos alguma coisa?"
"É melhor procurá-las ativamente do que esperar que apareçam de repente." Chenge era rápido, não parava um segundo, como se não soubesse o que era medo. Logo chegou ao último andar do prédio.
Lá embaixo, o bêbado e a família de três ainda estavam no primeiro andar, hesitando se deviam subir.
"Aquele cara já deve ter ido para o topo." O bêbado estava de um lado da escada, olhando para cima pelo vão entre os degraus.
"Melhor não subirmos. Ficamos no primeiro andar, podemos fugir a qualquer momento." O homem de meia-idade também era medroso.
"Pai..." A criança no colo dele parecia ter notado algo, olhando fixamente para o corredor escuro atrás do homem de meia-idade.
"Está bem, vou seguir você." O bêbado ainda olhava para cima. A luz era fraca, ele apertou os olhos e achou que em algum andar a escada parecia ter uma saliência, não sabia se era decoração ou algo.
"Deixe ele abrir caminho na frente. Nós ficamos atrás."
O homem de meia-idade ia dizer algo, mas a criança no colo chamou novamente em voz baixa: "Pai..."
"O que foi? Posso ouvir, fala baixo."
"Tem uma maçaneta se mexendo no corredor. Olha, ali." O menino levantou a mão, apontando para algum lugar no fundo do corredor.