Capítulo 477: O Pesadelo Cíclico do Qual Não se Pode Escapar?!
Há algo no compartimento do necrotério querendo sair, arranhando com as unhas a fresta da porta de ferro, como se estivesse tateando lentamente, procurando a posição do interruptor.
O som estridente ecoava sem parar aos ouvidos. A coisa dentro do compartimento arranhou por um bom tempo, gradualmente ficando mais impaciente, emitindo uma respiração ofegante e baixa.
— Irmão, você ouviu esse som? — Ouvi, deve ser algum funcionário escondido no compartimento do necrotério, esperando a gente chegar perto para pular e nos assustar. — Fan Dade fingiu calma: — Já vi esse truque muitas vezes, não precisa ter medo. — Não, estou pensando em outro problema. — Fan Cong era mais reflexivo: — Você não acha que os atores desta casa mal-assombrada estão muito envolvidos nas emoções? Tô falando da atuação. Fan Dade lembrou do monstro sem rosto escondido na escuridão antes, e seus pelos se arrepiaram: — Um pouco. — Raramente se instala um interruptor dentro de um compartimento de necrotério, afinal, é um lugar preparado para os mortos. — Fan Cong ouvia a respiração vinda do compartimento, e seu coração batia forte: — Primeiro ouvimos o som de unhas arranhando a porta, como se um morto tivesse ressuscitado. Ele não encontrou o interruptor, a respiração ficou ofegante, houve um processo gradual, como se realmente houvesse um monstro reanimado dentro do compartimento. Com um sorriso amargo no rosto, Fan Cong segurou a maçaneta da porta: — Se meu palpite estiver certo, daqui a pouco, o monstro no compartimento pode tomar medidas mais drásticas, como bater na porta, fazer mais barulho. Aí, não só vai atrair os monstros lá fora, como os que já estavam neste quarto também vão sair para nos atacar de ambos os lados. Aí, estamos ferrados. — Então, o que você sugere? O irmão te ouve. — Fan Dade era cozinheiro, seu irmão, embora gordo, era muito mais esperto que ele. — Quem já jogou jogos de fuga sabe que há uma regra implícita nesse tipo de jogo: não ficar muito tempo no mesmo lugar. Essa regra é para evitar que os medrosos se escondam num canto e joguem de forma passiva. — Fan Cong enxugou o suor da testa: — A casa mal-assombrada do Novo Século Parque é famosa na internet por assustar, e o dono é um mestre em psicologia, além de ter um temperamento ruim e cheio de mau gosto. Ele certamente vai introduzir mecanismos semelhantes na própria casa. — Então você acha que a gente deve sair daqui a pouco? — Fan Dade já se arrependia; se soubesse, não teria corrido tão rápido antes. Agora, separados dos outros colegas, a situação deles era muito ruim. — Não daqui a pouco, agora. — Fan Cong não ousava mais ficar parado: — Aproveita que o monstro no compartimento ainda não saiu e o som das rodas se afastou, vamos embora rápido. — Agora mesmo? — Sim, essa deve ser a única chance que o dono da casa nos deu. Se perdermos, daqui a frente vamos encarar as coisas mais aterrorizantes. Enquanto Fan Cong falava, a respiração no compartimento do necrotério ficava cada vez mais urgente, o som das unhas arranhando a porta de ferro aumentava, e a coisa dentro parecia estar prestes a sufocar. As unhas se rasgavam, e sangue escorria pelas frestas do compartimento. O monstro dentro do compartimento parecia estar com muita dor, completamente fora de controle. De repente, ouviu-se um estrondo vindo de dentro, como se alguém tivesse batido a cabeça com força na porta de ferro. Fan Dade e Fan Cong sentiram o coração apertar. Eles se entreolharam, sabendo muito bem que a profecia de Fan Cong estava se tornando realidade aos poucos. — Vamos embora agora! — Quase no mesmo instante em que Fan Cong gritou, o som de rodas rolando ecoou novamente no corredor lá fora. — Eu sabia. — Fan Cong ainda subestimou o quão assustador era o dono da casa. Ele realmente lhes deu uma chance, mas ela durou apenas alguns segundos. — O que fazer?! — O som das rodas do lado de fora ativou as lembranças aterrorizantes na mente de Fan Dade. Ele se inclinou na fresta da porta para espiar e viu exatamente quando todas as luzes de parede se apagaram, o corredor ficou imerso na escuridão, e só se ouvia o som das rodas rolando. O carrinho, com algum significado simbólico especial no corredor, estava se aproximando, e os estrondos vindos do compartimento do necrotério aumentavam cada vez mais. Mais aterrorizante ainda: no começo, só um compartimento fazia barulho, mas logo o som se espalhou, e os dois compartimentos ao lado também começaram a emitir ruídos. O tempo passava na hesitação. Fan Cong e Fan Dade, os dois irmãos, ainda não tinham feito uma escolha. No momento mais crítico, eles se entreolharam, ambos em pânico. Era só uma visita a uma casa mal-assombrada, quem diria que encontrariam uma situação tão emocionante? O som das rodas se aproximava, sem diminuir a velocidade. Fan Cong e o cozinheiro já tinham desistido de resistir. Em seus corações, rezavam silenciosamente, esperando que o monstro lá fora não os encontrasse e lhes desse mais uma chance de recomeçar. Dez segundos depois, os dois estavam pálidos. O milagre pelo qual rezaram não aconteceu. O som das rodas parou de repente ao passar pelo necrotério número dois. O carrinho parecia ter parado do lado de fora! O suor frio escorria sem parar. O monstro que os perseguia finalmente ia mostrar sua verdadeira face. Fan Cong e Fan Dade se inclinaram na fresta da porta, sem ousar respirar muito alto, concentrados no que estava lá fora. Alguns segundos depois, ainda não havia movimento algum do lado de fora. O carrinho parecia nunca ter existido, como se fosse apenas uma ilusão de Fan Dade e os outros. — Aquela coisa foi embora? — Fan Cong colou o ouvido na porta, ouvindo atentamente. — Será que a gente sai pra ver? — Atrás deles, o compartimento do necrotério começou a tremer. O monstro batia a cabeça sem parar na porta, e a ferrugem da porta velha caía. Fan Dade temia que, a qualquer momento, algo saísse do compartimento e corresse direto para eles. Ele segurou a maçaneta com os cinco dedos, pressionando-a lentamente para baixo. A lingueta girava dentro da fechadura. Quando estava prestes a saltar, algo bateu pesadamente na porta do lado de fora do corredor! — Pum! Um estrondo enorme fez Fan Dade soltar a mão e recuar vários passos. — Aquela coisa ainda está lá fora! O monstro lá fora não era menos inteligente que uma pessoa comum. Depois que o ataque surpresa falhou, ele parou de se esconder e começou a bater na porta de forma histérica. A fechadura da porta à frente chacoalhava, enquanto o compartimento do necrotério atrás tremia e balançava. Fan Dade, parado no meio do quarto, tinha as veias do pescoço saltadas de tensão. Não sabia onde se esconder, seu corpo ficava cada vez mais fraco, e ele recuava involuntariamente. — Irmão, não vá! — O aviso de Fan Cong já era tarde demais. Sangue escorria pelas frestas da porta do compartimento. Quando Fan Dade ainda estava a alguns metros de distância, a porta velha foi arrombada com violência, e um rosto ensanguentado e irreconhecível surgiu. Seus braços se abriram, como se quisesse abraçar Fan Dade e arrastá-lo para dentro do compartimento. Um frio percorreu todo o corpo de Fan Dade. Ele sentiu uma onda de ar gelado subir até o cérebro. Sem pensar muito, correu desesperadamente para a frente. Todos os compartimentos do necrotério no quarto começaram a tremer, sangue escorria, e o ambiente parecia estar sendo tingido de vermelho. — Vamos! Saiam daqui! — Ficar preso ali era morte certa. Fan Dade e Fan Cong correram para a única saída. Giraram a maçaneta e a porta de ferro se abriu. Antes que pudessem sair, várias figuras surgiram da escuridão. Todas tinham expressões estranhas, como se aquele rosto não fosse delas. — Corram! Fan Dade gritou alto, cerrando os punhos. Com seus quase dois metros de altura, decidiu lutar contra aqueles monstros! Soltando um som estranho que ele mesmo não entendia, Fan Dade partiu para cima dos monstros. Mas antes que seu punho pudesse tocar as figuras, algo que ele jamais esqueceria aconteceu. Os rostos daquelas pessoas estavam caindo lentamente! Era a primeira vez que ele via um rosto humano cair! — Que porra é essa?! — A cena, completamente além do que ele podia imaginar ou suportar, o fez desmoronar. A coragem que ele havia reunido com dificuldade se dissipou num instante. Ele quis voltar para o quarto, mas quando olhou para trás, entendeu mais profundamente o significado da palavra "desespero". No necrotério número dois, uma após outra, as portas dos compartimentos foram arrombadas, e monstros com contornos de pessoas vivas rastejaram para fora. O cheiro de formol irritava as narinas, a visão gradualmente se tingia de vermelho. Cercados por aqueles monstros, Fan Dade e Fan Cong caíram no chão. Meio minuto depois, todos os monstros se dispersaram, como se nada tivesse acontecido. Se não fosse pelos irmãos Fan Dade e Fan Cong caídos no chão, babando e desmaiados, ninguém imaginaria que algo tão aterrorizante havia ocorrido ali. O tempo passava lentamente. No fim do corredor, algumas "pessoas" vestindo jalecos brancos se aproximaram. — Eu meio que sinto pena deles. — É, até nós, fantasmas, achamos essa cena perturbadora, imagina eles. — Deixá-los aqui também não é certo. Vamos dar uma reanimada. — Um dos médicos inclinou a cabeça perto do nariz de Fan Dade e Fan Cong, ouvindo se ainda respiravam, e depois verificou a carótida: — Boa condição física, sem problemas cardíacos. Não é grave. ... Cinco minutos depois, Fan Cong abriu lentamente os olhos, a visão gradualmente ficando nítida. — Onde estou? Não havia monstros nem corpos ao redor. Ele se levantou cambaleando e finalmente se lembrou de tudo o que havia acontecido. — Eu não desmaiei? — Ele se apoiou na parede, olhando para os dois lados, e descobriu que ainda estava preso no necrotério número dois. Do compartimento do necrotério começou a sair o som de unhas arranhando a porta, e do lado de fora, o som de rodas rolando ecoou novamente. Tudo o que havia acontecido parecia estar prestes a se repetir. — Espera! Não está certo! Será que esqueci alguma coisa? Por que sinto que já passei por isso antes?! O voo atrasou, escrevi este capítulo no aeroporto com o celular. Queria escrever quatro mil caracteres em um capítulo duplo, mas escrevi devagar demais e o tempo acabou.