Capítulo 476: O Som no Armário de Cadáveres
"Cauda?" Tigresa estava na frente da fila, chamando em direção à porta de ferro entreaberta, mas ninguém respondeu.
"Vamos dar uma olhada."
A luz de parede emitia um brilho amarelado. Tigresa seguiu sozinha, colada à parede, aproximando-se lentamente da porta de ferro.
A porta estava coberta de ferrugem manchada, além de um líquido que escorria, semelhante a sangue.
"Para que serve este cômodo?"
Tigresa moveu os pés, dando mais um passo à frente. Inclinou o corpo para a frente, sem tocar na porta, ajustando o ângulo de visão para tentar enxergar o que havia dentro.
Mas antes que pudesse ver claramente, uma gota de líquido caiu do teto sobre o dorso de sua mão.
Era viscoso, parecia sangue, mas parecia misturado com outras coisas, exalando um cheiro estranho indescritível.
"Vazamento?" Ela ergueu a cabeça lentamente. A luz ao redor de repente escureceu um pouco, e a porta de ferro tremeu levemente.
"Cuidado!" Yang Chen gritou alto. As luzes de parede no corredor atrás começaram a se apagar novamente!
Uma após a outra, rapidamente, como se uma fera faminta avançasse furiosamente!
Sem chance de se preparar, a escuridão engoliu todos em um instante.
"Todos se agachem! Fiquem onde estão!" Yang Chen estava ansioso, mas não tinha uma boa solução: "Da última vez que as luzes se apagaram, três pessoas desapareceram. Desta vez, não sei quem vai sumir."
O corredor ficou completamente imerso na escuridão, extremamente silencioso, era possível ouvir a respiração e os batimentos cardíacos dos companheiros ao lado.
Todos se agacharam no chão, ninguém se mexeu.
Na escuridão, um vento frio soprou. Vagamente, era possível ver uma sombra se movendo no fim do corredor, que depois desapareceu. A criatura parecia ter se misturado entre eles.
O tempo se arrastou. O som dos batimentos cardíacos ecoava nos ouvidos, combinado com uma música de fundo sinistra, amplificando o medo infinitamente.
"Guincho..."
Um som estridente veio da posição de Tigresa. A porta à sua frente foi empurrada.
"Quem abriu a porta neste momento?"
A porta de ferro se abriu para fora. O cheiro de formol se espalhava pelo ar. Outro som surgiu no corredor.
Goteja, goteja...
Líquido caía de um ponto alto, pingando no chão. O som se aproximava cada vez mais de Tigresa, até parar bem diante dela.
Tudo escuro, nada se via, apenas o som incessante de gotejamento.
"Aquela coisa está ao meu lado." As palmas das mãos de Tigresa estavam molhadas de suor. Uma pressão opressiva invisível a envolvia. Reunindo coragem, ela ergueu a mão e a estendeu para a frente, mas seus dedos não tocaram em nada.
"Deveria estar nesta posição. O som vem daqui."
Tigresa tinha certeza. Sua mão continuou se estendendo.
Goteja...
Outra gota de líquido caiu, desta vez em seu braço.
"Não consigo tocar, ainda está se movendo e pingando. Será... que está acima de mim?" Seus olhos já haviam se adaptado lentamente à escuridão. Tigresa ergueu o olhar. Bem acima de sua cabeça, no teto, estava grudada uma sombra humana borrada.
Parecia ter acabado de sair de uma piscina, com resquícios de água no corpo. Seus membros estavam colados na parede como os de uma lagartixa. A cabeça estava inclinada para baixo, e o rosto escavado pairava sobre a cabeça de Tigresa, como se estivesse prestes a morder seu rosto e roubá-lo!
"O que é isso?" A respiração parou. As pernas de Tigresa permaneciam semi-agachadas, seu corpo um pouco dormente, mas sua mente ainda estava clara. Essa mulher devia ser a mais corajosa de todos.
"Aquela coisa está acima de mim!" Tigresa gritou em pânico. Agarrou o celular no bolso, apontou para cima e o arremessou com força.
"Pá!" O celular bateu na parede. Uma luz acendeu atrás de Tigresa. Anan havia ligado a lanterna do próprio celular.
Quando a luz iluminou, o monstro no teto já havia fugido para longe. Ele só viu uma sombra humana preta rastejando rapidamente pelo teto.
...
O som de rodas rolando se aproximava cada vez mais. Fan Dade e Fan Cong já não conseguiam mais correr. Haviam perdido a direção há muito tempo. Agora, não esperavam mais completar o jogo, só queriam se livrar daquela coisa atrás deles, recuperar o fôlego e descansar um pouco.
"Entrem! Rápido!" Eles se enfiaram em um corredor pintado de branco e viram uma porta de ferro entreaberta, com quatro caracteres chineses escritos — Depósito de Cadáveres Nº 2.
Sem olhar, Fan Dade puxou Fan Cong e entrou correndo, fechando a porta com força.
"Irmão, vai com calma."
Fan Cong se soltou das mãos de Fan Dade. Ofegante, encostou na parede e sentou-se no chão. Nos últimos anos, não tinha se exercitado tão intensamente.
A porta estava fechada. Alguns segundos depois, o som de rodas rolando passou pela entrada e se afastou lentamente.
"Estamos salvos." Fan Dade parecia ter sido tirado da água, todo encharcado de suor. Suas pernas estavam moles, e ele se sentou no chão sem forças: "Estou exausto. Preciso descansar um pouco."
Vendo a teimosia do irmão mais velho, Fan Cong não o desmascarou. Ofegante, sentou-se ao lado do irmão: "Por que você está fazendo isso? Insistindo em vir para a casa mal-assombrada sofrer. Nossa família toda é medrosa. Você sabe como nossos pais se foram. Por que se meter nisso?"
"Cansei dessa sua atitude. Ninguém nasce medroso. Além disso, te trazer para a casa mal-assombrada não tem nada a ver com nossos pais. É só para te fazer sair de casa, parar de ficar trancado jogando. Olha como você está desanimado?"
"Irmão, eu não estava jogando." Fan Cong pensou um pouco e finalmente disse a verdade: "Dizem que aquele jogo foi feito por um assassino, e que esconde provas de abuso infantil. Só que ninguém conseguiu decifrá-las ainda."
"Para de arrumar desculpas. Sou seu irmão, não te conheço?" Fan Dade acenou com a mão: "Não é só um término de namoro? Perdeu a namorada, arruma outra. Um homem de verdade não precisa se preocupar com mulher?"
"Onde você aprendeu isso?" Fan Cong não quis mais discutir com o irmão: "Não vou mais discutir com você. Vamos esquecer de completar o jogo. Ficamos aqui neste cômodo por trinta minutos, depois esperamos o dono nos resgatar."
"Isso não é legal?"
"O que tem de errado? De qualquer forma, pode me matar, mas não vou sair daqui."
Antes que Fan Cong terminasse de falar, um som seco veio de repente de uma fileira de armários de cadáveres ao lado.
Sua gordura tremeu, e ele deu um susto: "Que som é esse?"
"Não sei, mas parece vir daqueles armários." Fan Dade se levantou do chão. Os dois irmãos encostaram na porta, o coração disparado de medo.
"Acho melhor não irmos ver. Todos os mecanismos, se não forem acionados, são como se não existissem." O suor no rosto de Fan Cong ainda não tinha secado, e um novo suor frio já escorria.
"Faz sentido." Nenhum dos dois irmãos tinha intenção de se aproximar dos armários de cadáveres, mas a coisa dentro deles parecia não querer deixá-los em paz.
A luz do cômodo piscava irregularmente. De repente, de um dos armários, veio um som irritante de unhas arranhando a porta de metal, como se estivesse procurando uma fresta para sair.