Capítulo 478: Irmão, acorda rápido!
— Irmão, acorda rápido!
Fan Cong balançou o ombro de Fan Dade. Depois de um bom tempo, Fan Dade finalmente recobrou a consciência.
— Onde estamos? — Os olhos finalmente focaram. Fan Dade, alto e robusto, estava deitado de lado no chão, parecendo muito fraco.
Ao ver o irmão naquele estado, os lábios de Fan Cong tremeram. Ele não teve coragem de continuar falando.
— Já fomos levados para fora da casa mal-assombrada pelos funcionários?
Fan Cong ficou um bom tempo sem responder, com uma expressão estranha no rosto, como se estivesse possuído. Fan Dade percebeu que algo estava errado, lutou para se levantar e olhou ao redor.
Portas de ferro, gavetas de necrotério e o som de rodas ecoando nos ouvidos. Aquela sensação de déjà vu fez Fan Dade demorar a entender.
— Essa cena... já vivemos isso antes?
O som de unhas arranhando as portas das gavetas ficava cada vez mais alto. Respirações abafadas vinham de dentro do necrotério. Sem precisar da resposta de Fan Cong, Fan Dade já sabia a verdade no fundo do coração.
O som de rodas chegou uivando e parou na porta do quarto. Uma a uma, as portas das gavetas foram arrombadas, sangue espirrando para todos os lados. Mais monstros do que antes saíram rastejando.
Com as pernas bambas, Fan Dade se apoiou na porta do Depósito de Corpos nº 2, as mãos tremendo sem controle.
A porta atrás dele foi batida por alguém. Seu corpo vibrava junto com a madeira. Fan Dade sentiu como se todos os ossos fossem se despedaçar.
— Parem! Vocês estão num ritmo rápido demais! Acabei de acordar! Acabei de acordar!
Fan Dade queria chorar de frustração. Comparado a ele, Fan Cong parecia muito mais calmo.
Para pessoas inteligentes, cometer o mesmo erro duas vezes é impossível.
Enxugando o suor frio da testa, Fan Cong sentiu a panturrilha como se tivesse uma cãibra. Com um baque, sentou-se no chão e, de aproveito, deitou-se atrás de Fan Dade.
— Irmão, se você acordar do desmaio primeiro, lembre-se: não me sacuda. Deixa eu ficar desmaiado por mais tempo. — Depois de dizer essas últimas palavras, Fan Cong revirou os olhos e "desmaiou" de forma rígida.
Fan Dade ainda não tinha entendido o que estava acontecendo quando as luzes do quarto se apagaram.
— Irmão? Cong? Fan Cong?!
A porta do necrotério foi arrombada. Fan Dade foi cercado por várias sombras. Gritos de Fan Dade ecoaram por todo o cenário subterrâneo.
...
Meio minuto depois, a luz de parede acendeu. O corredor voltou ao silêncio.
As sombras já tinham desaparecido. Fan Dade estava encolhido no canto, o corpo dando espasmos. Ele já não conseguia mais vomitar espuma.
Aos poucos, abrindo os olhos, deitado de bruços ao lado de Fan Dade, Fan Cong lentamente abriu os olhos. Sentindo medo, havia também um toque de excitação em seu coração.
— Se eu fingir de morto, os monstros não vão me atacar? Não, talvez meu irmão tenha atraído toda a atenção. — Ao pensar na cena anterior, Fan Cong sentiu um arrepio na nuca.
— Preciso sair daqui rápido. Qualquer lugar é melhor que ficar aqui.
Ele se levantou com dificuldade e balançou o ombro de Fan Dade: — Irmão, acorda! Rápido!
Depois de um tempo de agitação, Fan Dade não mostrava sinais de melhora. Fan Cong ficou ansioso, segurou os braços do irmão e tentou colocá-lo nas costas.
Assim que puxou Fan Dade, ouviu um suspiro vindo do fim do corredor.
— Desmaio causado por susto é um desmaio súbito. O que você precisa fazer primeiro é deitá-lo no chão, garantir ventilação e fazer reanimação cardiopulmonar. Mexer com ele agora não vai ajudar em nada.
Era uma voz estranha, não pertencia a nenhum outro visitante. Fan Cong nem ouviu direito o que a pessoa disse. No instante em que ela começou a falar, ele soltou as mãos e se deitou no chão.
O corpo de Fan Dade também caiu no chão. Os dois irmãos "jaziam" no meio do corredor.
A pessoa distante parecia não esperar que seu aviso bem-intencionado assustasse os dois. Segundos depois, a luz de parede escureceu. Um vento frio soprou pelo corredor. Quatro médicos, vestindo jalecos brancos, máscaras e luvas, se aproximaram.
Estavam todos cobertos dos pés à cabeça, sem rosto à vista.
— Como desmaiaram? Não estavam bem agora há pouco? Os nervos são tão sensíveis assim?
— Esse grandalhão tem um físico bom. Já caiu várias vezes e nem arranhou a pele. Muito resistente. A última vez que encontrei alguém assim foi na Sala de Autópsia nº 7. Era um operário de construção. Raspar a gordura foi muito fácil.
— Para de conversa fiada. Reanima eles primeiro. Deixá-los jogados no meio do caminho é perigoso demais.
Um dos médicos, de bom coração, foi tratar Fan Dade. Os outros cercaram Fan Cong.
O vento frio batia no rosto. O corpo estava gelado, mas a testa de Fan Cong não parava de suar.
— Estou cercado? O que eu faço? O que uma pessoa normal faria numa situação dessas?
O pescoço ficou frio. Um dos médicos falou com surpresa: — O corpo dele não tem nada. Por que desmaiou?
— O coração está batendo tão rápido. Deve estar fingindo.
— Então ele nos viu? Que tal a gente...
Enquanto os médicos discutiam, Fan Cong, no chão, abriu um pouco os olhos e, sem querer, encontrou o olhar afiado dos médicos.
— Realmente está fingindo. — O médico líder parecia o mais jovem e tinha o olhar mais assustador. — O que mais odeio são pessoas que usam truques.
Com um sorriso sem graça, a gordura no rosto de Fan Cong tremeu. Ele apoiou as mãos no chão, tentando se sentar: — Nunca imaginei que uma casa mal-assombrada tivesse médicos. Isso é raro até internacionalmente, né? Realmente a casa mal-assombrada mais assustadora de Jiujiang.
Ele olhou para o médico que estava reanimando seu irmão. Quanto mais olhava, mais estranho achava, mas não conseguia identificar exatamente o que estava errado.
Cercado pelos médicos, o corpo ficando cada vez mais frio, Fan Cong forçou um sorriso falso: — Pessoal, não vou atrapalhar. Continuem.
Ele enfiou a mão no bolso, deslizando os dedos pela tela, e recuou. Esqueceu o irmão. Naquele momento, a melhor saída era fugir sozinho.
— Espera aí.
Os médicos falaram ao mesmo tempo, os olhos fixos na mão de Fan Cong dentro do bolso.
Fan Cong sabia que a situação era ruim e andou mais rápido. Virou uma esquina e descobriu que era um beco sem saída. A saída estava bloqueada pelos médicos.
— Você está com obesidade severa, além de ter levado sustos seguidos. Seu ritmo cardíaco está anormal. Tenho equipamentos profissionais aqui. Espero que coopere comigo para fazer um exame. — Depois de falar, o médico não parecia muito certo: — Deve ter equipamentos, se não me engano.
— Vai me tratar? — Fan Cong segurou o celular e se aproximou devagar dos médicos. Quando estava a um ou dois metros de distância, de repente acelerou.
— Agradeço a boa intenção, mas conheço meu próprio corpo. Não preciso que se preocupem!
O corpo de Fan Cong, com quase cem quilos, colidiu contra os médicos. Ele estava desesperado de medo, tentando uma última cartada.
Os braços balançaram desordenadamente, roçando o jaleco de um dos médicos. Fan Cong sentiu a ponta dos dedos tocar em algo.