Capítulo 291: Capítulo 291 Capítulo 289 Que tal sermos amigos?

Capítulo 289: Que tal fazermos amizade?

A cabana estava silenciosa. Chen Ge ficou na entrada por mais de dez segundos, até que o gravador começou a emitir, de forma abafada, a voz reprimida de Xu Yin. — Dói tanto... O velho provavelmente ainda não tinha adormecido. Quando Xu Yin falou, ouviu-se o som de alguém se virando na cama e puxando o cobertor na cabana. O idoso ouviu o barulho do lado de fora, mas não saiu; em vez disso, enfiou a cabeça debaixo do cobertor. — Ele deve estar com muito medo agora. A fechadura da segunda cabana também ficava do lado de fora. Chen Ge segurou o cadeado e aplicou força lentamente, tentando ver se conseguia empurrar a porta. Mas a porta só se moveu menos de um centímetro para dentro antes de ser bloqueada por algo. Ele se inclinou na fresta da porta para olhar. A segunda cabana estava bem equipada com itens do dia a dia: uma cama de madeira, cadeiras de madeira, uma mesa de madeira e um guarda-roupa sem porta, cheio de roupas desbotadas de tanto lavar. — Parece que ele já mora aqui há muito tempo — pensou Chen Ge, sem entender por que o velho, que claramente estava morrendo de medo, insistia em viver numa casa assombrada onde ocorreram assassinatos. Mais estranho ainda era ele sair à noite para revirar a terra no pomar de pêssegos. Ainda não era hora de confrontar o idoso. Chen Ge recuou em silêncio e seguiu em direção à terceira cabana. Na noite chuvosa, não se via lua nem estrelas, e estava mais escuro que o normal. Sem acender a luz, Chen Ge avançou devagar usando sua visão noturna Yin, logo chegando à porta da terceira cabana. A terceira cabana era a maior, com um cadeado enferrujado pendurado na porta. Chen Ge empurrou suavemente e, para sua surpresa, o cadeado era apenas um enfeite. — Rangido... A porta se abriu. A porta da terceira cabana tinha fechaduras tanto por dentro quanto por fora, diferente das outras. Com a comparação, Chen Ge achou ainda mais estranho. Em casas rurais antigas normais, a fechadura fica do lado de fora, e por dentro, mesmo sem fechadura, há uma tranca. Assim, pode-se travar a porta estando dentro ou fora. Mas a primeira e a segunda cabanas não eram assim: por dentro, a porta era lisa, sem nada. — Parece que a primeira e a segunda cabanas foram feitas para criar gado, com a fechadura do lado de fora para impedir que os animais empurrassem a tranca e fugissem. Ao entrar na terceira cabana, ela era dividida em dois cômodos: o interior com uma cama grande, e o exterior com uma mesa de madeira e um fogão bem simples. — Os pais de Jiang Ling devem ter morrido nesta casa. Andando pela casa assombrada, Chen Ge não sentiu nenhum desconforto, talvez por já estar acostumado. Ele revirou gavetas e armários e encontrou muitas cordas de cânhamo penduradas na parede do cômodo interno, e, debaixo da cama, um conjunto completo de ferramentas de carpinteiro. — A poeira é grossa; a caixa de ferramentas não é aberta há muito tempo. Provavelmente são coisas do falecido. — Chen Ge guardou a caixa e olhou para as cabanas: — O pai de Jiang Ling era carpinteiro? Então ele mesmo fez essas cabanas? As fechaduras dos dois primeiros quartos foram propositalmente projetadas assim? Sem mais descobertas, ChenGe foi para a última cabana. Esta ficava no fundo do pomar de pêssegos, separada das outras três, construída a mais de dez metros de distância. Chen Ge andou pelo caminho lamacento, contornou alguns pessegueiros tortos e parou do lado de fora da quarta cabana. Havia dois cadeados na porta de madeira: um todo enferrujado e outro novinho em folha. — O cadeado novo deve ter sido colocado pelo velho. O que este quarto esconde de tão secreto? Ele deu a volta na cabana; a quarta não tinha janelas, era completamente fechada. Olhando pela fresta da porta, viu muitos pregos nas paredes, com várias cordas de cânhamo penduradas, e teias de aranha nos cantos. No centro do quarto, havia algo parecido com um instrumento de tortura antigo: várias tábuas de madeira encaixadas, capazes de prender uma pessoa imóvel. — Dói tanto... A voz de Xu Yin veio do gravador, diferente do tom baixo e reprimido do início, como se ele estivesse alertando Chen Ge de que o quarto era perigoso e que não se aproximasse. — Que estranho. Na quarta cabana não tem cama, mesa ou cadeira. Para que serve esta casa? Chen Ge pegou o martelo de esmagar crânios, pensou por um momento e não agiu impulsivamente para arrombar a porta: — Não posso ser tão rude; isso deixaria uma má impressão. A chuva aumentava, e relâmpagos ocasionais cortavam o céu noturno. Sem mais descobertas, Chen Ge voltou ao seu quarto: — No meu quarto, além da cama, não tem mais nada. É difícil encontrar algo para bloquear a porta. Preocupado que alguém pudesse entrar sorrateiramente de madrugada, ele simplesmente arrastou a cama de madeira para trás da porta: — Por enquanto, vai ter que ser assim. Com a mochila como travesseiro, abraçando o Pequeno, Chen Ge se encolheu, com os olhos fixos na pequena janela da cabana. A janela era do tamanho de uma bola de basquete. Ficar naquela cabana era quase como estar numa prisão. — Quando amanhecer, se não acontecer nada, vou confrontar o velho. A chuva lá fora aumentava, o vento noturno uivava, e as folhas farfalhavam, como se inúmeras mãozinhas se aproximassem lentamente da cabana. Às duas da madrugada, Chen Ge estava mexendo no celular quando ouviu o som de uma porta se abrindo lá fora. O som não vinha do quarto do velho, mas sim da porta da terceira cabana sendo aberta por alguém. — O velho não saiu do quarto. Quem abriu a porta é outra pessoa. Parece que aquilo que ele tanto teme finalmente apareceu! Chen Ge respirou fundo, pegou o cobertor cheio de teias de aranha ao lado da cama, não se importou com a sujeira, e se cobriu, deixando apenas os olhos de fora. Ele tinha colocado a cama na entrada do quarto, com os pés na porta, e olhava para a janela ao lado da porta. A chuva ainda aumentava, e era possível ouvir algo se movendo lá fora, passos desordenados, como se várias pessoas estivessem amontoadas. — Está vindo! A porta do quarto ao lado foi raspada por algo, como se várias mãos arranhassem ao mesmo tempo a madeira áspera. Isso durou mais de um minuto, até que Chen Ge ouviu uma voz feminina vindo da porta do velho. — Me salve, me salve. A voz da mulher tinha um tom de choro. Pelo som, ela parecia ser jovem. — É disso que o velho tem medo? — Chen Ge pensou rapidamente. O velho ao lado parecia saber que aquilo apareceria, fingindo dormir e sem responder. O som estranho na porta durou dez minutos antes de parar. Os passos desordenados lá fora recomeçaram, e desta vez pararam na porta de Chen Ge. O arranhar arrepiante soou do lado de fora da porta de Chen Ge. A coisa parecia ter descoberto algo, e forçava cada vez mais, fazendo a porta balançar. Encolhido debaixo do cobertor, Chen Ge se sentiu aliviado por ter colocado a cama na entrada. A porta de madeira não abria, o que não era o que o monstro lá fora esperava. Ele arranhava furiosamente, e após alguns segundos, ouviu-se a voz chorosa do lado de fora. — Me salve, me salve, me salve! A porta balançava. Chen Ge colocou a mão na mochila e segurou o martelo de esmagar crânios, já preparado para o pior. Mas o monstro lá fora parou de gritar depois de algumas vezes, e o som de arranhar também cessou. — Não ouvi passos. Ela ainda não foi embora! Essa criatura astuta. Chen Ge ficou imóvel debaixo do cobertor. Queria ver a situação pela janela, mas quando seus olhos se voltaram para ela, ele congelou. Do lado de fora da janela do tamanho de uma bola de basquete, uma cabeça de mulher estava suspensa. Seus olhos eram completamente brancos, e fios vermelhos como sangue saíam de sua boca, entrelaçados com o cabelo preto emaranhado. — Me salve, me salve! A mulher abriu a boca, e fios vermelhos se espalharam para dentro do quarto, enquanto várias mãos humanas seguravam a borda da janela. Puxando o martelo de esmagar crânios, Chen Ge jogou a mochila de lado, olhou para o rosto da mulher e, com coragem, caminhou ativamente em sua direção!