Capítulo 288: Não importa o que ouça, não saia
— Vovô, sou um mochileiro que gosta de aventuras e faço transmissões ao vivo ao ar livre como hobby — disse Chen Ge, com medo de que o velho não acreditasse, então pegou o celular e abriu sua página pessoal em uma plataforma de vídeos curtos. — Sou famoso na internet, você pode pesquisar por mim.
Suas palavras deixaram o velho confuso, cheias de termos que ele não entendia direito: — Mochi... o quê?
Segurando firmemente a enxada com as duas mãos, o velho olhava para Chen Ge com muita cautela.
— Resumindo, sou um aventureiro de exploração ao ar livre bastante conhecido — disse Chen Ge, divagando. Não se importou se o velho entendeu ou não, e tirou cem reais do bolso. — Me perdi nessas montanhas, andei muito até encontrar alguém. Tenha piedade, me diga como voltar para a cidade de Jiujiang.
O velho não tocou nos cem reais de Chen Ge, mantendo os olhos fixos nele, claramente sem acreditar em suas palavras.
Os dois ficaram parados no meio do pomar de pêssegos. O tempo na montanha era instável, o vento frio trazia umidade, e logo começou a garoar.
— Está chovendo? — Chen Ge abriu a mão, deixando as gotas caírem na palma. Se a chuva aumentasse, o ambiente na montanha ficaria ainda mais complicado, o que seria muito desvantajoso para ele.
— Não sei de onde você veio. Este lugar se chama Vila Linguan, fica entre o condado de Linjiang e Hanjiang, longe da cidade, e não tem carro por perto. É difícil você voltar para Hanjiang — disse o velho, apoiado na enxada. As pernas ainda tremiam do susto que Chen Ge lhe dera com aquele grito. Quem imaginaria que, no meio da noite, alguém apareceria de repente atrás dele?
— E então, o que faço? — Chen Ge fez uma expressão preocupada, como se realmente estivesse aflito.
— Posso te levar até a saída da montanha, mas acho que só vamos chegar lá pela madrugada — disse o velho, recuperando o fôlego. — Ah, e tem uma vila lá embaixo. Depois que eu te levar para fora, não entre nessa vila, siga direto pela estrada principal.
— Por que não posso entrar na vila? Se tiver uma pousada rural, posso me virar por uma noite.
— Falei para não entrar, então não entre! Quanta conversa! — A voz do velho era severa, como se isso fosse muito importante.
— Mas você acabou de dizer que não tem carro lá fora. Mesmo saindo da montanha, não consigo voltar para Jiujiang. E vai chover agora, preciso de um lugar para me abrigar, não?
O que Chen Ge disse era verdade, e o velho não encontrou argumentos para contestar. Ele encarou Chen Ge, e os dois caíram em silêncio novamente.
As gotas de chuva foram aumentando. O velho não sabia o que fazer com Chen Ge, e ele próprio tinha um coração mole: — Se chover à noite, de manhã vai ter neblina. Se não se importar com o incômodo, pode passar a noite no lugar onde moro.
Ele tirou a lanterna e a garrafa d'água penduradas no galho da árvore, arrastou a enxada e parou a uns dois ou três metros de Chen Ge: — Você é mesmo de fora?
— E poderia ser mentira? — Chen Ge não se assustou ao ver o velho se aproximar com a enxada. Com uma mão, pegou o celular, e a outra tocou o cabo do martelo atrás de si. — Pesquise na internet, vai encontrar minhas informações e vídeos ao vivo. Olha, este sou eu.
Chen Ge mostrou ao velho um vídeo de sua transmissão ao vivo antes de encontrar o paciente psiquiátrico no Terceiro Prédio de Doenças. Era o único fragmento de transmissão relativamente normal que ele conseguiu encontrar.
— Você já apareceu na televisão?
— Pode-se dizer que sim. Sou bastante conhecido em Hanjiang.
Vendo o vídeo de Chen Ge no celular e a enxurrada de comentários abaixo, o velho assentiu: — Faz sentido. Uma pessoa comum não viria para este lugar no meio da noite.
Depois de dizer isso, pareceu sentir que tinha deixado escapar algo. Ergueu a enxada e se virou: — Venha comigo.
Chen Ge e o velho atravessaram o pomar de pêssegos e, após alguns minutos de caminhada, avistaram quatro cabanas de madeira.
— Você fica na primeira. Quando eu apagar a luz, fique quieto dentro do quarto. Não importa o que ouça, não saia — disse o velho, destrancando a porta da primeira cabana, mas não entregou a chave a Chen Ge.
— Isso é meio assustador. Não tem lobo por aqui, tem? — Chen Ge inventou na hora. — Ouvi dizer que, em montanhas profundas, alguns lobos velhos, quando perdem as forças, imitam vozes humanas para atrair pessoas...
— Não tem lobo. Durma bem. Se não sair, não vai acontecer nada — disse o velho, apressando Chen Ge a entrar. Depois que ele entrou, acrescentou: — Não saia de jeito nenhum, nem coloque a mão ou a cabeça para fora. Lembrou?
— Fique tranquilo, sou muito medroso, nunca faço coisas perigosas de propósito — disse Chen Ge, sentando-se obedientemente na cama de madeira da cabana.
— Então está bem. Descanse bem. Amanhã de manhã, quando a neblina passar, eu te levo para fora da montanha — disse o velho, e entrou na segunda cabana.
— Tem algo estranho em tudo isso — pensou Chen Ge, olhando ao redor. A cabana não tinha muitos móveis, apenas uma cama de madeira, sem nem cobertor.
A primeira cabana estava há muito tempo sem ninguém, cheia de poeira por toda parte e teias de aranha nos cantos.
— Como alguém pode morar aqui? O velho deixou esta para mim de propósito? Ou será que as outras têm problemas?
Ele foi até a porta, examinou-a e notou algo muito estranho.
Normalmente, as fechaduras ficam do lado de dentro, mas nesta cabana, a fechadura estava do lado de fora.
— Ele disse para eu não sair, mas a porta não tem como trancar por dentro — pensou Chen Ge, sentindo que o velho certamente escondia algo. Segurando a borda da porta de madeira, gritou para o lado, através da parede: — Vovô! Como é que eu te chamo?
— Pode falar mais baixo? Não sou surdo! — Dava para ouvir claramente que a voz do velho tremia, ele parecia muito tenso. — Meu sobrenome é Bai. Vá dormir logo!
— Tá bom.
Vinte minutos depois, Chen Ge gritou novamente para a cabana ao lado: — Vovô Bai, está aí?
— O que foi agora?!
— Nada não, só queria agradecer. Que pessoas boas tenham uma vida tranquila!
— Durma!
Chen Ge encostou na parede, com uma expressão séria no rosto. Ele havia chamado o vizinho duas vezes, com um intervalo de vinte minutos.
Normalmente, quando alguém é acordado logo depois de dormir, a voz vem com um tom de sono e irritação.
Mas a resposta do Vovô Bai não era assim. Nas duas vezes, não havia sinal de sono, e a voz continuava tremendo, mostrando que ele não tinha dormido nada, como se estivesse esperando algo chegar!
— O Vovô Bai parece honesto, ainda me disse para não entrar na vila lá embaixo. Não parece alguém de má índole, mas essas atitudes estranhas dele me deixam muito desconfiado.
Com a mão na borda da porta de madeira, Chen Ge abriu uma pequena fresta. A chuva aumentava, e a escuridão envolvia tudo.
— Essas quatro cabanas devem ser onde a família de Jiang Ling morava antes. Só não sei ainda em qual cômodo os pais dela morreram.
Apertou o botão do gravador, tirou a mochila e segurou o cabo do Martelo Esmagador de Crânios.
Em vez de ficar quieto dentro da cabana, ele se moveu lentamente em direção às outras três cabanas.
A chuva abafava seus passos propositalmente lentos. Com o martelo na mão, Chen Ge parou primeiro do lado de fora do quarto do velho e encostou o ouvido na porta.