Capítulo 682: Capítulo 682 Ainda a Viagem no Mar

O tempo voltou a muitos anos atrás…

Desta vez, por já ter tido experiência antes, não estava tão perdido, apenas um pouco confuso com a situação atual.

Ao lado, Lucille segurava sua mão, com o rosto cheio de insatisfação, olhando para ele. Agora ela já era uma garota de aparência entre quinze e dezesseis anos. Embora para Sean ainda fosse menor de idade, neste mundo já estava em idade de casar.

O corpo já começava a mostrar curvas, e a altura era bem maior do que quando era uma garotinha, chegando agora quase na altura do peito dele.

O rosto não tinha tanta maquiagem como no futuro, mas Wang Shuo ainda percebia que ela havia passado um pouco de base… a pele já naturalmente clara parecia ainda mais radiante.

— Mestre! — resmungou, mais uma vez, insatisfeita.

— Ah, eu estava pensando em algo. Não prestei atenção… O que você disse para mim?

Uma breve reflexão fez Wang Shuo entender a situação atual. Pela idade de Lucille, se da última vez ele a encontrou quando ela tinha quatro ou cinco anos, agora já se passaram dez anos. A garotinha havia se tornado uma jovem, e os dois estavam agora em alto-mar.

Só não sabia em que parte do mar estavam.

O lugar onde estavam antes deveria ser o continente sul. Agora, não sabia se estavam no mar do sul ou no mar do norte.

— Hum, chamei o mestre por tanto tempo, e você nem me respondeu! — Lucille ainda parecia chateada.

Se agora eles já viviam juntos há dez anos, já eram como família. A atitude da garotinha em relação a ele talvez não fosse mais tão respeitosa, e ela começava a fazer birra na frente dele.

— Desculpe, foi distração minha. Pode repetir? — Sean disse, sorrindo.

Vendo a expressão inocente de Sean, Lucille pareceu não ter escolha…

Depois de hesitar um pouco, finalmente falou:

— Eu estava perguntando: que lugar é Mersin? Quanto tempo ainda vamos levar para chegar lá? — perguntou a Sean novamente.

Mersin…

O país mais ao sul da região de Zantubar, Mersin?

Então, desta vez, o destino dos dois era o norte. Depois de tantos anos viajando, finalmente estavam voltando.

Sean, claro, lembrava-se de Mersin… Desde os tempos na vila, ouvia falar do nome daquele país. E quando foi conde de Oro, teve muitas trocas comerciais com ele, chegando até a usar a conveniência marítima do país para enviar produtos do mar e vender grãos a preços altos durante a guerra.

Tiveram muitos contatos, mas nunca havia realmente ido àquele país.

— Se for do sul para Mersin, leva cerca de dez dias de navegação! — Sean, com a experiência da viagem no tempo anterior, começava a ser mais cuidadoso ao falar.

Não dizia coisas muito absolutas, nem falava algo que pudesse ser mal interpretado ou incompreendido.

Dizia apenas o tempo total da viagem, e Lucille que calculasse, afinal, ela era nascida no mar!

— Já andamos sete dias, então faltam uns quatro ou cinco dias.

Já fazia tanto tempo! Sean pensou, impressionado.

Ele havia voltado na linha do tempo, mas não sabia o que acontecera nos intervalos, ou seja, não conhecia a história dos últimos dez anos. Às vezes, falar era complicado… mas, por outro lado, se a memória de dez anos fosse toda comprimida na cabeça dele de novo, provavelmente teria que ficar deitado por mais alguns dias.

Não saber também era bom, assim seu estilo frio podia ser mantido!

— Se tudo correr bem, pode ser mais rápido. Espero que não peguemos dias nublados ou chuvosos…

Olhou para o céu, que estava limpo e sem nuvens.

Embora Sean sempre encontrasse algum problema ao navegar, não podia ser tão azarado toda vez.

Os barqueiros e comerciantes viajavam pelo mar o tempo todo. Se o tempo ou as condições não fossem boas, eles nem saíam. Ficavam seguros por tanto tempo, e justo quando ele embarcava, acontecia algo? Não fazia sentido.

Por isso, Sean achava que, na maior parte do tempo, tudo corria bem…

— Então ainda faltam alguns dias. Vou conhecer esse país do norte. Nunca fui a Mersin! — Lucille disse, animada.

Se fosse daqui a mais de dez anos, ela talvez não quisesse mais viajar por aí!

Falando nisso, essa garota realmente passou vinte ou trinta anos percorrendo o mundo inteiro. Viveu tanto tempo no continente sul, provavelmente visitou muitos países, e agora ia para o continente norte, onde viveria depois. Mais tarde, ainda andaria entre Edak e Zantubar, percorrendo a maior parte do mundo.

— Na verdade, eu também nunca fui. — Sean disse.

— A terra natal do mestre não é em Zantubar? — Ouvindo isso, Lucille perguntou, curiosa.

— Esse lugar é muito grande. Não fui a todos os lugares…

Droga!

Esqueci dessa configuração.

Na época, ele realmente disse que sua terra natal era Zantubar, e Lucille era apenas uma garotinha inocente. Agora, já era uma moça e começava a fazer essas perguntas.

— Que tal depois irmos visitar a terra natal do mestre?

Hum…

Por um momento, Sean não soube o que responder.

Terra natal.

Naquela época, ele não tinha terra natal alguma. De onde tiraria uma?

Oro nem existia naquela época. Ir para quê?

— Deixa para depois.

— Quero ver! — Lucille murmurou.

Hã…

Parece que ele não estava sendo cuidadoso o suficiente e cavou mais um buraco. Na linha do tempo, qualquer descuido era cavar um buraco para o futuro.

— Tá bom, a gente vê… — respondeu de forma evasiva. Nesse momento, um marinheiro se aproximou, e Sean usou a desculpa de ir ver o que era para mudar de assunto.

Aquele também era um navio mercante…

Na verdade, a maior parte do transporte marítimo era feito por navios mercantes. Até mesmo navios de guerra, em dias desnecessários, retiravam parte da munição para uso comercial. O transporte marítimo era a fonte de lucro mais rápida e alta, às vezes até maior do que estocar grãos.

Quando ele governava Oro, descobriu que, se gastasse muito dinheiro e mão de obra para abrir novas fazendas, ainda teria que contratar vigias, e a maior parte da produção era para uso próprio, com apenas uma pequena parte para venda. O lucro era miserável. Já comprar diretamente de fora e transportar produtos locais para vender no sul, com idas e vindas, o lucro podia ser multiplicado por dez ou mais.

Esse dinheiro não só garantia a compra contínua de grãos, como ainda sobrava bastante.

Por isso, até os navios de guerra não perdiam essa oportunidade… afinal, manter uma marinha era um gasto enorme.

O transporte em navios de guerra era mais seguro e confiável, e os comerciantes estavam dispostos a pagar mais caro para viajar neles, levando mercadorias e pessoas juntos. Era uma via de mão dupla que beneficiava a todos.

E o navio em que estavam agora também era um cargueiro de um porto próximo…

Sempre havia muita gente, e os passageiros eram comerciantes ou moradores abastados das duas regiões. Os pobres comuns não pegavam esses navios caros.