Fora da Grande Biblioteca, já era noite alta...
Ainda havia um grupo de soldados de guarda do lado de fora. Embora a Grande Biblioteca na capital fosse aberta ao público, uma parte ainda era um espaço exclusivo dos eruditos pertencentes ao Estado. Os materiais em suas mãos envolviam muitos campos do país, e mapas e recursos, por exemplo, não podiam ser divulgados ao público. Por isso, ainda precisava de proteção.
"Vamos entrar?" No telhado, Lucille consultou a opinião de Sean.
Para os dois, entrar em uma biblioteca com uma defesa tão frágil era muito fácil, mas suas identidades eram um obstáculo. Sean, nem se fala... Um príncipe sendo descoberto não saberia como explicar, e ela também não queria que Rachel soubesse disso.
Ambos tinham receios, mas precisavam vir até aqui.
"Claro. Não se preocupe, são só algumas pessoas. Confio na sua força." Vendo o 【Preocupação!】 sobre a cabeça dela, Sean pareceu entender o que Lucille estava pensando.
Contanto que não fossem descobertos, tudo bem, não é? Uma pessoa acima do nível 18 de Ordenante ainda se preocupa com isso!
"Vamos. Você começa." Sean disse de repente.
E atrás dele, Lucille chamou seu corvo de estimação, Barry, que sempre a acompanhava. Sean ainda se lembrava desse nome; no passado, ele o usava muito para transmitir mensagens.
"Não chame a atenção dos outros."
"Precisa me lembrar?... Não esqueça, eu sou a mentora."
Só nessa hora Lucille assumia sua posição de mentora. Antigamente, Sean talvez ouvisse, mas depois de conhecer a juventude dela, essas palavras só faziam rir.
Observando o corvo voar em direção a dois soldados que cochilavam na entrada...
【Sono~】
Um feitiço murmurou nos lábios de Lucille, e logo houve o som de corpos caindo.
"Pode ir. Vamos descer."
Os dois pularam na frente dos guardas que agora dormiam no chão. Ao longe, outro grupo de patrulha estava prestes a passar... Rapidamente, usando magia para abrir a porta da Grande Biblioteca, eles entraram e fecharam-na instantaneamente, enquanto Lucille controlava Barry lá fora para usar magia e acordar os dois novamente.
"Ei, como você dormiu!"
"Você também não..." A conversa ainda podia ser ouvida através da porta fechada.
"Tá bom, tá bom. Alguém está vindo. Fiquem em posição de novo. Que corvo é esse... Azar! Vai embora!"
Provavelmente expulsaram Barry, e do lado de fora ouviu-se o grasnado do corvo se afastando cada vez mais. Mas foi justamente essa ação comum que fez com que os soldados atrás da porta não suspeitassem que alguém já havia entrado.
Nesse momento, Sean olhou para Lucille ao lado.
"Dá para ver que você é uma veterana nisso, mentora." Uma sequência de ações sem precisar de instrução. Muitos, ao se infiltrar, apenas removem as pessoas, mas não necessariamente as acordam.
Sean lembrava que, quando os rebeldes do Império Bashalan atacaram seu condado, eles se infiltraram sem serem notados e nunca pensaram em lidar com isso!
"Hum, está zombando de mim? Se não fosse por mim, você teria que invadir à força, e aí seria descoberto ou não, é outra história." Lucille revirou os olhos para Sean.
"Como assim? É porque confio na sua força que te trouxe."
Parte era bajulação, parte era elogio sincero.
Se fosse Freya que viesse com ele, embora ela também tivesse grande força de combate, sua experiência em emboscadas e furtos não era tão boa quanto a de Lucille. Ela era mais habilidosa em lidar com nobres e autoridades...
"Chega de conversa fiada. Acha que não percebo que está me provocando? Te digo, essas habilidades são fruto de mais de dez anos de sobrevivência. Mesmo que você me peça para ensinar, com seu QI de nobre, levaria anos para aprender." Lucille disse com confiança.
"Então me ensine mais. Quero aprender várias técnicas!"
Talvez por causa da linha do tempo de vinte anos atrás, a impressão de Sean sobre aquela que era tanto mentora quanto aluna tivesse mudado. Ele não falava mais com tanta formalidade, nem se prendia tanto às hierarquias.
"Deixa de graça. Afinal, o que você veio fazer aqui? Será que vamos encontrar a resposta que procuramos aqui?"
A pergunta de Lucille fez Sean ficar sério de repente. Ele apenas seguia a memória do dia anterior para procurar.
"Não posso te responder com certeza, mas acho que a resposta ainda está aqui..."
Era a resposta que Okham havia lhe dado há mais de vinte anos, e só hoje ele vinha desvendá-la. Na época, o incidente causado por Meredith foi tão rápido, e visava principalmente sua mãe, Aila, daquela época, que Sean achou que não valia mais a pena procurar aquilo. Quem diria que, mais de vinte anos depois, ainda precisaria buscar a resposta por causa disso.
No manuscrito de Abdullah, mencionava-se a Pedra Alquímica, e também deveria haver o Vinho da Imortalidade. E esta página era apenas metade; deveria haver a outra metade.
Sean realmente não esperava que, vinte anos depois, essa coisa ainda fosse tão importante!
Olhando para o teto, como a visão dos animais é diferente da dos humanos, ele precisava encontrar o mesmo local seguindo os pontos de memória da coruja e do rato do dia anterior. Foi até a estante, agachou-se e olhou para ver onde exatamente o rato estava ontem...
"O que você está fazendo?"
"Procurando um lugar."
"Que lugar?" Lucille perguntou, confusa.
Foi então que Sean notou o local onde a luz da lua entrava. Sim, ali. Ontem, era ali.
Correu para a estante do outro lado, virou-se e viu a posição da coluna.
"Achei."
Com um 'puf', uma chama acendeu em sua mão. Sean se aproximou lentamente da coluna à luz do fogo.
Realmente, usando a visão dos animais, não se tem uma visão tão completa... Ontem, pelos olhos do rato, ele pensou que era uma coluna que sustentava o prédio, mas agora percebeu que estava encostada na parede, quase conectada a ela, dando a impressão de sustentar o prédio, mas era independente.
Nela, estavam gravados pequenos caracteres densos, correspondendo a cada livro aqui. Todos os livros na Grande Biblioteca tinham um número marcado no rodapé e eram colocados em posições correspondentes.
Se não encontrasse, vinha até aqui...
Ontem, o administrador deve ter encontrado a localização aqui.
"O segredo que você mencionou está aqui?"
"Sim, o segredo está aqui..." Sean respondeu.
Os números deixados por Okham não eram os registros nos livros, porque a Grande Biblioteca da capital recebia muitas pessoas, e alguém poderia descobrir e levar embora.
Mas se fosse um número fixo e imutável, deveria ser esta coluna.
Sean bateu nela...
Parecia madeira, mas a estrutura interna era tão dura quanto metal.
Olhando fixamente, o que apareceu diante dele estava marcado como 【Produto Alquímico】.