Capítulo 569: Capítulo 569 A Pessoa que Menos Queria Ver

Será que... Sean instintivamente tocou os números correspondentes no pilar, seguindo a sequência que lembrava de cor. Um lampejo de luz bruxuleante fez ambos hesitarem por um instante. "Isso... acende?" Lucille, curiosa, estendeu a mão para apertar, mas Sean a segurou imediatamente. "Não mexa, senão vai bagunçar a senha que estou digitando", disse Sean, virando-se. Sim, parecia exatamente como digitar uma senha! Lucille talvez estivesse curiosa, mas ele não sabia se devia reclamar de algo... Vinte e tantos anos atrás, todos aqueles números deixados por Ockham não eram um enigma, mas a senha mais simples de todas. Só isso? E ninguém tinha tentado em mais de vinte anos? Parecia uma idiotice coletiva. Se fosse uma organização, até dava para entender, afinal nem todo mundo ousaria mexer nas obras deixadas pelos antepassados. Mas aqui era a Grande Biblioteca, com tanta gente passando todos os dias, e em mais de vinte anos, até o livro com os números já tinha sido levado para a Cidade Imperial, e ninguém teve a curiosidade de tentar? Que obediência às regras! Sean balançou a cabeça, resignado, e continuou a digitar a senha de memória. No total, eram mais de vinte conjuntos de dados; encontrar todos já levaria um bom tempo... Parecia que mesmo os entediados não se davam ao trabalho de tentar a senha. De dia, muita gente olhando; de noite, ainda havia guardas na porta. Ockham provavelmente calculou isso na época e, por isso, deixou o segredo tão tranquilamente na capital. O lugar mais perigoso é o mais seguro. Quando o último caractere acendeu, o pilar diante deles finalmente começou a mudar... [Produto Alquímico] A estrutura interna podia ser qualquer coisa; essa característica de acender ao toque devia ser uma configuração interna, como uma máquina... Não é à toa que são criações de alquimistas; até nisso são parecidos com os mecânicos, ou melhor, superiores! Os dois viram o pilar se abrir camada por camada, como um mecanismo preciso, e no centro finalmente apareceu o que tanto esperavam: uma caixa. "Realmente tem algo." "Espera!" Quando Lucille, animada, foi pegar, Sean a repreendeu. "Coisas lacradas por tanto tempo não se tocam assim." Sean notou outro círculo alquímico dentro do pilar. Como não era um encantamento mágico, nem Lucille, com seu nível tão alto, tinha percebido de imediato; ele só viu por causa de sua visão, senão também não teria reparado naquele círculo tão discreto na luz. Seguindo o padrão do círculo alquímico, Sean desenhou outro formato. "Ainda tem um círculo alquímico!" Só então Lucille se deu conta; por pouco não ativara a armadilha. Mas, mais do que o círculo, Lucille se impressionou com a cautela e a percepção aguçada de Sean. Em menos de dois meses desde que saíram da Cidade Imperial de Jagon, ele já tinha crescido tanto, a ponto de notar até aquele círculo minúsculo. Será que tinha a ver com seu poder crescente? "Agora pode pegar." Enquanto Lucille hesitava, Sean pegou primeiro a pequena caixa dentro do pilar. Quem diria que o pilar era oco, e que, como um mecanismo, depois de retirar a caixa, ele se fechava sozinho. "É esse o segredo que você mencionou?" "Sim, deve ser outra parte do manuscrito do lendário Abdula", disse Sean, abrindo a caixa. Dentro, havia um livro de páginas de couro envelhecido. Como a caixa era um artefato alquímico especial, estava todo preservado, parecendo novo ao ser retirado. "Como você sabia que isso estava aqui?" Lucille ficou confusa. Durante toda a jornada, o que mais Sean escondia dela? Um filho da antiga Rainha do Deserto. Embora ela também tivesse vivido na época da Rainha do Deserto, era muito cedo; ela era apenas uma criança e não sabia muito sobre a rainha, só que esta tinha alguma relação com seu mentor. Talvez por isso, quando Lucille ouviu um transeunte dizer que o Príncipe do Deserto se chamava Sean, ela quis vê-lo. Se fosse realmente filho da rainha, ela teria um discípulo com laços importantes. Mas agora, sua compreensão sobre esse discípulo estava cada vez mais nebulosa, a ponto de quase não enxergá-lo. "Porque eu vim ontem." Duplo sentido: ontem ele veio, mas não precisava mencionar nada sobre Ockham. "Vamos voltar, estudamos isso depois..." Sean se preparou para ir com Lucille, usando o mesmo método de antes: fazer o corvo Barry usar magia para enganar os guardas lá fora, e então saírem. Olhando o relógio, já era noite profunda; provavelmente não havia ninguém lá fora. Mas, quando Lucille ia conjurar a magia, de repente ficou paralisada! "O que foi..." Assim que Sean abriu a boca para perguntar, uma notificação apareceu em seu campo de visão. "Alguém chegou, é... é a irmã Riqui." Naquela cidade, ou melhor, naquele país, a única pessoa que podia preocupá-la era esse nome. O que ela veio fazer aqui? Sean ouviu Lucille e olhou para o portão da Grande Biblioteca. Se ela entrasse... espera. De repente, outra ideia veio à sua mente. "Vamos nos esconder rápido, se a irmã Riqui nos vir, vai ser um problema", disse Lucille, puxando Sean para procurar um esconderijo. Os níveis deles eram quase equivalentes, sem dominação de poder, e Riqui, como veterana, tinha muito mais experiência que Lucille. Não adiantava se esconder. "Não precisa se esconder", disse Sean de repente. Naquele momento, o portão da biblioteca se abriu de repente. A luz iluminou instantaneamente a escuridão do recinto... Mas quem estava na entrada era apenas Riqui. Lucille tentou se esconder, mas Sean insistiu em esperar. Com o portão aberto e vendo só Riqui, Lucille se acalmou. "Irmã Riqui." "Minha irmã, então você está aqui!" Riqui, de cabelo curto, entrou lentamente pela porta. Não havia ninguém na entrada, só ela! "Fiquem tranquilos, mandei todos embora. Ninguém mais saberá disso." "Irmã Riqui..." "A Grande Alquimista deve estar nos esperando há muito tempo", disse Sean naquele momento. Ela o olhou com interesse e sorriu levemente. "De fato, há muito tempo. Príncipe Sean, você é tão perspicaz quanto sua mãe."