O que o livro diz no final é sobre a fusão dos corpos masculino e feminino; na verdade, se entendermos os detalhes, não é muito diferente de uma alquimia.
— Lucille — disse Sean de repente.
— O que foi...?
Havia uma expressão de preocupação em seus olhos.
Sean sabia do que ela estava preocupada. Se o método de criação da Pedra Filosofal era tão cruel, era natural que causasse conflitos internos. O assassinato do grande pirata Rocks desta vez provavelmente era um problema interno do império.
— Não vamos mais nos envolver com a questão de Rocks. Mesmo que você tenha uma amizade pessoal com Richele, não quero que você se meta demais nas lutas internas deles. Já chega. — Desta vez, Sean alertou Lucille pessoalmente, na frente de Flávia.
Vendo a expressão de desagrado dela, ele ainda assim precisava falar.
— É óbvio que isso é um problema interno deles, e provavelmente vai envolver uma série de oponentes políticos. Aliás, o fato de aqueles bandidos que sequestraram os tributos saberem as rotas de transporte e descanso já diz tudo... Eles usam a organização rebelde "Homens Livres" como cortina de fumaça apenas para se protegerem. — A essa altura, qualquer pessoa perspicaz já perceberia.
Kelserke não era um país com instabilidade política. Já que conseguia manter uma das maiores forças do continente sul, seu exército não poderia ser fraco.
Como uma pequena prisão poderia ser incendiada...?
Provavelmente havia muitos deles próprios envolvidos. Por isso, Sean disse a Lucille para não se meter mais nisso. Assim que recebesse notícias de Marlow, ele poderia partir... nem precisava que eles viessem.
— Você não sabe como é minha relação com a irmã Richele — respondeu Lucille imediatamente, dizendo exatamente isso.
— Vinte anos é muito tempo, de fato raro. Mas as pessoas mudam. Desde o dia em que ela assumiu o cargo de Grande Alquimista, ela já não é mais a pessoa que você conheceu.
— Você não entende!
Lucille rebateu.
Nesse momento, Flávia, que estava ao lado, percebeu que o clima entre os dois estava tenso e rapidamente segurou a mão de Sean, sinalizando para ele não falar tão diretamente.
Ele suspirou.
— Tudo bem. Então hoje à noite você vai sair comigo...
— Para onde?
— Você prometeu antes que íamos investigar a Pedra Filosofal e o Vinho da Imortalidade. Agora que sabemos que essas coisas foram feitas por Richele... pelo menos vamos entender tudo.
Lucille não entendeu bem o que Sean queria dizer, mas ele não explicou. Apenas pediu a Flávia que usasse magia para esconder os dois à noite, sem serem descobertos. Quanto a ele e Lucille, planejavam ir à Grande Biblioteca.
……………………
Na visão de Sean, o método de criação da Pedra Filosofal devia ser esse mesmo, mas aquela descrição sobre a fusão de homem e mulher era um pouco vaga. Como não havia um método específico de alquimia, se fosse feito apenas com base nessa introdução, talvez precisasse de muitas tentativas para conseguir uma... ou talvez nunca conseguisse produzir a Pedra Filosofal.
Isso também provava o quão preciosa era a Pedra Filosofal e por que tantos a desejavam. Além disso, em sua visão, a que ele deu a Jagon tinha um número limitado de usos.
Embora Sean nunca tivesse visto a verdadeira aparência delas, o fato de terem um limite de usos, e ainda por cima muito baixo, indicava que eram imperfeitas, um produto defeituoso... Mas não havia base para dizer que eram falsas, porque no manuscrito, Abdula descrevia tanto a Pedra Filosofal quanto suas opiniões acadêmicas de forma muito convincente, como se não fosse algo escrito ao acaso.
Além disso, esses conhecimentos eram muito semelhantes ao que ele já sabia...
— Para onde vamos agora?
— Procurar algo.
À noite, depois de saltar do telhado do palácio para fora da cidade imperial, Sean e Lucille foram direto para a Grande Biblioteca.
— O que pode haver na Grande Biblioteca? — Como Lucille tinha ido lá há alguns dias, e a direção era a mesma, ela lembrava da localização.
— A resposta que procuramos! — Sean disse apenas isso.
Explicar isso levaria muito tempo, e nem ele mesmo tinha certeza se estaria lá, mas sentia isso... Occam não colocaria algo tão óbvio em um lugar tão visível. Além disso, como o manuscrito que ele tinha era apenas a metade, talvez a outra metade estivesse escondida.
Lucille não entendia o que Sean queria fazer, mas sentia que devia segui-lo.
Essa sensação era estranha!
Afinal, ela era a mentora dele. Mas ultimamente, especialmente depois de sair para o mar, o comportamento dele mostrava que ele não tinha mais medo dela. Pelo contrário, parecia conhecer bem os hábitos dela, e em alguns aspectos, lembrava-lhe o mentor que a ensinou anos atrás.
Um homem também chamado Sean, mas que viveu há mais de vinte anos...
No entanto, aquele mentor desapareceu misteriosamente depois de ensiná-la por muitos anos. No começo, ela pensou que ele tinha viajado para longe. Mais tarde, depois que Lucille se tornou famosa, ela usava nomes diferentes e viajava por vários países, sempre se apresentando como alguém da Luz Eterna, mas nunca mais encontrou ninguém que admitisse ser dessa organização de magos.
Muitos anos se passaram, e eles pareciam nunca ter existido. Até mesmo aquele mentor parecia ter evaporado!
— Lucille. — O chamado repentino interrompeu seus pensamentos.
— O quê!
— Quanto você conhece dessa sua irmã mais velha?
Lucille ficou curiosa por Sean perguntar isso, mas respondeu honestamente.
— Ela é a pessoa mais próxima de mim neste mundo, depois do meu mentor. Mais do que você! — Disse sem rodeios.
Em seu coração, esse discípulo era especial, exalando cada vez mais a mesma aura de seu mentor. Mas ele ainda era um recém-chegado; sua relação com a irmã Richele era de décadas.
— Então você vem visitá-la com frequência todos esses anos?
Sean não se surpreendeu com a resposta dela; só mostrava que Lucille ainda vagava sozinha por aí.
— A cada poucos anos, venho ficar um tempo aqui. E ela já me convidou muitas vezes para me juntar aos alquimistas de Kelserke.
— O que você menos entende é alquimia, não é? — Disse Sean.
— Na verdade, isso também é um motivo. Todos esses anos, evitei aprender justamente para não ter que entrar. Senão, não teria desculpa. — Lucille suspirou.
Parece que essa irmã mais velha tinha um lugar muito alto em seu coração, a ponto de ela precisar inventar desculpas para recusar.
— Entendi.
Então, Lucille só tinha oportunidade de ver Richele quando voltava de vez em quando. Durante grande parte do tempo, elas não se comunicavam. Não era estranho que ela tivesse mudado tanto...
Sean lembrou-se daquela garota ingênua, esforçada e bonita de mais de vinte anos atrás, e agora ela era uma senhora séria. A mudança era grande demais.