Capítulo 290: Capítulo 290: Ilha Sem Nome (Parte 2)

Sean folheou os materiais que Lilith trouxera. As palavras anotadas já estavam quase ilegíveis, restando apenas pequenos vestígios que indicavam onde ela provavelmente havia relido, pois, do contrário, seria impossível discernir o que estava escrito.

“Vindo do mar?” “Sim, milorde, veja aqui. Mais acima, deve ser a região de Edak.” Lilith apontou para o local marcado no mapa náutico.

Naquele mundo, não era possível determinar com precisão as coordenadas de latitude e longitude. Muitas distâncias indicadas nos mapas podiam parecer próximas, mas, na prática, era impossível encontrá-las ou elas estavam muito desviadas. Durante a confecção, os mapas eram baseados apenas na percepção direcional de quem os desenhava no momento.

Era como a sensação de achar que se estava indo para o leste, sem ter virado, então aquela direção deveria ser leste.

Em terra firme, talvez funcionasse, mas no mar, esse tipo de julgamento sensorial não se aplicava.

Por isso, Sean não se importou com a localização no mapa. Além disso, Lilith dissera que a ilha sem nome já não podia ser encontrada, muito provavelmente por um erro de direção.

“Então, o que há nessa ilha sem nome?” perguntou Sean.

“Continue olhando aqui, Conde.”

Lilith, em pé à sua frente, virou mais uma página do diário. O papel estava ainda mais confuso!

Palavras e números amontoados, que só quem os escrevera saberia o que significavam.

“Contei ao senhor, há seis meses, sobre o incidente dos seguidores do deus antigo na Cidade Velha de Tacoma, onde surgiram relatos de pessoas com cabeças e brânquias de peixe. Isso é o que ouvi de imigrantes vindos de Tacoma.” disse Lilith.

Em Ouro, ninguém mais sabia que ele também estivera envolvido no incidente de Tacoma. Assim, qualquer informação entre os comuns vinha de fora.

“Há imigrantes antigos na Academia?” “Na Academia, não. Mas muitos alunos, por curiosidade, foram perguntar em casa.”

As palavras de Lilith alertaram Sean. Alunos daquela idade, embora incapazes de grandes feitos, não perdiam em curiosidade para nenhum adulto.

“Hum, continue.”

“Essas pessoas estranhas foram registradas nos cadernos do meu avô, mas apenas como lendas locais. Segundo pescadores que viram pessoalmente os pilares de pedra da ilha sem nome, nessas esculturas gigantes e de estrutura anormal, havia gravuras semelhantes: corpos humanos com cabeças de peixe.”

Lilith apontou para a parte que ela havia destacado.

Sean pegou o diário e leu com atenção.

Era apenas um relato de memórias, e o narrador já estava tão distante que só ouvia o que outros ouviram de terceiros.

A veracidade era difícil de comprovar, mas Sean vira pessoalmente aqueles Profundos que falavam.

Segundo o que Fréllia dissera depois, eles se esconderam no pântano por muito tempo, mas não eram criaturas originais daquele lugar. Buscavam viver perto de aglomerações humanas apenas para gerar descendentes mais fortes com os humanos.

Aquelas coisas, de qualquer forma, pareciam ser do mar.

Sean ainda lembrava da pele viscosa deles. Se não fosse pelo poder do Olho de Ghroth na época, dificilmente teria conseguido feri-los. As balas mal penetravam seus corpos, pois os músculos se contraíam com muita firmeza.

A estrutura daqueles tecidos era perfeitamente adaptada a lugares com pressão oceânica tão intensa que era aterrorizante. Por isso, Sean já suspeitava que viessem das profundezas do mar.

Só que não havia provas na época. E agora, aquele diário antigo registrava seu surgimento.

Os registros contavam que pescadores descobriram, perto da ilha sem nome, após um vulcão submarino, um pilar de pedra enorme que se projetava, formando uma vasta linha costeira de lama, pântanos e enormes rochas cobertas de musgo.

Nesses pilares, havia estátuas esculpidas dos Profundos. Além disso, havia uma estátua gigante e estranha, como tentáculos de polvo.

Não se sabia de que material era feita, e a forma como foi construída causava grande desconforto. O mais peculiar era que todos os pescadores que se aproximaram sentiram tontura e uma sensação de mau agouro.

Como se o céu cinzento e a superfície do mar estivessem sendo observados por algo, um medo inquietante!

O diário também descrevia que, ao voltar, os pescadores contaram o ocorrido aos inspetores locais. Por ser um país litorâneo, as guarnições de todas as cidades tinham forças navais, responsáveis por combater piratas e espectros do mar quando necessário.

Mas quando os inspetores da cidade chegaram ao mar indicado pelos pescadores, a ilha sem nome havia desaparecido, como se nunca tivesse existido. O caso virou assunto quente na região por um tempo, até que, por não ser mais encontrada, foi gradualmente esquecida.

Mesmo assim, a história ainda era contada pelos mais velhos aos marinheiros novatos, com o objetivo de lembrá-los de sempre temer o terror do mar e não pensar apenas em zarpar para longe!

“Só isso?”

Sean ergueu os olhos para Lilith após ler todas as anotações.

“Por enquanto, é só. Mas encontrei muitas outras coisas interessantes, incluindo contos de várias regiões, e uma que me chamou muito a atenção foi a Tábua de Cain.”

Ao ouvir Lilith, Sean perguntou, surpreso: “Você conhece a Tábua de Cain?”

“Claro! É considerada um tesouro pelos feiticeiros, dizem que contém a verdade do mundo.”

Haha.

Naquele momento, Sean só queria rir por dentro.

Era a verdade, sim. Tão verdade que ele mesmo não entendia nada do que estava escrito, e segurá-la queimava as mãos. Era como uma bomba, sem qualquer poder. Se não fosse por Fréllia pedir que ele a guardasse, Sean realmente a teria jogado fora de novo.

“De fato, há essa versão.” Apesar de reclamar mentalmente mil vezes, ele ainda precisava mantê-la consigo.

“Claro, nem todos consideram a Tábua de Cain um tesouro. Neste diário, está escrito que, em uma pequena vila de um país no continente sul, os feiticeiros locais achavam a Tábua de Cain totalmente inútil, e até diziam que a Bruxa de Cain foi controlada por alguma força para escrever a tábua e alertar a todos.”

Não é que...

Agora, Sean realmente acreditava um pouco nessa versão.

Porque a Tábua de Cain em suas mãos não servia para nada. Além de ter gravado algo que parecia muito com a Estrela do Julgamento, o resto dos escritos ninguém conseguia traduzir, e não havia poder algum.

Ele abriu a página do registro e viu que, de fato, havia essa informação de bastidores, mas apenas em fragmentos. Parecia mais um trecho escrito para dar voz a uma opinião contrária.

“Sua linha de pesquisa é muito boa.” Fechando o livro, Sean começou a falar de forma oficial.

“Espero que você continue fazendo o que gosta. Lembro que a Biblioteca dos Eruditos em Ouro sempre precisa de pessoal. Se você gostar, pode ir para lá fazer pesquisas. Parece que há muitos eruditos que viajam para fazer trabalho de campo. Claro, se não gostar, pode escolher outro departamento. Mas espero que, se tiver novas descobertas, venha me contar primeiro.”

Ele viu a garota ficar animada!

Aquelas palavras equivaliam a praticamente garantir um emprego para ela, com passe livre para o Palácio do Conde.

Para os moradores de Ouro, era um trabalho muito invejável!

“Sério, Conde?”

“Claro. Daqui a pouco, escreverei uma carta para o Erudito Harry, que a entregará à Biblioteca dos Eruditos.”