Lilith não esperava que as palavras que disse só para recuperar um pouco de dignidade diante do Conde Viger fossem levadas tão a sério por ele. E ainda exigiu que ela fosse ao palácio do conde na manhã seguinte com sua pesquisa!! Que pesquisa ela tinha? Ela só tinha lido algumas histórias e as juntado, sem nunca ter se aprofundado de verdade. Agora teria que se apresentar, e ainda na frente do Conde Viger. Ah, só de pensar no dia seguinte, seu coração disparava de nervosismo, sem saber o que fazer. Lilith ficou no quarto quase a tarde inteira sem sair, e só saiu quando o próprio pai foi chamá-la. A família Bristol não era nobre, nem mesmo um grande comerciante. Gerações atrás, foram os curtidores favoritos do Senhor Francis, do antigo Tacoma. Depois que ganharam dinheiro, quiseram estudar para melhorar a cultura da família. Por um tempo, até que se saíram bem. Mesmo sem serem nobres, tinham prestígio entre as famílias ricas locais. Mas a boa fase não durou. Em duas gerações, tudo se perdeu. Especialmente depois que a cidade de Oro cresceu, as famílias Morgan e Divala dominaram quase toda a economia da região de Oro. As outras famílias pequenas ou se submetiam, ou ficavam na mediocridade. Os Bristol eram do segundo caso. Lilith foi puxada preguiçosamente do quarto pelo pai, que perguntou animado: — Ouvi dizer que o Conde Viger foi à sua escola hoje, não foi? — Foi sim. — respondeu Lilith. — E ouvi também que ele pode vir à academia por um tempo, é verdade? — Isso eu não sei. Ele disse isso, mas não tenho certeza se virá. — Lilith lembrou-se de como o conde, na carruagem, não tinha nenhum jeito de nobre. Na sua impressão, os nobres deveriam gostar de ser adorados pelo povo, mas o Conde Viger parecia achar um incômodo ser cercado por pessoas! — Ele virá! Com certeza virá! Não se esqueça, está chegando a época da seleção de talentos da academia pelo palácio do conde. O Conde Viger está no primeiro ano de seleção, com certeza vai presidir pessoalmente. Senão, não teria ido à academia hoje, minha filha. É uma grande oportunidade! Desde que chegamos a Oro, a família Bristol não fez nada de relevante. Finalmente temos a chance de encontrar o senhor da cidade. Ouvi dizer que o Conde Viger chamou você hoje. — É verdade. Hoje ele me pediu para chamar uma carruagem! Vendo a expectativa no rosto do pai, Lilith pensou que, se contasse que amanhã o conde queria que ela levasse sua pesquisa, ele ficaria ainda mais feliz. Mas no momento, ela realmente não tinha pesquisa nenhuma, então só podia contar tudo ao pai. Para sua surpresa, o velho, em vez de se preocupar, disse aliviado: — Ótimo, ótimo! Sempre reclamei que seu avô deixou aqueles manuscritos e diários, de que serviam? Agora vão servir! Vá rápido ao escritório, procure os estudos que seu avô deixou. Dê uma boa olhada, talvez encontre algo assim. — Hã?! — O que está esperando? Vai! — Ah, tá! Sob a pressa do pai, Lilith foi ao escritório. Na manhã seguinte, no palácio do conde, Sean, como de costume, acordou cedo e tomou café da manhã, chamando uma das criadas. — Mais tarde vou receber uma aluna. Prepare alguns chás e petiscos e leve ao escritório. E diga ao Aslant para retirar aqueles guardas da entrada, para não assustar ninguém. — Sim, senhor. — respondeu a criada. Sean pensou nisso a manhã inteira. Achava que o caso da antiga cidade de Tacoma tinha acabado, e que só poderia contar com a ladra para obter informações. Mas descobriu que ainda havia alguém na cidade que estudava aquilo. Se não tivesse ido pessoalmente à academia, nunca teria encontrado. Felizmente, o céu nunca fecha todas as portas. Encontrou outra pessoa que estudava aquelas raças desconhecidas. Falando nisso, a ladra não dava notícias há meio mês desde que partiu. Provavelmente ainda não chegou à região de Adak. A estrada do vale para Adak ainda não estava completamente aberta. Para entrar em Adak, só contornando por Mersin, por via marítima. E recentemente, Sean também mandou a família Morgan negociar com Mersin, comprando muitos produtos do mar para revender na frente norte. Até as bruxas do Véu do Céu foram usadas, congelando os produtos do mar com magia e voando até a frente de batalha. Assim, o problema da falta de dinheiro podia ser aliviado, e a pressão da escassez de comida também era suprida. A única coisa incerta, a guerra no norte, ele soube através dos sonhos que havia reforços. E nos últimos dias, a notícia se espalhou: o Rei Sol, vindo do interior de Adak, enviou tropas para ajudar, e já estavam lutando contra os Kates. Para os soldados na frente, isso era sem dúvida a notícia mais animadora. Corriam boatos de que os soldados do império estavam se preparando para um grande contra-ataque, unindo-se aos reforços do Rei Sol para expulsar os Borgs. Mas quando as coisas começavam a melhorar, Sean sempre via algumas imagens perturbadoras. Aquela coisa que viu no corpo do imperador Borg certamente não era uma criatura normal. Talvez estivesse ligada aos seguidores dos deuses antigos novamente. Terminando o café da manhã, Sean voltou a si de seus pensamentos. Esfregou a cabeça. Esses seguidores dos deuses antigos, que não o largavam! Parecia que estavam sempre por trás de tudo! A carta enviada a Freya ainda não tinha resposta. Por enquanto, Sean só podia buscar por conta própria todo o conhecimento sobre os seguidores dos deuses antigos. E quanto aos Abissais de seis meses atrás, se pudesse encontrar uma brecha neles, seria ótimo. Depois do café, Sean foi ao escritório trabalhar como de costume. Só perto do meio-dia, um servo veio informar que Lilith havia chegado. Mandou a garota ir direto ao seu escritório. Sean até preparou um chá da tarde, pronto para ouvir com atenção o quanto Lilith sabia sobre os Abissais. Vendo a garota entrar timidamente em seu escritório, com a cabeça cheia de nervosismo. — Não precisa ficar nervosa. Venha, sente-se. Na verdade, o caso de Tacoma me incomoda há muito tempo. Se não fosse pelos rebeldes e pelos problemas na fronteira, eu já teria mandado alguém investigar. É uma sorte que você estude isso. — Sean disse diretamente. — Na verdade, não é muita coisa! Lilith segurava um maço de páginas e o colocou na frente de Sean. Virou-o. Empurrou-o para a frente. — Organizei alguns diários do meu avô ontem. Quando era pequena, também lia essas histórias de vez em quando. Veja, senhor. As páginas abriram um diário, já antigo. O papel estava amarelado. Ao desdobrar o papel, havia um mapa recortado embaixo, que parecia um mapa marítimo. — Senhor, veja aqui. Esta é uma ilha no fundo do mar, a leste. Antes não tinha nome, mas depois foi submersa pelas marés. Uma vez, uma erupção vulcânica submarina atraiu pescadores da região. Dizem que dali surgiram algumas colunas de pedra grandes, esculpidas com padrões estranhos.