Quando Sean disse que iria dar uma volta no bosque à noite, o Barão Mearand até mostrou uma expressão hesitante. — À noite... à noite não é muito bom, está muito escuro e perigoso. Talvez haja feras por perto, Conde, seria melhor ir durante o dia... Sean acenou com a mão. — Não tem problema, eu também morei na floresta antes, andar pelo bosque não é nada. Lorde Mearand acha perigoso? Olhando para a expressão do outro, era evidente que havia mudado. Nesta cidade pequena, Sean raramente via alguém com expressões faciais variadas; quase todos tinham o mesmo sorriso padrão. A vida real parecia-lhes algo opcional, viver era apenas para ter mais tempo para dormir à noite. — Não é isso, Conde, só tome cuidado. — disse ele, um tanto constrangido. Foi exatamente essa frase que fez Sean querer ainda mais entrar no bosque à noite... ... A temperatura na floresta caiu à noite, e sob a luz das tochas, o grupo continuava a avançar para o interior do bosque. Sean observava atentamente os arredores; quase todos os animais estavam escondidos nas sombras, e ao levantar a cabeça, via pássaros pousados nos galhos. , com os olhos fixos na direção para onde o grupo seguia... Sentia que em breve poderia se tornar uma enciclopédia, já que até as propriedades dos animais estavam ficando claras para ele. Não sabia se mais coisas apareceriam; sua visão era limitada, e se tudo à sua frente se tornasse dados, Sean achava que ver o mundo ficaria estranho... Os outros viam a vida como um sonho, e ele, como um jogo! Às vezes, Sean realmente se perguntava em que mundo estava... No começo, achava que era apenas uma sociedade de civilização diferente da anterior, mas ao ver os polvos-humanos, os bodes-humanos e outras criaturas mutantes, começou a sentir que o mundo talvez fosse diferente do que imaginava. Especialmente ao ver a aparência de Grothos, aquela substância indescritível, percebeu que a parte conhecida do mundo talvez fosse apenas a ponta do iceberg. Mas, por enquanto, seu avanço de nível parecia ter encontrado dificuldades. Da última vez, no incidente em Tacoma, ele usou os múltiplos estados adicionados por suas auras (buffs) para aumentar o efeito de cada magia, conseguindo subir de nível. Depois, ao voltar para Tylermian, ele continuou treinando regularmente, mas ao chegar no nível 300, encontrou um gargalo. Usar várias vezes seguidas não subia um nível sequer, e precisava de muito esforço para avançar um pouco, o que quase consumia toda a mana disponível diariamente. Aos poucos, Sean começou a entender os métodos de treino que Lucille mencionara e a dificuldade de anos sem progresso. Ele ainda via os indicadores de nível; para pessoas comuns que não tinham ideia do próprio progresso, persistir era realmente difícil. Não é à toa que alguns não conseguiam avançar por décadas. Pela classificação humana, ele já era um Ordenador de nível 4. Em menos de um ano, passou de novato a Ordenador nível 4; mesmo entre magos, isso era um feito genial. Claro, isso se devia principalmente à sua capacidade de encontrar precisamente o método para acelerar o progresso. Por exemplo, antes de descobrir que múltiplas auras passivas podiam aumentar a velocidade de proficiência, treinar por um mês com o método antigo mal renderia alguns pontos. Mas, ao encontrar o método certo, um dia equivalia a meses comuns. No entanto, agora esse método também enfrentava um limite difícil de superar. Talvez devesse arranjar tempo para treinar habilidades marciais e tentar um avanço por outro caminho... ... — Conde. Enquanto Sean divagava, Ross o chamou ao lado. — Lorde Ross, há algo? — vendo que o outro não parecia bem, já era tarde e ele tinha corrido o dia todo; para um estudioso comum, a resistência física certamente não era a de soldados treinados. — Não é nada grave, só estou curioso: como o Conde tem tanta certeza de que a origem dos sonhos da cidade é esta floresta? Só por esse cheiro peculiar? Já encontrei plantas que exalam odores à noite em muitos lugares; é raro, mas não é evidência suficiente. — Ross perguntou, confuso. Isso era difícil de explicar. Sentir realidade nos sonhos só podia ser culpa do cérebro; algo devia estar afetando as cabeças dos moradores da cidade. O que Sean conseguia pensar era no cheiro, e tanto a madeira peculiar dos enfeites quanto o diário sobre a fada da árvore apontavam para a floresta. — E o diário da fada da árvore, Lorde Ross não se esqueceu, não é? — Isso também é verdade... Sem argumentos contra o diário, Ross só pôde concordar, e ainda teve que escolher explicações que ele pudesse entender. — Fique tranquilo, não vamos longe. Não é bom entrar muito fundo na floresta à noite... Fiz marcas pelo caminho; se nos perdermos, voltamos. — Sean notou a mudança emocional no outro, provavelmente queria descansar por já ser tarde. — O Conde já tinha tudo planejado! Como se tivesse sido descoberto, Ross disse, um pouco envergonhado. Continuaram a avançar para o fundo... Embora o cheiro ainda estivesse lá, não encontraram nada de valor. Só notaram que as árvores no fundo eram mais frondosas, algumas até tortas por causa do sol, mas ainda assim galhos comuns. Sean ficava de olho no tempo; assim que chegasse a hora, voltariam, não importava onde estivessem. — Já chega por hoje... Marquem bem o local. Amanhã de dia, voltamos. Ao ouvir que iam embora, alguns dos guardas da escolta mostraram um estado de alívio... Às vezes, Sean achava que, mesmo entendendo o estado deles, era melhor não levar a sério. Senão, sentiria que não havia pessoas sinceras neste mundo. — Conde, e hoje... — Tudo bem, se não acharmos, não achamos. Amanhã veremos de novo. Se o outro está se escondendo de nós, não adianta insistir. — disse Sean. — O outro está se escondendo? Quem é? — perguntou Asland. Na verdade, Sean não sabia dizer... Na sua visão, aparecia a indicação [Sendo observado...], mas havia seus homens ali, e vários animais nas árvores; ser observado era plausível. — Deve haver uma razão para os moradores entrarem em sonhos, mas não podemos ficar procurando para sempre. A floresta é grande, e não temos tanto tempo para gastar na cidade... só para caçar esses animais. — Animais? Asland parou na última palavra. — Mas à noite, há poucos animais nesse tipo de bosque. Além de pássaros e insetos, animais maiores não escolhem esse lugar para se abrigar, e o horário de alimentação também não é o certo. As palavras de Asland de repente alertaram Sean. É verdade. A rota do grupo era a usual dos lenhadores da montanha; não havia motivo para tantos animais aparecerem. Então... O olhar que o observava era de quem? — Conde? — O grupo viu Sean se dirigir sozinho para a direção do bosque. Para onde as indicações apareciam... Eram apenas árvores. No entanto, quando ele se aproximou com a tocha, aquelas árvores mostraram um estado de alerta. Pólen. Um forte cheiro de pólen no ar. .