—Que cerimônia? Você sabe de alguma coisa? Agora me lembro, ontem à noite foi você quem primeiro disse que havia perigo... e também foi você quem primeiro liderou a fuga. Diga, você sabia de alguma informação? — perguntou um dos mercenários, dando um passo à frente.
— É verdade, também me lembro agora... — Lembro da sua arma, é você! Muitos outros se levantaram naquele momento.
— O que você sabe? Por que não nos contou? Já perdemos tantos companheiros, tudo por causa de gente como vocês, que sabiam de algo e nos enganaram — disse o homem, furioso.
Sean observou o outro com atenção. Não era aquele que, na noite anterior, havia discutido com Lucas para ficar? Interessante. Ontem mesmo, ele gritava para que um grupo ficasse com ele, e agora agia assim.
— É mesmo? Lembro que ontem você pediu para os outros ficarem com você — disse Sean, sorrindo, enquanto via a expressão do outro se tornar claramente desagradável.
— Isso... é por causa de gente como vocês! Já que sabiam de algo, deviam ter nos contado logo... — Pois é, se você sabia, devia ter dito antes. Alguns dos acompanhantes concordaram com a opinião do homem.
Sean não rebateu de imediato; em vez disso, foi um membro de sua própria equipe de mercenários quem se adiantou...
— O senhor Sean veio conosco desde a cidade de Rietis, e pelo caminho nos fez muitas perguntas. Além disso, ele é um caçador de recompensas de nível Prata, com certeza mais sensível ao perigo do que nós.
Assim que Jonathan mencionou o título de caçador de recompensas, muitos se viraram [surpresos!] para olhar. Especialmente a única garota que Sean reconhecia na multidão, que também desviou a atenção para ele...
— Ninguém sabe realmente como está a situação no sudeste; senão, o príncipe e o grão-duque não teriam nos enviado primeiro. Mas ouvi alguns boatos dos feiticeiros.
Não podia deixar o foco permanecer muito tempo em sua identidade de caçador de recompensas, afinal, não era sua verdadeira profissão.
— Algumas coisas só comecei a achar suspeitas depois que cheguei aqui. Aproveito a oportunidade para falar sobre elas... — Sean não pretendia esconder muito sobre as informações que ouvira dos soldados.
Desde que conhecera Freya, achava que compartilhar certas informações era mais útil; mais pessoas pensando juntas era melhor do que ele refletir sozinho. Claro, isso dependia da ocasião. Naquele momento, contar algumas coisas poderia acalmar a [tensão!] de todos ali.
Sean contou tudo sobre o circo noturno e as palavras dos soldados sobreviventes do sudeste, mencionando os homens-cabra e as estrelas acima... Claro, ele atribuiu a fonte dessas informações a um amigo feiticeiro que estivera presente na ocasião.
— Antes, eu não entendia o que significava "as estrelas voltarem ao lugar certo". Agora vi... talvez... Não terminou a frase, mas muitos já deviam adivinhar a conclusão. Quem imaginaria que o céu na região de Takoma ficaria assim...
— E agora, o que fazemos, mestre Sean? — Jonathan e os outros buscaram novamente sua orientação.
As estrelas já haviam aparecido e, como os soldados disseram, estavam se movendo (retornando ao lugar), mas ninguém sabia o que isso representava! Algum ritual? Ou a invocação de algo mais? A única coisa que Sean conseguia pensar era no Olho do Caos que vira na cidade de Koga. Seriam novamente os Imortais? Ou... a Sociedade dos Feiticeiros...
No fundo, Sean relutava em associar a Sociedade dos Feiticeiros à situação atual, mas não conseguia evitar. Desde os tempos de Koga, isso lhe vinha à mente de vez em quando: o que Bachler não terminara de dizer e por que um feiticeiro como ele viera parar em sua pequena cidade.
E agora, embora Takoma fosse muito maior que sua cidade, no fundo não era apenas outra fronteira? Assim como Koga e Tylermian. Lembrava que Freya enviara as três garotas a uma pequena vila na região, onde descobriram o circo noturno, o que levara à [paralisia~] posterior.
Se invertesse um pouco as posições, essas coisas poderiam ter acontecido em Koga ou em Tylermian. Às vezes, Sean pensava que, se não tivesse usado o nível de afinidade para identificar Bachler entre a multidão, talvez a história tivesse um fim diferente, inclusive em Koga...
O rato gigante, o contrabando de pólvora, a revolta, tudo isso. De alguma forma, sua habilidade o ajudara a mudar o desfecho muitas vezes.
— Os homens-cabra não vão nos deixar voltar tão facilmente. Então, só nos resta seguir para a cidade de Takoma — disse Sean. Se fossem para fora, provavelmente encontrariam novamente os homens-cabra. Já que eles queriam deixar as pessoas entrarem, devia ser por causa dos dez planetas no céu. As estrelas retornando ao lugar...
— O senhor Sean tem razão. Agora, sair daqui seria morte certa. Continuar em direção a Takoma pode nos fazer encontrar os Cavaleiros de Penas Negras e o grupo de feiticeiros. Com eles, estaremos mais seguros. Se algo realmente estiver acontecendo nesta região, acredito que o Império enviará mais tropas.
Nesse momento, Alfonso, que estivera calado até então, também se manifestou, claramente concordando com Sean.
— Já que é dia e os homens-cabra não saem, devemos aproveitar para acelerar a marcha, em vez de continuar discutindo coisas inúteis aqui...
Restavam apenas cerca de uma dúzia de mercenários. Sem uma alternativa melhor, só lhes restava seguir o grupo.
Naquele momento, estavam numa pequena vila nos arredores de Takoma. Seguir para o sul significava entrar oficialmente no território da cidade de Takoma. A distância era longa, então precisavam acelerar o passo; caso contrário, quando a noite chegasse, não se sabia se todos ali aguentariam.
Alfonso acompanhara Sean na frente da fila o tempo todo. Como percebia que o outro parecia [querer dizer algo!] mas não se abria, ficara ao seu lado, esperando que, quando não aguentasse mais, falasse.
— Senhor Sean. — O que foi? — pensou Sean, admirado por ele ter se contido durante todo o trajeto.
— Na verdade, sobre os homens-cabra que o senhor mencionou, eu ouvi falar deles há muito tempo... Hã? A voz era baixa, provavelmente só os dois ali perto podiam ouvir.
— Não sei se o senhor Sean já ouviu falar do Necronomicon. Na verdade, o motivo de eu ter vindo para cá também é por causa disso... — Só agora, depois de já terem passado por uma batalha, Alfonso se dispôs a revelar o propósito de sua vinda.
— O que é isso? Um livro, ou algum encantamento? O nome soava como algo ligado a magia necromântica, aura de morte.
— É um livro que só aparece em relatos orais. Não sei ao certo o que é, mas sempre foi algo transmitido e copiado por aqueles que buscam conhecimentos proibidos. Ele registra muitos eventos e saberes estranhos e bizarros. Um deles está nos pântanos da região de Takoma... Antes, eu ouvia como se fossem histórias, mas depois do que aconteceu, resolvi vir ver por mim mesmo... E agora... — Acabou assim. Ninguém imaginaria que uma região inteira se transformaria desse jeito. Que tipo de magia tão poderosa poderia causar isso?
Naquele momento, o que Sean mais queria era encontrar Freya e as outras. Se elas estivessem ali, talvez muitas coisas ficassem mais claras.