Capítulo 410: Capítulo 410 Não Pode Voltar Atrás

—Você... Su Jin ouviu a voz e olhou para baixo, mas viu que quem estava no salão era Pei Shaoze.

As palavras de xingamento que ele ia soltar pararam imediatamente, e ele se virou para encarar Su Banxia com um olhar feroz, a voz claramente mais baixa, como se não quisesse que Pei Shaoze soubesse daquilo.

"Eu realmente me enganei com você, nunca pensei que fosse tão falsa, dizendo uma coisa e fazendo outra. Chamou ele aqui, será que só quer ver nossa família passar vergonha?"

"Patrão, o senhor se engana, não fui eu que o chamei. Também não sei por que ele está aqui."

Su Banxia já estava exausta, sem forças para explicar, mas ainda assim se esforçou para dizer uma frase.

Ela virou-se e olhou para Su Jin, que segurava Su Guoguo, a criança tão assustada que nem falava mais. Ela balançou a cabeça suavemente: "Devolva a criança para mim, não vou dizer nada."

"Não acredito em você! Você é capaz de tudo."

Su Jin, naquele momento, balançou a cabeça com força, o rosto cheio de desconfiança ao olhar para Su Banxia.

"Eu realmente não vou fazer nada, acredite ou não. Patrão, juro que nunca minto para o senhor."

Su Banxia disse, cansada, e por fim acrescentou com um suspiro: "Além disso, o senhor ainda tem escolha agora?"

"Você!"

Su Jin arregalou os olhos, não esperando que Su Banxia o ameaçasse.

Mas Su Banxia se sentia tão cansada. O susto anterior, depois que Pei Shaoze falou, foi estranhamente contido.

Em seguida, essa exaustão tomou conta dela. Sentiu o mundo girar e só conseguiu se segurar no corrimão atrás de si para se firmar.

Su Jin, claramente assustado com as palavras de Su Banxia, afrouxou as mãos e colocou Su Guoguo no chão.

Mas ainda segurava os ombros da menina, impedindo-a de sair.

Su Guoguo olhou para Su Banxia em busca de socorro, os olhos grandes cheios de lágrimas. Ela soluçava, mas não ousava fazer barulho.

Su Banxia sentiu o coração se partir. Rangeu os dentes em silêncio e ergueu o olhar para Su Jin: "Patrão, por favor, eu imploro. O que o senhor ganha com essa teimosia?"

Nesse momento, Pei Shaoze já estava subindo as escadas.

Atrás dele, a Sra. Su e Su Sinian pareciam querer dizer algo, mas Pei Shaoze, impaciente, parou e lançou um olhar frio para elas. Aquele olhar gélido e mortal fez com que ambas ficassem mudas, paralisadas no lugar.

Os passos se aproximavam, e ele estava prestes a chegar.

Su Jin também entrou em pânico. Teve vontade de jogar a criança no chão para acabar com tudo, mas sabia que aquilo era só um impulso; matar alguém naquele momento não lhe traria benefício algum.

Agora, só lhe restava confiar em Su Banxia.

Ele encarou Su Banxia com raiva e empurrou Su Guoguo na direção dela: "Foi você quem disse. Estou avisando, se a parceria entre a família Su e a família Pei acabar por causa disso, nunca vou te perdoar! Nem morto vou te deixar em paz!"

"Patrão..."

Su Banxia suspirou, sem forças para explicar mais nada.

"Mamãe!"

Su Guoguo gritou e se jogou nos braços dela, as pernas bambas.

Su Banxia, com o coração partido, pegou a criança no colo e se virou para descer. Não queria ficar ali nem por um segundo.

Mas, naquele instante, sua mão foi segurada. Ela virou a cabeça e viu Pei Shaoze atrás dela, com o rosto escuro como o de um demônio.

Su Banxia já nem sentia mais medo. Apenas balançou a cabeça suavemente para ele: "Estou bem, vamos embora."

Pei Shaoze, porém, não a ouviu. Ele examinou Su Banxia de cima a baixo com um olhar severo e, de repente, a puxou para um abraço.

Su Sinian, que tinha se recuperado, seguia atrás de Pei Shaoze. Quando subiu dois degraus e viu aquela cena, ficou paralisada.

A Sra. Su, por algum motivo, não tinha subido e estava sentada na sala. Ao ouvir o grito de Su Sinian, ergueu a cabeça.

Ao ver aquilo, não conseguiu evitar e começou a xingar.

Mas Pei Shaoze, antes que ela pudesse falar, virou-se com Su Banxia no braço e encarou todos com frieza.

"Não me importa o que estão planejando agora, mas estou avisando: Su Banxia é minha. Não permito que ninguém toque num fio de cabelo dela."

Em seguida, seu olhar sinistro se voltou para Su Jin, com uma clara advertência: "A coisa que mais odeio na vida é gente de fora se metendo nos meus assuntos."

"Jovem mestre Pei, o que está dizendo?"

Su Jin tentou um sorriso bajulador, mas não conseguiu terminar a frase. Pei Shaoze já tinha saído com Su Banxia no braço, sem a menor hesitação.

Su Sinian ficou com os olhos vermelhos de raiva. Rangeu os dentes e correu atrás deles, explicando em voz baixa: "Sr. Pei, o senhor deve ter entendido errado. Isso..."

"Pá!"

Mas antes que ela terminasse, Pei Shaoze já tinha puxado Su Banxia e as duas crianças para fora. A porta da casa dos Su foi fechada com um estrondo, quase batendo no rosto de Su Sinian.

Ela ficou isolada atrás da porta, claramente ignorada.

Su Sinian ficou paralisada por um longo tempo, olhando incrédula para a porta fechada.

Do lado de fora, ouviu-se o ronco de um carro partindo. Eles já tinham ido embora.

Su Sinian rangeu os dentes quase até quebrá-los. Olhava fixamente para a porta, repetindo o nome de Su Banxia em pensamento, mas não podia fazer mais nada.

Depois de encarar a porta por alguns segundos, deu dois passos para trás, desanimada, e se jogou no sofá.

A Sra. Su, vendo a filha daquele jeito, ficou com o coração partido. Abraçou-a e apontou para a porta, gritando: "Essa ordinária! Espera só, a vida dela não vai ser fácil! Agora que o homem está com a novidade, quando passar, ele vai descartá-la. Raposinha, pensa que é muito boa, mas um dia vai pagar por isso!"

Quanto mais a Sra. Su xingava, mais furiosa ficava. Por fim, pegou um copo ao lado e o jogou no chão com força, estilhaçando-o.

Su Sinian finalmente se recuperou. Olhou para a mãe furiosa e balançou a cabeça com frieza, dizendo em tom gelado: "Enquanto aqueles dois bastardinhos estiverem por perto, ela nunca vai se livrar de Pei Shaoze de verdade."

A Sra. Su ouviu, os olhos brilharam, como se quisesse dizer algo, mas no fim se conteve.

Do outro lado, Su Banxia foi arrastada por Pei Shaoze para dentro do carro e caiu num silêncio total, sem responder a ninguém.

Só quando o carro entrou na estrada principal e o vento frio a atingiu no rosto, ela se sentiu mais lúcida. Piscou os olhos e perguntou baixinho a Pei Shaoze: "Como sabia que eu estava na casa dos Su?"

Quando saiu, viu marcas de batida no portão da casa dos Su. Antes, também tinha ouvido alguns barulhos, mas estava apressada demais para prestar atenção. Agora, imaginava que Pei Shaoze devia ter entrado de carro à força.

Ele estava tão apressado... Será que sabia que os Su estavam a perturbando?

"Fui eu. Fui eu que liguei para o tio Pei."

Antes que Pei Shaoze respondesse, Su Hao levantou a mão calmamente: "Aquele homem estava segurando a Guoguo e não reparou em mim. Peguei seu celular e liguei para o tio Pei."

Su Banxia virou-se e olhou para o filho. Embora ele parecesse calmo, sua voz ainda tremia. Ela balançou a cabeça com um suspiro e deu um tapinha no ombro dele: "Obrigada."

"Vamos embora assim?"

Su Hao perguntou.

Su Banxia teve o olhar escurecido. Pei Shaoze respondeu antes dela: "Fique tranquilo. Eles não vão se dar bem por muito tempo."