"Senhor, o que está dizendo? Eu só não tive tempo..." Su Banxia suspirou e, no fim, não conseguiu ser dura. Aproximou-se e ajeitou a ponta do cobertor para ele. Su Jinhua tinha cabelos grisalhos e várias rugas no rosto. Ele balançou a cabeça lentamente e ergueu a mão para fazer um gesto. Su Banxia rapidamente segurou a mão dele para evitar que o sangue voltasse. Su Guoguo observava aquele homem idoso e de meia-idade com curiosidade, colocou os suplementos com esforço no canto, piscou os olhos, como se quisesse se aproximar. Su Hao rapidamente a puxou para o lado e disse em voz baixa: "Esqueceu o que a mãe te disse? Não saia andando por aí, não mexa em nada." "Eu sei..." Su Guoguo murmurou baixinho e ficou obedientemente atrás de Su Banxia. Su Jin ouviu a conversa das duas crianças e virou a cabeça, como se quisesse vê-las. Mas Su Banxia, sem fazer alarde, desviou-se ligeiramente, bloqueando sua visão. Os olhos de Su Jin brilharam, depois ele suspirou com expressão sombria, passou a mão no canto do olho, como se estivesse enxugando uma lágrima. "Cuide bem da sua saúde, não há dificuldade que não se supere." Su Banxia disse em voz baixa ao ver isso, mas ao terminar, balançou a cabeça em segredo. Na verdade, ela sabia que talvez essa dificuldade realmente não tivesse solução. Ela via os movimentos recentes de Pei Shaoze; ele estava prestes a agir contra a família Su. Su Jin não respondeu. Ficou em silêncio por um momento, estendeu a mão com esforço para abrir a gaveta do criado-mudo, tirou uma pequena caixa de veludo azul, acariciou-a, suspirou e entregou a caixa a Su Banxia. "Banxia, eu sei... você tem uma mágoa no coração. O que eu disse da última vez foi no calor do momento, não leve a sério. Este é o colar da sua mãe, uma das poucas lembranças dela. Devolvo a você agora. Não pense demais... Afinal, você cresceu na família Su... Também quero que você fique bem." A saúde de Su Jin parecia realmente ruim; ele precisava ofegar a cada frase. Su Banxia assentiu, pegou a caixa em silêncio. A caixa era muito leve. Ao abri-la, viu um colar fino de platina. O colar parecia ter sido queimado, ainda com marcas de fogo. A junção estava um pouco enferrujada, provavelmente já não podia ser usado. Na ponta do colar, pendia uma pequena caixinha em forma de coração de platina, que deveria ser para fotos. Su Banxia abriu a pequena caixa, mas estava vazia. Mas... ali deveria ter havido algo. A chapa de metal atrás da caixinha e a dobradiça estavam com uma cor muito nova, especialmente a dobradiça, que parecia ter sido trocada recentemente, não combinando com a cor ao redor. Ela franziu a testa, confusa: "Senhor, quando isso foi encontrado? O senhor mandou consertar?" "Foi no fim de semana passado, quando arrumei as coisas... Afinal, é uma lembrança da sua mãe, como ousaria mexer? Só guardei aqui." Os olhos de Su Jin brilharam, ele tossiu e balançou a cabeça. Su Banxia ficou desconfiada, mas achou que ele talvez tivesse seus motivos. Pensou em silêncio e não disse nada. Mas não esperava que uma voz infantil o desmentisse: "Mas essa dobradiça é claramente nova, foi trocada agora, não tem como não ter sido consertada." Ao ouvir essa voz, Su Jin virou a cabeça imediatamente, com uma rapidez que surpreendeu Su Banxia. Mas Su Jin, naquele momento, não ligou para ela. Ficou olhando fixamente para Su Hao, pensativo: "Então este é o Xiao Hao, muito parecido com o jovem mestre Pei..." "Eu também acho que o irmão se parece muito com o tio Pei." Do lado, Su Guoguo balançava as mãos entediada, ao ouvir isso, piscou os olhos e concordou com a cabeça. Su Hao franziu a testa e puxou levemente a manga dela. Su Guoguo fez beicinho e ficou de lado, sem falar mais. "Tio..." Mas Su Jin agarrou essa palavra na hora e repetiu em voz alta: "Ele, não é o pai de vocês? Por que chamam de tio?" "Senhor, isso é problema meu." Su Banxia, percebendo que o rumo da conversa era estranho, levantou-se imediatamente: "Já vim visitá-lo hoje. Cuide-se, vou indo." Dizendo isso, ela se virou para sair com as duas crianças. Mas não esperava que Su Jin se sentasse de repente na cama, batendo forte na mesinha de cabeceira. A vibração fez Su Banxia olhar para trás. E viu Su Jin, que havia mudado completamente a aparência doentia, encarando Su Banxia: "De quem é essa criança? Su Banxia, me explique direito!" "Senhor, não preciso contar cada detalhe da minha vida para o senhor." Su Banxia mordeu o lábio em silêncio. "Su Banxia, estou te dando muita liberdade, não é? Hoje você vai me explicar direito. De quem é essa criança? Você teve um filho com algum homem qualquer por aí e usou a criança para entrar pela porta da família Pei!" Por alguma razão, Su Jin explodiu de raiva. Enquanto falava, ele arrancou violentamente a agulha do soro da mão e, com um movimento, derrubou todo o suporte do soro no chão. "Senhor, o senhor..." Su Banxia, parada na porta, virou-se e ficou chocada com aquela cena de loucura. Nunca imaginou que Su Jin pudesse enlouquecer assim e se tornar tão estranho. "Você quer destruir a família Su, seu ingrato! Su Banxia, se não explicar direito hoje, não vai sair pela porta da minha casa!" Su Jin parecia ter rasgado completamente a máscara, gritando com o pescoço esticado. E, como se não bastasse, deu um passo rápido, agarrou Su Guoguo, que estava atrás, levantou-a e apertou o pescoço dela, ameaçando Su Banxia: "O que você está tramando por trás? Os negócios da família Su estão em declínio, é você quem está mexendo os pauzinhos?" "Solte a criança primeiro! Senhor Su, o que o senhor está dizendo? Eu não fiz nada, juro. Solte a Guoguo primeiro!" O coração de Su Banxia subiu à garganta, sua mente quase parou. Ela sentia como se estivesse diante de um estranho. Enquanto falava, tentava se aproximar, mas a cada passo que dava, Su Jin apertava mais a mão. Su Guoguo começou a chorar de medo. Su Banxia não ousou se aproximar mais, apenas abriu as mãos: "Senhor, podemos conversar direito. O senhor está entendendo algo errado?" "Entendendo errado? Hah, Su Banxia, você ainda está fingindo para mim!" Su Jin riu com desprezo. "Não estou..." Su Banxia balançou a cabeça. "De quem são essas duas crianças? Me explique direito. Você disse antes que eram de Pei Shaoze, mas agora elas dizem que não são. Crianças não mentem, então você estava enganando! Su Banxia, Su Banxia, nunca pensei que você fosse esse tipo de pessoa." Su Jin falou com os dentes cerrados, o rosto se contorcendo. Su Banxia ficou em apuros, os olhos fixos em Su Guoguo em suas mãos: "Senhor, solte a criança primeiro, vamos conversar com calma..." "Não tenho nada para conversar com você. Já não acredito em você. Estou te dizendo, se quer a criança de volta, rompa relações com Pei Shaoze agora! Devolva o jovem mestre Pei para nossa Sinian, senão você não sai viva da porta da família Su!" Su Banxia olhou para Su Jin enlouquecido, quase não acreditando no que ouvia. "Está me ouvindo?" Su Jin gritou alto, mas antes que Banxia pudesse responder, alguém o fez primeiro. Uma voz fria veio do andar de baixo, carregada de intenção assassina: "Ela não precisa ouvir."