"O quê?" Su Banxia perguntou confusa, mas Pei Shaoze já não ligava mais para ela, apenas seguiu em frente. Ele a levou para casa, e durante todo o trajeto não disse mais nada. Su Banxia conhecia o temperamento de Pei Shaoze; depois de perguntar duas vezes sem obter resposta, parou de questionar. Afinal, ela já imaginava de quem ele estava falando. Depois de uma briga, ela já se sentia um tanto sonolenta. Quando finalmente chegaram em casa, ela não aguentou mais pensar em mais nada. Cambaleou até o quarto e caiu na cama para dormir, mas não descansou nada bem. Seus sonhos eram todos sobre a infância. Ela foi levada por Su Jin para a família Su, mas aquele homem, que antes parecia tão amigável, de repente se transformou num monstro de dentes afiados, pronto para devorá-la. "Mamãe está bem?" Su Guoguo olhou preocupada para o andar de cima. Apesar de seu próprio rosto ainda estar pálido, ela se preocupava com Su Banxia: "Quero ficar com a mamãe. Antes, quando eu tinha pesadelos, ela ficava comigo." A criança esfregou os olhos, exausta de tanto chorar, e sua voz já estava mais baixa. Pei Shaoze deu um tapinha nas costas de Su Guoguo: "Ela está cansada agora. Vá descansar primeiro. Quando você estiver bem, a mamãe também ficará bem." "É verdade?" Su Guoguo piscou os olhos; já estava tão sonolenta que mal conseguia pensar direito. "Sim." Pei Shaoze disse em voz baixa, e então pegou a criança suavemente e a levou de volta ao quarto. Su Hao o seguiu, observando-o o tempo todo, mas não disse nada até ele sair. "Vou cuidar da secretária Su." Ao sair do quarto das crianças, Pei Shaoze virou-se e disse a Su Hao. Su Hao murmurou um "hum", sentou-se calmamente ao lado de Guoguo e estendeu a mão para acariciar sua cabeça. Pei Shaoze, vendo isso, não disse mais nada e foi embora. Mas Su Hao, naquele momento, abaixou a cabeça e ficou pensativo. Pei Shaoze abriu a porta e viu Su Banxia enrolada na cama, abraçando os próprios braços inquieta, o corpo encolhido como uma criança que perdeu o caminho de casa. "Teimosa." Pei Shaoze balançou a cabeça, olhando para ela de cima. Viu os vestígios de lágrimas ainda frescos no canto dos olhos dela e franziu a testa, incapaz de evitar. Inclinou-se para ajustar o cobertor, mas sentiu que Su Banxia tremia levemente. Ela parecia estar tendo um sonho ruim, com a testa franzida e as mãos instintivamente envolvendo os ombros. Sem perceber, Pei Shaoze suspirou. Então estendeu o braço e a puxou para perto, deitando-se na cama com ela, ainda vestido. Entre o sono e a vigília, Su Banxia sentiu uma temperatura reconfortante ao lado. Seu coração inquieto de repente se acalmou, e ela instintivamente se aninhou mais no peito de Pei Shaoze. Pei Shaoze deu um leve resmungo e a apertou mais: "Durma." Na manhã seguinte, Pei Shaoze não acordou Su Banxia e desceu sozinho. Su Hao já estava sentado no sofá, olhando para Pei Shaoze com uma postura que parecia pronta para conversar com ele. Pei Shaoze sentou-se ao lado dele e virou a cabeça para olhar aquele garoto quase adolescente. Fitando os olhos tão parecidos com os seus, Pei Shaoze deixou o olhar vagar por um momento antes de assentir: "Se tem algo a dizer, fale." "Você gosta da mamãe? Vai cuidar bem dela?" "Minha pessoa, naturalmente cuidarei bem." Pei Shaoze assentiu e disse calmamente. "Mesmo?" Su Hao parecia um pouco incerto. Pei Shaoze deu duas palmadas firmes no ombro de Su Hao. Su Hao virou-se para olhá-lo e viu sua expressão séria: "Homem que é homem, palavra dada é palavra cumprida." Su Hao o observou calmamente. Quando ele estava quase na porta, prestes a fechá-la, não conseguiu evitar e gritou: "Então não deixe os bandidos maltratarem ela de novo." Pei Shaoze parou, virou-se e olhou para ele, com um leve sorriso no canto da boca: "Essa frase foi bem dita." "Ah, e diga à secretária Su que hoje ela pode descansar mais em casa, não precisa se apressar para ir à empresa." Su Hao ficou parado por um momento, depois assentiu em silêncio. Quando Su Banxia se levantou de manhã para levar as crianças à escola, Su Hao transmitiu a mensagem. Depois de ouvir, ela virou a cabeça confusa e deu um tapinha leve na cabeça do filho: "Por que você acordou tão cedo? Não está com sono?" "Você foi maltratada ontem, fiquei preocupado..." Su Hao disse, e depois de um longo silêncio, finalmente soltou aquelas palavras. Embora fosse precoce, ainda era uma criança. Ontem ele ficou realmente assustado. Su Guoguo também ficou apavorada, mas felizmente ela era de coração grande. Depois de ser resgatada, Pei Shaoze a acalmou um pouco, e quando acordou, já tinha esquecido quase tudo do dia anterior. Mas, ao ouvir Su Hao mencionar o assunto de repente, ela abriu seus grandes olhos brilhantes e olhou para Su Banxia com cautela: "Mamãe, por que aqueles bandidos sempre te incomodam? Vamos chamar a polícia para prendê-los, está bem? Estou com medo..." No final, a voz de Su Guoguo ficou pequena e trêmula. O coração de Su Banxia amoleceu pela metade. Ela suspirou e, pelo retrovisor, viu o rosto preocupado da filha. Forçou um sorriso: "Fique tranquila, não vamos mais voltar para lá, e assim não encontraremos aqueles bandidos." "Eles não ficam só naquela casa." Su Hao disse, insatisfeito. "...Eles provavelmente nem casa terão em breve. Não se preocupem, a mamãe vai proteger vocês." Su Banxia disse, com o olhar se apagando. Ela deixou as duas crianças em segurança na escola e ainda pediu especialmente aos professores que cuidassem de Su Guoguo. Depois, voltou imediatamente para a empresa, sem se atrasar. Ao ir para o escritório, descobriu que Pei Shaoze já tinha ido para uma reunião. Ela se sentou em sua mesa e organizou os documentos que precisaria usar no dia. Planejava, quando ele voltasse, mencionar o assunto da família Su. Depois do que aconteceu ontem, Su Banxia percebeu que sua gratidão por Su Jin já estava quase toda gasta. Mas isso não significava que ela pudesse, sem expressão, dar uma facada nas costas. Ela ainda diria algumas palavras em defesa da família Su, mas só isso. Sua dignidade e consciência só permitiam que ela fosse até esse ponto. Quando Pei Shaoze voltou da reunião para o escritório, viu que Su Banxia já estava esperando. Ele franziu levemente a testa: "Não te mandei descansar em casa hoje?" "Shaoze... tem algumas coisas que quero te perguntar." Su Banxia olhou seriamente para Pei Shaoze e respirou fundo. "Fale." Pei Shaoze assentiu. "Você... o que pretende fazer com a família Su, afinal?" Família Su. Su Sinian finalmente tinha um momento de descanso. Su Jin tinha fingido estar doente, mas depois do ocorrido ontem, ficou realmente doente. Só que se recusava a ir ao hospital, e Su Sinian só podia ajudar o médico da família a cuidar dele. Mal teve tempo de descansar um pouco, quando um telefone tocou. Ela atendeu, trocou algumas palavras educadas e então não conseguiu evitar de gritar: "O que o senhor quer dizer com isso? Não combinamos antes? Como pode parar a cooperação de repente agora? Isso não é traição?!" Su Sinian segurava o telefone incrédula, ouvindo a voz monótona de Pei Jiaxin do outro lado, e suas mãos tremiam. Pei Jiaxin, ao ouvir isso, apenas esboçou um leve sorriso, balançou a cabeça e deu uma risadinha, como se estivesse rindo da ingenuidade dela: "Cooperação precisa ser benéfica para ambos. A família Pei faz negócios, não é instituição de caridade."