Capítulo 408: Capítulo 408 Eu Também Vou

No caminho de volta, Su Banxia comprou um monte de suplementos alimentares na farmácia. Ela não precisava comprá-los tão cedo, mas ao ouvir aquela frase vaga de Su Sinian, 'o tempo já está se esgotando', seu coração deu um pulo repentino. A impressão que Su Banxia tinha da família era vaga, e da mãe era apenas uma memória aproximada. Depois de tantos anos, as únicas pessoas que considerava família, além das duas crianças, eram provavelmente apenas Su Jin. Só que... ela achava que Su Jin também a via como verdadeira família, mas depois do que passou, percebeu que ele, na verdade, só a tratava como uma estranha. Mesmo assim, o que ela devia fazer, ainda faria... Essa confusão ficou rondando sua mente, fazendo com que seus movimentos ficassem mais lentos. Ao chegar em casa, ela largou os suplementos perto do sofá e ficou sentada, olhando para o nada. As duas crianças já tinham sido trazidas de volta, mas Pei Shaoze não estava em lugar nenhum. Ela nem pensou em perguntar, apenas ficou ali, imóvel. "Mamãe, o que você tem? O que é isso?" Su Guoguo estava lendo mangá na sala, e quando viu Su Banxia voltar, sentou-se ao lado dela, curiosa, espiando por cima do braço do sofá. Como Su Banxia não respondeu, ela apontou para os suplementos coloridos: "É gostoso?" "Isso é para visitar doentes." Su Banxia balançou a cabeça, acariciou suavemente a cabeça dela e falou baixinho. "Onde tem doente?" Su Guoguo revirou os olhos, ainda mais curiosa: "Você vai sair?" Su Banxia assentiu. Embora Su Sinian tivesse dito no final que esperava que ela levasse as crianças para ver Su Jin, e Su Banxia entendesse que, quando se envelhece, se quer ver os netos, ela ainda sentia um certo bloqueio. Su Jin não gostava das duas crianças, e ela achava que ele também não queria muito lidar com ela agora. Por isso, não planejava levar as crianças, para evitar problemas. Então não explicou, apenas balançou a cabeça: "O doente não está aqui, está... em outro lugar." "Na casa dos Su?" Dessa vez, Su Guoguo foi quem perguntou primeiro. Su Banxia franziu a testa para ela, com o rosto cheio de surpresa. "Mamãe fez essa cara da última vez que encontrou aqueles bandidos!" Su Guoguo apontou para o rosto de Su Banxia, imitando a expressão séria de Su Hao: "Eu também vou!" "Não." Su Banxia balançou a cabeça, instintivamente levantou a mão para tocar o próprio rosto, e quando os dedos tocaram a pele, percebeu que estava dura como pedra. Imaginou que sua expressão não devia estar boa, suspirou levemente e relaxou os músculos. Virando-se para Su Guoguo, que fazia bico de insatisfação, Su Banxia a pegou no colo e a colocou sobre os joelhos, falando baixinho: "Aquele lugar não é muito seguro, é melhor você não ir. Quando a mamãe tiver tempo, leva você para brincar em outro lugar, ok?" "Eu quero ir! Lá tem bandidos, quero proteger a mamãe. Hoje a professora disse que a família deve se proteger." Su Guoguo não desistia, puxando a mão de Su Banxia, com ares de quem faria birra se ela não concordasse. Su Banxia franziu a testa, pronta para dar uma bronca, mas Su Hao, que estava sentado em silêncio ao lado, também se levantou e foi até ela, segurando sua mão: "Deixa a gente ir junto." "Hao Hao, você também..." Su Banxia olhou para Su Hao, confusa. Aquele menino sempre foi maduro para a idade, normalmente era difícil fazê-lo sair para brincar, por que agora também queria se meter? "Você não disse que ficar sempre em casa faz a pessoa se desconectar da sociedade." Su Hao bufou, devolvendo a mesma frase que Su Banxia usara quando o mandou soltar pipa. Su Banxia engasgou, mas perdeu a vantagem. As duas crianças pareciam ter virado uma só boca, não importava o que ela dissesse, insistiam em ir junto. Su Banxia não conseguiu resistir e acabou concordando. Depois de concordar, ela pegou as duas crianças no colo com seriedade, acariciou suas cabeças e as instruiu: "Vocês podem ir, mas naquela casa... não é muito amigável. Se acontecer alguma coisa, aguentem um pouco, e depois contem em casa." Su Guoguo assentiu, confusa, e Su Banxia apertou seu nariz: "Mas fiquem tranquilos, a mamãe não vai deixar vocês passarem por grandes injustiças." "O que você está temendo? Eles são muito maus com você?" Su Hao, ao ouvir isso, olhou para Su Banxia e perguntou sério. Su Banxia balançou a cabeça, com um sorriso amargo nos lábios. Agora ela mesma não sabia se Su Jin era bom ou não com ela... "Eu ajudo a mamãe a guardar as coisas!" Su Guoguo, sem tantas preocupações, levantou a mão e se ofereceu para levar os suplementos que Su Banxia comprara para o quarto dela. Parecia que ela tinha medo de que Su Banxia mudasse de ideia e não a levasse. Su Banxia, sem opção, deixou que fizesse. No sábado, Su Banxia acordou cedo, se arrumou e, ao sair, viu Su Guoguo e Su Hao já esperando na sala de jantar. Na mesa, havia um par de talheres vazios. Su Hao, vendo seu olhar confuso, apontou para eles: "O tio Pei disse que tinha algo para fazer e foi embora de manhã." "Ah..." Su Banxia assentiu. Pei Shaoze estava ocupado ultimamente com algumas parcerias com o Grupo Lu, sempre aparecendo e desaparecendo, e mesmo na empresa, era raro encontrá-lo. Já Pei Jiaxin, ia todos os dias pontualmente para a empresa, mas não fazia nada, só ficava vagando por lá. Su Banxia o encontrava várias vezes ao dia, sem saber o que ele estava fazendo, parecia um turista, tirando fotos com o celular de vez em quando. Com a mente cheia de pensamentos confusos, Su Banxia, meio atordoada, finalmente levou as duas crianças de volta à casa dos Su. Diante da mansão familiar, Su Banxia sentiu uma sensação indescritível no peito. Ficou em silêncio por um longo tempo, suspirou, e finalmente estendeu a mão para tocar a campainha. Assim que tocou, uma empregada os levou para dentro. A Sra. Su e Su Sinian estavam sentadas na sala. Quando Su Banxia se aproximou com as crianças, a Sra. Su a olhou com frieza e zombou: "Sua ingrata, ainda sabe voltar, hein? Mas esta casa é pequena demais para uma figura tão importante." "Onde está o patriarca?" Su Banxia não quis discutir com ela, e virou-se para perguntar a Su Sinian. "Lá em cima, vá vê-lo." Su Sinian olhou para o quarto no segundo andar. Su Banxia assentiu para ela e entrou com as crianças. Ao abrir a porta do quarto, ela também ficou paralisada. O quarto tinha sido reformado: a cama original foi retirada e substituída por uma cama hospitalar ajustável. Su Jin estava com soro no braço, e duas enfermeiras ao lado escreviam em um bloco. Quando viram Su Banxia, acenaram com a cabeça e saíram. Su Jin parecia muito mais velho, os dedos secos como galhos. Quando viu Su Banxia, seus olhos brilharam e ele fez sinal para que ela se aproximasse. Su Banxia mordeu o lábio em silêncio e entrou. Mas, antes que pudesse falar, Su Jin se virou de lado na cama, como se fosse se ajoelhar para ela! "Patriarca, o que está fazendo!" Su Banxia se assustou e rapidamente estendeu a mão para segurá-lo. Su Jin, com as mãos trêmulas, suspirou. Seus olhos fundos e turvos se moveram, revelando toda a velhice. Su Banxia sentiu uma pontada no coração e suavizou seus movimentos. Su Jin estendeu a mão e deu leves tapinhas nas costas da mão dela, limpou a garganta e suspirou novamente: "Você finalmente veio me ver..."