"Como entrar?" perguntou Shi Dayong em voz baixa. "Vamos entrar de noite," observou Liu Tiezhu, analisando o terreno. "Tem uma árvore grande no quintal dos fundos, dá para subir até a janela do segundo andar." Esperaram até a madrugada e os dois se esgueiraram até o quintal dos fundos do hospital. Como Liu Tiezhu dissera, havia uma árvore grande encostada no prédio. "Vou subir," disse Liu Tiezhu, escalando a árvore com agilidade e forçando a janela do segundo andar. O quarto do hospital estava vazio, parecia abandonado há muito tempo. Os dois desceram em silêncio, procurando a entrada do porão. No fim do corredor do primeiro andar, encontraram uma porta de ferro trancada. Shi Dayong arrombou a fechadura, revelando uma escada que descia. O porão era frio e úmido, cheirando a desinfetante. Nos corredores, havia celas como prisões, algumas ainda trancadas. "Xiao Mei!" chamou Shi Dayong em voz baixa. Do quarto mais ao fundo, veio uma resposta fraca: "Irmão." Shi Dayong correu emocionado e arrombou a porta. Dentro estava uma garota magra, sua irmã. "Irmão!" A garota se jogou nos braços dele, chorando. "Está tudo bem, vim te salvar," disse Shi Dayong, abraçando-a firme. Liu Tiezhu inspecionou os outros quartos e encontrou mais crianças presas, todas muito fracas. "Vamos rápido!" apressou ele. "A ronda está chegando!" Quando iam sair, Shi Dayong parou de repente: "Espera, tem mais um quarto ali!" No fim do corredor, havia outra porta de ferro, mais grossa que as outras. Liu Tiezhu demorou para arrombá-la. Não era uma cela, mas um laboratório. Vários instrumentos e tubos de ensaio, e nas paredes, diagramas de dissecação humana. "Porra!" xingou Shi Dayong. "Esses animais." Liu Tiezhu revistou rapidamente e encontrou um caderno de experimentos numa gaveta trancada. Ao abri-lo, viu dados detalhados de experimentos com seres vivos, chocantes! "Leva isso!" guardou no peito. "São provas do crime!" De repente, ouviram passos e gritos em japonês lá fora. A patrulha os descobrira. "Vamos!" empurrou Liu Tiezhu os outros para fora. Na saída da escada, deram de cara com um pelotão de soldados japoneses. Tiros ecoaram! Liu Tiezhu derrubou dois japoneses, mas mais inimigos chegavam. Estavam encurralados no porão. "Voltem para o laboratório!" gritou Shi Dayong. "Lá tem duto de ventilação." Recuaram para o laboratório e trancaram a porta de ferro. Os japoneses batiam na porta lá fora, tiros incessantes. "Aqui!" Shi Dayong abriu a tampa do duto de ventilação. "Dá para sair lá fora!" As crianças entraram primeiro, seguidas pela irmã de Shi Dayong e outro companheiro. Liu Tiezhu e Shi Dayong ficaram para trás. Quando iam entrar no duto, a porta de ferro explodiu e os japoneses invadiram. "Vai!" Shi Dayong empurrou Liu Tiezhu com força e se virou para enfrentar o inimigo. "Dayong!" Liu Tiezhu tentou puxá-lo. "Vai logo!" Shi Dayong atirou. "Cuida da minha irmã." O fogo inimigo era intenso. Shi Dayong, atingido por várias balas, lutava sem recuar. Liu Tiezhu rangeu os dentes e entrou no duto, ouvindo os tiros e explosões furiosas atrás. O duto era estreito e escuro. Rastejaram por um tempo indeterminado até ver a saída: um beco atrás do hospital. As crianças e o companheiro já esperavam lá. A irmã de Shi Dayong perguntou chorando: "E meu irmão?" Liu Tiezhu balançou a cabeça, pesaroso: "Ele... nos cobriu..." A garota desabou em lágrimas. Liu Tiezhu conteve a dor: "Vamos rápido, os japoneses vão nos seguir." Mal tinham saído do beco, uma explosão veio do hospital. Shi Dayong detonara a última granada. De volta ao esconderijo, Lin Hong viu que faltava um e entendeu na hora. "Dayong..." "Morreu," disse Liu Tiezhu, com a voz rouca. "Salvou a irmã dele e as outras crianças." Lin Hong, de olhos vermelhos, disse: "Ele foi um herói." Os registros dos experimentos eram chocantes. Detalhavam experimentos vivos dos japoneses, incluindo testes com bactérias e gás venenoso, desumanos. "Tem que ser divulgado!" disse Lin Hong, furiosa. "O filme é mais importante," disse Liu Tiezhu, pegando o microfilme. "É o projeto da bomba de gás, precisa ser enviado logo." Enquanto discutiam, o sentinela lá fora deu o alarme: um grande grupo de japoneses vasculhava a montanha, a menos de cinco li do esconderijo. "Tão rápido!" espantou-se Lin Hong. "Tem um informante?" desconfiou Liu Tiezhu. Todos se transferiram imediatamente. Mas com as crianças, o progresso era lento. Vendo os japoneses se aproximarem, Liu Tiezhu tomou uma decisão. "Vou levar o filme para desviá-los. Vocês levam as crianças por outro caminho." "É perigoso demais!" opôs-se Lin Hong. "Não há tempo para discutir!" Liu Tiezhu pegou uma criança fraca no colo. "Lembrem-se, o filme é o mais importante, tem que ser enviado." Ele correu na direção oposta com o filme e alguns companheiros, fazendo muito barulho de propósito. Os japoneses caíram na isca e foram atrás dele, gritando. Lin Hong, de lágrimas nos olhos, levou as crianças e os documentos para o fundo da montanha em silêncio. Do lado de Liu Tiezhu, os perseguidores se aproximavam. Eles lutavam enquanto recuavam, até chegar a um penhasco. Não havia mais saída. "Vamos lutar até o fim!" rangeu os dentes um companheiro. Liu Tiezhu olhou para o filme na mão e teve uma ideia. "Vocês continuem correndo, atraiam os inimigos," ordenou. "Eu me escondo e espero uma chance de escapar." Os companheiros seguiram o plano e correram para a esquerda. Os japoneses foram atrás. Liu Tiezhu se escondeu numa fenda do penhasco, a salvo por enquanto. Mas então ouviu uma voz familiar: Sun Heihu. Aquele traidor também viera com seus homens. "Revistem bem!" gritava Sun Heihu. "Liu Tiezhu deve estar escondido por aqui." Liu Tiezhu prendeu a respiração e apertou o punhal. A fenda era bem escondida, mas se revistassem com cuidado, seria difícil não ser descoberto. No auge da tensão, tiros intensos ecoaram ao longe. Parecia que Lin Hong e os outros haviam encontrado outro grupo de japoneses. Os homens de Sun Heihu se distraíram com os tiros e viraram a cabeça. Liu Tiezhu aproveitou para sair da fenda e se esgueirar na direção dos tiros. Subindo num ponto alto, viu Lin Hong e as crianças cercados numa depressão, com os japoneses fechando o cerco. Situação crítica! Liu Tiezhu estava desesperado, mas sozinho não podia quebrar o cerco. Enquanto se angustiava, notou uma posição de morteiro japonesa não muito longe, com os guardas focados na depressão. Era a chance! Liu Tiezhu se aproximou sorrateiramente, eliminou o sentinela e assumiu o controle do morteiro. Ajustou o ângulo, não para a depressão, mas para a retaguarda japonesa. "Boom!" O projétil caiu na posição de comando japonesa. Os japoneses entraram em pânico! Lin Hong aproveitou para liderar a fuga! Liu Tiezhu disparou mais alguns tiros, desorientando os japoneses. Mas os tiros também revelaram sua posição. Sun Heihu veio com seus homens. "Liu Tiezhu! Não vai escapar!" Sun Heihu se aproximou com um sorriso maligno. Liu Tiezhu disparou o último projétil e sacou o punhal: "Traidor, vem!" Sun Heihu acenou, e uma dúzia de bandidos o cercou. Liu Tiezhu, sem medo, brandiu o punhal e derrubou três. Mas em desvantagem, logo levou vários ferimentos. Quando estava prestes a ser capturado, um tiro soou. Sun Heihu caiu no chão. Lin Hong voltara com seus homens.