Capítulo 644: Capítulo 644: Resgatando Xiaoyu

Liu Tiezhu aproveitou a oportunidade e levou seus homens a escalar o convés pela popa do barco.

"Tem gente atrás!" Um bandido os viu e, antes que pudesse gritar, Liu Tiezhu o silenciou com um golpe de faca na garganta.

Os cinco rapidamente controlaram a popa e avançaram em direção ao camarote.

Os bandidos, atacados por ambos os lados, logo foram dominados.

"Xiaoyu!" Liu Tiezhu chutou a porta do camarote, mas lá dentro estava vazio.

"Caimos numa armadilha!" exclamou Shi Dayong. "Isto é isca!"

De fato, no camarote só havia alguns aldeões amarrados, nenhum sinal de Xiaoyu.

"Engodo para nos afastar!" Liu Tiezhu sentiu um frio na espinha. "Xiaoyu foi por terra!"

Enquanto falava, uma lancha apareceu rio acima.

O barco, sem bandeira, descia silenciosamente a correnteza, prestes a escapar do cerco.

"Parem-no!" gritou o Capitão Zhao da margem.

Liu Tiezhu, sem hesitar, saltou para a lancha recém-capturada com seus homens, levantou âncora e partiu em perseguição.

Os dois barcos se enfrentavam no estreito rio.

O barco da frente virou de repente e abriu fogo com uma metralhadora.

As balas atingiam o casco, fazendo lascas de madeira voarem.

"Abaixem-se!" Liu Tiezhu se curvou atrás do leme e virou bruscamente.

Os barcos passaram raspando um no outro, e Shi Dayong aproveitou para lançar um gancho, prendendo-se à borda do inimigo.

"Abordagem!" Liu Tiezhu pegou um facão e saltou primeiro.

Uma violenta luta corpo a corpo explodiu no convés. Liu Tiezhu derrubou dois bandidos seguidos e correu para o camarote.

A porta estava trancada; ele a chutou.

Dentro, Xiaoyu estava amarrada a uma cadeira, com fita adesiva na boca e o dedo mindinho direito enfaixado, sangrando.

Um homem de meia-idade, de terno, apontava uma arma para a cabeça dela.

"Não se mexa!" gritou o homem. "Dê mais um passo e eu mato ela!"

Liu Tiezhu ficou paralisado, encarando o homem: "Jin Shichang?"

"Exato." Jin Shichang riu com desprezo. "Sua fama é grande, Liu Tiezhu."

"Solte ela." Liu Tiezhu rangeu os dentes. "Eu me entrego a você."

"Tarde demais." Jin Shichang balançou a cabeça. "Essa garota é valiosa demais. O Major a pediu pessoalmente."

Xiaoyu, com lágrimas no rosto, balançava a cabeça desesperadamente, sinalizando para Liu Tiezhu ir embora.

"O que você quer?" Liu Tiezhu tentava ganhar tempo. "Dinheiro? Posso te dar."

"Dinheiro?" Jin Shichang riu com escárnio. "Quero meu futuro! Oferecendo ela ao Major, posso virar governador!"

Os sons da luta lá fora diminuíam. Shi Dayong e seus homens haviam eliminado os bandidos no convés e se aproximavam silenciosamente da porta.

Jin Shichang percebeu o movimento e apertou o gatilho: "Mande eles recuarem, senão..."

Liu Tiezhu ergueu a mão para Shi Dayong parar: "Tudo bem, farei o que você disser."

"Largue as armas." ordenou Jin Shichang. "Chute-as devagar para cá."

Liu Tiezhu obedeceu, chutando o facão e a pistola para perto de Jin Shichang.

"Muito bem." Jin Shichang assentiu satisfeito. "Agora, pule no rio."

Liu Tiezhu hesitou: "O quê?"

"Pule!" gritou Jin Shichang. "Senão estouro a cabeça dela!"

Xiaoyu se debatia, gemendo. Liu Tiezhu olhou para o dedo cortado dela, com o coração partido.

"Eu pulo." Ele recuou lentamente. "Solte ela."

"Não tente nada!" Jin Shichang sorriu com maldade. "Vou contar até três!"

Liu Tiezhu recuou até a porta e de repente gritou: "Shi Dayong!"

Jin Shichang instintivamente virou a cabeça para a porta!

Naquele instante, Xiaoyu bateu com a cabeça no pulso dele!

"Bang!" O tiro disparou acidentalmente, acertando o teto!

Liu Tiezhu aproveitou para se lançar, acertando o rosto de Jin Shichang com um soco.

Jin Shichang cambaleou para trás, ergueu a arma para atirar de novo, mas Liu Tiezhu torceu seu pulso.

Os dois lutaram, derrubando mesas e cadeiras.

Shi Dayong entrou correndo para ajudar, mas Jin Shichang o chutou para longe.

"Vá para o inferno!" Jin Shichang, com uma expressão feroz, puxou o gatilho!

No momento crítico, Xiaoyu se soltou das cordas e se jogou para desviar Liu Tiezhu.

A bala raspou seu ombro, deixando um rastro de sangue.

"Xiaoyu!" rugiu Liu Tiezhu, acertando o queixo de Jin Shichang com uma cotovelada.

Jin Shichang caiu gemendo, e a arma escapou de sua mão. Liu Tiezhu a pegou e apontou para sua testa: "Diga! Onde fica o laboratório?"

Jin Shichang, com a boca cheia de sangue, sorriu sem responder.

Shi Dayong o revistou e encontrou um passe.

"Capital da província... Quartel-General do Exército Japonês..." ele leu em voz alta.

"Então é lá." Liu Tiezhu disse friamente. "Que experimentos vocês fizeram com Xiaoyu?"

Jin Shichang cuspiu sangue: "Ela... ela é um corpo de teste perfeito... o sangue dela pode..."

Antes que terminasse, o barco tremeu violentamente!

Gritos vieram de fora: "Há artilharia na margem!"

Um projétil caiu ao lado do barco, levantando uma enorme coluna d'água.

Depois veio o segundo, o terceiro...

Na margem, um pelotão japonês havia aparecido e bombardeava os barcos com morteiros.

"Recuem!" gritou Shi Dayong. "O barco vai afundar!"

Liu Tiezhu pegou Xiaoyu no colo, mas Jin Shichang se jogou sobre ele, agarrando sua perna: "Não vai escapar!"

"Sai!" Liu Tiezhu o chutou para longe e ia atirar, mas o barco foi atingido de novo, inclinando-se violentamente.

Jin Shichang foi jogado num canto e desmaiou.

Liu Tiezhu o ignorou, carregou Xiaoyu para fora do camarote.

O convés estava em ruínas.

A popa afundava rapidamente.

Shi Dayong e alguns soldados estavam baixando um bote salva-vidas.

"Entrem rápido!" Liu Tiezhu protegeu Xiaoyu e pulou no bote.

Mal tinham remado um pouco, e a lancha explodiu e afundou.

Os japoneses na margem pararam de bombardear e começaram a perseguir ao longo do rio.

"Remem mais rápido!" instigou Shi Dayong. "Há uma bifurcação adiante, vamos despistá-los!"

O bote desceu a correnteza e entrou num afluente.

Os japoneses chegaram à bifurcação, perderam o alvo, dispararam alguns tiros ao acaso e recuaram.

Confirmando que estavam seguros, Liu Tiezhu examinou os ferimentos de Xiaoyu.

O arranhão de bala não era grave, mas o dedo cortado já estava infeccionado, inchado e com pus.

"Dói?" ele perguntou, com o coração apertado.

Xiaoyu balançou a cabeça, mas as lágrimas não paravam: "Tio Liu... desculpa..."

"Bobinha." Liu Tiezhu a abraçou forte. "Fui eu que não te protegi direito."

O bote chegou a um banco de areia, onde o Capitão Zhao os esperava.

Todos desembarcaram e rapidamente se afastaram da margem.

"E o Jin Shichang?" perguntou Lin Hong.

"Afundou no rio." disse Liu Tiezhu friamente. "Mas o Quartel-General japonês ainda está lá, e o laboratório também."

O acampamento temporário foi montado na mata densa.

O médico fez um novo curativo nos ferimentos de Xiaoyu e aplicou uma injeção anti-inflamatória.

A perna ferida de Liu Tiezhu também foi tratada.

À noite, o Capitão Zhao convocou uma reunião dos líderes.

"A situação mudou." ele disse, com expressão grave. "Interceptamos um telegrama japonês: eles vão transferir um lote de 'materiais especiais' para o Nordeste em três dias."

"Corpos de teste?" perguntou Lin Hong.

"Sim." o Capitão Zhao assentiu. "Incluindo pessoas com tipo sanguíneo especial, como Xiaoyu."

Liu Tiezhu cerrou os punhos: "Temos que impedir."

"Difícil." o Capitão Zhao balançou a cabeça. "A capital da província está fortemente vigiada, não temos gente suficiente."

"Vou sozinho."

"Não!" Lin Hong se opôs. "Isso é uma toca do leão!"

"Justamente por ser perigoso, não posso envolver os outros." insistiu Liu Tiezhu. "Sozinho, sou um alvo menor, mais fácil de agir."

Após longa discussão, chegaram a um acordo: Liu Tiezhu se infiltraria na capital para resgatar Xiaoyu, e Lin Hong lideraria um grupo de apoio do lado de fora, sem entrar na cidade.

No dia seguinte, cada um se preparou.

Liu Tiezhu estudou a disposição do Quartel-General japonês no passe capturado, enquanto Lin Hong conseguiu um mapa da capital.

Xiaoyu se recuperou um pouco, mas continuava calada.

À noite, ela procurou Liu Tiezhu em segredo.

"Tio Liu... não vá..." ela implorou baixinho. "É muito perigoso..."

"Preciso ir." Liu Tiezhu se agachou para ficar na altura dela. "Não posso deixar crianças como você sofrerem mais."

"Mas..."

"Fique tranquila." Ele forçou um sorriso. "Prometi ao seu pai que te protegeria."

Xiaoyu se jogou nos braços dele, soluçando baixinho.

Liu Tiezhu acariciou suas costas, já decidido em seu coração.

No amanhecer do terceiro dia, o grupo os escoltou até os arredores da capital.

Liu Tiezhu vestiu as roupas de Jin Shichang e levou documentos falsificados.

"Daqui a três dias, aconteça o que acontecer, nos encontramos no lugar de sempre." disse o Capitão Zhao. "Se cuide."

Lin Hong entregou a Liu Tiezhu um pequeno pacote: "Para emergências."

Dentro, havia algumas granadas e uma adaga. Liu Tiezhu guardou tudo e olhou para Xiaoyu pela última vez: "Seja boazinha. Espere por mim."

Xiaoyu, com os olhos vermelhos, assentiu: "Vou esperar..."

Liu Tiezhu se virou e caminhou em direção à capital, com uma postura resoluta.

Sabia que aquela missão era quase suicida, mas por Xiaoyu e por aqueles que haviam morrido, precisava tentar.

As muralhas da capital eram altas e a segurança, rigorosa.

Liu Tiezhu se misturou à multidão que entrava na cidade e passou pela inspeção sem problemas.

As ruas da cidade eram largas, e patrulhas japonesas eram vistas por toda parte.

Seguindo o mapa, ele se dirigiu ao Quartel-General japonês no centro.

O quartel-general era um prédio de estilo ocidental, com muros cercados por cerca elétrica e dois sentinelas na entrada.

Liu Tiezhu contornou para a rua dos fundos para observar o terreno.

Enquanto planejava como se infiltrar, ouviu passos atrás de si!

Virou-se alerta e viu um homem de túnica comprida olhando fixamente para ele.