Os guardas foram bloqueados pela fumaça, e Liu Tiezhu aproveitou para quebrar a janela e pular para fora.
Atrás dele, tiros ecoaram, balas passando raspando em sua cabeça.
Ele rolou ao cair e rapidamente se escondeu atrás de uma árvore.
A propriedade inteira já estava com alarmes disparados, e guardas surgiam de todos os lados.
— Liu Tiezhu! — uma voz familiar veio da direção da casa principal.
Era o Dr. Xing! Ele estava sendo escoltado por dois homens fortes, o rosto coberto de sangue.
Nos degraus da casa principal, estava um homem baixo e gordo vestindo quimono, era o próprio Fujita.
— Peguem-no! — ordenou Fujita em um chinês duro. — Quero vivo.
Liu Tiezhu pesou os prós e contras, rangeu os dentes e saiu:
— Solte-o!
Fujita sorriu sombriamente:
— Trocar por você mesmo? Pode ser.
Os guardas se lançaram sobre ele e o derrubaram no chão.
Fujita se aproximou, olhando para ele de cima:
— Finalmente nos encontramos, Sr. Liu.
— O que você quer? — perguntou Liu Tiezhu, frio.
— Cooperar. — Fujita sorriu. — Você me ajuda a encontrar aquela garota, e eu poupo sua vida.
— Sonhe!
Fujita não se ofendeu, virou-se para o Dr. Xing:
— Dr. Xing, sua pesquisa é muito valiosa. Mas por que me traiu?
O Dr. Xing cuspiu:
— Nunca fui seu homem!
— Pena. — Fujita balançou a cabeça. — Levem-no, tratem bem.
Enquanto era arrastado, o Dr. Xing piscou para Liu Tiezhu.
Liu Tiezhu entendeu e gravou mentalmente a direção para onde ele estava sendo levado.
Liu Tiezhu foi levado a um porão e amarrado a uma cadeira de ferro.
Fujita o interrogou pessoalmente:
— Onde está a garota?
— Não sei.
Fujita de repente puxou uma faca curta e a pressionou contra o pescoço de Liu Tiezhu.
— O sangue dela é especial, pode neutralizar a toxicidade do minério. Preciso dela para completar o experimento final.
— Você nunca a encontrará.
— Vou encontrar. — Fujita riu friamente. — Seus companheiros vão falar.
Nesse momento, um subordinado entrou apressadamente e sussurrou algo no ouvido de Fujita.
O rosto de Fujita mudou drasticamente:
— O quê? A amostra falhou?
Ele olhou ferozmente para Liu Tiezhu:
— O que você fez?
Liu Tiezhu riu friamente:
— Olho por olho, dente por dente.
Fujita enfureceu-se e cortou o peito de Liu Tiezhu com a faca:
— Quer morrer!
O sangue jorrou, mas Liu Tiezhu nem franziu a testa:
— Me mate, e você nunca encontrará Xiaoyu.
Fujita conteve a raiva, guardou a faca:
— Levem-no ao laboratório. Vou examinar pessoalmente.
Liu Tiezhu foi levado ao laboratório.
Os técnicos examinavam ansiosamente o minério, cujo brilho verde havia desaparecido completamente, transformando-se em uma pedra comum.
— Impossível! — rugiu Fujita. — Anos de trabalho!
Ele se virou para Liu Tiezhu:
— O que você fez?
Liu Tiezhu não respondeu.
Fujita de repente teve um pensamento:
— É o sangue da garota. Ela está aqui?
— Adivinhe. — Liu Tiezhu riu friamente.
Fujita, furioso, ordenou:
— Revistem! Virem esta casa de cabeça para baixo!
A maioria dos guardas foi enviada para a busca.
Liu Tiezhu foi amarrado em um canto do laboratório, com apenas dois guardas vigiando.
Ele mexeu os pulsos secretamente; as cordas já estavam um pouco frouxas.
De repente, um leve barulho veio da janela.
Um guarda foi verificar, mas assim que abriu a janela, foi nocauteado com um golpe.
O outro guarda ia gritar, mas Liu Tiezhu já havia se soltado das cordas e saltou, acertando um soco em sua têmpora.
Alguém pulou pela janela — era o Caolho!
Ele ainda não estava curado dos ferimentos, mas insistiu em vir resgatar.
— Dr. Xing... está na masmorra... — ele ofegou. — Xiaoyu... está na carruagem lá fora...
Liu Tiezhu rapidamente pegou alguns frascos de remédios no laboratório e correu com o Caolho para a masmorra.
No caminho, encontraram alguns guardas e os derrubaram.
Na masmorra, o Dr. Xing estava amarrado a um cavalete de tortura, quase sem vida.
Liu Tiezhu cortou as cordas e o segurou:
— Aguente firme!
— O... antídoto... funcionou? — perguntou o Dr. Xing, fraco.
— Sim. — Liu Tiezhu assentiu. — O minério está inutilizado.
— Bom... — O Dr. Xing sorriu. — Mas... Fujita... tem mais de um minério...
Nesse momento, passos confusos vieram de fora da masmorra.
Fujita chegou com um grande grupo.
— Bloqueiem a porta! — gritou Liu Tiezhu.
O Caolho derrubou o cavalete para segurar a porta de ferro.
Mas não duraria muito; os homens de Fujita já começavam a arrombar a porta.
— Tem... uma saída dos fundos... — o Dr. Xing apontou para um canto. — Leva... ao esgoto...
Os três rapidamente entraram no esgoto estreito.
Atrás deles, o som de arrombamento ficava mais alto, até que a porta caiu com um estrondo.
— Persigam! — a voz de Fujita ecoou na escuridão. — Não deixem ninguém escapar.
O esgoto fedia horrivelmente, ratos fugindo para todos os lados.
O Caolho ia na frente, explorando o caminho. Não se sabe quanto tempo rastejaram, até que finalmente viram uma saída.
Ao sair do esgoto, estavam em um riacho fora da cidade.
Ao longe, o Coxo esperava com a carruagem há muito tempo. Xiaoyu saltou do veículo e, chorando, se jogou nos braços de Liu Tiezhu.
— Vamos rápido! — Liu Tiezhu ajudou o Dr. Xing a subir na carruagem. — Fujita não vai desistir.
A carruagem corria por estradas rurais.
Atrás, o contorno da cidade de Suzhou foi se distanciando. Mas Liu Tiezhu sabia que essa luta estava longe de acabar.
Fujita ainda tinha minérios, e o segredo de Xiaoyu era muito mais do que eles sabiam.
A carruagem balançava pela estrada de terra.
O Dr. Xing estava deitado no compartimento, pálido, com a respiração fraca.
Xiaoyu estava ajoelhada ao lado, limpando suavemente o suor frio de sua testa com um pano úmido.
— Aguente mais um pouco. — Liu Tiezhu abriu a cortina e disse ao Caolho, que dirigia. — Há uma vila adiante, encontre um médico.
O Caolho assentiu e estalou o chicote com mais força.
O ferimento em seu abdômen começou a sangrar novamente, manchando as ataduras.
O Coxo estava sentado na traseira, olhando para trás nervosamente:
— Eles... vão nos seguir?
— Com certeza. — Liu Tiezhu verificou a pistola em sua mão; só restavam três balas.
A carruagem virou em um bosque de bambus, e ao longe algumas cabanas de palha eram visíveis.
Na entrada da vila, sob uma velha árvore, algumas crianças brincavam.
— Aqui. — Liu Tiezhu fez sinal para parar. — Não alarmem os aldeões.
O Caolho escondeu a carruagem no bosque.
Liu Tiezhu carregou o Dr. Xing nas costas, o Caolho segurou Xiaoyu, e o Coxo foi na frente, explorando o caminho, entrando furtivamente na vila.
No fim da vila, havia uma cabana isolada, com ervas medicinais secando na porta.
Liu Tiezhu bateu levemente. Um velho de cabelos e barba brancos abriu a porta, olhando-os com desconfiança.
— Senhor, salve uma vida. — Liu Tiezhu disse baixinho. — Pagarei.
O velho olhou para o Dr. Xing desmaiado e se afastou:
— Entrem.
O interior era simples, mas limpo.
O velho mandou Liu Tiezhu colocar o Dr. Xing em uma cama de bambu e examinou seus ferimentos cuidadosamente.
— Ferimentos internos graves. — O velho balançou a cabeça. — Vai precisar de remédios fortes.
— Obrigado. — Liu Tiezhu tirou algumas moedas de prata.
O velho acenou com a mão:
— Primeiro, salve a vida.
Ele pegou um pacote de pó medicinal, dissolveu em água morna e deu ao Dr. Xing.
Depois, pegou agulhas de prata e aplicou em alguns pontos de acupuntura.
Em pouco tempo, a respiração do Dr. Xing se acalmou um pouco.
— Está temporariamente salvo. — O velho enxugou o suor. — Mas precisa de repouso.
Liu Tiezhu suspirou aliviado. Xiaoyu se deitou ao lado do Dr. Xing, soluçando baixinho.
— Não tenha medo, menina. — O velho acariciou sua cabeça com carinho. — Seu avô vai ficar bem.
— Ele não é meu avô... — Xiaoyu soluçou. — Mas é mais querido que um avô...
O velho também trocou os curativos do Caolho e examinou os ferimentos de Liu Tiezhu.
A marca da palma sob suas costelas já estava preta, espalhando-se pelo peito.
— Palma Venenosa? — O velho franziu a testa. — Mais dois dias, e o veneno teria atingido o coração.
— Dá para tratar? — perguntou o Caolho, ansioso.
O velho assentiu, pegou uma faca pequena e fez um corte em cruz no ferimento de Liu Tiezhu. Sangue negro jorrou imediatamente.
Em seguida, aplicou uma pomada verde, que ardia intensamente.
— Agüente. — O velho segurou Liu Tiezhu, que tentou se mexer. — O veneno precisa ser expelido.
Depois de tratar os ferimentos, o velho preparou um grande caldeirão de mingau medicinal. Todos comeram vorazmente e recuperaram um pouco de força.
— Com quem vocês se meteram? — perguntou o velho de repente.
Liu Tiezhu ficou alerta:
— Por que pergunta?
— Essa palma venenosa é a técnica especial de Li San, o Mão Fantasma. — O velho estreitou os olhos. — Ele raramente age.
— O senhor o conhece?
— Já lutei com ele. — O velho mostrou uma cicatriz no pulso. — Há trinta anos.
Liu Tiezhu e o Caolho trocaram olhares. Este velho não era comum.
— O Mão Fantasma morreu. — Liu Tiezhu testou.
O velho não se surpreendeu:
— Quem o matou?
— Eu.
O velho reexaminou Liu Tiezhu e assentiu lentamente:
— Não é à toa que está tão ferido. O mestre dele não veio se vingar?
— O mestre dele?
— Chen Jiu, o Dragão Venenoso. — O velho baixou a voz. — Dez vezes mais cruel que o Mão Fantasma.
Liu Tiezhu sentiu um arrepio. Mais um inimigo poderoso?
— Descansem aqui esta noite. — O velho se levantou. — Partam de manhã cedo. Ultimamente, muitos rostos estranhos têm aparecido na vila, como se estivessem procurando alguém.
A noite caiu. O Dr. Xing acordou uma vez, bebeu um pouco de água e voltou a dormir.
O velho preparava remédios na sala externa, e Xiaoyu ajudava a cuidar do fogo.
Liu Tiezhu e o Caolho sentaram-se na varanda, conversando baixinho.
— Fujita não vai desistir. — O Caolho estava preocupado. — Ele certamente tem mais minérios.
— Sim. — Liu Tiezhu assentiu. — O sangue de Xiaoyu pode neutralizar o veneno, ele vai fazer de tudo para capturá-la.
— Para onde vamos agora?
— Hangzhou. — Liu Tiezhu já tinha um plano. — Lá há um amigo do Velho Zhou que pode nos abrigar por um tempo.
Nesse momento, latidos de cães vieram da entrada da vila, seguidos por sons de cascos de cavalos.