Capítulo 611: Capítulo 611: Assassinato no Mar

"— Como é que você está aqui? — Liu Tiezhu ainda não relaxou a vigilância.

O caolho se aproximou, baixando a voz: — Fui enviado pelo Mestre Xing. Ele disse que o senhor pegaria a rota fluvial.

— O velho Xing ainda está vivo? — O coração de Liu Tiezhu se aliviou um pouco.

— Vivo, mas ferido gravemente. — O caolho se agachou, tirou um pacote de papel encerado do peito. — Remédio. O Mestre Xing disse que o senhor foi envenenado por uma palma.

Liu Tiezhu pegou o pacote de remédio, eram algumas pílulas pretas: — Onde ele está?

— Num lugar seguro. — O caolho foi evasivo. — Mandou dizer que a família Zhou mandou gente para interceptá-lo em Yantai.

Liu Tiezhu deu um sorriso frio: — Já imaginava isso.

— O capitão é meu primo. — O caolho continuou. — Amanhã à noite, quando o navio chegar ao mar aberto de Penglai, ele vai lançar um barco pequeno para o senhor desembarcar. Daí, pegue a estrada da montanha, que dá para contornar os postos de controle de Yantai.

Chuva Miúda se mexeu no sono.

O caolho só então reparou nela, um lampejo de suavidade passou por seus olhos: — Essa criança é a Chuva Miúda?

— Hum. — Liu Tiezhu ajeitou suavemente a barra da roupa dela.

— O Mestre Xing disse... — O caolho hesitou. — A família Zhou ofereceu cinco mil dólares de recompensa por ela, viva ou morta.

Os olhos de Liu Tiezhu brilharam com um frio cortante: — Só se eu morrer.

O caolho assentiu, tirou outro pacote de pano do peito: — Comida e dinheiro. Preciso voltar, para não ser descoberto.

Ele se levantou para ir, mas Liu Tiezhu perguntou de repente: — Por que nos ajuda?

O caolho parou na escuridão: — Na mina de Shanhaiguan, minha mãe velha estava morrendo de doença. Foi o senhor quem deu dinheiro para salvá-la.

Dito isso, ele partiu silenciosamente.

Liu Tiezhu abriu o pacote de pano: dentro havia alguns pãezinhos, um pacote de carne seca e vinte dólares de prata.

E também um bilhete, com um endereço em Penglai e um sinal de contato.

Ele guardou tudo, abraçou Chuva Miúda e fechou os olhos para descansar.

O navio de carga avançava pelas ondas na escuridão, o som do motor abafava todos os segredos.

Amanheceu, mas o porão ainda estava escuro.

Chuva Miúda acordou, disse baixinho que estava com fome. Liu Tiezhu partiu um pedaço de pão para ela e comeu alguns bocados também.

— Onde estamos? — perguntou Chuva Miúda.

— No navio. — Liu Tiezhu respondeu baixinho. — Indo para um lugar seguro.

Chuva Miúda assentiu com compreensão, sem perguntar mais.

Ela tocou o braço esquerdo ferido de Liu Tiezhu: — Ainda dói?

— Não dói. — Liu Tiezhu sorriu forçadamente. — Quase sarou.

Durante o dia, o porão era abafado e insuportável.

Liu Tiezhu usou um pano molhado para limpar o rosto de Chuva Miúda e refrescá-la, e também tomou uma pílula antídoto.

O remédio era tão amargo que dava ânsia, mas logo o frio interno no corpo diminuiu um pouco.

Ao entardecer, o caolho veio novamente, trazendo água e comida.

Ele disse a Liu Tiezhu que o navio já tinha passado por Weihai e chegaria ao mar aberto de Penglai na manhã seguinte.

— Um navio mercante japonês está nos seguindo. — O caolho estava preocupado. — Pode ser um informante da família Zhou.

Liu Tiezhu franziu a testa: — O capitão sabe?

— Sabe. Ele disse que vai despistá-lo. — O caolho entregou um punhal. — Para o caso de emergência.

A noite avançou, o navio de carga acelerou de repente, balançando violentamente.

Liu Tiezhu protegeu Chuva Miúda, ouvindo passos apressados e gritos no convés.

— Conseguimos despistar! — O caolho entrou de repente. — O navio japonês não conseguiu acompanhar.

Liu Tiezhu ia suspirar aliviado, quando o navio tremeu violentamente, seguido por um som áspero de metal raspando!

— O que houve? — ele perguntou severamente.

O caolho empalideceu: — Colidimos com outro navio!

O navio de carga inclinou-se bruscamente, e a água começou a entrar no porão. Liu Tiezhu pegou Chuva Miúda no colo: — Para o convés, rápido!

Os três subiram as escadas tropeçando.

No convés, era uma confusão total. Os marinheiros estavam ocupados baixando os botes salva-vidas.

Ao longe, a proa de um navio mercante preto estava encravada na lateral do navio de carga, e a água do mar entrava com violência.

— Foi de propósito! — rugiu o capitão. — Esses canalhas!

Liu Tiezhu viu, no navio mercante preto, vários homens de terno, observando friamente.

Um deles ergueu um binóculo, olhando diretamente para ele.

— Leve a Chuva Miúda para o bote! — gritou para o caolho. — Eu seguro a retaguarda!

— Vamos juntos! — O caolho o puxou.

Enquanto falavam, tiros ecoaram de repente do navio mercante preto, as balas atingiram perto do bote salva-vidas, e os marinheiros se jogaram no chão de medo.

— Eles querem nos silenciar! — rangeu os dentes o capitão. — Todos a bordo vão morrer.

Liu Tiezhu empurrou Chuva Miúda para os braços do caolho: — Leve-a embora. Vou desviar o fogo.

Sem esperar resposta, ele pegou uma barra de ferro no convés e correu para a popa.

Os atiradores do navio mercante preto realmente viraram as armas, as balas seguindo seus passos.

— Venham! — rugiu Liu Tiezhu, balançando a barra de ferro para atrair o fogo.

O caolho aproveitou para pular no último bote salva-vidas com Chuva Miúda, remando para longe junto com outros marinheiros.

Vendo que o bote estava seguro, Liu Tiezhu se virou para procurar uma rota de fuga.

O navio de carga estava afundando rapidamente, e o navio mercante preto começou a recuar, preparando-se para afundá-lo de vez.

— Pule no mar! — gritou o capitão ao longe. — Pule agora!

Liu Tiezhu saltou nas águas geladas do mar.

Atrás dele, o navio de carga emitiu um som terrível de metal se partindo, afundando lentamente.

Ele nadou desesperadamente na água, desviando dos destroços flutuantes.

O navio mercante preto rondava por perto, holofotes varrendo a superfície do mar em busca de sobreviventes.

Uma tábua flutuou perto, Liu Tiezhu a agarrou e, aproveitando a escuridão, se afastou silenciosamente do local do naufrágio.

A água do mar era cortante, os ferimentos doíam intensamente, mas ele persistiu, rangendo os dentes.

Não se sabe quanto tempo flutuou, até que ao longe apareceu uma luz.

Era um barco de pesca!

Liu Tiezhu usou as últimas forças para gritar por socorro, mas sua voz foi engolida pelas ondas.

Quando estava prestes a perder a consciência, o barco de pesca pareceu notá-lo, virou e se aproximou.

Uma vara de bambu foi estendida à sua frente. Liu Tiezhu a agarrou com força e foi puxado para bordo.

— Ainda respira! — a voz de um velho pescador. — Tragam um cobertor rápido!

Um cobertor quente e seco envolveu seu corpo. Liu Tiezhu, tremendo, agarrou a mão do velho pescador: — Ainda... uma criança... o bote salva-vidas...

— Já vi. — O velho pescador o tranquilizou. — O barco da guarda costeira foi resgatá-la.

Liu Tiezhu finalmente se acalmou e desmaiou.

Quando acordou novamente, estava deitado numa cabana de pescador simples.

A luz do sol entrava pela janela de papel, iluminando uma pequena figura sentada na frente da cama.

— Chuva Miúda... — ele chamou, com a voz rouca.

Chuva Miúda virou o rosto, sujinho, mas com os olhos brilhando: — Tio Liu, você acordou!

Ela se jogou sobre ele, tomando cuidado para evitar seus ferimentos.

Liu Tiezhu a abraçou, e só então percebeu que seus ferimentos estavam todos bem enfaixados.

— Onde é isso?

— Penglai. — disse Chuva Miúda. — O tio Caolho nos trouxe aqui.

A porta se abriu, e o caolho entrou com uma tigela de sopa quente: — Mestre Liu! O senhor finalmente acordou.

Liu Tiezhu pegou a tigela de sopa, o aroma de sopa de peixe fumegante encheu o ar: — Quantos dias?

— Três dias. — O caolho se sentou. — O senhor estava com febre alta, o médico disse que era infecção nos ferimentos e veneno atacando o coração.

— O velho Xing...

— Está seguro. — O caolho baixou a voz. — Foi para o sul conforme o plano, deixou recado que espera o senhor em Suzhou.

Liu Tiezhu bebeu a sopa devagar, recuperando um pouco as forças: — E a família Zhou?

— Acham que o senhor morreu. — O caolho deu um sorriso frio. — Zhou Muyun festejou três dias em Tianjin.

— Ótimo. — O olhar de Liu Tiezhu era gelado. — Deixe ele se alegrar mais alguns dias.

Depois de dois dias de descanso, Liu Tiezhu já conseguia andar.

O caolho trouxe novas notícias: a família Zhou tinha enviado muita gente para o sul, focando especialmente na região de Suzhou e Hangzhou.

— Não podemos ir direto para o sul. — Liu Tiezhu refletiu. — Precisamos desviar.

— Tem um jeito. — O caolho estendeu um mapa. — Primeiro vamos para o oeste, até Jinan, e depois pegamos o caminho para Xuzhou. Nessa rota, a influência da família Zhou é fraca.

O plano foi definido.

O caolho conseguiu três conjuntos de roupas de mendigo, para se disfarçarem de refugiados da fome.

Na noite anterior à partida, Chuva Miúda perguntou de repente: — Tio Liu, por que esses bandidos ficam nos perseguindo?

Liu Tiezhu se agachou, olhando-a nos olhos: — Porque eles têm medo.

— Medo do quê?

— Medo de que a gente viva. — ele disse baixinho. — Enquanto estivermos vivos, os crimes deles sempre serão lembrados por alguém.

Chuva Miúda assentiu, sem entender completamente, e tocou o pingente de jade no peito: — Como papai e mamãe, eu me lembro deles.

Na madrugada seguinte, os três partiram silenciosamente da vila de pescadores.

A roupa de mendigo os disfarçou bem, ninguém na estrada deu mais que uma olhada naqueles "refugiados".

Ao meio-dia, ouviram o som de cascos atrás deles. Um grupo de patrulheiros de bicicleta os alcançou, o líder erguendo um mandado de prisão: — Parem, revista!