Capítulo 600: Capítulo 600 A Última Raiz do Mal

Três meses depois, uma nova sepultura foi erguida em uma colina sem nome nos arredores de Tianjin. Liu Tiezhu se agachou diante do túmulo e derramou lentamente uma garrafa de vinho envelhecido sobre a terra amarela. "Huikong, beba um pouco", disse ele em voz baixa. "O tempo está frio." As ervas secas no topo do túmulo balançavam ao vento frio. Ao longe, o Doutor Xing vinha de mãos dadas com Xiao Yu. A menina tinha melhor aparência, com um pouco de cor no rosto. "Tio Liu", chamou Xiao Yu suavemente, "está na hora de voltar." Liu Tiezhu se levantou e deu um tapinha na lápide: "Volto outro dia para te ver." Os três desceram a colina por um caminho estreito. Ao pé da colina, uma carroça os esperava; o cocheiro era um velho subordinado do Doutor Xing. "Para onde?" perguntou o Doutor Xing ao subir. Liu Tiezhu olhou para o horizonte: "Para o sul, é mais quente." "Os da lista estão todos resolvidos", disse o Doutor Xing, entregando um jornal. "O último, o Patrão Du de Xangai, morreu ontem no próprio banheiro." Liu Tiezhu deu uma olhada na manchete, sem comentar. Aqueles nomes já estavam gravados em seu coração, cada um com uma dívida de sangue. "As crianças estão todas acomodadas?" "Sim", acenou o Doutor Xing. "A maioria encontrou a família; o restante, entrei em contato com o orfanato da igreja." Xiao Yu se aconchegou ao lado de Liu Tiezhu, segurando firme a barra de sua roupa com as mãozinhas. Desde que foi resgatada, não se afastava dele nem por um instante, com medo de perdê-lo novamente. A carroça balançava enquanto seguia para a estação de trem. Os campos ao longo do caminho já estavam desertos, e alguns corvos grasnavam em árvores secas. "Ouvi dizer que há guerra no sul", murmurou o Doutor Xing, baixando a voz. "Não é lugar tranquilo." "Onde é que já foi tranquilo?" Liu Tiezhu deu um sorriso amargo. A estação de trem estava lotada. Os três compraram passagens para Nanjing e esperavam na plataforma. De repente, Xiao Yu puxou a manga de Liu Tiezhu: "Aquele homem está sempre olhando para a gente." Liu Tiezhu examinou os arredores com alerta e notou um homem de sobretudo lendo um jornal, mas seus olhos se desviavam para eles de vez em quando. "Doutor Xing, leve Xiao Yu para o trem primeiro." O Doutor Xing entendeu e levou Xiao Yu para a catraca. Liu Tiezhu, por sua vez, contornou a banca de jornais e se aproximou discretamente do homem de sobretudo. "Procurando por mim?" perguntou ele de repente. O homem de sobretudo se assustou, mas logo se recompôs: "Liu Tiezhu?" "Quem é você?" "Amigo do Velho Zhou", disse o homem, entregando uma carta. "Ele pediu para eu entregar." Liu Tiezhu abriu a carta; havia apenas uma linha: "Ivan, em Harbin, ainda está vivo." Seu coração tremeu: "A informação é confiável?" "O Velho Zhou confirmou pessoalmente", murmurou o homem. "Ivan assumiu os experimentos de Yamamoto e está aperfeiçoando a droga." "Onde?" "Fengtian", disse o homem, olhando em volta. "O Velho Zhou pede para você não ir, é muito perigoso." Liu Tiezhu rasgou a carta e a espalhou ao vento: "Agradeça ao Velho Zhou por mim." O homem de sobretudo se foi rapidamente. O trem apitou ao entrar na estação, e os passageiros começaram a embarcar. Liu Tiezhu ficou na plataforma, olhando para as montanhas ao longe, imóvel por um longo tempo. "Tio Liu!" gritou Xiao Yu da janela do trem. "Depressa, entra!" Liu Tiezhu voltou a si e caminhou rapidamente para o trem. No instante em que a porta se fechou, ele tomou sua decisão. O trem partiu lentamente. O Doutor Xing observou a expressão pesada de Liu Tiezhu: "O que aconteceu?" "Desço na próxima estação", disse Liu Tiezhu em tom grave. "Vocês vão para Nanjing primeiro." "Para onde você vai?" "Fengtian." O rosto do Doutor Xing mudou: "O russo?" Liu Tiezhu acenou: "A última raiz do mal." "É perigoso demais!" exclamou o Doutor Xing. "Fengtian agora é território dos japoneses." "É exatamente o que quero", riu Liu Tiezhu com amargura. "Acabar com tudo de uma vez." Xiao Yu de repente agarrou sua mão: "Eu também vou!" "Não", balançou a cabeça Liu Tiezhu. "Espere por mim em Nanjing." "Não!" As lágrimas de Xiao Yu jorraram. "Não quero me separar de você!" Liu Tiezhu se agachou para ficar na altura dela: "Lembra do Tio Huikong?" Xiao Yu acenou. "Ele se sacrificou para que você vivesse", disse Liu Tiezhu suavemente. "Não posso deixar você se arriscar de novo." "Mas..." "Obedeça", disse Liu Tiezhu, acariciando sua cabeça. "Prometo que volto." Xiao Yu se jogou em seus braços e chorou alto. Liu Tiezhu a abraçou forte, com o coração partido. O trem parou na próxima estação. Liu Tiezhu colocou a mochila simples nas costas e se preparou para descer. "Se cuide", disse o Doutor Xing, apertando sua mão. "Se precisar de ajuda, mande um telegrama." Liu Tiezhu acenou, deu um último olhar para Xiao Yu e se virou para a porta. "Tio Liu!" gritou Xiao Yu de repente. "Seu pingente de jade!" Liu Tiezhu hesitou e tocou o peito. Xiao Yu tirou do pescoço o pingente de jade do dragão, que estava unido em dois, e o entregou a ele: "Leve... ele vai te proteger..." Os olhos de Liu Tiezhu se aqueceram; ele pegou o pingente e o colocou no pescoço: "Obrigado. Vou trazê-lo de volta." Na plataforma, ele observou o trem se afastar até o último vagão desaparecer de vista. O vento norte uivava, balançando sua roupa. O pingente, colado ao peito, transmitia um leve calor. "Última parada", murmurou Liu Tiezhu para si mesmo. "Fengtian." Ele apertou a mochila e foi em direção à bilheteria. No horizonte distante, nuvens escuras se acumulavam, prenunciando uma tempestade de neve iminente. A neve em Fengtian caiu a noite toda. Liu Tiezhu, envolto em um casaco acolchoado, pisou na neve de meio pé de profundidade e entrou em uma pequena taverna. A taverna estava cheia de fumaça; alguns marinheiros russos bebiam e gritavam alto. "O que vai ser?" perguntou o dono, limpando um copo. "Shaodaozi", disse Liu Tiezhu em voz baixa. "Procurando por alguém, Ivan." A mão do dono tremeu, e o copo quase caiu: "Não conheço." Liu Tiezhu colocou duas moedas de prata na mesa: "Um russo de cabelo ruivo, que trabalha com remédios." O dono olhou em volta, rapidamente pegou as moedas: "Bar do russo, no beco dos fundos." A neve no beco dos fundos era ainda mais funda. Liu Tiezhu virou algumas esquinas e viu uma lanterna vermelha escura, com letras russas escritas "bar". Ao empurrar a porta, um forte cheiro de vodca o atingiu. No balcão, alguns russos grandes discutiam alto em russo. Num canto, um homem de cabelo ruivo de meia-idade bebia sozinho, com ar sombrio. Liu Tiezhu foi direto até ele e sentou-se em frente: "Ivan?" O ruivo levantou a cabeça, os olhos azuis brilhando com alerta: "Quem é você?" "Comprador de remédios", disse Liu Tiezhu, fitando-o. "Indicado por Yamamoto." A mão de Ivan se moveu discretamente para a cintura: "Yamamoto morreu." "Eu sei", riu Liu Tiezhu com amargura. "Antes de morrer, passou o negócio para você." Ivan de repente sacou uma pistola. Liu Tiezhu já estava preparado; segurou seu pulso com força e, com a outra mão, puxou uma adaga e a encostou na cintura dele: "Não se mexa." Os outros no bar fingiram não ver nada, como se fosse algo comum. "Vamos lá fora", disse Ivan entre dentes. Os dois saíram do bar e entraram em um beco estreito. Ivan se livrou da mão de Liu Tiezhu: "Quem é você, afinal?" "Liu Tiezhu." O rosto de Ivan mudou instantaneamente, e ele se virou para correr. Liu Tiezhu o agarrou pelo colarinho e encostou a adaga em sua garganta: "Se gritar, corto." "Piedade!" Ivan tremia. "Sou só um intermediário." "Onde fica o laboratório?" pressionou Liu Tiezhu. "Que laboratório?" A adaga de Liu Tiezhu fez um leve corte, e gotas de sangue apareceram: "Última chance."