Capítulo 579: Capítulo 579: Rumo ao Norte

—Socorro! —gritou o líder ao avistar a carroça, estendendo a mão em busca de ajuda. Mas no segundo seguinte, uma sombra negra saltou da floresta e o devorou num instante. Liu Tiezhu só teve tempo de vislumbrar: era uma criatura enorme, parecida com uma serpente, mas não exatamente, toda preta, com olhos vermelhos como sangue. —Vamos rápido! —ele estalou o chicote com força, e a carroça disparou. Atrás deles, mais gritos de agonia ecoaram, acompanhados do estrondo de árvores se partindo. O dragão da terra estava despertando, e os primeiros a sofrer foram os que os perseguiam. A carroça corria pela estrada de terra, afastando-se gradualmente daquele clarão vermelho aterrorizante. No horizonte, o céu clareava com um tom esbranquiçado; um novo dia estava prestes a começar, mas o mundo já parecia ter mudado. —Para onde vamos? —perguntou Huikong, segurando o ombro ferido. —Primeiro, encontrar um lugar seguro. —Liu Tiezhu apertou as rédeas. —Depois, dar um jeito de ir para Xing'anling. Xiaoyu estava deitada na carroça, com a respiração fraca, mas estável. A pílula do dragão de sangue suprimira temporariamente a rejeição do sangue, mas ela ainda estava extremamente debilitada. Ao meio-dia, chegaram a uma pequena vila. A vila estava vazia; a maioria das pessoas havia fugido, restando apenas alguns idosos. —O que aconteceu? —perguntou Liu Tiezhu a um velho sentado à porta. O velho tinha o olhar vidrado: —Castigo dos céus. Ontem à noite, no norte, o céu brilhou vermelho, a terra tremeu... Dizem que o Rei Dragão se enfureceu. Liu Tiezhu e Huikong trocaram olhares; o impacto do despertar do dragão da terra já começava a se espalhar. —Como se vai para a cidade mais próxima? —Vinte li para o leste, mas não vá. Estão prendendo gente por lá. —O velho falou de forma misteriosa. —Homens de preto, pegando todo mundo que veem. Gente de Sato! Liu Tiezhu agradeceu ao velho, desviou a carroça da estrada principal e continuou rumo ao norte. No caminho, encontraram mais refugiados. Boatos surgiam por toda parte: uns diziam que houve um terremoto, outros que começou uma guerra, e alguns juravam ter visto um dragão. Ao entardecer, a carroça passou por uma olaria abandonada. Liu Tiezhu decidiu passar a noite ali, para que Xiaoyu pudesse descansar bem. A olaria estava em ruínas, mas ao menos oferecia abrigo contra o vento e a chuva. Huikong acendeu uma pequena fogueira e assou alguns mantimentos secos. Xiaoyu bebeu um pouco de água quente e voltou a dormir profundamente. —A situação está pior do que imaginávamos. —Huikong falou em voz baixa. —A notícia do despertar do dragão da terra vai causar pânico. Liu Tiezhu concordou com a cabeça: —Sato com certeza vai aproveitar para expandir seu poder. —Precisamos acelerar. —Huikong olhou para Xiaoyu. —O tempo dela está se esgotando. Enquanto falavam, de repente ouviram o som de cascos de cavalo do lado de fora da olaria. Liu Tiezhu apagou a fogueira imediatamente e sacou a espada, em alerta. Os cascos pararam diante da olaria, seguidos por passos cautelosos. Uma voz familiar soou. —Liu Tiezhu? Está aí? Liu Tiezhu ficou surpreso. Era a voz de Zhou Mo, mas ele não tinha sido capturado? —Cuidado com armadilhas. —Huikong o alertou. Liu Tiezhu se aproximou sorrateiramente da janela e observou pelas frestas. Sob o luar, Zhou Mo estava mesmo ali, mas com as roupas rasgadas, o rosto coberto de sangue e o braço esquerdo pendendo de forma estranha. —Só ele? —Parece que sim. Liu Tiezhu hesitou por um momento, mas acabou saindo. Zhou Mo o viu e suspirou aliviado: —Finalmente encontrei vocês! —Como você escapou? —Lao Wu se sacrificou para me salvar. —Zhou Mo disse com dor. —Os homens de Sato me levaram para o Templo Bohai, que já estava... —O dragão da terra despertou. —Liu Tiezhu o interrompeu. —Nós vimos. Zhou Mo assentiu, com um lampejo de medo nos olhos: —Mais assustador do que imaginávamos. Sato enlouqueceu, quer controlar o dragão da terra. —Conseguiu? —Por enquanto, não. —Zhou Mo balançou a cabeça. —O dragão da terra está fora de controle, matou a maioria dos seus subordinados. Aproveitei a confusão para fugir. Ele olhou para dentro da olaria: —Como está Xiaoyu? —Não muito bem. —Liu Tiezhu o levou para dentro. —A pílula do dragão de sangue só alivia temporariamente. Zhou Mo examinou o estado de Xiaoyu, franzindo a testa: —Precisamos chegar a Xing'anling o mais rápido possível. A piscina de purificação de sangue de lá pode salvá-la. —Como iremos? A pé é muito lento. —Tenho um plano. —Zhou Mo tirou do bolso um mapa amassado. —Trinta li ao norte há um depósito militar secreto. Podemos conseguir um carro lá. O plano foi definido. Ao amanhecer, Zhou Mo dirigiu a carroça, levando-os para o norte. No caminho, ele contou em detalhes o horror do Templo Bohai. —Sato usou a amostra de sangue de Xiaoyu como isca para ativar o dragão da terra à força. —Sua voz era grave. —Mas o dragão da terra ficou fora de controle, e o primeiro a ser atacado foram eles mesmos. —Onde está o dragão da terra agora? —Não sei. —Zhou Mo balançou a cabeça. —Ele afundou no subsolo, mas com certeza ainda está ativo. Ninguém ousa se aproximar num raio de cem li de Bohai. Ao meio-dia, chegaram ao depósito militar que Zhou Mo mencionara. Era um armazém escondido num vale, com guardas armados na entrada. —Gente nossa. —Zhou Mo mostrou um selo de cobre. —Ordem do quartel-general para pegar um veículo. O guarda verificou o selo e os deixou entrar. No depósito, havia vários caminhões militares e jipes. Zhou Mo escolheu um jipe em melhores condições. —Entrem! —Ele ligou o motor. —Vamos por estradas secundárias, evitando os postos de controle. O jipe corria pelas estradas de montanha, muito mais rápido que a carroça. Xiaoyu estava deitada no banco de trás, com Liu Tiezhu cuidando dela. Huikong estava no banco do carona, alerta, observando ao redor. —Há uma vila à frente. —Zhou Mo reduziu a velocidade. —Precisamos contorná-la. A vila parecia tranquila, mas estava silenciosa demais. Não havia fumaça de chaminés, nem transeuntes, nem mesmo latidos de cães. —Algo está errado. —Liu Tiezhu ficou em alerta. Mal ele terminou de falar, alguns homens de preto surgiram correndo da entrada da vila. Eles carregavam rifles e bloquearam o meio da estrada! —Gente de Sato! —Zhou Mo virou o volante bruscamente. —Segurem-se! O jipe fez uma curva fechada, saiu da estrada e começou a sacolejar pelos campos. Os perseguidores abriram fogo, e as balas tiniam contra a lataria do carro. —Droga! —Zhou Mo rangeu os dentes. —Como eles sabiam desta rota? Liu Tiezhu protegia Xiaoyu, quando de repente pensou em algo: —Zhou Mo, a ferraria do Lao Wu, onde fica exatamente? —Na rua velha do oeste da cidade, por quê? O coração de Liu Tiezhu apertou. Na noite anterior, a ferraria do Lao Wu ficava no leste da cidade. Ele deslizou a mão discretamente para a adaga na cintura. Naquele momento, Zhou Mo, que dirigia, de repente soltou uma risada sinistra: —Esperto, mas tarde demais! Ele pisou fundo no freio e, ao mesmo tempo, sacou uma pistola apontando para Huikong! Liu Tiezhu já estava preparado. Sua adaga voou como um relâmpago, acertando em cheio o pulso de Zhou Mo. —Ah! —O falso Zhou Mo gritou de dor, deixando a pistola cair. Huikong aproveitou para se jogar sobre ele, e os dois começaram a lutar no banco do motorista. O jipe saiu do controle, girando, até bater contra uma árvore grande. O impacto jogou o falso Zhou Mo para fora do carro. Liu Tiezhu protegeu Xiaoyu, mas bateu com força no banco, sentindo uma dor aguda nas costelas. —Huikong! —gritou ele. Huikong saiu cambaleando do banco do carona, com a testa sangrando: —Estou bem! Pega ele! O falso Zhou Mo rolou no chão algumas vezes, levantou-se e saiu correndo. Liu Tiezhu correu atrás, mas sua perna ferida o atrasava. Quando o outro estava prestes a entrar na floresta, um tiro ecoou de repente. Zhou Mo caiu no chão, gritando e segurando a coxa. Liu Tiezhu virou-se, surpreso, e viu Xiaoyu, que acordara não se sabe quando, segurando a pistola que o falso Zhou Mo deixara cair, com a boca do cano ainda fumegando. —Xiaoyu! —Ele correu de volta e tomou a arma dela. —Isso é muito perigoso! A menina estava pálida, mas com o olhar firme: —Ele é mau, queria machucar o tio Liu. O coração de Liu Tiezhu se aqueceu. Ele acariciou a cabeça dela: —Fez bem, mas da próxima vez, deixa comigo. Ele se virou e foi até o falso Zhou Mo, que se encolhia de dor, com a coxa jorrando sangue. Liu Tiezhu chutou para longe a arma que estava perto dele e apontou a pistola para sua cabeça. —Quem te mandou?