Capítulo 573: Capítulo 573: Corrida Contra o Tempo

Fujita gritou de dor, girou o braço e arremessou Xiaoyu para longe, perto do sarcófago de pedra.

— Seu bastardo! — rugiu Fujita. — Seu sangue é o mais precioso.

Liu Tiezhu aproveitou a distração e avançou, cravando a espada quebrada no abdômen de Fujita.

Fujita, sentindo a dor, atravessou o ombro de Liu Tiezhu com suas garras. Os dois se chocaram contra o sarcófago, lutando.

Xiaoyu se arrastou para se levantar, tirou o pingente de jade do bolso.

No instante em que o pingente tocou o sarcófago, uma luz dourada ofuscante explodiu.

— Não! — gritou Fujita, aterrorizado. — Pare!

A luz dourada envolveu toda a câmara de pedra, e o tremor no chão se intensificou de repente.

Os restos mortais dentro do sarcófago começaram a se mexer, como se fossem ressuscitar.

— O dragão da terra vai acordar! — Fujita tentou se soltar desesperadamente. — Você enlouqueceu, vamos morrer todos!

Xiaoyu segurava o pingente com as duas mãos, o rosto banhado em lágrimas: — Papai... me ensinou assim...

Ela pressionou o pingente com força contra o sarcófago.

A luz dourada se intensificou. O corpo de Fujita começou a soltar fumaça azulada, como se estivesse sendo queimado. Ele soltou Liu Tiezhu com um grito de dor.

— O selo está sendo reativado. — A voz de Xiaoyu de repente ficou etérea, como se não fosse dela. — Com meu sangue... prendo-te por mil anos...

Os restos mortais dentro do sarcófago se debateram violentamente, mas foram firmemente contidos pela luz dourada.

O tremor no chão gradualmente cessou, e a névoa vermelha recuou para dentro do poço.

O corpo de Fujita começou a se desintegrar, a pele rachando em pedaços, sangue preto-arroxeado jorrando.

— Não... impossível... — Ele estendeu a mão desesperadamente para Xiaoyu. — Minha pesquisa...

Antes que terminasse a frase, seu corpo desmoronou como uma estátua de areia, transformando-se em uma poça de sangue negro.

Liu Tiezhu se arrastou penosamente até Xiaoyu.

A menina estava caída perto do sarcófago, o rosto pálido como papel, o pingente de jade em sua mão já sem brilho.

— Xiaoyu! — Ele a pegou no colo, seu corpo pequeno e frágil. — Aguente firme!

Xiaoyu abriu os olhos fracamente: — Tio Liu... eu consegui... como o papai...

— Não fale, vou te tirar daqui.

Liu Tiezhu carregou Xiaoyu e, com dificuldade, subiu pela abertura da caverna.

Do lado de fora do templo, os membros do Bando do Tigre Negro e os capangas de Fujita estavam caídos por toda parte, exaustos e feridos.

Biao estava encostado em uma árvore, com uma faca cravada no peito, quase sem vida.

Ao ver Liu Tiezhu, Biao riu: — Ha... quem diria... no final, foi você quem venceu...

Liu Tiezhu não ligou para ele, correndo para fora da vila com Xiaoyu nos braços.

Atrás deles, o chão do templo desabou de repente, e todo o edifício ruiu com um estrondo, levantando uma nuvem de poeira.

— Tio Liu... — a voz de Xiaoyu ficou cada vez mais fraca. — Estou com sono...

— Não durma! — Liu Tiezhu deu tapinhas no rosto dela. — Fale comigo.

— Quero... ver o mar...

— Eu prometi a você, lembra? — Liu Tiezhu soluçou. — O mar azul, a areia, as conchas...

Os lábios de Xiaoyu se curvaram levemente: — Como o papai dizia...

Seus olhos se fecharam lentamente, e sua mãozinha caiu sem forças.

Liu Tiezhu correu como um louco, as lágrimas turvando sua visão.

Na beira da vila, uma figura familiar olhava ansiosamente. Era o jovem monge, que os seguira.

— Rápido! — O monge veio ao encontro deles. — Suba no barco, conheço um médico de medicina tradicional.

Liu Tiezhu subiu no pequeno barco com Xiaoyu nos braços. O motor roncou, e o barco cortou as ondas, rumando para o norte.

A respiração da criança em seus braços era fraca, mas ainda havia calor.

— Aguente firme... — Liu Tiezhu apertou a mãozinha dela. — Vamos ver o mar...

O sol nascente surgiu sobre o mar, espalhando raios dourados sobre o barco.

No horizonte à frente, um azul profundo era vagamente visível — o verdadeiro mar.

O pequeno barco de pesca avançava pelas ondas na luz da manhã. Liu Tiezhu segurava Xiaoyu firmemente, sua respiração cada vez mais fraca, o rostinho pálido como papel.

O monge se concentrava em pilotar, olhando para trás de vez em quando.

— Aguente mais um pouco — gritou o monge. — Mais à frente é a Baía do Dragão Marinho, o Doutor Xue está lá!

Liu Tiezhu usou um pedaço de pano rasgado para limpar o suor frio da testa de Xiaoyu.

As pálpebras da menina tremeram levemente, seus lábios já azulados.

— Xiaoyu, acorde! — Ele deu tapinhas suaves no rosto dela. — Não durma!

Xiaoyu abriu os olhos com dificuldade, as pupilas já um pouco dispersas: — Tio Liu... estou com frio...

Liu Tiezhu a apertou mais contra si, aquecendo suas mãozinhas geladas com o próprio calor.

O monge estava certo: cada vez que essa criança ativava o poder do sangue, consumia sua vitalidade.

Desta vez, ao selar o dragão da terra, ela quase esgotou toda a sua energia.

O barco de pesca entrou em uma enseada escondida, com uma floresta de mangue na margem e algumas cabanas de palha visíveis entre as árvores.

O monge atracou o barco com habilidade e amarrou a corda.

— Rápido! — Ele pulou na margem e estendeu a mão para pegar Xiaoyu.

Liu Tiezhu pulou no cais com a criança nos braços e seguiu o monge correndo até a maior das cabanas.

Na frente da cabana, várias ervas medicinais estavam secando ao sol, e um velho de cabelos brancos virava os cestos.

— Velho Xue! Socorro! — gritou o monge.

O velho ergueu os olhos, seu olhar afiado varrendo Xiaoyu: — Traga-a para dentro!

Dentro da cabana, a luz era fraca, mas estava arrumada e limpa.

Liu Tiezhu colocou Xiaoyu em uma cama de bambu. O Doutor Xue imediatamente apalpou o pulso dela para examinar, franzindo cada vez mais a testa.

— Energia vital esgotada, sangue exausto. — Ele disse em tom grave. — O que essa criança fez?

— Selou o dragão da terra. — Liu Tiezhu respondeu brevemente.

A mão do Doutor Xue hesitou por um instante, e ele olhou fundo nos olhos de Liu Tiezhu: — Sangue do Guardião do Dragão?

Ao ver Liu Tiezhu assentir, o velho não perguntou mais. Virou-se e pegou alguns frascos de porcelana do armário de remédios: — Ainda há esperança, mas precisa de tempo.

Ele habilmente preparou os remédios, ferveu e aplicou acupuntura.

A respiração de Xiaoyu gradualmente se estabilizou, mas ela ainda estava inconsciente.

— Pelo menos três dias sem se mover. — O Doutor Xue limpou as mãos após terminar. — Com quem vocês se meteram?

— Com os de Fengtian. — Liu Tiezhu respondeu vagamente. — Estão perseguindo essa criança.

O Doutor Xue bufou: — Este lugar é isolado, por enquanto está seguro.

Ele apontou para os fundos: — Vá descansar, você está gravemente ferido.

Liu Tiezhu só então percebeu que os ferimentos no ombro e na perna tinham se aberto, o sangue encharcando as ataduras.

Mas ele balançou a cabeça: — Vou ficar com a criança.

— Como quiser. — O Doutor Xue jogou para ele um frasco de pó medicinal. — Trate-se você mesmo.

O monge ajudou Liu Tiezhu a reenfaixar os ferimentos.

Durante o processo, Liu Tiezhu notou uma tatuagem estranha no pulso do monge, muito parecida com o desenho do dragão no pingente de jade.

— Você é...?

— Discípulo mais novo do Irmão Huiming, nome de batismo Huikong. — O monge disse em voz baixa. — Nossa linhagem guarda o selo do Mar de Bohai há gerações.

Liu Tiezhu entendeu de repente: — Então vocês sabem sobre o Guardião do Dragão?

Huikong assentiu: — Antes de morrer, meu mestre me instruiu: se o selo se soltar, procure os descendentes da família Chen.

Ele olhou para Xiaoyu, inconsciente: — Não esperava... uma criança tão pequena...

Enquanto falavam, o Doutor Xue entrou rapidamente pela porta: — Chegou gente!

Liu Tiezhu imediatamente tocou a pistola na cintura, mas ela já estava vazia desde o templo.

Huikong pegou um arpão perto da porta: — Quantos?

— Três barcos, umas quinze pessoas. — O rosto do Doutor Xue estava sério. — Armados.

O coração de Liu Tiezhu apertou. Embora Fujita estivesse morto, seus capangas ainda estavam por aí. Como tinham encontrado este lugar?

— Saída pelos fundos! — O Doutor Xue levantou uma tábua no chão, revelando um buraco. — Leva até o mangue!

Liu Tiezhu pegou Xiaoyu no colo e seguiu Huikong pelo buraco.

O Doutor Xue rapidamente cobriu a tábua e espalhou ervas para esconder os vestígios.

O buraco era úmido e estreito, cheirando a mofo.

Huikong segurava uma lamparina a óleo na frente, guiando o caminho, enquanto Liu Tiezhu seguia com dificuldade, carregando Xiaoyu.

Atrás deles, ouviam-se sons de portas sendo chutadas e gritos de ordem.