Capítulo 559: Capítulo 559: O Rouxinol Muta Novamente

Liu Tiezhu apagou imediatamente o isqueiro e sacou a pistola. Do lado de fora da caverna, ouviam-se passos furtivos, de mais de uma pessoa. — São montanheses — Rouxinol relaxou um pouco. De fato, instantes depois, as vinhas na entrada foram afastadas e duas sombras entraram, exatamente os dois montanheses do Templo da Jade. Ao verem os olhos vermelhos de Rouxinol, quase gritaram de susto. — Não tenham medo — murmurou Liu Tiezhu. — E o monge Xuanzhen? — Morreu — soluçou o mais jovem. — Os japoneses cortaram a cabeça dele e penduraram na entrada do templo. O mais velho tirou um pano amarrado do peito: — O monge mandou entregar a vocês. Dentro do pano, havia uma caixa de ferro enferrujada, cheia de cinábrio vermelho-escuro, de qualidade muito superior ao que Liu Tiezhu trouxera. — Do templo... o melhor... — explicou o montanhês. — Afasta o mal... Rouxinol pegou a caixa e franziu a testa: — Tem mais coisa... Ele enfiou a mão no fundo do cinábrio e tirou um pequeno pacote de papel oleado. Ao desdobrá-lo, revelou um mapa amarelado. O mapa marcava um rio subterrâneo entre os montes Tiecha e Heilong, com um círculo vermelho desenhado ao lado de um afluente, escrito "Olho do Dragão". — O que é isso? — O monge disse que Dmitri contou a ele — lembrou o montanhês. — O Olho do Dragão pode conter a Medula de Sangue, mas ele não teve tempo de explicar o que significa. Liu Tiezhu e Rouxinol trocaram olhares. Mais uma pista. — Os soldados japoneses ainda estão vasculhando a montanha — disse o jovem montanhês, nervoso, olhando para fora. — O que vocês vão fazer? — Vão embora — respondeu Liu Tiezhu, guardando o mapa. — Não quero que se envolvam. Os montanheses hesitaram, deixaram um pouco de comida e uma pedra de isqueiro, e partiram apressados. Antes de ir, o mais velho hesitou: — Esse Olho do Dragão, segundo os antigos, não é lugar bom. — Como assim? — Quem entra ou enlouquece ou vira monstro. Isso fez Liu Tiezhu estremecer, mas não havia escolha. Mais cedo ou mais tarde, os homens de Yamamoto encontrariam aquele lugar. Quando os montanheses se afastaram, Rouxinol falou de repente: — Conheço o caminho, posso te levar. — Você? — O sangue está guiando — disse Rouxinol, apontando para a têmpora. — Como uma bússola. Liu Tiezhu ficou desconfiado, mas naquele momento só podia confiar no instinto de Rouxinol. Os dois descansaram até escurecer, cobriram o cheiro com enxofre em pó e saíram silenciosamente da caverna. Rouxinol liderava, andando rápido. Seus olhos enxergavam perfeitamente no escuro, e ele parava de vez em quando para esperar Liu Tiezhu. Duas vezes, detectou patrulhas antes delas se aproximarem e levou Liu Tiezhu para longe do perigo. — Há um rio subterrâneo adiante — Rouxinol parou de repente. Liu Tiezhu se abaixou e encostou o ouvido no chão, ouvindo o som sutil de água corrente. Rouxinol afastou os arbustos, revelando uma fenda que só dava passagem para uma pessoa. O ar úmido e abafado veio de encontro a eles, misturado com um leve cheiro de ferrugem. — Lá embaixo leva ao Olho do Dragão — Rouxinol entrou primeiro. — Cuidado, o chão é escorregadio. A fenda era íngreme e molhada, e os dois tiveram que usar mãos e pés. Conforme avançavam, o som da água aumentava, e o ar ficava mais úmido e abafado. Nas paredes rochosas, começaram a aparecer pequenos cristais vermelhos, muito parecidos com a Medula de Sangue da mina do monte Heilong, mas de cor mais escura. — Algo está errado — disse Liu Tiezhu, enxugando o suor. — Está cada vez mais quente. Rouxinol não respondeu. Seus olhos brilhavam vermelhos no escuro, e seus movimentos ficavam mais rápidos, como se algo o estivesse atraindo. Liu Tiezhu teve que acelerar para acompanhá-lo. Finalmente, a fenda se abriu, e os dois se viram à beira de uma enorme caverna subterrânea. A visão fez Liu Tiezhu prender a respiração. No centro da caverna, havia uma poça d'água vermelha como sangue, quase idêntica à do monte Heilong. Mas aqui, a água era mais viscosa, fluindo lentamente como ferro derretido. Ao lado da poça, erguiam-se algumas colunas de pedra, cobertas de runas estranhas, que pareciam extremamente antigas. O mais assustador eram os ossos humanos espalhados pelo chão, alguns ainda vestindo uniformes militares rasgados, como se fossem de décadas atrás. — Soldados japoneses? — Liu Tiezhu se agachou para examinar. — Uniformes antigos do Exército de Guandong. Rouxinol, porém, foi direto em direção à poça, como se estivesse hipnotizado. Liu Tiezhu o puxou rapidamente: — Cuidado, essa água tem problema. — Não... isso é... — Rouxinol lutava para formar as palavras. — A fonte... do corpo original... Ele apontou para o fundo da poça. Liu Tiezhu apertou os olhos e viu, vagamente, uma forma enorme no fundo, como se fosse o esqueleto de alguma criatura, semi-enterrado na lama. — Olho... do Dragão... — a voz de Rouxinol estava cheia de reverência. — Realmente... há um dragão... Liu Tiezhu sentiu um arrepio na espinha. O esqueleto não se parecia com nenhum animal conhecido. O crânio enorme tinha duas órbitas vazias, apontando para cima, como se estivesse encarando quem chegava. Então era isso que Dmitri chamava de Olho do Dragão? Um fóssil de alguma criatura pré-histórica? Rouxinol caiu de joelhos de repente, segurando o peito com dor: — Está... me chamando... — O quê? — O sangue... está fervendo... — as veias sob a pele de Rouxinol se destacavam mais do que antes. — Ele quer... que eu... Liu Tiezhu rapidamente tirou a mistura de enxofre e cinábrio: — Tome um pouco. Rouxinol balançou a cabeça e, com esforço, apontou para as colunas de pedra: — Olhe... nelas... As runas nas colunas brilhavam fracamente na luz escassa. Liu Tiezhu se aproximou para ver melhor e percebeu que não eram runas, mas sim uma escrita antiga. Ele conseguiu distinguir algumas palavras: "Selar"... "Aprisionar"... "Sangue"... — Isso é... escrita Khitan — lembrou-se Liu Tiezhu de alguns caracteres que o tio Zheng lhe ensinara. — O tio Zheng era um Guardião do Dragão. Tudo de repente se encaixou! O "olho do dragão terrestre se abrindo" que o tio Zheng mencionara, o "Olho do Dragão" de Dmitri, e o esqueleto gigante na poça. — Isso não é um dragão — a voz de Liu Tiezhu tremia. — É um dragão terrestre, alguma criatura antiga. A Medula de Sangue de Yamamoto veio daqui... Antes que ele terminasse, Rouxinol soltou um grito que não parecia humano e pulou na poça de sangue. — Rouxinol! — gritou Liu Tiezhu, mas já era tarde. A água da poça se agitou como se estivesse viva, engolindo Rouxinol. Liu Tiezhu correu até a borda, mas a superfície se acalmou rapidamente, sem uma única bolha. — Droga! — ele remexeu a água inutilmente. O líquido viscoso era como cola, quase não grudava nas mãos. Quando ele já estava desesperado, a poça se agitou novamente, e uma figura emergiu com violência: era Rouxinol. Mas sua aparência havia mudado. A pele estava coberta por uma camada fina de algo parecido com escamas, os olhos completamente vermelhos, as unhas alongadas e duras, como garras de algum réptil. O mais assustador era o que ele segurava nas mãos: um cristal do tamanho de um punho, vermelho-escuro, com algo líquido se movendo dentro, emitindo um brilho sinistro. — O núcleo do corpo original — a voz de Rouxinol ficou rouca e grave. — É isso... que Yamamoto procura... Liu Tiezhu deu um passo para trás, erguendo a pistola instintivamente: — Você... ainda é Rouxinol? Os olhos vermelhos se voltaram para ele, e dentro deles havia um lampejo familiar de lucidez: — Sou eu... mas não completamente... Ele ergueu o cristal: — Ele me escolheu... nós... nos fundimos... — O que quer dizer? — O dragão terrestre... não está morto... — explicou Rouxinol com dificuldade. — Está hibernando... os veios que Yamamoto escavou... são apenas... extensões de seus vasos... Liu Tiezhu sentiu um arrepio. Então a Medula de Sangue era na verdade o sangue dessa criatura antiga? — Ele quer... acordar... — continuou Rouxinol. — Yamamoto... está ajudando... usando humanos como meio... — E você agora... — Eu me tornei... o novo Guardião do Dragão... — Rouxinol ergueu as garras. — Posso controlar... a Medula de Sangue... e também... enfrentar Yamamoto... De repente, do lado de fora da caverna, vieram passos confusos e gritos em japonês. Os homens de Yamamoto haviam encontrado o lugar! — Vamos! — Rouxinol guardou o cristal no peito. — Acabar com isso.