Capítulo 545: Capítulo 545: O Terror do Ataque Aéreo

O uivo da sirene antiaérea, como uma garra de ferro gelada, apertou com força o coração de todos.

Liu Tiezhu deu um sobressalto, e o movimento de se lançar para a frente foi interrompido bruscamente.

O feixe de lanterna que se aproximava pelo canal a montante também se apagou num instante, e os passos cessaram de repente.

Os dois perseguidores, claramente, também foram pegos de surpresa pela sirene repentina.

"Ataque aéreo!"

Uma maldição curta em japonês, abafada mas mal escondendo o espanto, veio da direção a montante.

Em seguida, passos mais rápidos, mas não em direção a Liu Tiezhu, e sim recuando rapidamente para montante, como se quisessem evacuar aquele espaço subterrâneo perigoso.

A sirene continuava, aguda como se fosse rasgar os tímpanos.

Do lado de fora do duto de ventilação, a rua virou um caos total num instante.

Gritos, choros, passos desordenados, buzinas de carros enlouquecidas...

Todos os sons se fundiam numa torrente de ruído apocalíptico, que, através das grades de ferro do duto, inundava o silêncio mortal do canal subterrâneo.

Liu Tiezhu não hesitou mais. Aproveitando o barulho ensurdecedor lá fora para abafar qualquer som, ele juntou todas as forças, usou a adaga para alavancar a barra de ferro mais profundamente cortada e jogou o corpo para trás com força.

Crac!

A barra de ferro enferrujada soltou um gemido que arrepiou os dentes e se partiu!

Na abertura, apareceu um buraco onde mal cabia uma cabeça.

Ele saiu como uma enguia!

O vento frio da noite, misturado com cheiro de pólvora e poeira, bateu em seu rosto!

Lá fora, era um beco estreito e sujo, ladeado por altas paredes de tijolos enegrecidas pela fumaça dos incêndios.

O céu acima era rasgado loucamente por holofotes, e a sirene era ensurdecedora.

Na rua principal, na saída do beco, a multidão corria desorientada como moscas sem cabeça, gritando e chorando.

Liu Tiezhu caiu no chão e deu um rolamento, escondendo-se rapidamente atrás de uma pilha de latas de lixo fedorentas.

Ignorando a água suja e o mau cheiro em seu corpo, seus olhos afiados examinaram rapidamente o ambiente.

Ficava perto do beco dos fundos do jornal *Shengjing Times*!

Ele arrancou o casaco rasgado, revelando por baixo uma jaqueta cinza um pouco mais inteira, e a vestiu do avesso, escondendo a lama e as manchas de sangue mais evidentes no peito.

Em seguida, escondeu a adaga na manga e, de cabeça baixa, misturou-se à multidão apavorada que fluía da entrada do beco.

A multidão o empurrava e o arrastava para a frente.

Apitos da guarda e gritos rudes ecoavam na esquina da rua, tentando manter a ordem, mas com pouco efeito.

Ao longe, ouviam-se explosões abafadas, e o chão tremia levemente. Não dava para saber se eram bombas ou tiros antiaéreos.

"Saia da frente! Saia da frente!"

Um pelotão de gendarmes japoneses fortemente armados, em motocicletas com sidecar, abriu caminho brutalmente pela multidão e disparou em direção ao oeste da cidade, levantando uma nuvem de poeira.

A direção deles era o Hospital do Exército.

O coração de Liu Tiezhu deu um pulo.

Será que o hospital era o alvo, ou será que Yamamoto estava no hospital, e por isso a segurança foi reforçada?

Ele não ousou pensar muito. De cabeça baixa, contra a corrente de pessoas, abriu caminho com dificuldade em direção ao jornal.

O jornal era um prédio antigo de tijolos de três andares. Várias vidraças da frente estavam quebradas, tapadas com tábuas pregadas de qualquer jeito.

A entrada estava deserta, um contraste gritante com o caos lá fora.

Liu Tiezhu contornou para o beco dos fundos. A porta dos fundos estava entreaberta, e lá dentro era escuro.

Ele empurrou a porta e entrou rapidamente. Um cheiro misturado de tinta de impressão e poeira o envolveu.

Aproveitando a fraca luz que entrava pela janela e o clarão das explosões do outro lado da rua, ele enxergou o interior.

A prensa estava parada. Havia jornais e tipos de chumbo espalhados pelo chão, uma verdadeira bagunça. Claramente, o jornal estava fechado há muito tempo.

"Quem é?"

Uma voz rouca e cautelosa veio da sombra no canto da escada.

Liu Tiezhu olhou na direção. Um velho magro, de cabelos grisalhos e óculos velhos, estava ali apoiado numa bengala, segurando uma chave inglesa grande.

"Kim Seong-hyeon?" Liu Tiezhu perguntou em voz baixa.

O velho o examinou com desconfiança: "Quem é você? Com essa confusão toda lá fora, o que veio fazer aqui?"

"Foi o Zhou velho quem me mandou." Liu Tiezhu limpou a sujeira do rosto. "E o Chen Dashuan também."

Ao ouvir esses dois nomes, a mão de Kim Seong-hyeon apertou a chave inglesa com força. Seus olhos, atrás das lentes, brilharam com intensidade: "O Zhou velho? O Dashuan? Eles..."

"Morreram." A voz de Liu Tiezhu era grave. "Antes de morrer, queriam te encontrar."

Kim Seong-hyeon cambaleou, apoiou-se na parede para se firmar. As rugas em seu rosto se aprofundaram, como se talhadas a faca: "Como morreram?"

"Foi obra dos japoneses." Liu Tiezhu foi direto. "Eles descobriram algo que não deviam."

"E o material?"

Liu Tiezhu tirou do peito o pacote de oleado, pegou o *Manuscrito Secreto do Qing Nang* e o livro de contas com a tinta borrada pela água.

"Isso é o que o Dashuan deixou, e também..."

Ele hesitou, mas acabou dizendo: "Tenho um irmão que os japoneses enlouqueceram. Está escondido num túnel fora da cidade. Precisamos salvá-lo."

Kim Seong-hyeon pegou o pacote de oleado e o *Manuscrito Secreto do Qing Nang* velho e surrado, com as mãos tremendo ligeiramente.

Ele abriu o livro de contas, aproximou-o da luz fraca, tentou decifrar a escrita borrada com dificuldade, e sua expressão ficou cada vez mais sombria.

"Medicamentos... minérios... experimentos com humanos vivos..."

Murmurou algumas palavras, ergueu a cabeça de repente, com os olhos ardendo em fúria.

"Animais, esses animais. Então era verdade. O Dashuan me falou, mas eu não acreditei, pensei que ele tinha enlouquecido."

Ele agarrou o braço de Liu Tiezhu com força surpreendente: "Onde está seu irmão? Leve-me até ele!"

"Lá fora está cheio de soldados!" Liu Tiezhu balançou a cabeça. "Primeiro temos que dar um jeito de salvá-lo! E o que está no livro de contas precisa ser divulgado."

"Divulgado?" Kim Seong-hyeon deu um riso amargo, apontando para o jornal em ruínas. "Olhe só. A redação foi destruída três vezes, o editor-chefe foi afogado no Rio Hun. Quem ainda ousaria publicar? Quem publicar, morre!"

Ele respirou fundo algumas vezes, mas seu olhar era extraordinariamente firme: "Mas o material... não pode ter sido em vão! E o homem... precisa ser salvo!"

Apoiado na bengala, ele mancou até a base de uma prensa abandonada no canto, removeu com esforço um tijolo solto debaixo dela e tirou de dentro um caderninho embrulhado em papel oleado e uma caneta Parker muito gasta.

"Isso é...?" Liu Tiezhu estranhou.

"São minhas anotações secretas destes anos." Kim Seong-hyeon entregou o caderno e a caneta a Liu Tiezhu. "As sujeiras da cidade de Fengtian, os negócios que não podem vir à luz, estão todos aqui."

"Incluindo pistas sobre os japoneses contrabandeando medicamentos ocidentais controlados e recrutando à força mineiros. Não tenho provas diretas, mas, junto com o material do Dashuan..."

Ele apontou para o livro de contas na mão de Liu Tiezhu, "talvez dê para montar um quadro geral."

Ele destampou a caneta. O corpo estava vazio: "É um transmissor de sinal, coisa americana antiga. Consegue emitir sinais de ondas curtas. É só encontrar uma estação de rádio clandestina ainda em funcionamento..."

Antes que terminasse, tiros e explosões violentos irromperam na rua lá fora. Desta vez, eram muito mais intensos. O prédio inteiro tremia, e as tábuas pregadas nas janelas chacoalhavam.

"Aviões! Os aviões chegaram!" Gritos ainda mais lancinantes vinham da rua.

O rosto de Kim Seong-hyeon empalideceu: "Não, não podemos ficar aqui. A bateria antiaérea japonesa fica na cidade oeste, e esta área está na zona de fogo."

Ele agarrou Liu Tiezhu: "Vamos, siga-me. Conheço um caminho para o esgoto."

Liu Tiezhu seguiu Kim Seong-hyeon correndo para o quintal dos fundos.

O velho conhecia o lugar como a palma da mão. Ele empurrou um monte de tralha num canto do galpão de lenha, revelando uma tábua levantada. Por baixo, havia um poço vertical fedorento.

"Desça!" Kim Seong-hyeon apressou.

Naquele instante, um estrondo ensurdecedor explodiu acima de suas cabeças.

O prédio inteiro do jornal parecia ter levado um soco de um gigante.

A vibração violenta derrubou os dois no chão. O teto acima desabou, deixando cair uma chuva de gesso e tijolos, seguida pelo rangido agonizante da estrutura se torcendo e rachando.

Uma bomba, sem erro, acertara em cheio a redação do *Shengjing Times*.