Capítulo 541: Capítulo 541: Mate o baixinho

O som do tiro ecoou na caverna escura, a bala atravessando as frestas dos escombros com um rangido metálico agudo. Liu Tiezhu não se apressou para ver se acertou o alvo. Ele se encolheu rapidamente atrás do pilar de concreto, os ouvidos captando os ruídos do lado dos escombros. Depois do som de algo pesado rolando, não houve mais nada. O baixinho morreu ou está gravemente ferido? Rouxinol caiu a menos de dois metros da caixa de remédios, com uma lâmina curta cravada no ombro, o sangue encharcando suas costas. Ele ainda se debatia, soltando grunhidos bestiais da garganta, mas seus movimentos estavam visivelmente mais lentos. Na abertura, os gemidos intermitentes de Erhu chegavam: "Tiezhu... caralho... minha perna..." Liu Tiezhu respirou fundo, forçando-se a ignorar o cheiro irritante de remédio e a tontura. Ele precisava resolver a situação rapidamente: a caixa de remédios, os livros contábeis, os companheiros feridos e o assassino atrás dos escombros, cujo destino era incerto. Primeiro, ele pegou um pedaço de tábua quebrada no chão e o jogou com força na direção dos escombros. Pá! O som seco da tábua batendo no metal ecoou de forma estridente no vazio. Nenhum tiro em resposta. O baixinho provavelmente perdeu a capacidade de agir. Só então Liu Tiezhu se moveu rapidamente para perto de Rouxinol, pisando com o pé no pulso direito que ainda tremia, para evitar que ele se levantasse de repente. Os olhos de Rouxinol já estavam revirados, espuma de sangue escorrendo da boca, mas aquela loucura ainda não tinha passado completamente. "Aguenta!" Liu Tiezhu murmurou em voz baixa, puxando a lâmina curta cravada nas costas de Rouxinol. O sangue jorrou imediatamente. Ele rasgou um pedaço da própria roupa e fez um curativo rápido para estancar o sangramento. O corpo de Rouxinol tremeu violentamente algumas vezes, até que finalmente ficou mole e desmaiou. Liu Tiezhu então se virou para a abertura. Erhu estava com metade do corpo preso ali, a perna direita torcida num ângulo estranho, o rosto coberto de suor frio. "A perna quebrou." Erhu disse entre dentes. "Aquele louco... chutou..." Liu Tiezhu se agachou para examinar o ferimento. A tíbia estava realmente quebrada. Ele rapidamente improvisou uma tala com uma tábua e tiras de pano. "Consegue andar?" Erhu balançou a cabeça: "Estou atrapalhando. Leva o Rouxinol e a caixa e vai na frente." "Merda!" Liu Tiezhu disse com firmeza. "Vamos juntos ou nada." Ele olhou para trás, para a caixa de remédios de metal. A tampa estava fechada, mas aquele cheiro doce e picante ainda vazava em fios. Aquilo não podia ficar ali por muito tempo. Precisava ser levado para fora o mais rápido possível. Mas ainda havia uma ameaça desconhecida atrás dos escombros. Liu Tiezhu pegou a lâmina curta que tinha caído de Rouxinol e, agachado, deslizou em direção aos escombros. Cada passo era cauteloso, a ponta da arma sempre apontada para as sombras onde alguém poderia estar escondido. Contornando uma pilha de placas de concreto quebradas, ele viu a figura baixa, caída de bruços numa poça de sangue. A capa de chuva de borracha preta tinha um rasgo grande feito por uma bala, e perto da escápula direita havia um buraco de bala sangrento e carnudo. Liu Tiezhu usou a lâmina para levantar o capuz da capa. Um rosto pequeno e cheio de cicatrizes apareceu, os olhos semiabertos, espuma de sangue no canto da boca. Era um homem de uns quarenta anos, de aparência comum, mas a ferocidade nos olhos não se dissipava nem perto da morte. "Quem te mandou?" Liu Tiezhu encostou a lâmina na garganta dele. O baixinho mostrou os dentes ensanguentados num sorriso: "Yamamoto... Taisho... não vai... deixar..." Antes de terminar a frase, ele começou a tossir violentamente, espirrando espuma de sangue na mão de Liu Tiezhu. Liu Tiezhu franziu a testa. Esse cara não viveria muito. Ele revistou o corpo rapidamente. Além da pistola com silenciador, só encontrou uma pequena caixa de metal no bolso do peito, com alguns comprimidos cinza-esbranquiçados dentro, exalando o mesmo cheiro dos livros contábeis e da caixa de remédios. "O que é isso?" Liu Tiezhu balançou a caixa. O olhar do baixinho de repente se tornou fanático, ele se debateu para tentar pegar a caixa: "Me... dá..." Liu Tiezhu deu uma risada fria e guardou a caixa no próprio bolso. O baixinho soltou um gemido desesperado e, com a cabeça virada, morreu. Confirmando que não havia outras emboscadas atrás dos escombros, Liu Tiezhu voltou rapidamente. Primeiro, ele carregou Rouxinol, ainda desmaiado, e o levou até a abertura, entregando-o aos cuidados de Erhu. Depois, voltou para pegar a pesada caixa de remédios. A caixa era mais pesada do que ele imaginava, pelo menos quinze quilos. Ele a ergueu com esforço e, cambaleando, foi em direção à abertura. "Vamos!" Liu Tiezhu entregou a caixa a Erhu. "Eu carrego o Rouxinol. Você se apoia num pedaço de pau. Voltamos pelo caminho do canal." Erhu se apoiou num pedaço de madeira quebrada e, arrastando a perna machucada, seguiu mancando atrás. Liu Tiezhu, com Rouxinol nas costas e a arma na mão, observava os arredores com atenção. A fumaça tóxica no canal já tinha diminuído bastante, mas aquele cheiro picante ainda causava tontura. Os três avançavam com dificuldade pela água, em direção à sala das bombas. Quando estavam quase chegando, Liu Tiezhu parou de repente. "O que foi?" Erhu perguntou, ofegante. Liu Tiezhu não respondeu, apenas aguçou os ouvidos. Ele ouviu um som sutil de água vindo da direção da sala das bombas. Não era o barulho que eles faziam. Alguém! Ele fez sinal para Erhu ficar parado, baixou Rouxinol com cuidado e, agachado, deslizou para frente. A porta de ferro da sala das bombas estava entreaberta, e uma luz fraca saía de dentro. Não era lamparina a óleo, parecia mais a luz fria de uma lanterna. Liu Tiezhu prendeu a respiração e, encostado na parede, aproximou-se da fresta da porta. Através da abertura, ele viu três pessoas na sala das bombas. Dois homens com uniformes da guarda apontavam suas armas para um terceiro, que estava ajoelhado no chão, imobilizado. O homem usava roupas do Corpo de Segurança, o rosto coberto de sangue, mas Liu Tiezhu o reconheceu na mesma hora. Era Gousheng! O garoto que os havia recebido no Templo do Deus do Rio. "Fala! Para onde foi Liu Tiezhu?" Um dos guardas bateu com a coronha na cabeça de Gousheng. Gousheng cuspiu um jato de sangue e sorriu, mostrando os dentes: "Vai pro caralho." A coronha caiu de novo. Gousheng gemeu e desabou no chão. O dedo de Liu Tiezhu tocou o gatilho. Mas ele não se mexeu. Eram dois inimigos, e Gousheng estava nas mãos deles. Atirar de repente só mataria Gousheng. Ele recuou silenciosamente para o canal e sussurrou algumas palavras para Erhu. O rosto de Erhu mudou: "Gente do Wang Mazi? Como eles acharam este lugar?" "Não sei." Liu Tiezhu rangeu os dentes. "Mas temos que achar outra saída." Ele olhou para Rouxinol em suas costas e para a pesada caixa de remédios. Não era hora de enfrentar a luta. "Volta. Procura outra saída." Erhu concordou e, arrastando a perna machucada, virou-se. Foi nesse momento que Rouxinol começou a ter convulsões violentas, com um som estranho de gorgolejo na garganta. "Merda!" Erhu murmurou. "Ele vai acordar!" Liu Tiezhu apressou-se em baixar Rouxinol. Os olhos de Rouxinol já estavam abertos, mas as pupilas dilatadas, sem foco algum. Seu corpo tremia como se estivesse levando choques, e espuma branca escorria do canto da boca. "O efeito do remédio ainda não passou!" Erhu segurou as pernas de Rouxinol, que chutavam sem controle. "Precisa achar um médico rápido!" Suor frio escorria da testa de Liu Tiezhu. Inimigos na frente, perseguidores atrás, dois companheiros, um gravemente ferido e outro delirante, e ainda aquela caixa de remédios amaldiçoada. De repente, ele se lembrou da pequena caixa de metal que tinha tirado do baixinho. Os comprimidos dentro tinham o mesmo cheiro dos livros contábeis e da caixa de remédios. Seria o antídoto? Ele tirou a caixa do bolso, hesitou por um momento e pegou um comprimido. "Vai dar isso a ele?" Erhu arregalou os olhos. "Não tenho outra escolha." Liu Tiezhu abriu a boca de Rouxinol e enfiou o comprimido lá dentro. A garganta de Rouxinol se moveu, e ele engoliu o comprimido. Alguns segundos depois, os tremores foram diminuindo gradualmente, e sua respiração se tornou mais estável. "Funcionou!" Erhu exclamou, surpreso. Liu Tiezhu, no entanto, franziu a testa. Embora os olhos de Rouxinol estivessem fechados, um sorriso estranho apareceu no canto de sua boca, como se estivesse tendo um sonho bom. Será que esse remédio não tinha problemas? Nesse momento, um grito veio da direção da sala das bombas: "Quem está aí?" O coração de Liu Tiezhu apertou. Foram descobertos!