Capítulo 542: Capítulo 542: Sobrevivendo em Meio ao Desespero

Assim que o grito áspero ecoou na sala das bombas, foi seguido por passos confusos e o clique de armas sendo carregadas.

Liu Tiezhu pegou a caixa de remédios com uma mão e puxou Erhu com a outra: "Vamos!"

Os três cambalearam em direção ao fundo do canal de água.

Rouxinol estava temporariamente acalmado pelo comprimido, mas ainda inconsciente, sendo arrastado e carregado.

A perna quebrada de Erhu arrastava no chão, deixando seu rosto pálido de dor.

Atrás deles, a porta de ferro da sala das bombas foi chutada com violência, e feixes de luz de lanternas perfuraram a escuridão, criando manchas brilhantes e oscilantes na água.

"Parem!" O grito dos guardas ecoou pelo canal estreito.

Liu Tiezhu nem olhou para trás, ergueu a mão e disparou dois tiros às cegas.

As balas atingiram as paredes dos canos, faíscas voaram, afastando temporariamente os perseguidores.

"Vire à esquerda na frente!" Erhu apontou, ofegante. "Há um poço de ventilação abandonado!"

Liu Tiezhu rangeu os dentes e acelerou o passo.

A caixa de remédios ficava cada vez mais pesada, como se estivesse cheia de chumbo.

O corpo de Rouxinol também pesava mais, quase o arrastando para baixo.

Ao virar a esquina, no fim do canal, apareceu uma escada de ferro enferrujada, subindo para dentro do poço de ventilação escuro.

A abertura do poço era pequena, mal dando para passar uma pessoa.

"Sobe!" Liu Tiezhu entregou a caixa de remédios a Erhu. "Eu seguro a retaguarda!"

Erhu não hesitou, amarrou a caixa nas costas e começou a subir a escada de ferro pulando com uma perna só.

Liu Tiezhu, por sua vez, apoiou Rouxinol e o empurrou para cima.

A escada de ferro do poço de ventilação estava mal conservada, cada degrau emitindo um gemido de sobrecarga.

Quando Erhu estava na metade do caminho, um dos degraus enferrujados quebrou de repente, fazendo-o despencar um pouco, e a caixa de remédios bateu pesadamente na parede do poço, produzindo um som abafado.

"Cuidado!" Liu Tiezhu o segurou por baixo.

Erhu agarrou a escada com força, o suor frio encharcando suas costas.

A tampa da caixa de remédios se abriu uma fresta, e o cheiro picante e adocicado imediatamente se espalhou, deixando sua visão escura.

"Sobe logo!" Liu Tiezhu o apressou, enquanto olhava para trás, para a esquina do canal, onde os feixes de luz já estavam se aproximando.

Erhu rangeu os dentes e continuou subindo.

No topo do poço de ventilação, havia uma grade de ferro enferrujada. Ele a empurrou com o ombro várias vezes, mas ela não se mexeu.

"Está presa!" A voz de Erhu mudou de tom, desesperada.

Liu Tiezhu empurrou Rouxinol para o lado, subiu a escada em dois pulos e bateu com toda a força contra a grade.

Pá! Pá! Pá!

Três batidas, e a grade finalmente cedeu, revelando um fio de luz do dia.

O ar fresco entrou, dissipando o cheiro sufocante do remédio no poço.

Naquele momento, da esquina do canal veio um grito: "Ali estão!"

Liu Tiezhu virou a cabeça e viu dois guardas, que já haviam alcançado a base do poço de ventilação, com as armas apontadas para eles.

No instante crítico, Rouxinol acordou de repente de sua semi-inconsciência, soltou um rugido bestial e saltou da escada.

"Rouxinol!" Liu Tiezhu tentou agarrá-lo, mas já era tarde.

Rouxinol, como uma fera enlouquecida, caiu diretamente sobre o guarda da frente.

Os dois caíram juntos na água, levantando uma grande onda.

O outro guarda tentou virar a arma, mas Rouxinol agarrou o cano e o torceu violentamente para o lado.

Bang, o tiro saiu torto.

"Vai!" Liu Tiezhu gritou para Erhu, enquanto descia para salvar Rouxinol.

Erhu sabia que não era hora de hesitar. Suportando a dor intensa da perna quebrada, empurrou a grade com toda a força e saiu.

Do lado de fora do poço de ventilação, havia um terreno baldio coberto de mato, e ao longe se via o contorno dos arredores de Fengtian.

Erhu sentou-se no chão, ofegante, com a caixa de remédios caída ao lado, a tampa completamente aberta.

Dentro, além dos pacotes de óleo que envolviam a substância pastosa, havia uma caixa de ferro muito menor, com um papel amarelado colado, escrito "Fornecimento Especial do Navio Afundado".

Curioso, Erhu abriu a caixinha de ferro. Dentro, havia várias ampolas de vidro seladas, contendo um líquido amarelado.

Ele ia examinar mais de perto, quando ouviu sons de luta intensa e tiros vindo do poço de ventilação.

"Tiezhu!" Erhu gritou desesperado, mas não ousou descer; sua perna não tinha força.

No fundo do poço de ventilação, Liu Tiezhu já estava lutando com o guarda restante.

Rouxinol, por sua vez, segurava o outro guarda no chão, com os dentes cravados fundo no pescoço do homem, sangue jorrando.

"Rouxinol! Solta!" Liu Tiezhu gritou, enquanto dava uma cotovelada que nocauteou o guarda à sua frente.

Rouxinol não ouviu, continuou a morder, até que o guarda parou de se mexer completamente.

Ele ergueu a cabeça, o rosto coberto de sangue, os olhos brilhando com um brilho louco.

"Rouxinol!" Liu Tiezhu chamou novamente, aproximando-se devagar.

Rouxinol de repente sorriu, mostrando os dentes manchados de sangue: "Tiezhu... eu vi... o paraíso..."

Antes que terminasse, seu corpo ficou rígido, os olhos reviraram, e ele caiu duro.

Liu Tiezhu o segurou rapidamente, verificou sua respiração: ainda vivo, mas o pulso fraco, quase imperceptível.

"Porra!" Liu Tiezhu xingou, carregou Rouxinol nas costas, pegou a caixa de remédios que havia caído na água e subiu com dificuldade pelo poço de ventilação.

Na abertura, Erhu esperava ansiosamente.

Ao ver Liu Tiezhu e Rouxinol saírem, soltou um longo suspiro.

"Como ele está?"

"Mal." Liu Tiezhu deitou Rouxinol no chão. "Esse remédio... tem problema."

Erhu olhou para a caixa de remédios. A caixinha de ferro ainda estava aberta, as ampolas brilhando com um brilho sinistro sob o sol.

"O que é isso?"

Liu Tiezhu balançou a cabeça: "Não sei, mas com certeza tem a ver com a loucura do Rouxinol."

Ele olhou ao redor. Estavam perto dos arredores de Fengtian, mas num lugar isolado, sem casas por perto. Com dois feridos e um desmaiado, não conseguiriam ir longe.

"Precisamos encontrar um lugar para nos esconder", disse Liu Tiezhu. "A guarda vai revistar aqui logo."

Erhu apontou para um bosque distante: "Lá tem uma olaria abandonada, já me escondi lá antes."

Liu Tiezhu concordou, reamarrou a caixa de remédios e carregou Rouxinol nas costas.

Erhu usou um galho grosso como bengala, e os três seguiram com dificuldade em direção ao bosque.

No fundo do bosque, havia de fato uma olaria semi-desabada, com um buraco escuro, mas pelo menos protegia do vento e da chuva.

Liu Tiezhu colocou Rouxinol sobre uma pilha de palha seca e examinou seus ferimentos.

O corte no ombro já havia parado de sangrar, mas seu rosto ainda estava pálido e sua respiração fraca.

"Precisamos de um médico", disse Erhu, preocupado.

Liu Tiezhu não respondeu. Pegou as ampolas da caixa de remédios e as examinou contra a luz.

O líquido amarelado parecia claro, mas transmitia uma sensação inquietante.

"Você acha que isso é o antídoto?", perguntou Erhu.

"Não sei", Liu Tiezhu balançou a cabeça. "Mas depois que o Rouxinol tomou a pílula, ele realmente ficou calmo por um tempo."

Ele hesitou, pegou uma ampola e quebrou cuidadosamente a ponta de vidro.

Um cheiro ainda mais forte, picante e adocicado, do que o da caixa de remédios se espalhou imediatamente, fazendo os dois recuarem um passo.

"Porra!" Erhu tapou o nariz. "Que merda é essa?"

Liu Tiezhu franziu a testa. O cheiro era familiar, idêntico ao dos livros de contabilidade, do pó e da caixa de remédios, só que mais concentrado.

Ele ia jogar a ampola fora, quando Rouxinol começou a ter convulsões violentas, abrindo os olhos de repente e fixando o olhar na ampola.

"Me... dá..." ele disse, rouco, tentando se levantar.

Liu Tiezhu afastou a ampola rapidamente: "Rouxinol, você me reconhece?"

O olhar de Rouxinol ainda estava vago, mas o desejo era intenso: "Remédio... me dá..."

Liu Tiezhu e Erhu trocaram olhares.

A reação era estranha demais, como se fosse um vício.

"Não posso dar." Liu Tiezhu guardou a ampola de volta na caixinha de ferro, decidido. "Isso tem problema."

Rouxinol soltou um gemido desesperado, relaxou e fechou os olhos.

Erhu perguntou, inquieto: "E agora?"

Liu Tiezhu pensou por um momento: "Fique aqui vigiando o Rouxinol e a caixa de remédios. Vou até a cidade procurar um médico."

"É perigoso demais!", Erhu se opôs. "A cidade inteira está te caçando."

"Não tem outro jeito." Liu Tiezhu pegou um livro de contabilidade e uma ampola da caixa e os colocou no bolso. "Aproveito para descobrir o que é isso."

Erhu ia dizer algo, quando ouviu latidos de cães e o rugido de motores ao longe.

"É a patrulha da guarda", disse Erhu, empalidecendo.

Liu Tiezhu escondeu rapidamente a caixa de remédios e pegou a arma: "Leve o Rouxinol para o fundo da olaria e fique quieto."

Ele próprio saiu agachado da olaria e se embrenhou no bosque, pronto para desviar os perseguidores.

Mal tinha corrido um pouco, quando parou. Na moita à sua frente, uma figura familiar acenava para ele, discretamente.

Era Gousheng!

O garoto que tinha sido capturado pela guarda.

Ele estava com o rosto ensanguentado, mas ainda vivo.

"Comandante Liu!", Gousheng chamou em voz baixa. "Por aqui."

Liu Tiezhu não se aproximou, cauteloso: "Como você escapou?"

Gousheng sorriu, mostrando a boca com um dente faltando: "Fingi de morto, ué. Rápido, conheço um caminho seguro!"

Liu Tiezhu hesitou. Gousheng era dos seus, mas apareceu num momento muito oportuno.

Naquele instante, os latidos se aproximaram de repente, acompanhados pelos gritos dos guardas: "Sangue! Eles foram por aqui!"

Não havia tempo para pensar.

Liu Tiezhu rangeu os dentes e seguiu Gousheng para dentro do matagal denso.

Gousheng o levou por um caminho tortuoso no bosque, até chegarem a um riacho escondido, onde flutuava uma jangada velha e quebrada.

"Desça a correnteza, em meia hora chega em Heihugou", disse Gousheng. "Tenho um abrigo seguro lá."

Liu Tiezhu observou as costas de Gousheng e sentiu que algo estava errado. O jeito como Gousheng andava era firme demais, não parecia de alguém gravemente ferido.

Além disso, o caminho que ele escolheu evitava todos os possíveis pontos de emboscada, como se tivesse sido ensaiado antes.

A mão de Liu Tiezhu deslizou silenciosamente para o cabo da arma.