Capítulo 537: Capítulo 537: Perigo Silencioso

A batida persistia, teimosa.

Três longas... quatro curtas...

Segundos depois, mais três longas... quatro curtas...

O som era monótono, mas carregava uma pressão abafada que atravessava a parede oleosa.

Liu Tiezhu pressionava as costas contra a parede fria e gordurosa, o cabo da pistola já encharcado pelo suor da palma.

A luz amarelada iluminava sua mandíbula tensa.

Ele fitava fixamente o ponto acima: o grosso cano de óleo, coberto de graxa, cujos detalhes da superfície eram impossíveis de distinguir.

Não podia responder!

O sinal do mudo era uma sentença de morte!

Mas aquele sinal não era falso.

Em toda a guarda de segurança, os vivos que conheciam o código secreto de comunicação da tubulação profunda não chegavam a uma mão.

Quem estava lá em cima, ou era um irmão de confiança ainda vivo, encurralado em desespero,

ou era um fantasma mortal, que dominava todos os segredos.

"O que fazer?" A garganta de Erhu se moveu, a voz rouca.

Ele já havia sacado a arma, colado à parede como Liu Tiezhu.

O rouxinol no chão, paralisado pelo silêncio repentino, ficou imóvel por um instante, os olhos fixos na direção do teto, como se estivesse ouvindo.

Liu Tiezhu não respondeu. Seu olhar, como uma lâmina, varreu o pequeno compartimento da bomba.

A porta de ferro estava entreaberta, sem que um fio de luz da água externa passasse pela fresta.

A única saída, o túnel descendente no mapa, estava bloqueada.

Era um beco sem saída.

O outro lado continuava batendo o sinal, certo de que estavam lá embaixo.

Cada segundo era como ser frito em óleo.

Não podia mais adiar!

Liu Tiezhu respirou fundo. O ar, misturado com cheiro de óleo rançoso, sangue e o odor estranho do rouxinol, irritou suas narinas.

Ele ergueu lentamente a mão, apontou para a porta que levava ao canal de entrada e fez um gesto de saída.

Erhu assentiu, respondendo com um olhar de compreensão.

Liu Tiezhu desviou o olhar para a pistola Mauser em sua mão, fez o gesto de remover o carregador, apontou para o rouxinol amarrado e disse em voz baixa: "Leve ele. Sem volta, só podemos voltar ao canal de água e encontrar outro caminho."

O canal era sua única saída, mas também a única entrada da armadilha.

Erhu hesitou, então entendeu.

Tiezhu queria usar o rouxinol como a última peça viva!

Ele respirou fundo, agachou-se de repente, e com um clique, removeu o carregador de sua pistola, enfiando-o no peito.

Depois, pegou a adaga do rouxinol e a colocou na bota.

Agora, só tinha uma pistola sem balas e uma faca de lâmina grossa.

Liu Tiezhu, por sua vez, pegou o pacote de papel oleado que havia tirado do corpo e mantido junto ao peito, e o enfiou na fresta de um barril de óleo velho ao lado.

Aquilo não podia ficar no corpo; o cheiro estranho era o gatilho da morte.

Feito isso, ele acenou para Erhu, aproximou-se silenciosamente da porta de ferro entreaberta, inclinou a cabeça e ouviu por alguns segundos o canal lá fora.

O som da água corrente, um silêncio mortal.

Ele puxou a porta de repente!

O canal lá fora ainda estava vazio, escuro, apenas a água turva que haviam agitado ao passar ainda balançava levemente.

"Vamos!" Liu Tiezhu ordenou baixo.

Erhu não hesitou mais. Pegou o rouxinol, que começava a se debater no chão, e o jogou nas costas como um saco.

Liu Tiezhu, com a arma em punho e o corpo curvado, liderou o caminho de volta.

Atrás, no teto do compartimento da bomba, a batida persistente continuava.

Tá... tá-tá... tá... tá-tá...

A água chegava à panturrilha, gelada como agulhas.

Cada passo era como pisar em areia movediça. A água fria e as manchas de óleo flutuantes eram agitadas com um som alto, como trovões naquele silêncio.

Erhu, carregando um homem nas costas, estava ainda mais desajeitado. Suor misturado com água suja escorria pelo queixo.

O rouxinol nas costas rugia e se debatia, com uma força surpreendente.

Os nervos de Liu Tiezhu estavam no limite. Seus ouvidos só captavam o próprio coração, o som da água, o grunhido do rouxinol e a batida quase imperceptível.

Após andar uns dez metros, o canal fazia uma curva, e a batida parou de repente.

Silêncio, como se todo o mundo subterrâneo tivesse congelado.

Liu Tiezhu parou bruscamente, Erhu atrás também travou, e até o rouxinol nas costas parou de se debater por um instante.

As ondas batiam contra a parede do tubo, ecoando vazias.

Parou?

Aquele silêncio repentino era mais arrepiante do que a batida contínua.

Como uma cobra venenosa escondida na sombra que recolhe sua língua, pronta para o ataque fatal no próximo segundo.

A palma de Liu Tiezhu estava toda suada. O cano da arma varria a frente do canal e o teto, em movimentos rápidos.

A luz fraca do lampião a óleo mal iluminava alguns metros da superfície turva da água.

O tempo passava no silêncio.

"Tiezhu." A voz de Erhu carregava pavor.

Naquele momento, um som extremamente leve de algo caindo na água veio de cerca de dez metros à frente, na curva do canal, como se uma pedrinha tivesse sido jogada.

Alguém na curva à frente, descendo da parede do tubo?

A batida parou porque ele havia se movido.

Liu Tiezhu pensou rápido. À frente era uma curva, um ponto cego.

Sua luz era a única coisa que os expunha.

O outro estava na escuridão, eles na luz. Ficar preso no corredor estreito era a morte.

"Volta, para a sala da bomba!"

Liu Tiezhu ordenou em voz baixa, sem hesitar!

Já que o sinal de cima era falso, e quem batia desceu, a sala da bomba era o lugar temporariamente seguro que acabaram de confirmar.

Erhu ouviu, virou-se sem hesitar com o rouxinol nas costas e correu de volta.

A água turva era agitada em grandes ondas. Liu Tiezhu protegia sua retaguarda, recuando com a arma apontada.

O som da água se espalhava, expondo completamente o alvo.

Quando estavam a uns cinco ou seis metros da porta de ferro da sala da bomba, uma fumaça branca, com um odor forte e picante, começou a sair assobiando pela fresta de uma tampa de ventilação de ferro fundido no teto do canal.

A fumaça descia rapidamente, espalhando-se instantaneamente pelo canal estreito.

"Gás venenoso!" Liu Tiezhu gritou: "Prende a respiração!"

Ele inspirou fundo e prendeu o ar, mas já havia inalado um pouco.

O picante subiu direto à cabeça, e as imagens à sua frente se distorceram e tremeram por um instante.

Erhu também inalou, tossindo, os olhos instantaneamente injetados de sangue.

O rouxinol nas costas soltou um rugido feroz e repentino, seu corpo explodindo com uma força de boi, quase jogando Erhu inteiro na água.

Pior, na curva à frente, uma figura pequena e negra, como um fantasma escorregando pela parede do tubo, rompeu a água turva e surgiu silenciosamente.

A pessoa era muito baixa, como uma criança, envolta inteiramente em uma capa de borracha preta manchada de óleo e musgo, com o rosto coberto por um capuz, impossível de ver.

Apenas um cano de arma escuro e pesado aparecia sob a capa.

O cano frio, na penumbra, apontava precisamente para Erhu, que, desequilibrado pelo gás e pela luta do rouxinol, tropeçava.

No instante em que o clarão do tiro estava prestes a explodir, atrás da figura baixa, na sombra profunda da curva do canal, um pé calçado em uma sandália de palha rasgada e coberta de lama estendeu-se silenciosamente, pisando firmemente na borda de cimento da margem.

Eram pés!

Dois pés lado a lado, do tamanho de um homem adulto.