Capítulo 530: Capítulo 530: Wang Mazi dá uma mão

"É o suficiente para condenar." Rouxinol rangeu os dentes.

"Não é suficiente." Liu Tiezhu virou a última página, uma fotocópia de uma lista de carga, com dezenas de números e datas, e no final o selo de aprovação especial da Manchu Iron & Steel. "Isto é o essencial. Eles estão registrando o destino das amostras."

O velho Li de repente apontou para fora da tenda: "Eles chegaram."

No rugido dos motores, três veículos blindados bloquearam o portão principal do acampamento. Mais de vinte soldados japoneses fortemente armados saltaram.

O oficial líder gritou com um megafone, exigindo que a Guarda de Segurança entregasse imediatamente os bandidos que haviam roubado material militar.

"Ganhe tempo!" Liu Tiezhu enfiou as fotos e o diário nas mãos de Rouxinol. "Vá pelo dreno do muro dos fundos, encontre o jornalista Kim Seong-hyeon do Shengjing Times. Era ele que Chen Dashuan queria ver antes de morrer."

"E você?" Rouxinol agarrou seu braço.

"Eu fico para enrolar." Liu Tiezhu soltou os dedos dela. "As fotos precisam ser entregues."

Rouxinol ia dizer algo, mas do portão do acampamento já vinham sons de empurrões e cliques de armas sendo carregadas.

Liu Tiezhu a empurrou bruscamente para a janela dos fundos da tenda: "Vai!"

Do lado de fora, o líder do pelotão de guarda esperava com dois subordinados de confiança.

Rouxinol olhou para Liu Tiezhu pela última vez, rangeu os dentes e pulou pela janela.

Assim que tocou o chão, veio do portão da frente o rugido do oficial japonês: "Revistem!"

Liu Tiezhu ajustou o uniforme e caminhou em passos largos para o pátio da frente.

Os soldados japoneses já haviam invadido, apontando suas armas para os soldados da Guarda de Segurança que chegavam alertados.

Os dois lados estavam em tensão máxima, prontos para um tiro acidental a qualquer momento.

"O que é isso?" Liu Tiezhu gritou severamente. "Isto é território chinês."

O oficial japonês riu com desprezo: "Estamos perseguindo bandidos que atacaram o depósito militar. Há provas de que eles fugiram para cá."

"Mentira!" Liu Tiezhu aumentou deliberadamente o volume. "Isto é uma instalação militar."

A discussão abafou o leve som de água caindo do muro dos fundos.

Sob a escolta do líder do pelotão de guarda, Rouxinol entrou no dreno e desapareceu na névoa da manhã.

O oficial japonês de repente puxou uma foto: "Este homem, você conhece?"

As pupilas de Liu Tiezhu se contraíram. A foto o mostrava no momento em que pulava pela janela do depósito no cais do Rio Hun, nítida e clara.

"Não conheço." Ele manteve a expressão inalterada. "Vocês, japoneses, adoram plantar provas."

O oficial acenou, e os soldados japoneses puxaram os ferrolhos em uníssono.

Os soldados da Guarda de Segurança não ficaram atrás; num instante, o pátio se encheu de sons de armas se chocando.

"Dou-lhe dez minutos." O oficial disse sombriamente. "Se não entregar o homem, vamos procurar nós mesmos. Sem piedade."

Liu Tiezhu sabia que isso era para ganhar tempo para Rouxinol escapar.

Fingindo raiva, chutou um balde d'água: "Porra, todos em formação, deixem esses japoneses revistarem."

Os soldados abriram caminho relutantemente.

Os soldados japoneses se dividiram em três grupos e começaram a revistar as tendas uma por uma.

Liu Tiezhu olhava fixamente para o relógio de bolso; a cada tique do ponteiro dos segundos, Rouxinol ficava um pouco mais segura.

Quando a revista chegou ao consultório médico, um soldado japonês de repente apontou para as pegadas de lama debaixo da cama e gritou.

O oficial se aproximou para ver, e seu rosto se contorceu de fúria: "Alguém acabou de fugir daqui."

O coração de Liu Tiezhu subiu à garganta. As manchas de sangue da perna ferida de Rouxinol ainda não haviam secado.

"Persigam!" O oficial puxou a espada. "Direção do muro dos fundos."

Liu Tiezhu deu um passo à frente e bloqueou a porta: "Isto é meu território."

A ponta da espada do oficial encostou em sua garganta: "Saia da frente!"

Naquele momento crítico, do lado de fora do portão do acampamento veio o som de freios de carro, seguido por passos ritmados.

Uma voz forte ecoou através de um megafone.

"Brigada Especial de Inspeção do Quartel-General de Segurança de Fengtian. Todos, larguem as armas."

O rosto do oficial japonês empalideceu.

Liu Tiezhu também ficou atônito. Desde quando a Brigada de Segurança ousava enfrentar os japoneses?

Do portão entrou uma fileira de soldados em uniformes impecáveis, liderados por ninguém menos que Wang Mazi.

Atrás dele vinham mais de uma dúzia de inspetores fortemente armados, com suas armas apontadas, intencionalmente ou não, para os soldados japoneses.

"Recebemos uma denúncia de tráfico ilegal de armas aqui." Wang Mazi disse com cara séria. "Todos serão inspecionados."

O oficial japonês se irritou: "Somos a Unidade de Operações Especiais do Exército de Kwantung."

"Operações especiais, o escambau!" Wang Mazi puxou um documento com um grande selo vermelho. "Olhem bem, autorização máxima do Departamento de Segurança Pública de Fengtian."

Liu Tiezhu entendeu na hora: Wang Mazi estava ajudando.

Embora não soubesse de onde o cara tinha tirado coragem e documentos, naquele momento precisava cooperar.

"Revistem!" Wang Mazi acenou. "Comecem pelos japoneses."

O oficial japonês ficou lívido, mas vendo que os inspetores eram mais numerosos, só pôde ordenar que seus homens largassem as armas.

Aproveitando a confusão, Liu Tiezhu recuou silenciosamente para a janela dos fundos do consultório médico e pulou para seguir Rouxinol.

Assim que tocou o chão, ouviu Wang Mazi gritar deliberadamente mais alto: "Todas as fotos e documentos serão inspecionados, especialmente os que os japoneses estão carregando."

Liu Tiezhu entendeu o recado: Wang Mazi o alertava de que os japoneses podiam ter mais provas.

Ele se abaixou e entrou no arsenal, tirou um pacote de papel encerado de um compartimento secreto. Dentro estavam algumas páginas de um livro de contabilidade que ele havia pego no depósito do Rio Hun na noite anterior, registrando os horários e rotas do transporte das amostras.

Uma linha em particular saltava aos olhos: "Amostra nº 5, transferida para o Hospital Militar de Fengtian. Receptor: Coronel Yamamoto."

O pacote de papel encerado queimava como um ferro em brasa no peito de Liu Tiezhu.

Ele se abaixou, passou pela janela dos fundos do arsenal e pulou no dreno cheio de graxa.

Lá dentro do acampamento, os gritos de Wang Mazi e as maldições dos japoneses se misturavam, abafando o barulho da água que ele pisava.

A saída do dreno dava num cemitério a meio quilômetro de distância.

Rouxinol estava apoiada num pedaço de pau, debaixo de um salgueiro torto, com o rosto mais pálido que um morto.

O líder do pelotão de guarda segurava uma pistola Mauser, alerta, vigiando os arredores.

"Conseguiu?" Rouxinol perguntou ofegante.

Liu Tiezhu desembrulhou o pacote. As páginas do livro de contabilidade estavam manchadas pela água do esgoto, mas as partes cruciais ainda estavam legíveis: "Olha aqui, Amostra nº 5, transferida em 5 de abril para o Hospital Militar de Fengtian, receptor Coronel Yamamoto. Chen Dashuan morreu naquele dia."

As unhas de Rouxinol cravaram na casca da árvore: "Aquele monstro..."

"Não é só um." Liu Tiezhu apontou para outra linha. "Amostras nº 7 e nº 9 transferidas para a área de reserva do Poço nº 3 da Mina Longfeng, o buraco que explodimos."

O líder do pelotão de guarda engoliu em seco: "Aqueles na mina estavam presos de propósito?"

Nesse momento, ao longe, ouviu-se o som de sirenes.

Liu Tiezhu enfiou o livro de contabilidade nas mãos de Rouxinol: "Sua perna está ruim. Vá para o Beco do Olmo Velho encontrar a Wang. Eu e Erhu vamos atrás desse Yamamoto."

Erhu era o líder do pelotão de guarda. Ele imediatamente sacou duas pistolas e as engatilhou.

Rouxinol ia dizer algo, mas Liu Tiezhu já se abaixava e entrava no cemitério: "Cuide bem do livro, é nossa salvação."

O muro dos fundos do Hospital Militar de Fengtian era mais alto que uma muralha.

Liu Tiezhu e Erhu estavam agachados no telhado de uma loja de óleos e grãos do outro lado da rua, observando duas ambulâncias entrarem pelo portão de ferro.

A placa do Departamento Médico da Manchu Iron & Steel nas laterais dos veículos ardia nos olhos.

"Quatro sentinelas no portão dos fundos, e dois ninhos de metralhadora no telhado." Erhu lambeu os lábios ressecados. "Invadir na marra é suicídio."

Liu Tiezhu puxou o relógio de bolso: 3h15 da tarde. O livro de contabilidade dizia que as transferências de amostras aconteciam mais de madrugada; naquele momento, a guarda estava mais relaxada.

Ele apontou para o lado oeste do hospital: "Lá tem um olmo velho, os galhos entram no muro."

Os dois contornaram até a base do muro oeste.

Os galhos do olmo eram grossos o bastante para um cavalo passar. Liu Tiezhu subiu rapidamente, e quando a ponta do pé quase tocava o topo do muro, ouviu vozes em japonês do outro lado. Instantaneamente, recuou para a sombra da árvore.

Dois japoneses de jaleco branco passavam empurrando uma maca coberta com um pano branco, com a forma de um corpo. Debaixo do pano, um pé aparecia, com uma placa de código no tornozelo: HS-09.

"Este lote tem pouca atividade." Reclamou o mais baixo.

"O Coronel Yamamoto vai tratar pessoalmente." A voz do mais alto era fria. "No lugar de sempre."

A maca virou para a porta lateral de um prédio pequeno. Liu Tiezhu aproveitou o momento, pulou o muro e rolou para dentro de um arbusto de azevinho.

Erhu seguiu logo atrás, com uma faca de açougueiro que tinha pegado na loja de óleos e grãos.

O prédio pequeno tinha uma placa: "Departamento de Pesquisa Patológica". A porta estava entreaberta.

Liu Tiezhu, colado na fresta, viu no fim do corredor um elevador de carga, cujos números subiam do B1.

"Tem coisa no subsolo!" Erhu sussurrou.

Os dois desceram as escadas.

O subsolo era frio como uma adega. O corredor estava iluminado por luzes pálidas.

O cheiro de desinfetante se misturava com o de formol, dando uma dor de cabeça.

Na porta dupla no fundo, ouviam-se sons de instrumentos se chocando.

Liu Tiezhu, pela fresta, viu o japonês alto de jaleco branco operando um microscópio, enquanto o baixo escrevia num caderno.

Encostados na parede, três cilindros de vidro, com coisas boiando em formol que reviravam o estômago de Liu Tiezhu: eram membros cobertos de tumores, como os da mina.

"A atividade das amostras só dura setenta e duas horas." O baixo fechou o caderno. "O Coronel Yamamoto está pedindo novas remessas."

"A Mina Longfeng está perdida, precisamos de novas fontes." O alto tirou as luvas. "Vamos ao Depósito nº 7 esta noite pegar as amostras de reserva."

Do lado de fora, de repente, um baque: a faca de açougueiro de Erhu caiu no chão.