Capítulo 524: Capítulo 524: Névoa Tóxica na Mina

Nos túneis escuros da mina, a lâmina fria roçava a pele, e Rouxinol sentia claramente a respiração pesada do homem atrás dela. Ela estava com a boca e o nariz firmemente tapados por uma mão forte, sendo arrastada para um desvio mais profundo de um túnel abandonado. A escuridão densa engolia toda a luz, apenas os gritos dos soldados da guarda que os perseguiam e os feixes de lanternas tremulavam ao longe. — Não se mexa, não faça barulho. — Uma voz rouca como lixa roçou seu ouvido, com um forte sotaque de Guandong, mas propositalmente baixa. — Se quer viver, faça o que eu digo. A luz da lanterna varreu a bifurcação e foi se afastando. A mão que tapava sua boca e nariz afrouxou um pouco, mas a lâmina ainda pressionava suas costas. — Quem é você? — Rouxinol perguntou em voz baixa, o corpo tenso como uma corda de arco, pronta para agir. — Alguém como você, que quer derrubar os japonesinhos. — A voz ainda rouca. — Hu Biao é um cachorro deles, mas o que ele sabe é só a cerejeira no mapa de minério bruto, o codinome do laboratório secreto do Departamento de Água e Prevenção de Epidemias do Exército de Guandong em Fushun. Departamento de Água e Prevenção de Epidemias? O coração de Rouxinol tremeu violentamente, aquele nome exalava um presságio sinistro. — Eles fazem experimentos com pessoas vivas no poço mais profundo do Longfeng. A voz do homem carregava um ódio profundo. — As amostras são coisas que eles criaram, mais venenosas que a mancha negra. — Como você sabe? — Rouxinol insistiu. — Porque eu sou uma amostra que escapou daquele inferno. O homem pareceu dar um sorriso, mas o som era pior que um choro. — Me chamam de Preto. Eles me injetaram algo, não morri, mas fiquei nesse estado, só podendo me esconder como um rato nos túneis. Ele fez uma pausa, como se hesitasse, e finalmente disse: — A Casa de Chá Jufu é o ponto de contato deles, e também a estação de transferência. — A mercadoria que vocês procuram, e as pessoas capturadas para os experimentos, passam todas por lá. — Rouxinol, Rouxinol! — Os gritos ansiosos de Liu Tiezhu se aproximavam. O corpo de Preto se tensionou visivelmente, a lâmina avançou um pouco: — Mande-os embora, você fica. Só eu posso te levar àquele lugar e conseguir as provas. Liu Tiezhu e seu pelotão de guarda já haviam alcançado a bifurcação, as lanternas varrendo as várias entradas escuras dos túneis. — Comandante, aqui. — Um soldado encontrou pegadas na bifurcação. — Devagar! — Liu Tiezhu ergueu a mão para parar os outros. Agachou-se, examinando o chão atentamente, marcas de arrasto e algumas gotas discretas de sangue escuro. Ergueu a cabeça, o olhar afiado varrendo a profundidade do túnel onde Rouxinol havia desaparecido. Dali, além da escuridão, vinha um cheiro indescritível, misturando desinfetante e podridão. O coração de Liu Tiezhu afundou. Aquele cheiro lembrava as feridas ulceradas dos pacientes com mancha negra. — Rouxinol pode ter sido capturada por eles. — O líder do pelotão de guarda disse, tenso. Liu Tiezhu se levantou, olhando para a escuridão sem fundo, com um olhar decidido: — Deixem dois homens para voltar e avisar o quartel, tragam uma companhia com lança-chamas. — O resto desce comigo no túnel. Atenção aos pés, ao cheiro, e coloquem as máscaras de gás. Sacou a pistola, verificou o carregador, e foi o primeiro a pisar no túnel abandonado que exalava aquele presságio sinistro. Quanto mais avançavam, mais escura ficava a luz, e o ar mais turvo. O cheiro de desinfetante misturado com podridão se intensificava, deixando as pessoas tontas. A máscara de gás só filtrava parte; aquela aura fria e úmida, com produtos químicos e irritantes, parecia penetrar até os ossos. O chão era irregular, coberto de água preta viscosa. Andaram por cerca de um tempo de fumar um cachimbo, quando à frente se ouviram gemidos fracos e intermitentes, como o uivo de uma besta moribunda. — Alerta. — Liu Tiezhu ordenou em voz baixa. Os soldados se espalharam imediatamente, buscando cobertura nas paredes da mina. As lanternas avançaram cautelosamente, e no fim do feixe, o túnel se abria, formando um salão natural de caverna. A visão fez o couro cabeludo de todos formigar e o estômago revirar. Num canto da caverna, com troncos grossos e chapas de ferro enferrujadas, haviam sido construídas várias jaulas enormes. Dentro delas, uma massa escura de pessoas se amontoava, a maioria em trapos, esquelética, com olhares vazios ou cheios de terror. Alguns estavam caídos no chão, emitindo gemidos fracos; outros tinham a pele exposta coberta de pústulas nojentas ou manchas pretas arroxeadas, mais horríveis que as manchas negras anteriores. Havia alguns acorrentados separadamente em cantos, já sem forma humana, a pele descascando em grandes áreas, revelando músculos vermelho-escuros, como sapos esfolados, emitindo sons roucos da garganta, sem conseguir formar palavras completas. O ar estava impregnado de desespero e morte. — São mineiros... e... refugiados... Um jovem soldado tremia na voz, quase incapaz de segurar a arma. Do outro lado da caverna, havia mesas e prateleiras rústicas de madeira, com frascos de vidro, seringas espalhadas, e algumas caixas de ferro com escritos em japonês. Aquele era claramente o local dos chamados experimentos. — Animais! — Liu Tiezhu rangeu os dentes de raiva, os nós dos dedos brancos de tanto apertar a arma. Ele viu uma jaula de ferro na altura da cintura num canto, com uma pessoa dentro que tinha menos feridas e ainda conservava um lampejo de sanidade. — Vocês são... — A pessoa, ao ver a luz e os soldados, arrastou-se até a grade, gritando roucamente. — Da guarda, viemos resgatar vocês! — Respondeu o líder do pelotão. — Salvem... vão embora rápido! — A pessoa, porém, apontou subitamente, com terror, para uma abertura de ventilação discreta no alto da caverna, gritando incoerentemente. — Eles... vão soltar gás venenoso, corram! Mal terminou de falar, um rangido metálico arrepiante veio da direção da ventilação! Pssss... Uma densa fumaça amarelo-esverdeada, como uma cobra venenosa viva, jorrou violentamente do duto de ventilação, espalhando-se rapidamente pelo teto da caverna. — Gás venenoso! Todos prendam a respiração, recuem! — Liu Tiezhu gritou, as pupilas se contraindo. Os soldados recuaram em pânico, mas o gás descia muito rápido! Naquele momento crucial, uma sombra negra, como um fantasma, passou por cima de todos, atirando-se precisamente em direção à abertura de ventilação que exalava o gás. Quem se atirou na abertura foi Rouxinol! Ela tinha nas mãos um pano grosso de estopa encharcado de água, que pressionava firmemente contra a ventilação. O som do gás foi abafado em grande parte, mas ainda escapavam fios de fumaça venenosa pelas frestas. Rouxinol usava todo o peso do corpo para segurar o pano, a fumaça amarelo-esverdeada a fazia tossir violentamente, lágrimas escorrendo. — Rouxinol! — Liu Tiezhu gritou, alarmado e aflito. — Rápido... resgatem... não se preocupem comigo... — A voz de Rouxinol saía entrecortada pela fumaça, apontando para os cadeados das jaulas. Liu Tiezhu se recompôs e gritou para o líder do pelotão: — Quebrem os cadeados e resgatem, rápido! Os soldados, superando o medo do gás, avançaram e começaram a golpear os cadeados de ferro com coronhas e baionetas. O som metálico dos golpes se misturava aos choros e pedidos de socorro fracos dos aprisionados, ecoando na caverna cheia de gás. A fumaça amarelo-esverdeada ainda se espalhava lentamente, embora a fonte estivesse bloqueada por Rouxinol, o gás já liberado continuava a descer. Alguns dos prisioneiros mais fracos já estavam com os olhos revirados e espuma na boca. A figura de Rouxinol balançava na fumaça, prestes a cair. E o olhar de Liu Tiezhu se fixou de repente no fundo da caverna, numa entrada fechada por uma grade de ferro. Atrás da grade, parecia haver uma luz fraca e sombras se movendo.