Capítulo 483: Capítulo 483: Corrosão Venenosa

Os degraus de pedra que levavam ao topo do penhasco tornaram-se um corredor da morte.

Os bandidos lá em cima aproveitavam a vantagem do terreno, rolando troncos e pedras como chuva, enquanto balas selavam cada centímetro da escadaria.

Cada avanço dos soldados era extremamente difícil, e constantemente alguém era atingido e caía.

— Me cubram! — Zhang Dashan tomou uma metralhadora leve abandonada pelos bandidos, apoiou-a atrás de uma rocha saliente e disparou furiosamente para cima, suprimindo temporariamente o fogo inimigo.

Liu Tiezhu e Rouxinol aproveitaram para liderar o grupo numa investida violenta.

Balas zuniam, lascas de pedra voavam.

Ao passar pela última curva, o portão do topo do penhasco estava a poucos passos.

O pesado portão estava fechado, e na torre acima, os canos dos bandidos cuspiam labaredas.

— Explosivos! — rugiu Liu Tiezhu.

O encarregado das explosões acabara de subir quando um tiro abafado veio da muralha — era um atirador de elite!

O peito do homem explodiu em sangue, ele cambaleou e caiu, e o pacote de explosivos escapou de suas mãos, rolando pelos degraus!

— Droga! — Liu Tiezhu rangeu os dentes de raiva.

Rouxinol avançou para pegar os explosivos, mas foi forçado a se abaixar pelo fogo intenso.

Naquele instante, dentro do portão, ouviram-se tiros violentos e gritos de agonia. O portão fechado rangeu e, de repente, foi aberto por dentro, deixando uma fresta.

— Irmão Zhu, rápido! — Na fresta, o rosto ensanguentado de Lao Jin apareceu por um instante.

Ele segurava um fuzil tomado dos inimigos, atirando contra os bandidos lá dentro.

— Lao Jin! — Liu Tiezhu ficou surpreso e aliviado.

Acontece que Lao Jin, após ser capturado, fingira submissão o tempo todo, esperando o momento certo.

Liu Tiezhu e Rouxinol, como duas flechas, dispararam em direção ao portão escancarado.

Dentro, era uma confusão total: os leais ao Panguim lutavam ferozmente contra os bandidos que Lao Jin havia convencido a se rebelar.

O objetivo de Liu Tiezhu era claro: avançar direto para a maior cabana de madeira no centro do acampamento, o covil do Panguim.

Com um chute, ele abriu a porta de madeira. O interior era tosco e simples.

Seu olhar fixou-se instantaneamente num cofre de ferro fundido, da altura de um homem, encostado no canto.

Na porta do cofre, estava gravada uma águia negra prestes a alçar voo.

A chave da águia negra. Liu Tiezhu puxou-a e a inseriu na fechadura.

— Clique.

A porta do cofre se abriu. Lá dentro, não havia ouro nem prata, apenas alguns grossos livros de contabilidade em japonês, um cilindro de metal selado e uma pequena caixa de pílulas roxas escuras, lacradas com cera.

Ao lado das pílulas, uma etiqueta em japonês dizia: "Antirradiação, Protótipo Tipo I".

Liu Tiezhu pegou a caixa de pílulas e o cilindro de metal e os enfiou no peito.

Nesse momento, do lado de fora, veio o grito severo de Rouxinol:

— Larguem as armas.

Liu Tiezhu saiu da cabana. A batalha no acampamento estava quase no fim; os bandidos restantes se rendiam.

Rouxinol e Zhang Dashan apontavam suas armas para um velho magro, de mãos amarradas nas costas, vestindo um longo manto de seda.

O velho, embora desgrenhado, tinha um olhar sinistro, nada parecido com um bandido comum.

— Sr. Xie? — Liu Tiezhu encarou o velho. O segundo no comando do Penhasco da Águia, o conselheiro do Panguim e o colaboracionista mais próximo dos japoneses.

Sr. Xie sorriu friamente:

— Liu Tiezhu, você venceu o acampamento, mas não vencerá o destino. Essa medula grudou em você; nem os deuses podem salvá-lo.

Seu olhar percorreu o casaco manchado de sangue de Liu Tiezhu, exatamente onde ele havia segurado o minério antes.

Foi então que Liu Tiezhu sentiu: no local queimado pelo minério no peito, uma coceira e um frio penetrantes começaram a corroê-lo.

Ele puxou a gola da roupa e viu que a pele queimada agora exibia levemente veias de um verde sinistro.

— O antídoto! — Zhang Dashan pressionou o cano da arma contra a testa do Sr. Xie.

— Antídoto? — O Sr. Xie riu de forma estranha. — Só os japoneses têm a verdadeira chave. Aquelas pílulas...

Ele lançou um olhar para a caixa no peito de Liu Tiezhu.

— No máximo, vão te deixar viver mais alguns dias, para morrer com mais dor.

O coração de Liu Tiezhu afundou. Ele apertou o cilindro de metal frio.

Dentro dele, estaria o segredo da tal "fabricação da chave"? Ou uma conspiração ainda mais profunda dos japoneses?

O vento frio varria o acampamento do Penhasco da Águia, manchado de sangue. Ao longe, a linha de neve da Cordilheira Wanda brilhava com uma luz vermelha e gélida sob o sol poente.

E a coceira em seu peito roía, fio a fio, a esperança.

As tochas do acampamento crepitavam no vento frio, iluminando a desolação manchada de sangue.

Liu Tiezhu encostou-se na parede de pedra gelada. As veias verdes escuras em seu peito pulsavam levemente como algo vivo, e cada contração trazia uma coceira e um frio que penetravam até os ossos.

— Irmão Zhu! — Zhang Dashan tomou a caixa lacrada com cera do peito de Liu Tiezhu e, com dedos trêmulos, arrancou uma pílula roxa escura. — Rápido, experimente isso!

A pílula era amarguíssima na boca, com um forte cheiro mineral metálico.

Um calor intenso queimou da garganta ao estômago, espalhando-se então por todos os membros.

A coceira e o frio que corroíam seus ossos foram, de fato, um pouco suprimidos.

— Funcionou! — Rouxinol suspirou aliviada.

O efeito durou menos de dez minutos. A coceira e o frio voltaram como uma maré que recua e depois avança com mais força.

As veias verdes se espalharam sob a pele, mais escuras, pulsando mais rápido e mais forte.

Liu Tiezhu gemeu baixinho, gotas de suor frio brotando em sua testa.

— Droga, esse remédio parece estar alimentando isso!

Zhang Dashan olhou para as veias pulsantes e sinistras, com o rosto pálido.

O Sr. Xie, amarrado como um pacote, soltou uma risada estranha, como uma coruja noturna:

— Eu disse, no máximo prolonga a vida por alguns dias. Essa pílula é isca; alimenta a medula, e a morte vem mais rápido, hahahaha.

Liu Tiezhu abriu os olhos de repente. Eles estavam injetados de sangue, mas incrivelmente lúcidos e afiados.

Ele empurrou Zhang Dashan, que o amparava, e foi até o Sr. Xie. Com os dedos cobertos de suor frio, forçou a mandíbula do homem para baixo e enfiou as pílulas restantes, junto com a cera, goela abaixo.

— Hum... hum... — O Sr. Xie arregalou os olhos de pavor, lutando desesperadamente, mas foi forçado a engolir as pílulas e a cera.

— Já que você entende tanto disso — a voz de Liu Tiezhu era fria como ferro —, então coma junto com isso.

O rosto do Sr. Xie se contorceu instantaneamente de asfixia e medo.

Logo, as mesmas veias verdes escuras começaram a aparecer e pulsar sob a pele de seu pescoço exposto.

Ele soltou grunhidos de dor, seu corpo tremendo violentamente.

— Vigie-o! — Liu Tiezhu ordenou a Rouxinol. — Registre o tempo e os sintomas do envenenamento.

Ele se virou para Zhang Dashan e tirou do peito o cilindro de metal selado que havia pegado no cofre.

— Abra-o!

Zhang Dashan usou uma baioneta para forçar a tampa do cilindro. Dentro, não havia documentos, apenas um tubo de vidro transparente, da espessura de um dedo.

O tubo continha uma substância viscosa verde-escura. Dentro dela, flutuavam inúmeros pontos cristalinos verdes, menores que grãos de areia.

A cor e a textura daquela substância eram terrivelmente semelhantes ao pus sanguinolento que o Gerente Wang havia expelido antes de morrer, só que mais pura e mais ativa.

— Isso é a medula? — a voz de Zhang Dashan estava seca.

— Ou parte da chave. — Liu Tiezhu fixou o olhar na luz fantasmagórica que girava lentamente dentro do tubo de vidro. — Os japoneses mencionaram extrair a medula para fazer a chave.

Ele pegou o livro de códigos que haviam tirado do Sr. Xie.

— Entre em contato com o destinatário da última transmissão do Gerente Wang, ontem à noite. Use o código dele. Transmita: Isca lançada, medula ativada, venham rapidamente ao Penhasco da Águia buscar a chave.

— Chamar a cobra para fora da toca? — Os olhos de Rouxinol brilharam.

— É chamar o fantasma para fora do túmulo! — Liu Tiezhu olhou para o Sr. Xie, que se contorcia e rolava no chão, com as veias verdes inchando sob a pele.

— Vamos ver quem está com tanta pressa de pegar essa chave!

O rádio, na noite profunda do penhasco, chiava e emitia sinais.

A resposta veio incrivelmente rápida, com apenas duas palavras frias.

— “Espere!”