Capítulo 429: Capítulo 429: O Presidente Aparece

"Encontrado no cozinheiro?" Hu Dabangzi se aproximou, falando.

Liu Tiezhu virou o distintivo. No verso, duas pequenas letras estavam gravadas: Fujiwara.

"Sobrenome do presidente?" Hu Dabangzi arregalou os olhos.

Lao Yang entrou rapidamente na enfermaria: "O vice-diretor Zhang acordou. Quer ver você."

Na enfermaria especial, as mãos do vice-diretor Zhang estavam algemadas na grade da cama.

Ao ver Liu Tiezhu, ele esboçou um sorriso fraco: "Capitão Liu, tudo bem?"

Liu Tiezhu agarrou seu pescoço diretamente: "Quem é Fujiwara?"

O rosto do vice-diretor Zhang ficou vermelho, mas ele ainda sorria: "Você... nunca... vai encontrá-lo..."

Lao Yang puxou Liu Tiezhu: "Calma, precisamos que ele viva para confessar informações."

Liu Tiezhu soltou a mão, tirou o distintivo do bolso: "Esse Fujiwara é o verdadeiro presidente da Sociedade do Dragão Negro?"

O vice-diretor Zhang tossiu, um lampejo de surpresa nos olhos: "Xiao Zhang... conseguiu tirar isso do shadow warrior... interessante..."

"'Shadow warrior'?" Hu Dabangzi franziu a testa. "Aquele cozinheiro?"

"Apenas um substituto do presidente." O vice-diretor Zhang baixou a voz de repente: "Liu Tiezhu, você acha que impedir a Chuva de Cerejeiras é vitória? Ingênuo demais. Isso é só o começo."

Liu Tiezhu agarrou sua gola: "Que outros planos vocês têm?"

"Não eu, são eles." As pupilas do vice-diretor Zhang se dilataram de repente. "Ele chegou."

As luzes da enfermaria começaram a piscar.

O corpo do vice-diretor Zhang começou a ter convulsões violentas, espuma saindo de sua boca.

Médicos correram para reanimá-lo, mas já era tarde.

"Cápsula de cianeto." O legista abriu sua boca. "Escondida na dentadura."

Liu Tiezhu olhou para o rosto distorcido do vice-diretor Zhang e de repente notou o anel no dedo mindinho esquerdo dele, com o mesmo padrão do distintivo de cerejeira.

"Investigue este anel." Ele disse a Lao Yang. "E preciso de todos os arquivos do vice-diretor Zhang, especialmente os registros do período em que estudou no Japão."

A poeira na sala de arquivos fez Liu Tiezhu espirrar.

Hu Dabangzi folheava páginas amareladas: "Achei. Zhang Tianzuo, estudou na Faculdade de Medicina da Universidade Imperial de Tóquio de 1938 a 1941, orientador era Fujiwara Kenjiro."

Liu Tiezhu se aproximou para ver a foto.

Na foto amarelada em preto e branco, o jovem vice-diretor Zhang estava ao lado de um homem de meia-idade de óculos redondos, ambos vestindo jalecos brancos.

No canto da foto, uma data: Julho de 1940, Tóquio.

"Lupa." Liu Tiezhu estendeu a mão.

Sob a lupa, no dedo mindinho esquerdo de Fujiwara Kenjiro, estava o anel de cerejeira.

"É ele." A voz de Liu Tiezhu era fria como gelo. "O atual presidente da Sociedade do Dragão Negro, Fujiwara Kenjiro."

Hu Dabangzi inspirou fundo: "Mas esta é uma foto de 1940. Agora, aquele velho japonês deve ter pelo menos sessenta e poucos anos, não?"

"Descubra para onde ele foi depois da guerra." Liu Tiezhu continuou a folhear os arquivos. "Zhang Mingyuan, depois que voltou para a China, teve algum registro de contato com o Japão?"

Ao chegar na última página, uma cópia de telegrama presa ali chamou a atenção de Liu Tiezhu.

A data era março de 1946, o conteúdo tinha apenas algumas palavras: "Fujiwara já chegou a Harbin. Prosseguir conforme o plano."

"Harbin." Hu Dabangzi bateu na coxa. "Aquele velho japonês se escondeu em Harbin depois da guerra."

Liu Tiezhu de repente se lembrou de algo. Tirou do bolso a foto encontrada no Monte Hutou, a de Kuroda Kenichi com o misterioso.

Sob a lupa, no dedo mindinho esquerdo da figura borrada, era visível o reflexo do anel.

"Tudo se encaixa." Liu Tiezhu se levantou. "Fujiwara Kenjiro era o verdadeiro responsável pelo laboratório do Ninho do Dragão Negro na época, o colaborador de Kuroda Kenichi. Depois da guerra, ele se escondeu em Harbin e reorganizou secretamente a Sociedade do Dragão Negro."

"Mas onde ele está agora?" perguntou Hu Dabangzi.

O olhar de Liu Tiezhu caiu na data do telegrama: "1946, exatamente o ano do surto de peste bubônica em Harbin."

Lao Yang entrou pela porta, com expressão grave: "Acabamos de interceptar um telegrama criptografado, enviado de Harbin, destinado a um endereço em Tóquio."

"Conteúdo?"

"Apenas quatro palavras: Projeto Bétula."

Liu Tiezhu e Hu Dabangzi trocaram olhares.

Mais uma nova conspiração, e as pistas apontavam novamente para Harbin.

"Prepare um trem especial." Liu Tiezhu pegou o casaco. "Vamos para Harbin."

"E o Xiao Zhang?" perguntou Hu Dabangzi.

Liu Tiezhu olhou pela janela. No crepúsculo, as luzes de Pequim começavam a brilhar, uma calma aparente escondendo correntes subterrâneas.

"Deixe os homens mais confiáveis vigiando." Ele colocou o chapéu. "Quando pegarmos Fujiwara, encontraremos um jeito de salvar o Xiao Zhang."

Três dias depois, o apito do trem subindo ao norte cortou a noite.

Liu Tiezhu estava encostado na janela do vagão, acariciando o distintivo de cerejeira manchado de sangue.

Harbin, essa cidade marcada pela guerra, quantos segredos ainda guardava?

O misterioso Fujiwara Kenjiro, naquele momento, estaria parado em algum canto escuro, planejando o próximo Projeto Bétula?

O relógio da estação de trem de Harbin bateu doze vezes. Liu Tiezhu apertou o casaco de algodão, pisando na plataforma congelada, os passos ecoando claramente.

Hu Dabangzi esfregava as mãos atrás, a respiração formando nuvens brancas que se condensavam rapidamente no vento frio.

"Este lugar maldito é dez vezes mais frio que Pequim." Hu Dabangzi batia os pés, reclamando.

Liu Tiezhu não disse nada, seus olhos percorrendo os poucos passageiros na plataforma.

Um velho de chapéu de pele de cachorro, agachado num canto vendendo batatas-doces assadas; dois jovens de sobretudo militar, rondando perto da catraca; uma mulher com uma criança no colo, vendendo sementes de girassol aos passageiros.

Parecia normal, mas o instinto de Liu Tiezhu dizia que alguém os observava.

"Primeiro, encontre um lugar para ficar." Ele baixou a voz. "Estamos sendo seguidos."

Hu Dabangzi assentiu discretamente, e os dois saíram da estação com a multidão.

Na praça em frente, algumas carroças estavam paradas. Os cocheiros, envoltos em jaquetas de algodão surradas, batiam os pés sem parar no vento frio.

Liu Tiezhu escolheu a carroça mais afastada: "Distrito de Daowai, Rua Jingyu."

O cocheiro ergueu os olhos turvos para ele: "Dois dólares de prata."

Muito caro, claramente um preço abusivo.

Mas Liu Tiezhu não barganhou, subiu direto na carroça.

Hu Dabangzi entendeu: era para testar o cocheiro.

A carroça rangeu pelas ruas cobertas de neve.

Liu Tiezhu fingiu cochilar, mas observava por trás das pálpebras.

De fato, um carro preto os seguia, sem pressa.

"Moço, vire à direita no próximo cruzamento." Ele disse de repente.

O cocheiro não virou a cabeça: "Para a Rua Jingyu, é em frente."

"Mudei de ideia. Vá para a Rua Central."

As costas do cocheiro ficaram visivelmente tensas: "Vai ter que pagar mais."

Liu Tiezhu e Hu Dabangzi trocaram olhares.

O distrito de Daowai era a parte antiga de Harbin, cheia de gente de todo tipo, ideal para se esconder.

Já a Rua Central era área de concentração soviética. Um cocheiro comum não recusaria ir para lá.

A carroça de repente virou para um beco. A mão de Liu Tiezhu deslizou silenciosamente para a cintura.

"Senhores oficiais," o cocheiro falou de repente, a voz ficando estranhamente clara, "aquele carro atrás está seguindo vocês há quatro quarteirões."

Liu Tiezhu apertou os olhos: "Quem é você?"

O cocheiro tirou o chapéu de pele de cachorro, revelando um rosto cheio de cicatrizes: "Velho Chen, segui o Comandante Yang na Resistência Antijaponesa."

Liu Tiezhu estremeceu. Velho Chen, o velho armeiro que havia desaparecido na explosão da emboscada.

"Você não morreu?"

"Por pouco." Velho Chen estalou o chicote. "Resumindo, vocês vieram investigar Fujiwara?"

Hu Dabangzi quase pulou: "Como você sabe?"

"Harbin é pequena." Velho Chen riu com desdém. "Aquele velho japonês está escondido na casa atrás da Igreja de Santa Sofia, com um bando de guarda-costas brancos russos."

A carroça serpenteou pelos becos e parou finalmente diante de um prédio de dois andares, velho e decadente.

Velho Chen pulou: "Aqui é seguro. Vamos conversar lá dentro."

Dentro do prédio, estava quente como primavera. Velho Chen preparou um bule de chá de jasmim, cujo aroma dissipou o cheiro de mofo.

"Em 1946, a peste matou dezenas de milhares." Velho Chen entregou a Liu Tiezhu um jornal amarelado. "Na verdade, foi um teste de armas biológicas de Fujiwara."

Liu Tiezhu pegou o jornal. Data: 3 de outubro de 1946. Na primeira página, um anúncio do governo municipal sobre medidas de controle da peste.

"Na época, encontramos pistas e estávamos prontos para invadir o covil dele." Velho Chen arregaçou a manga, revelando cicatrizes chocantes no braço. "Mas caímos numa emboscada. Só eu escapei."

Hu Dabangzi franziu a testa: "E depois disso, Fujiwara desapareceu?"

"Aparentemente." Velho Chen puxou um mapa debaixo do colchão de kang. "Na verdade, ele mudou de identidade, se infiltrou como cidadão soviético e continuou o Projeto Bétula."

No mapa, vários círculos vermelhos marcavam edifícios importantes de Harbin.

Liu Tiezhu notou que a Ponte Ferroviária do Rio Songhua estava especialmente destacada.

"O que é o Projeto Bétula?"

Velho Chen balançou a cabeça: "Só sei que tem a ver com a ponte ferroviária. Daqui a três dias, um trem especial soviético vai passar, transportando materiais importantes para o Porto de Lüshun."

Liu Tiezhu lembrou do telegrama interceptado. As datas coincidiam.

"A casa atrás da igreja tem um porão. Toda noite, caminhões entram e saem." Velho Chen complementou. "Vigiei por meio mês e descobri que estão levando explosivos para lá."

Hu Dabangzi assobiou: "Vão explodir a ponte ferroviária?"

"Muito óbvio." Liu Tiezhu balançou a cabeça. "Fujiwara não é desse estilo."

Enquanto falavam, de repente ouviram o som de um motor de carro do lado de fora.

Velho Chen apagou a lamparina a óleo imediatamente. Os três prenderam a respiração.

Dois faróis potentes varreram a janela, seguidos por passos confusos.

"Porra! Fomos descobertos!" Velho Chen puxou uma submetralhadora debaixo do kang. "Saída pelos fundos!"

Liu Tiezhu mal se levantou quando a porta da frente foi chutada.

Três homens de preto invadiram, suas PPSh cuspindo fogo!

Tá-tá-tá!

Velho Chen rolou para trás de uma mesa e respondeu com uma rajada. Um dos homens de preto caiu.

Liu Tiezhu sacou a pistola Mauser, dois tiros certeiros no meio da testa do segundo homem.

O terceiro homem ia atirar, mas Hu Dabangzi saltou de lado, suas mãos como tenazes de ferro torcendo o pescoço do inimigo.

"Vamos!" Velho Chen abriu a janela dos fundos.

Assim que os três pularam, mais cinco ou seis homens de preto entraram pela frente. As balas perseguiram seus calcanhares, levantando respingos de gelo na neve.

Velho Chen os guiou por becos labirínticos, até se esconderem num armazém abandonado.

Hu Dabangzi ofegava, verificando a munição: "Porra, como esses caras nos encontraram?"

"Cocheiro." Liu Tiezhu riu com desprezo. "Aquele velho vendendo batatas-doces na estação. As mãos dele não tinham calos de frio."

Velho Chen bateu na testa: "Descuido. Aquele é o DiGua Liu, informante de Fujiwara, especializado em vigiar a estação."