Capítulo 421: Capítulo 421: Liu Tiezhu à Beira da Morte

A onda de choque da explosão jogou Hu Dabangzi no chão.

Ele se levantou com dificuldade, os ouvidos zumbindo e a visão turva.

A torre de artilharia abandonada ao longe havia se transformado em uma enorme bola de fogo, com fumaça negra subindo em direção ao céu.

— Zhuzi... — gritou Hu Dabangzi com a voz rouca, correndo cambaleante em direção à torre.

Xiao Zhang foi mais rápido que ele, correndo como um louco em direção ao mar de chamas.

Os resquícios da explosão ainda tremulavam, e uma onda de calor o atingiu, mas ele não se importou.

— Irmão Zhuzi! — a voz de Xiao Zhang já havia mudado de tom.

Os destroços da torre ainda queimavam, com pedaços de concreto e barras de aço retorcidas espalhados pelo chão.

Xiao Zhang, com as mãos nuas, afastava pedras quentes, e seus dedos logo ficaram feridos e sangrando.

Quando Hu Dabangzi chegou, Xiao Zhang já havia escavado até a posição da escada.

Lá, havia uma pilha de placas de aço e vigas de madeira deformadas pela explosão, sob as quais estava uma figura humana.

— Aqui! — a voz de Xiao Zhang tremia.

Os dois juntos levantaram a pesada placa de aço.

Liu Tiezhu estava deitado ali, imóvel, coberto de sangue.

Hu Dabangzi estendeu a mão trêmula para sentir a artéria carótida de Liu Tiezhu, e o tempo pareceu congelar.

— Ainda... ainda tem pulso! — Hu Dabangzi mal acreditava no que sentia.

Xiao Zhang imediatamente tirou o casaco e colocou-o cuidadosamente sob a cabeça de Liu Tiezhu.

A perna direita dele estava ainda mais grave: o gesso estava completamente quebrado e o osso havia se deslocado novamente.

Mas, milagrosamente, a onda de choque da explosão e as placas de aço e vigas de madeira formaram uma espécie de proteção, impedindo que ele fosse despedaçado diretamente.

— Rápido, para o hospital! — Hu Dabangzi carregou Liu Tiezhu nas costas e correu em direção à moto.

Xiao Zhang não o seguiu imediatamente; ele olhou fixamente para os destroços da torre, com a testa franzida.

— O que foi? — gritou Hu Dabangzi, virando-se.

— Não está certo... — murmurou Xiao Zhang. — Onde está o cadáver de Sato?

Hu Dabangzi parou, surpreso.

De fato, além de Liu Tiezhu, eles não viram nenhum outro resto humano.

Em teoria, com uma explosão tão violenta, Sato deveria ter sido despedaçado.

— Não podemos nos preocupar com isso agora, primeiro salve o Zhuzi. — disse Hu Dabangzi, rangendo os dentes.

Xiao Zhang deu uma última olhada nos destroços e de repente notou algo sob uma placa de metal retorcida.

Ele se abaixou para pegar: era uma viseira de couro queimada e enegrecida.

No interior da viseira, havia um pequeno símbolo japonês bordado com fio de ouro.

Xiao Zhang não conhecia japonês, mas já tinha visto aquele símbolo antes, nas barras de ouro do cofre subterrâneo da Vila Juyi.

— Lao Hu, olha isso! — Xiao Zhang ergueu a viseira.

Hu Dabangzi deu uma olhada: — Guarde, vamos!

No Hospital do Condado de Heihe, o caos reinou novamente.

Os médicos, ao verem os ferimentos de Liu Tiezhu, inspiraram fundo.

— Fratura na perna direita agravada, ombro esquerdo deslocado, três costelas trincadas. — disse o médico-chefe, examinando rapidamente.

As luzes da sala de cirurgia ficaram acesas por seis horas inteiras.

Hu Dabangzi e Xiao Zhang esperaram do lado de fora, sem dizer uma palavra.

Quando o céu começou a escurecer, a porta da sala de cirurgia finalmente se abriu.

O médico-chefe saiu, tirou a máscara, com o rosto cheio de cansaço.

— Temporariamente fora de perigo, mas... — ele hesitou — a perna direita está complicada.

Hu Dabangzi bateu com o punho na parede, e os nós dos dedos começaram a sangrar.

Xiao Zhang, no entanto, estava estranhamente calmo: — Podemos vê-lo?

— Ainda não, ele precisa ir para a UTI. — o médico balançou a cabeça. — Vão descansar.

Hu Dabangzi e Xiao Zhang foram levados pela enfermeira para a sala de descanso.

Assim que a porta se fechou, Xiao Zhang imediatamente tirou a viseira queimada.

— Lao Hu, acho que tem algo errado. — disse Xiao Zhang em voz baixa. — A explosão foi muito limpa.

Hu Dabangzi franziu a testa: — O que quer dizer?

— Já vi explosões de dinamite na Guerra da Coreia. — Xiao Zhang apontou para a viseira. — Uma explosão desse nível, se fosse uma bomba amarrada ao corpo, teria deixado pelo menos alguns... tecidos humanos, mas não encontramos nada.

Os olhos de Hu Dabangzi se arregalaram: — Você quer dizer...?

— Sato pode não estar morto. — a voz de Xiao Zhang estava fria como gelo. — Aquela explosão pode ter sido uma cortina de fumaça.

Hu Dabangzi levantou-se de repente: — Droga, então o Zhuzi está em perigo agora.

— Vou ficar de guarda. — Xiao Zhang o segurou. — Vá encontrar Ivanov. Se Sato ainda estiver vivo, ele vai voltar.

Hu Dabangzi assentiu e se virou para sair.

Quando chegou à porta, voltou: — Xiao Zhang, me dê essa viseira. Vou investigar esse símbolo.

Xiao Zhang entregou a viseira e de repente lembrou de algo: — Espera, o irmão Zhuzi disse antes que o pai de Sato, antes de morrer no Monte Hutou, gritou um nome.

— Sachiko. — lembrou Hu Dabangzi. — A irmã dele.

— Investigue essa pessoa. — disse Xiao Zhang. — Se Sato realmente estiver vivo, ele vai procurá-la.

Depois que Hu Dabangzi saiu apressadamente, Xiao Zhang voltou silenciosamente para fora da UTI.

Através do vidro, ele viu Liu Tiezhu deitado imóvel na cama, cheio de tubos, com a perna direita envolta em espessas ataduras médicas.

A mão de Xiao Zhang tocou instintivamente a cintura, onde estava um bisturi "emprestado" da sala de instrumentos do hospital.

A noite avançou, e o corredor do hospital foi ficando mais silencioso.

A enfermeira de plantão vinha verificar a cada hora; no resto do tempo, só se ouvia o som rítmico dos monitores.

Às 3h17 da madrugada, um "médico" de jaleco branco e máscara empurrava um carrinho de medicamentos, caminhando lentamente em direção à UTI.

Xiao Zhang, que estava de guarda do lado de fora, imediatamente ficou alerta.

A maneira de andar daquele "médico" era estranha, a perna direita parecia não ser muito ágil.

— Visita. — a voz do médico saía abafada pela máscara.

Xiao Zhang se levantou e bloqueou a porta: — Já fizeram a visita agora há pouco.

— Medicação extra. — os olhos do médico pareciam especialmente profundos sob a luz.

A mão de Xiao Zhang tocou discretamente a parte de trás da cintura: — Que medicação?

O médico não respondeu, mas de repente tirou de baixo do carrinho um bisturi brilhante, apontando para a garganta de Xiao Zhang.

Xiao Zhang já estava preparado; desviou-se para o lado e, ao mesmo tempo, sacou seu próprio bisturi para contra-atacar.

Os dois bisturis se chocaram no ar, produzindo um som metálico nítido.

— Sato! — rosnou Xiao Zhang.

O médico arrancou a máscara, revelando o rosto jovem, com um olho coberto por uma nova viseira e o outro vermelho de sangue. Era ninguém menos que Sato Ichiro.

— Você é mais esperto do que pensei. — Sato riu com desdém, mas sua voz era ligeiramente diferente daquela no topo da torre.

Xiao Zhang não perdeu tempo; o bisturi traçou um brilho frio em direção à garganta do oponente.

Sato recuou com agilidade, enquanto tirava uma pistola de baixo do jaleco.

No momento crítico, um grito ecoou do fim do corredor: — Parem!

Hu Dabangzi chegou com três soldados armados.

Vendo a situação desfavorável, Sato empurrou violentamente o carrinho em direção a Xiao Zhang, virou-se e arrombou a porta da saída de incêndio ao lado, desaparecendo na escuridão.

— Persigam! — gritou Hu Dabangzi, e dois soldados correram atrás.

Xiao Zhang quis ir, mas Hu Dabangzi o segurou: — Não caia na armadilha de distração, fique de guarda com o Zhuzi!

Hu Dabangzi tirou um documento do bolso: — Descobri, o símbolo é o brasão de uma antiga família japonesa. Sato Hideki era originalmente da família Kuroda, um filho ilegítimo.

Xiao Zhang folheou rapidamente o documento e parou em uma foto, tirada em Harbin em 1944. Atrás de Sato Hideki estava uma menina de cerca de doze ou treze anos, de rosto delicado.

Abaixo da foto, estava escrito: Kuroda Sachiko.

— Sachiko ainda está viva? — perguntou Xiao Zhang.

— Não só viva, — a voz de Hu Dabangzi estava gelada — ela está na China agora.

— Onde?

— Pequim. — Hu Dabangzi apontou para a última página do documento. — Hospital Central, psiquiatra.

Xiao Zhang inspirou fundo: — Aquele ali não era Sato?

— Sato Ichiro realmente morreu. — disse Hu Dabangzi em tom grave. — O do topo da torre era um sósia. O verdadeiro Sato Ichiro morreu de doença há três anos.

— Então aquele ali?

— É Sachiko. — as palavras de Hu Dabangzi foram como um trovão. — A filha de Sato Hideki, Kuroda Sachiko. Ela se disfarçou de homem o tempo todo para vingar o pai e o irmão.

Xiao Zhang ficou como se tivesse levado um raio.

Tudo se encaixava: por que a figura de Sato parecia um pouco pequena, por que a voz no topo da torre e agora era ligeiramente diferente.

— Ela vai voltar. — Xiao Zhang olhou para a UTI. — O irmão Zhuzi sabe da verdade?

Hu Dabangzi balançou a cabeça: — Não tenho certeza, mas quando ele gritou o nome Sachiko no topo da torre, deve ter percebido algo.

Enquanto falavam, um alarme estridente soou de repente na UTI.

Os dois se viraram bruscamente e viram o eletrocardiograma de Liu Tiezhu se transformar em uma linha reta.

— Não! — Xiao Zhang bateu desesperadamente no botão de chamada.

Médicos e enfermeiras entraram correndo e começaram a reanimação de emergência.

— Adrenalina, prepare o desfibrilador!

Hu Dabangzi e Xiao Zhang foram impedidos de entrar, só podiam observar os médicos trabalhando.

Um minuto...

Dois minutos...

Finalmente, o monitor cardíaco mostrou ondas novamente.

O médico-chefe saiu, com o rosto sério.

— O paciente teve uma parada cardíaca breve, de causa desconhecida. — Agora está temporariamente estável, mas... — Mas o quê? — perguntou Xiao Zhang, ansioso. — A atividade das ondas cerebrais dele está muito fraca. — o médico hesitou. — Simplificando, ele pode ter entrado em coma profundo. Não se sabe quando vai acordar.